quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Poesia De Quinta Na Usina: Augusto dos Anjos: O MORCEGO:



Meia-noite. Ao meu quarto me recolho. Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede: Na bruta ardência orgânica da sede,

Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

“Vou mandar levantar outra parede...”

-- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho, Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego A tocá-lo. Minh’alma se concentra. Que ventre produziu tão feio parto?!


A Consciência Humana é este morcego! Por mais que a gente faça, à noite ele entra Imperceptivelmente em nosso quarto!

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