quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Poesia De quinta Na Usina: Fernando Pessoa: 66:


"Dói-me qualquer sentimento que desconheço; falta-me qualquer argumento não sei sobre o
quê; não tenho vontade nos nervos. Estou triste abaixo da consciência. E escrevo estas linhas,
realmente mal-notadas, não para dizer isto, nem para dizer qualquer coisa, mas para dar um
trabalho à minha desatenção. Vou enchendo lentamente, a traços moles de lápis rombo - que
não tenho sentimentalidade para aparar - , o papel branco de embrulho de sanduíches, que
me forneceram no café, porque eu não precisava de melhor e qualquer servia, desde que fosse

branco. E dou-me por satisfeito."





Do Livro do Desassossego - Bernardo Soares
Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)
Fonte: http://www.cfh.ufsc.br/~magno/

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