quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Poesia De Quinta Na Usina: Mário Quintana:O homem do botão:



Quando esta velha nave espacial do mundo for um [dia a pique
Não haverá iceberg nenhum que o explique... Apenas Um de nós, em desespero
como quem se livra de terrível dor de cabeça - com [uma bala rápida no ouvido -
Vai apertar primeiro o botão: Clic!
Tão simples... E os mais espertos venderão, A preços populares. arquibancadas na Lua Ou caríssimos camarotes de luxo
Para que possam todos assistir à nossa ÚLTIMA [FUNÇÃO.
O perigo

É que a arquibancada desabe

Ou que a própria Lua venha a cair no caldeirão [fervente
Enquanto isso, Deus, que afinal é clemente, Põe-se a cogitar na criação. em outro mundo, De uma nova humanidade

- sem livre-arbítrio - Principalmente sem livre-arbítrio... Mas com esse puro instinto animal

Que o homem do botão atribuía apenas às espécies [inferiores.

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