quinta-feira, 13 de julho de 2017

Poesia De Quinta Na Usina: Florbela Espanca: CEGUEIRA BENDITA:



Ando perdida nestes sonhos verdes De ter nascido e não saber quem sou, 
Ando ceguinha a tatear paredes
E nem ao menos sei quem me cegou! Não vejo nada, tudo é morto e vago... 
E a minha alma cega, ao abandono Faz-me lembrar o nenúfar dum lago
´Stendendo as asas brancas cor do sonho... 
Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo E não ver nada nesse mar sem fundo, 
Poetas meus irmãos, que triste sorte!...

E chamam-nos a nós Iluminados! Pobres cegos sem culpas, sem pecados, 
A sofrer pelos outros té à morte!

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