sábado, 27 de julho de 2013

Fernando Pessoa; Poema: Aos Deuses:



Aos deuses peço só que me concedam
O nada lhes pedir. A dita é um jugo
E o ser feliz oprime.
Porque é um certo estado.
Não quieto nem inquieto meu ser calmo
Quero erguer alto acima de onde os homens
Têm prazer ou dores.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Tattoo - Zeca Baleiro

Machado de Assis; Poema: VAI-TE:



01/ janeiro/1858.

Por que voltaste? Esquecidos
Meus sonhos, e meus amores
Frios, pálidos morreram
Em meu peito. Aquelas flores
Da grinalda da ventura
Tão de lágrimas regada,
Nesta fronte apaixonada
Cingida por tua mão,
Secaram, mortas estão.
Pobre pálida grinalda!
Faltou-lhe um orvalho eterno
De teu belo coração.
Foi de curta duração
Teu amor: não compreendeste
Quanto amor esta alma tinha...
Vai, leviana andorinha,
A outro clima, outro céu:
Meu coração? Já morreu
Para ti e teus amores,
E não pode amar-te 
— vai!
O hino das minhas dores
Dir-to-á a brisa, à noite,
Num terno, saudoso 
— ai —
Vai-te — e possa a asa do vento
Que pelas selvas murmura,
Da grinalda da ventura
Que em mim outrora cingiste,
Inda um perfume levar-te,
Morta assim: como um remorso
Do teu olvido... eu amar-te?
Não, não posso; esquece, parte;
Eu não posso amar-te... vai!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Poema: Paraíso.





Como pensar em tristezas se tem
  você que sempre sonhei ao meu lado.

Como sentir frio se nas noites de 
intenso inverno, tenho seu corpo 
e seu espírito que me aquece.

Meu ser se compadece em festa, 
pois meus dias resplandecem com sua presença.
O que posso eu sonhar se você me faz sentir-me no paraíso.

Hoje nas noites de verão teu corpo me 
vem como centelhas douradas que serpenteiam 
meus sonhos de ter você, a plenitude de 
qualquer ser e ter você ao lado e te amar pra sempre.

D'Araujo.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Um por Todos e Todos por Um: #SARAU NA BIBLIOTECA, ESSE SÁBADO, VEM TODO MUNDO!...




Um por Todos e Todos por Um: #SARAU NA BIBLIOTECA, ESSE SÁBADO, VEM TODO MUNDO!...: Sábado, 13 de julho tem Sarau Dos Mesquiteiros e ENCONTRO LITERÁRIO na Biblioteca Municipal Rubens Borba de Morais, com Thiago De Freitas Pe...

Sarau sobrenome liberdade, 13º Edição:

Próximo dia 1 será uma noite de palavras 
e pessoas livres. Chegue junto!
Além de toda poesia, teremos:


☼ Lançamento do livro "Fragmentos dispersos",
de Mel Duarte;
♦ Sorteios de livros e cds;
☼ Produção de um grafite durante
o sarau por Frenesi Aem Ict;
Participação de poetas do Projeto Praga;
☻Projeção de curtas do cineasta Bruno Lima.
♦  Venda de livros, cds e camisetas.
 TRAGA SUA ARTE  
┼ Vamos juntos 

Quando: Dia 1 de agosto, às 20h.
Endereço: Relicário Rock Bar
Rua Manoel de Lima, 178 - Bairro Jordanópolis
COMO CHEGAR: Se vier de trem ou ônibus,
chegando no Terminal Grajaú, caminhe até a
Av. Teotonio Vilela, cruze essa avenida
e vá até a Rua Luis Viana, depois até a
Rua Rubem Souto de Araújo. Seja bem-vind@!

terça-feira, 23 de julho de 2013

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Criativa Transgressão: Eu quero...



Criativa Transgressão: Eu quero...: Eu quero brincar,  mesmo que seja de corpo às avessas.  Eu quero explorar  tudo o que minha mente consiga alcançar.  Eu quero reno...

Criativa Transgressão: Ardência de inconstâncias




Criativa Transgressão: Ardência de inconstâncias: Enigmas, estigmas,  racionalizei, rabisquei.  Escrevi tudo o que  podia exaurir qualquer expectativa,  mas verdades circundantes  ...

Metaforização Incisiva: Prazer auto descritivo


Metaforização Incisiva: Prazer auto descritivo: Prazer auto descritivo Auto descritivamente não passo de um sujeito que deseja desejar o extraordinário incomum. Desejar aquilo q...

Metaforização Incisiva: Sobre a finalidade do finalmente




Metaforização Incisiva: Sobre a finalidade do finalmente: ... Um ferimento aberto talvez sempre permaneça aberto mas ao receber um outro golpe um derradeiro e incisivo golpe ele ...


Concurso Nacional de Poesia: Ponta Grossa:




Frase do dia.




sábado, 20 de julho de 2013

Poema: Obrigações.




Inevitavelmente só, como todos 
somos mesmo com tudo que nos cercam.

O aperto indesejado das escolhas e as 
bolhas do oxigênio venenoso do desejo inevitável.

As cascas de uma trajetória sem escolhas.
Uma morte quase apocalipta.

Em um renascer sem sofrimento 
ou obrigações para com o mundo.

D'Araujo.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Concursos Literários: 30.08.2013 - 1º Festival de Poesias da Fecomerciár...


Concursos Literários: 30.08.2013 - 1º Festival de Poesias da Fecomerciár...: Informações: a) Concurso de Poesias b) Apenas para trabalhadores do comércio e práticos de farmácia do estado de São Paulo Premiação: ...

Concursos Literários: 30.08.2013 - VIII Varal de Poesias FAMMA


Concursos Literários: 30.08.2013 - VIII Varal de Poesias FAMMA: Informações: a) Concurso de Poesias b) Inscrição pelo site Prazo: 30 de Agosto de 2013 Organização: Faculdade Metropolitana de Marin...

Concursos Literários: 03.09.2013 - 9º Prêmio Licinho Campos de Poesias d...


Concursos Literários: 03.09.2013 - 9º Prêmio Licinho Campos de Poesias d...: Informações: a) Concurso de Poesias (em Português, Inglês ou Espanhol) b) Inscrição pela internet c) Tema: Amor Premiação: I) Publica...

Concursos Literários: 13.09.2013 - Concurso de Literatura Leopoldo Scher...



Concursos Literários: 13.09.2013 - Concurso de Literatura Leopoldo Scher...: Informações: a) Concurso de Contos, Crônicas, Poesias e Redações (esta última para autores com idade entre 8 e 14 anos) b) Tema: São José ...

Concursos Literários: 30.09.2013 - I Concurso Antares de Literatura - UC...


Concursos Literários: 30.09.2013 - I Concurso Antares de Literatura - UC...: Informações: a) Concurso de Poesias e Contos Premiação: I) Publicação em revista eletrônica Prazo: 30 de Setembro de 2013 Regulame...

Concursos Literários: 30.09.2013 - XI Concurso Regional Oscar Bertholdo ...



Concursos Literários: 30.09.2013 - XI Concurso Regional Oscar Bertholdo ...: Informações: a) Concurso de Contos, Crônicas e Poesias b) Categorias: Nascidos até 1994 / de 1995 a 1997 / de 1998 a 2001 / 2002 ou depoi...

Concursos Literários: 30.11.2013 - V Prêmio Nacional e XVI Prêmio Estadu...



Concursos Literários: 30.11.2013 - V Prêmio Nacional e XVI Prêmio Estadu...: Informações: a) Concurso Nacional de Livros Inéditos / Poesia b) Concurso Estadual de Poesias (apenas para naturais ou residentes no Cear...

Concursos Literários: 30.09.2013 - I Concurso Nacional da Academia Campo...

Concursos Literários: 30.09.2013 - I Concurso Nacional da Academia Campo...: Informações: a) Concurso de Poesias b) Inscrição por e-mail c) Categorias: Nacional / Estudante de Campo Largo Prazo: 30 de Setembro d...

Concursos Literários: 30.09.2013 - Concursos da Estância da Poesia Criou...


Concursos Literários: 30.09.2013 - Concursos da Estância da Poesia Criou...: Informações: a) Concurso de Poesias (com tema) e Sonetos (livre) b) Inscrições por e-mail Premiação: I) Troféus Prazo: 30 de Setembr...

Poema: O homem.


Pobre homem que revestido 
de sua ilusão branca.
Tende a querer consertar 
os sentimentos de outros homens.

Mal sabe ele, que não se 
conserta sentimentos, porque 
para isso existem os jovens sentimentos...

D'Araujo.

domingo, 14 de julho de 2013

Fernando Pessoa; Poema: Aguardo:

Aguardo, equânime, o que não conheço 
Meu futuro e o de tudo.
No fim tudo será silêncio, salvo

Onde o mar banhar nada.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Machado de Assis; Poema: MINHA MUSA:

 RJ, 22 fev. 1856

A Musa, que inspira meus tímidos cantos,
É doce e risonha, se amor lhe sorri;
É grave e saudosa, se brotam-lhe os prantos.
Saudades carpindo, que sinto por ti.
A Musa, que inspira-me os versos nascidos
De mágoas que sinto no peito a pungir,
Sufoca-me os tristes e longos gemidos,
Que as dores que oculto me fazem trair.
A Musa, que inspira-me os cantos de prece,
Que nascem-me d’alma, que envio ao Senhor.
Desperta-me a crença, que às vezes ‘dormece
Ao último arranco de esp’ranças de amor.
A Musa, que o ramo das glórias enlaça,
Da terra gigante — meu berço infantil,
De afetos um nome na idéia me traça,
Que o eco no peito repete: — Brasil!
A Musa, que inspira meus cantos é livre,
Detesta os preceitos da vil opressão,
O ardor, a coragem do herói lá do Tibre,
Na lira engrandece, dizendo: — Catão!
O aroma de esp’rança, que n’alma recende,
É ela que aspira, no cálix da flor;
É ela que o estro na fronte me acende,
A Musa que inspira meus versos de amor!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Fernando Pessoa; Poema: A Flor que És:

A flor que és, não a que dás, eu quero.
Porque me negas o que te não peço.
Tempo há para negares
Depois de teres dado.
Flor, sê-me flor! Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perere
Sombra errarás absurda,

Buscando o que não deste.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Poema: O elucido fazer.




Como poderei eu inventar se antes 
não destruir o já feito para poder 
assim lhe mostrar os meus feitos.

Assim elucidarei meus sentimentos 
para que meus feitos estejam mais presentes.

D'Araujo.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Machado de Assis; Poema: UM ANJO:

RJ, out. 1855.
À MEMÓRIA DE MINHA IRMÃ.

Se deixou da vida o porto
Teve outra vida nos céus.
A. E. ZALUAR
Foste a rosa desfolhada
Na urna da eternidade,
Pr’a sorrir mais animada,
Mais bela, mais perfumada
Lá na etérea imensidade.
Rasgaste o manto da vida,
E anjo subiste ao céu
Como a flor enlanguecida
Que o vento pô-la caída
E pouco a pouco morreu!
Tu’alma foi um perfume
Erguido ao sólio divino;
Levada ao celeste cume
C’os Anjos oraste ao Nume
Nas harmonias dum hino.
Alheia ao mundo devasso,
Passaste a vida sorrindo;
Derribou-te, ó ave, um braço,
Mas abrindo asas no espaço
Ao céu voaste, anjo lindo.
Esse invólucro mundano
Trocaste por outro véu;
Deste negro pego insano
Não sofreste o menor dano
Que tu’alma era do Céu.
Foste a rosa desfolhada
Na urna da eternidade
Pr’a sorrir mais animada
Mais bela, mais perfumada

Lá na etérea imensidade.

domingo, 7 de julho de 2013

Fernando Pessoa; Poema: Acima da Verdade:

Acima da verdade estão os deuses.
A nossa ciência é uma falhada cópia
Da certeza com que eles
Sabem que há o Universo.
Tudo é tudo, e mais alto estão os deuses,
Não pertence à ciência conhecê-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como às flores,
Porque visíveis à nossa alta vista,
São tão reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo

São outra Natureza.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Poema: O amanhã.




Como me preocupar com o amanhã 
se ainda vejo o hoje me escapar 
por entre os dedos.

Antes de planejar o amanhã 
tenha a certeza absoluta de ter 
vivido inteiramente o hoje.

Pois o amanhã sempre virá, 
Pois o amanhã nada mais é 
do que a soma do ontem com o hoje, 
e um amanhã quem sabe...

D'Araujo.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Fernando Pessoa: Poema: A Cada Qual:

A cada qual, como a estatura, é dada
A justiça: uns faz altos
O fado, outros felizes.
Nada é prêmio: sucede o que acontece.
Nada, Lídia, devemos

Ao fado, senão tê-lo.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Fernando pessoa; Poema: A Abelha.

A abelha que, voando, freme sobre
A colorida flor, e pousa, quase
Sem diferença dela
À vista que não olha,
Não mudou desde Cecrops. Só quem vive
Uma vida com ser que se conhece
Envelhece, distinto
Da espécie de que vive.
Ela é a mesma que outra que não ela.
Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! 
Mortalmente compramos

Ter mai vida que a vida.

domingo, 30 de junho de 2013

Poema: Mentira.




Não existe o indesejado, 
apenas o inoportuno.
Com a clareza do desconhecido,

Ilumino o tempo para o escuro claro, 
do viver a dor de um sentimento 
quase que casual, ao fato pleno.

Viver as suas verdades e sucumbir 
o desejo da mentira quase inevitável.

D'Araujo.

sábado, 29 de junho de 2013

Poema de Fernando Pessoa: A pálida luz da manhã de inverno:


A pálida luz da manhã de inverno,
O cais e a razão.
Não dão mais Esperança, nem menos Esperança sequer,
Ao meu coração.
O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou que não.
No rumor do cais, no bulício do rio
Na rua a acordar
Não há mais sossego, nem menos sossego sequer,
Para o meu Esperar.
O que tem que não ser

Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar.

Poema: Não mais...




Estando eu vivo meus olhos veem,
Então paro, penso, reflito e sinto.

Ando, corro, canso, sento,
Vejo, paro,penso, reflito e sinto.

Deito, durmo sonho, acordo,
Vejo, paro,penso, reflito e sinto.

E com o tempo se esvaindo por entre os dedos da insensatez.
Envelheço, esmoreço morro,
Não mais vejo,
Não mais paro,
Não mais penso,
Não mais reflito,
Não mais sinto,

Não mais...

terça-feira, 25 de junho de 2013

Poema: Mente.




Assim como se lança a pedra 
no rio das incertezas.
Submergem-se a agonia do 
ser e lhe foge o saber.

Mas também carrega as certezas 
memoráveis do indiscutível universo 
da usurpação da mente lógica real e conflitante.

D'Araujo.