sexta-feira, 12 de julho de 2013

Machado de Assis; Poema: MINHA MUSA:

 RJ, 22 fev. 1856

A Musa, que inspira meus tímidos cantos,
É doce e risonha, se amor lhe sorri;
É grave e saudosa, se brotam-lhe os prantos.
Saudades carpindo, que sinto por ti.
A Musa, que inspira-me os versos nascidos
De mágoas que sinto no peito a pungir,
Sufoca-me os tristes e longos gemidos,
Que as dores que oculto me fazem trair.
A Musa, que inspira-me os cantos de prece,
Que nascem-me d’alma, que envio ao Senhor.
Desperta-me a crença, que às vezes ‘dormece
Ao último arranco de esp’ranças de amor.
A Musa, que o ramo das glórias enlaça,
Da terra gigante — meu berço infantil,
De afetos um nome na idéia me traça,
Que o eco no peito repete: — Brasil!
A Musa, que inspira meus cantos é livre,
Detesta os preceitos da vil opressão,
O ardor, a coragem do herói lá do Tibre,
Na lira engrandece, dizendo: — Catão!
O aroma de esp’rança, que n’alma recende,
É ela que aspira, no cálix da flor;
É ela que o estro na fronte me acende,
A Musa que inspira meus versos de amor!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Fernando Pessoa; Poema: A Flor que És:

A flor que és, não a que dás, eu quero.
Porque me negas o que te não peço.
Tempo há para negares
Depois de teres dado.
Flor, sê-me flor! Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perere
Sombra errarás absurda,

Buscando o que não deste.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Poema: O elucido fazer.




Como poderei eu inventar se antes 
não destruir o já feito para poder 
assim lhe mostrar os meus feitos.

Assim elucidarei meus sentimentos 
para que meus feitos estejam mais presentes.

D'Araujo.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Machado de Assis; Poema: UM ANJO:

RJ, out. 1855.
À MEMÓRIA DE MINHA IRMÃ.

Se deixou da vida o porto
Teve outra vida nos céus.
A. E. ZALUAR
Foste a rosa desfolhada
Na urna da eternidade,
Pr’a sorrir mais animada,
Mais bela, mais perfumada
Lá na etérea imensidade.
Rasgaste o manto da vida,
E anjo subiste ao céu
Como a flor enlanguecida
Que o vento pô-la caída
E pouco a pouco morreu!
Tu’alma foi um perfume
Erguido ao sólio divino;
Levada ao celeste cume
C’os Anjos oraste ao Nume
Nas harmonias dum hino.
Alheia ao mundo devasso,
Passaste a vida sorrindo;
Derribou-te, ó ave, um braço,
Mas abrindo asas no espaço
Ao céu voaste, anjo lindo.
Esse invólucro mundano
Trocaste por outro véu;
Deste negro pego insano
Não sofreste o menor dano
Que tu’alma era do Céu.
Foste a rosa desfolhada
Na urna da eternidade
Pr’a sorrir mais animada
Mais bela, mais perfumada

Lá na etérea imensidade.

domingo, 7 de julho de 2013

Fernando Pessoa; Poema: Acima da Verdade:

Acima da verdade estão os deuses.
A nossa ciência é uma falhada cópia
Da certeza com que eles
Sabem que há o Universo.
Tudo é tudo, e mais alto estão os deuses,
Não pertence à ciência conhecê-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como às flores,
Porque visíveis à nossa alta vista,
São tão reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo

São outra Natureza.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Poema: O amanhã.




Como me preocupar com o amanhã 
se ainda vejo o hoje me escapar 
por entre os dedos.

Antes de planejar o amanhã 
tenha a certeza absoluta de ter 
vivido inteiramente o hoje.

Pois o amanhã sempre virá, 
Pois o amanhã nada mais é 
do que a soma do ontem com o hoje, 
e um amanhã quem sabe...

D'Araujo.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Fernando Pessoa: Poema: A Cada Qual:

A cada qual, como a estatura, é dada
A justiça: uns faz altos
O fado, outros felizes.
Nada é prêmio: sucede o que acontece.
Nada, Lídia, devemos

Ao fado, senão tê-lo.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Fernando pessoa; Poema: A Abelha.

A abelha que, voando, freme sobre
A colorida flor, e pousa, quase
Sem diferença dela
À vista que não olha,
Não mudou desde Cecrops. Só quem vive
Uma vida com ser que se conhece
Envelhece, distinto
Da espécie de que vive.
Ela é a mesma que outra que não ela.
Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! 
Mortalmente compramos

Ter mai vida que a vida.

domingo, 30 de junho de 2013

Poema: Mentira.




Não existe o indesejado, 
apenas o inoportuno.
Com a clareza do desconhecido,

Ilumino o tempo para o escuro claro, 
do viver a dor de um sentimento 
quase que casual, ao fato pleno.

Viver as suas verdades e sucumbir 
o desejo da mentira quase inevitável.

D'Araujo.

sábado, 29 de junho de 2013

Poema de Fernando Pessoa: A pálida luz da manhã de inverno:


A pálida luz da manhã de inverno,
O cais e a razão.
Não dão mais Esperança, nem menos Esperança sequer,
Ao meu coração.
O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou que não.
No rumor do cais, no bulício do rio
Na rua a acordar
Não há mais sossego, nem menos sossego sequer,
Para o meu Esperar.
O que tem que não ser

Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar.

Poema: Não mais...




Estando eu vivo meus olhos veem,
Então paro, penso, reflito e sinto.

Ando, corro, canso, sento,
Vejo, paro,penso, reflito e sinto.

Deito, durmo sonho, acordo,
Vejo, paro,penso, reflito e sinto.

E com o tempo se esvaindo por entre os dedos da insensatez.
Envelheço, esmoreço morro,
Não mais vejo,
Não mais paro,
Não mais penso,
Não mais reflito,
Não mais sinto,

Não mais...

terça-feira, 25 de junho de 2013

Poema: Mente.




Assim como se lança a pedra 
no rio das incertezas.
Submergem-se a agonia do 
ser e lhe foge o saber.

Mas também carrega as certezas 
memoráveis do indiscutível universo 
da usurpação da mente lógica real e conflitante.

D'Araujo.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Poema: Lúcido.


                                                         Esperando o inesperado 
tudo é possível.
Nunca atravesse a rua 
sem ir alem do imaginário.

pois as surpresas da vida 
nada mais são do que o simples 
desejo de ir alem.

O amor renasce como uma chama
interminável que queima em silêncio, 
muito além do planejado,

o efêmero sabor de um sonho que nunca vem, 
se torna irracional e absoluto.

E viaja entre o lúcido ou irreal e está 
alem do querer quase que eterno.

D'Araujo.

domingo, 16 de junho de 2013

Poema: Fuga.

                                                 
                                                 


Podemos fugir, nos esconder e até negarmos
Nossos desejos.
Mas nunca conseguiremos nos esconder

Das nossas necessidades.

sábado, 15 de junho de 2013

Poema: Sonhos e loucuras de um mundo louco.




Louco como um louco.
A loucura de achar que achou a cura
Para os males do mundo.
Louco de achar que ainda é pouco,
Louco.

Ao ponto de lutar sozinho
Mesmo sem conhecer o caminho,
Louco em seguir esta estrada
Mesmo que ela vá dar no nada.
Louco, uma loucura desvairada.

E ainda assim ter a coragem de gritar sozinho 
Louco de não ficar calado,
E ainda apontar o culpado
Certamente um louco
A vagar num mundo com sonhos profundos
De recuperar as vidas perdidas
Que há nesse mundo, louco.

Louco por cultuar por justiça
Louco por pregar a paz.
Um louco mais consciente
E capaz de mudar o mundo
Nem que seja por alguns segundos.
         
 É uma loucura sadia
De uma vida vadia.
Feito criança que não perde a esperança.

E guarda na lembrança
De um louco sonhador
Que guarda em si toda a dor
A dor dos loucos do mundo.
         
E num suspiro imenso
Ver os postes pensos da vida.
Louco por excelência
Com sua crença, crença de louco.
Que vai sumindo aos poucos.

Louco de querer mudar seu sonho,
Tristonho
Num campo minado, e mesmo desarmado
Enfrenta os culpados,
Louco, como um louco que ama
Sem ser amado.
         
Um louco vendo o mundo de um plano superior,
Suportando toda dor
Da loucura de ser louco.
Consciente da sua loucura impaciente
Louco de ver tanta gente que devia ser louco.

 E assim talvez a loucura deste mundo insano
Alcançaria um plano
Quem sabe o ideal.

Então a loucura fosse exatamente
O estado normal
E o que se diz por normal,
Não seria a loucura total.
         
Ah! A loucura de um louco
Que vai entrando aos poucos
No sistema deste mundo louco.

Prefiro ser louco a ser sano.
Sem consciência ou complacência

Dos fatos deste louco mundo...   

D'Araujo.

Poema: Ladeira.




Uma estrada meio torta 
do lado da outra porta 
e com a alma quase morta 
e fora de qualquer lógica.

Com a vida dividida como 
uma velha partida que 
não tem mais jeito, encontro 
mil defeitos dentro do meu peito.

Com o coração partido todo estilhaçado 
já não existe razão para tanta solidão.

Buscando um novo sonho e um novo 
desejo então é que vejo que está 
tudo errado ao meu lado.

Porque fico calado, pois para o mundo 
sempre serei o mesmo, eu que desci a ladeira, 
mas de qualquer maneira vou continuar a nadar 
até conquistar aquele velho lugar que sempre sonhei, 
e que acabei deixando passar sem me preocupar.

Mais ainda dar tempo de lá chegar, com todo defeito 
sempre haverá um jeito de se conquistar.

D'Araujo.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Poema: Harmônico.

Tenho dó daqueles que ré-encontro sem
que o tempo tenha me dado à chance de fá-zer 
tudo diferente.

Mais tem muita gente sol deixando o tempo passar 
sem se reciclar e lá vem tudo de novo e o nosso 
povo sempre a batalhar.

O seu pão de cada dia com toda harmonia que a vida dá.

Mais si deus quiser tudo vai dar pé.
Vou sempre com muita fé no meu 
criador prá apagar a dor deste meu cantar.

Às vezes eu acho que sai do cacho de cabeça 
pra baixo e sem a menor imunidade musical,

Pois a melodia me contamina como a menina a cantarolar.

D'Araujo.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Poema: Acorde.


 Porque você vai continuar aí sentado?
Acorde levante-se. Corra!
O mundo está esperando por você para ser salvo.
Pule, grite se faça ouvir.
Porque o mundo só muda se você mudar.

Outros povos não podem te ver.
Mas poderão te ouvir se você não desistir.
Não fale aos que te ouvem
Mas sim, para aqueles que fingem ser surdos.

Vamos, mostre as verdades do mundo.
Para aqueles que fingem ser cegos.

Acorde!
Hoje temos mais uma manhã de primavera
E continuamos a sua espera.
Vamos juntos salvar o mundo da hipocrisia
Da falta de alegria e gritar heresias.

Para enlouquecer aqueles que em seus
Palacetes de Mármore,
Tão frios quanto os seus sentimentos

Ignoram nossa existência.

Poema do Livro: O Grito da Alma poesias e pensamentos:

D'Araujo.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Poema: Força em movimento.




Entre o caos natural e uma esperança distante 
os novos senhores em seus palacetes discutem 
mais uma possibilidade de ganho.

Enquanto vidas se misturam nos escombros da
inconsequência, os barões do poder arquitetam 
seus novos planos de ações a seu favor.

Como podemos ser tão solidário na tragédia, 
mais ao mesmo tempo não somos capazes
de nos comprometermos para evitá-las.
vidas são interrompidas por nossas 
incapacidades de enxergar o obvio.

               Porque a força que nos consome é a 
               mesma que nos alimenta como a doce 
               e incontrolável natureza em movimento.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Poema: Assumir.




"Os incômodos das incertezas postas as nossas mesas, 
sempre atreladas as nossas vidas.
 Só existem por não conseguirmos assumir 
as nossas necessidades e desejos mais sinceros..."


D'Araujo.