quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Poesia De Quinta Na Usina: Fernando Pessoa:112:


" Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. 
É a umconceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. 
No amos sexual buscamos um prazer nosso por
intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, 
buscamos um prazer nosso
dado por intermédio de uma ideia nossa. O onanista é objecto, mas,
 em exacta verdade, o
onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. 
É o único que não disfarça nem se engana.
As relações entre uma alma e outra, 
através de coisas tão incertas e divergentes como as
palavras comuns e os gestos que se empreendem, 
são matéria de estranha complexidade. No
próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. 
Dizem os dois «amo-te» ou pensamno
e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, 
uma vida diferente, até,
porventura, uma cor ou um aroma diferente, 
na soma abstracta de impressões que constitui a
atividade da alma. "

"É de compreender que sobretudo nos cansamos. Viver é não pensar."






Do Livro do Desassossego - Bernardo Soares
Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)
Fonte: http://www.cfh.ufsc.br/~magno/

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