quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Poesia De Quinta Na Usina: Florbela Espanca: ANSEIOS À minha Júlia:



Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade? Toma cautela com a realidade; Meu pobre coração olha cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais
Não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meu seio, negra prisão!... Ai, vê lá bem, ó doido coração,

Não te deslumbre o brilho do luar! Não ´stendas tuas asas para o longe... Deixa-te estar quietinho, triste monge, Na paz da tua cela, a soluçar!...

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