quinta-feira, 13 de julho de 2017

Poesia De Quinta Na Usina: Florbela Espanca: ERRANTE:



Meu coração da cor dos rubros vinhos Rasga a mortalha do meu peito brando E vai fugindo, e tonto vai andando
A perder-se nas brumas dos caminhos. Meu coração o místico profeta,
O paladino audaz da desventura, Que sonha ser um santo e um poeta, Vai procurar o Paço da Ventura... Meu coração não chega lá decerto...
Não conhece o caminho nem o trilho, Nem há memória desse sítio incerto... Eu tecerei uns sonhos irreais...

Como essa mãe que viu partir o filho, Como esse filho que não voltou mais!

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