quinta-feira, 6 de abril de 2017

Poesia De Quinta Na Usina: Luís de Camões: Soneto 058:



A Morte, que da vida o nó desata, os nós, que dá o Amor, cortar quisera
na Ausência, que é contr' ele espada fera, e co Tempo, que tudo desbarata.

Duas contrárias, que üma a outra mata, a Morte contra o Amor ajunta e altera: üma é Razão contra a Fortuna austera, outra, contra a Razão, Fortuna ingrata.

Mas mostre a sua imperial potência a Morte em apartar dum corpo a alma, duas num corpo o Amor ajunte e una;


porque assi leve triunfante a palma, Amor da Morte, apesar da Ausência, do Tempo, da Razão e da Fortuna.

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