quarta-feira, 26 de julho de 2017

Quarta Na Usina: Poetisas Da rede:Renata Rothstein: É Noite:


É noite. E o choro ora, agoniza, pousa sua fronte leve e indefinível sobre um túmulo gris, invisível. E eu (anverso inacabado) encerro os pesadelos de outrora, mero disfarce: um sonho, só - e é tão só agora o breu que espera, é hora. Meu último ato incinera símbolos e os muros sem fim abismos sem fundo e eu simplesmente calo, exalo o exato fragmento do nada: um segundo e o tudo que já não se sabe, que não se cabe, quem sabe enfim acabe, meu mundo? Enfermo suspiro, gozo profundo, estéril adeus.
O indelével, tecendo bainhas de ouro num destino mordaz, sorri a inocência de quem pouco espera, ou crê. Inverso da desejada ignorância, resigna-se persigna-se e carrega o fardo de saber-se livre, pisoteando, solitário, o estratégico drama - do que julgam ser.

Um comentário:

  1. Tão belo, tão profundo...emocionou-me.
    Senti como viver é volátil e finito.
    Parabéns Renata Rothstein

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