quinta-feira, 9 de março de 2017

Poesia De quinta Na Usina: Augusto dos Anjos: VERSOS A UM CÃO:



Que força pôde adstrita e embriões informes, Tua garganta estúpida arrancar
Do segredo da célula ovular Para latir nas solidões enormes?

Esta obnóxia inconsciência, em que tu dormes, Suficientíssima é, para provar
A incógnita alma, avoenga e elementar Dos teus antepassados vemiformes.

Cão! -- Alma do inferior rapsodo errante! Resigna-a, ampara-a, arrima-a, afaga-a, acode-a A escala dos latidos ancestrais...

E irás assim, pelos séculos adiante,

Latindo a esquisitíssima prosódia


Da angústia hereditária dos teus pais!

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