quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Poesia DE Quinta Na Usina: Mário Quintana:O colegial:


O vento passa lá fora

e eu, no quadro negro, imóvel

- ó muro de fuzilamento! Morro sem dizer palavra. O professor parece triste, talvez por outros motivos.
Manda sentar-me e eu carrego
ó almazinha assustada,

um zero, como uma auréola... Rezai, rezai pelas alminhas dos meninos fuzilados!
Por que é que nos ensinam tanta coisa?
Eu queria saber contar só com os dedos da mão! O resto é complicação, um nunca mais acabar.
Eu queria mesmo era poder estudar teu corpo todo com a mão
até sabê-lo de cor como um ceguinho.
E o vento passa lá fora

com a sua memória em branco. O que ele viu, nem recorda...

e eu nada vi: só adivinho!

Nenhum comentário:

Postar um comentário