quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Poesia De Quinta Na Usina: Mario Quintana :Tempestade noturna:




Noite alta, na soçobrante Nau exposta aos quatro ventos, em pleno céu sulcado de relâmpagos, os marinheiros mortos trovejam palavrões.
Ó velhos marinheiros meus avos...

para eles ainda não terminou a espantosa Era dos Descobrimentos!
Santa Bárbara e São Jerônimo, transidos de divino amor,
escutam suas pragas como orações.

Quando eu acordar amanhã, livre e liberto como uma [asa –
vou rezar a São Jerônimo vou rezar a Santa Bárbara

por este nosso fim de século pobre Nau perdida no [nevoeiro
que em vão busca o rumo das eternas, das misteriosas Américas ainda por [descobrir!

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