quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Poesia De Quinta Na Usina:Mário Quintana: O anjo: PARA ELOI CALLAGE:






O meu Anjo da Guarda de asas negras tem uns olhos tão verdes como os teus.
E a mesma pele mate e... benza-o Deus!... também teus mesmos lábios dolorosos... Como o prendeste assim num sortilégio, para ficares - sempre - junto a mim?!
Ou fui eu que inventei tua aparência, nesta longa loucura sem remédio...
Pois não neste como no outro mundo o quanto eu vejo se transforma em ti.
Sei se o Anjo entende uns tais mistérios... Só sei que certa noite o pressenti...

Mas baixei os meus olhos incestuosos e os meus lábios sacrílegos mordi!

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