quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Poesia De quinta Na Usina: Luís de Camões: soneto: 032:



Vós que, d'olhos suaves e serenos, com justa causa a vida cativais,

e que os outros cuidados condenais por indevidos, baixos e pequenos;

se ainda do Amor domésticos venenos nunca provastes, quero que saibais

que é tanto mais o amor despois que amais, quanto são mais as causas de ser menos.

E não cuide ninguém que algum defeito, quando na cousa amada s'apresenta, possa deminuir o amor perfeito;


antes o dobra mais; e se atormenta, pouco e pouco o desculpa o brando peito; que Amor com seus contrairos s'acrescenta.

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