quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Poesia De Quinta Na Usina: Florbela Espanca: NO HOSPITAL:À Théa:



Na vasta enfermaria ela repousa Tão branca como a orla do lençol Gorjeia a sua voz ternos perfumes Como no bosque à noite o rouxinol. É delicada e triste. O seu corpito Tem o perfume casto da verbena.
Não são mais brancas as magnólias brancas Que a sua boca tão branca e pequena.
Ouço dizer: - Seu rosto faz sonhar! Serão pétalas de rosa ou de luar? Talvez a neve que chorou o inverno...
Mas vendo-a assim tão branca, penso eu: É um astro cansado, que do céu

Veio repousar nas trevas dum inferno!

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