quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Poesia De Quinta Na Usina: Mário Quintana: Poema transitório:

Eu que nasci na Era da Fumaça: - trenzinho vagaroso com vagarosas
paradas

em cada estaçãozinha pobre para comprar
pastéis
pés-de-moleque sonhos

principalmente sonhos!

porque as moças da cidade vinham olhar o trem passar: elas suspirando maravilhosas viagens e a gente com um desejo súbito de ali ficar morando sempre... Nisto,
o apito da locomotiva e o trem se afastando e o trem arquejando
é preciso partir é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar... Ah, como esta vida é [urgente!
no entanto

eu gostava era mesmo de partir...

e - até hoje - quando acaso embarco para alguma parte
acomodo-me no meu lugar fecho os olhos e sonho: viajar, viajar
mas para parte nenhuma... viajar indefinidamente...

como uma nave espacial perdida entre as  estrelas.


Nenhum comentário:

Postar um comentário