quinta-feira, 12 de março de 2020

Poesia De Quinta Na Usina: Machado de Assis: A LUZ:




Eu sou a luz fecunda, alma da natureza;
Sou o vivo alimento à viva criação.
Deus lançou-me no espaço. A minha realeza
Vai até onde vai meu vívido clarão.
Mas, se derramo vida a Cibele fecunda,
Que sou eu ante a luz dos teus olhos? Melhor,
A tua é mais do céu, mais doce, mais profunda,

Se a vida vem de mim, tu dás a vida e o amor.

Poesia De quinta Na Usina: Fernando Pessoa: 71:


"Aquilo que, creio, produz em mim o sentimento profundo, em que vivo, de incongruência
com os outros, é que a maioria pensa com a sensibilidade, e eu sinto com o pensamento.
Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir

não é mais que o alimento de pensar."






Do Livro do Desassossego - Bernardo Soares
Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)
Fonte: http://www.cfh.ufsc.br/~magno/

Poesia De quinta Na Usina: Fernando Pessoa:


"Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos
gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos;
mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi
a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas
vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me
respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com
que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a
narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância - irmãos

siameses que não estão pegados."

Do Livro do Desassossego - Bernardo Soares
Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)
Fonte: http://www.cfh.ufsc.br/~magno/

Poesia De Quinta Na Usina:D'Araújo: Duas vidas, minha e tua.


Minha vida, tua vida, nossas vidas.
Vidas, que se usam,
Vidas que se cruzam,
Vidas que se abusam.

Tua vida em meu caminho
Tua vida no meu ninho
Minha vida em tua vida
Nossas vidas sem saída
Tua vida bem vivida
Nossas vidas repartidas.

Vidas feias, vidas belas
Todas presas a uma aquarela
Aquarela de vidas frias, vidas mornas
Na agonia, vidas tensas vidas imensas
Minha vida em tua vai ficando dividida.

Vidas lógicas, vidas incertas
Vidas íntimas, mau cobertas
Vidas energéticas, vidas nórdicas
Minha vida tua vida, nossas vidas.
Vida inerte pela consciência que
Contempla tua existência.

Fortes pela complacência
Ah! Minha vida sem a tua vida
Não seria tão vivida.
A vida semente da ilusão
Caminho sem compaixão
Assento sem chão.

 Ah! Tua vida sem a minha vida,
Não seriam nossas vidas
Uma vida que cai, uma vida que sai
É a lua que não vem, e o sol que não sai
É o vento que treme, e o espírito que geme.

O mundo não teria vida
Sem as nossas vidas.
Ah! Nossas vidas.
Tua vida, minha vida,
 Todas elas bem vividas
 Minha e tua.

D'Araujo; "o Grito da Alma" Poesias e pensamentos.


Poesia De quinta Na Usina:D'Araújo: A música:



"A música é para o espírito
assim como é o colírio para os olhos,
alivia a alma e restabelece o equilíbrio"





quarta-feira, 11 de março de 2020

Quarta Na Usina: Poetisas Da Rede:Carmo Vasconcelos: MEU LUGAR:




O meu lugar cativo está no Além,
que este daqui, por marco provisório,

tem seu tempo marcado, transitório,

é morada perpétuade ninguém.

Estamos de passagem, mas porém,

não é caminho vão, de todo inglório,

pois se revela p'raalma sanatório
de erros passados - carma que detém.
Na breve estada cabe-nos saldar
o "deve" e "haver" de vidas já vividas
na displicência própria dos infantes;
sair da senda dos ignorantes,
crescer na luzdas chances concedidas,
p'ra ganharmos, enfim, "nosso lugar".
***
Lisboa/Portugal
Carmo Vasconcelos
A editora Sandra Veroneze, diretora da Pragmatha(Porto Alegre,RS), criou o site do Caderno literário
onde poetas publicam gratuitamente, atendendo a um tema proposto. Neste, o tema foi “MEU LUGAR”.
Veja o meu poema abaixo, mas você pode ir ao endereço (link a seguir) e ler os demais autores:

Meu Poema:

Quarta Na Usina: Poetisas Da rede: Lúcia Polonio: Promessas:


Eu prometo não te fazer sofrer

Não te fazer chorar



Eu prometo que terás meu carinho,

minha dedicação... meu amor



Eu prometo te entregar minha vida,
te entregar meu coração

Eu prometo que em meus pensamentos
sempre estárás...
E que em tua vida também estarei

Eu prometo que viverei para ti
E que minha alma será
sempre tua

Eu prometo ser tua... sempre!
Mesmo depois que meus olhos
Já não puderem ver a luz
e o brilho dos olhos teus

Lúcia Polonio

Quarta Na Usina: Poetisas da Rede: Ana Rodriguez:


y aqui me teneis 
con la cara en alto
con esta estupida sonrisa
que hoy en dia es fingida,
con este absurdo amor hacia ti..

que hoy quisiera que dejase de existir.



Me solias decir Te Amo

solia decir que cada dia me protegerias

pero como siempre solias....

como siempre solo mentiras 

Quarta Na Usina: Poetisas Da Rede: Maria Clara da Costa:Para Enfrentar a Vida...



Para enfrentar a vida 

não é preciso criar tempestades,

basta apenas mudar atitudes

que a sábia voz do coração mostrará o melhor caminho.

Quarta Na Usina: Poetisas Da Rede: Sônia Pereira de Castro:


quero me perder no seu abraço
sendo agarrada todas as horas
quero viajar no seu corpo
sendo enrolada nele todos os minutos
quero sentir a emoção do seu beijo

todos os segundos

quero tudo e mais um pouco

o seu carinho

o seu calor
quero divagar em sonhos
vivendo a realidade
quero me perder nas fantasias
realizando todas
quero o seu olhar safado
sempre a me perseguir
quero as noites escuras
perfeitas para te amar
quero os dias claros
para acordar ao seu lado
e sentir seu corpo grudado ao meu
me falando palavras sem sentidos
me acarinhando como se não houvesse amanhã
quero tudo e mais um pouco
mais calor
mais beijos
mais você....

Sônia PC

segunda-feira, 9 de março de 2020

Crônicas De segunda Na Usina:A Revolução em nossas mãos:

Vamos acabar com esta farra com o nosso dinheiro.

1- Redução do número de representantes no Senado na câmera legislativas federal, estaduais e municipais.
2- Cinco deputados federais por estado, mais o distrito federal, totalizando 135 deputados federais.
3- A criação da proporcionalidade na ocupação das cadeiras legislativas federais, A legenda que obtiver a maioria dos votos ficaria com, 70 vagas, 40 para a 2ª legenda, 25 vagas para 3ª legenda.
4- Dois senadores por estado mais o distrito federal, totalizando 54 senadores.
5- Distribuídos: 30 cadeiras para a 1ª legenda, 16 cadeiras para a 2ª legenda, 8 cadeiras para a 3ª legenda.
6- Quarenta representantes no legislativo estadual.
Distribuídos nas seguintes formas: 25 cadeiras para a 1ª legenda, 10 cadeiras para a 2ª legenda, 5 cadeiras para a 3ª legenda.
7- Vinte representantes nos legislativo municipais, nos municípios com mais de 500 mil habitantes.
8- Distribuídos nas seguintes proporções, 10 cadeiras para a 1ª legenda, 7 cadeiras para a 2ª legenda, 3 cadeiras para a 3ª legenda.
Dez representantes nos legislativos municipais para os demais municípios.
Distribuídos nas seguintes proporções, 5 cadeiras para a 1ª legenda, 3 cadeiras para a 2ª legenda, 2 cadeiras para a 3ª legenda.
9- Mandatos únicos de seis anos sem direito a reeleição.
10- Mandatos únicos de seis anos sem direito a reeleição, também para presidente.
11- Extinção do segundo turno nas eleições.
12- Unificação da data das eleições proporcionais, Municipais estaduais, e federais.
13- Financiamento publica de campanha.
14- Instituição do voto de legenda. (com eleições diretas internas em cada legenda para formular os quadros dos seus representantes.)
15- Redução para três legendas partidárias.
16- Fim do foro privilegiado, (e a instituição de agravantes para o crime cometido durante o mandato parlamentar com o aumento de trinta por cento nas penas.)
17- Extinção dos cargos comissionados. (cada legenda teria Três funcionários por gabinete (que não poderia ter nem um grau de parentesco com nenhum representante do partido ou de outra legenda.)
18- Extinção das verbas de gabinetes, assim como todos e quaisquer que seja os benefícios, cota de combustível carro oficial, auxílio moradia, plano privado de saúde, passagens aéreas, cursos de formação, etc.
19- Não seriam permitidas coligações para o pleito eleitoral.
20- Das remunerações:
21- Presidente da Republica vencimentos máximos 30 salários mínimos.
22- Senadores vencimentos máximos 28 salários mínimos.
23- Extinção do cartão corporativos em todas as esferas de governos e instituições publicas.
Deputados federais vencimentos máximos 25 salários mínimos.
24- Governadores vencimentos máximos 21 salários mínimos.
25- Deputados estaduais vencimentos máximos 18 salários mínimos.
26- Prefeitos vencimentos máximos 14 salários mínimos.

27- Vereadores vencimentos máximos 12 salários mínimos, para municípios com mais de 500 mil habitantes.
28- Vereadores vencimentos máximos 06 salários mínimos, para os demais municípios.
29- Das aposentadorias: Para todos os cidadãos eleitos através de voto tanto âmbito municipal, estadual ou federal, só terá direito a aposentadoria, aqueles que tiverem cumprido três mandatos. E sem efeito acumulativo, para aqueles que já recebam alguma aposentadoria do poder publico terá que optar só por uma delas.
30- Declaração publica de bens e renda. Assim como fim do sigilo bancário e telefônico para tods aqueles que acate denuncias de crime cometido no exercício do poder.

USP disponibiliza mais de 8 milhões de títulos online de graça


USP disponibiliza mais de 8 milhões de títulos online de graça
// Olá leitores do Canal do Ensino! A Universidade de São Paulo - USP, disponibiliza através do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP – SIBiUSP,...
CANALDOENSINO.COM.BR WWW.SIBI.USP.


domingo, 8 de março de 2020

Domingo Na Usina: Biografias: Vittoria Colonna:





(Marino, abril de 1490 - Roma, 25 de fevereiro de 1547), Marquesa de Pescara, foi uma poetisa da Itália.
Era filha de Fabrizio Colonna, grande condestável de Nápoles, e de Agnese de Montefeltro. Foi uma das mulheres mais notáveis da Itália quinhentista. Ainda jovem casou-se com Fernando de Ávalos, Marquês de Pescara, que morreu na Batalha de Pavia lutando ao lado de Carlos de Lannoy. Tornou-se autora de poesias louvadas como impecáveis, das mais importantes continuadoras da tradição de Petrarca em sua geração, uma mediadora política, reformadora religiosa, e seus méritos próprios foram amplamente reconhecidos ainda em sua vida, mas a historiografia posterior a retratou indevidamente mais como uma figura passiva, à sombra de grandes homens que conheceu, entre eles Michelangelo.[1] [2]

É possível que tenha encontrado Michelangelo em torno de 1537, mas sua relação só se estreitou em torno de 1542 quando Michelangelo já era idoso e ela, viúva há dezessete anos. Discutiam arte e religião. Para ela Michelangelo escreveu várias poesias e produziu desenhos, e ela por sua vez dedicou-lhe também uma série de poemas. Walter Pater comparou a relação de ambos com a de Dante e Beatriz.[3] Da parte de Vittoria, Abigail Brundin disse que as poesias que ela dedicou ao seu amigo revelam um esforço de lidar com a responsabilidade pela sua vida interior e de compartilhar os frutos do labor no espírito de uma comunhão evangélica com alguém que passava pelas mesmas dúvidas e agitações de alma.[4] Michelangelo esteve presente em sua agonia, e ela faleceu em seus braços, enquanto ele em lágrimas beijava suas mãos sem cessar. Mais tarde arrependeu-se de não ter ousado beijar-lhe a testa e a face. Condivi registrou que após a morte de Vittoria Michelangelo passou um longo período transtornado, como se tivesse perdido a razão. Em um soneto expressou sua tristeza e revolta, e disse que jamais a natureza fizera face tão bela.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Domingo Na Usina: Biografias:Miguel Torga:




Pseudônimo de Adolfo Correia da Rocha (Vila Real, São Martinho de Anta, 12 de agosto de 1907 — Coimbra, 17 de janeiro de 1995), foi um dos mais influentes poetas e escritores portugueses do século XX. Destacou-se como poeta, contista e memorialista, mas escreveu também romances, peças de teatro e ensaios.[1]

Biografia
Primeiros anos e educação
Nasceu na localidade de São Martinho de Anta, em Vila Real a 12 de Agosto de 1907.[2] [3] [4] Oriundo de uma família humilde de Sabrosa, era filho de Francisco Correia Rocha e Maria da Conceição Barros.

Em 1917, aos dez anos, foi para uma casa apalaçada do Porto, habitada por parentes. Fardado de branco, servia de porteiro, moço de recados, regava o jardim, limpava o pó, polia os metais da escadaria nobre e atendia campainhas. Foi despedido um ano depois, devido à constante insubmissão. Em 1918 foi mandado para o seminário de Lamego, onde viveu um dos anos cruciais da sua vida. Estudou Português, Geografia e História, aprendeu latim e ganhou familiaridade com os textos sagrados. Pouco depois comunicou ao pai que não seria padre.

Emigrou para o Brasil em 1920[2] , ainda com treze anos, para trabalhar na fazenda do tio, proprietário de uma fazenda de café em Minas Gerais.[5] Ao fim de quatro anos, o tio apercebe-se da sua inteligência e patrocina-lhe os estudos liceais no Ginásio Leopoldense, em Leopoldina.[2] [6] Distingue-se como um aluno dotado. Em 1925, convicto de que ele viria a ser doutor em Coimbra, o tio propôs-se pagar-lhe os estudos como recompensa dos cinco anos de serviço, o que o levou a regressar a Portugal e concluir os estudos liceais.[1] [2]

Carreira profissional e literária[editar | editar código-fonte]
Em 1928, entra para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publica o seu primeiro livro de poemas, Ansiedade.[2] [5] Em 1929, com vinte e dois anos, deu início à colaboração na revista Presença, folha de arte e crítica, com o poema Altitudes. A revista, fundada em 1927 pelo grupo literário avançado de José Régio, Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca era bandeira literária do grupo modernista e bandeira libertária da revolução modernista. Em 1930 rompe definitivamente com a revista Presença, junto com Edmundo Bettencourt e Branquinho da Fonseca[2] , por «razões de discordância estética e razões de liberdade humana», assumindo uma posição independente.[1] Nesse ano, publica o livro Rampa, lançando, no ano seguinte, Tributo[5] e Pão Ázimo[5] , e, em 1932, Abismo.[2] Em colaboração com Branquinho da Fonseca, funda a revista Sinal, de efémera duração, e, em 1936, lança, junto com Albano Nogueira, o periódico Manifesto.[2] Nesse ano, publica O Outro Livro de Job.[2] [4]

A obra de Torga traduz sua rebeldia contra as injustiças e seu inconformismo diante dos abusos de poder. Reflete sua origem aldeã, a experiência médica em contato com a gente pobre e ainda os cinco anos que passou no Brasil (dos 13 aos 18 anos de idade), período que deixou impresso em Traço de União (impressões de viagem, 1955) e em um personagem que lhe servia de alter-ego em A criação do mundo, obra de ficção em vários volumes, publicada entre 1937 e 1939. As críticas que fez aí ao franquismo resultaram em sua prisão (1940).[1] Publica os livros A Terceira Voz em 1934, aonde pela primeira vez empregou o seu pseudónimo, Bichos em 1940, Contos da Montanha[5] em 1941, Rua em 1942, O Sr. Ventura e Lamentação em 1943, Novos Contos da Montanha e Libertação em 1944, Vindima em 1945, Sinfonia em 1947, Nihil Sibi em 1948, Cântico do Homem em 1950, Pedras Lavradas em 1951, Poemas Ibéricos em 1952, e Orfeu Rebelde em 1958.[2] [4]

Crítico da praxe e das restantes tradições académicas, chama depreciativamente «farda» à capa e batina. Ama a cidade de Leiria, onde exerce a sua profissão de médico a partir de 1939 até 1942, onde escreve a maioria dos seus livros. Em 1933 concluiu a licenciatura em Medicina pela Universidade de Coimbra.[2] Começou a exercer a profissão nas terras agrestes transmontanas, pano de fundo de grande parte da sua obra. Dividiu seu tempo entre a clínica de otorrinolaringologia e a literatura.

Após a Revolução dos Cravos que derrubou o Estado Novo em 1974, Torga surge na política para apoiar a candidatura de Ramalho Eanes à presidência da República (1979). Era, porém, avesso à agitação e à publicidade e manteve-se distante de movimentos políticos e literários.

Autor prolífico, publicou mais de cinquenta livros ao longo de seis décadas e foi várias vezes indicado para o Prémio Nobel da Literatura.[1]

Casamento e últimos anos[editar | editar código-fonte]
Casou-se com Andrée Crabbé em 1940, uma estudante belga que, enquanto aluna de Estudos Portugueses, com Vitorino Nemésio em Bruxelas, viera a Portugal fazer um curso de verão na Universidade de Coimbra. O casal teve uma filha, Clara Rocha, nascida a 3 de Outubro de 1955, e divorciada de Vasco Graça Moura.

Torga, sofrendo de cancro, publicou o seu último trabalho em 1993, vindo a falecer em Janeiro de 1995.[1] [2] A sua campa rasa em São Martinho de Anta tem uma torga plantada a seu lado, em honra ao poeta.

A origem do pseudónimo[editar | editar código-fonte]
Em 1934, aos 27 anos, Adolfo Correia Rocha cria o pseudónimo "Miguel" e "Torga". Miguel, em homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica: Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno. Já Torga é uma planta brava da montanha, que deita raízes fortes sob a aridez da rocha, de flor branca, arroxeada ou cor de vinho, com um caule incrivelmente rectilíneo.

A obra de Torga[editar | editar código-fonte]
A obra de Torga tem um carácter humanista: criado nas serras transmontanas, entre os trabalhadores rurais, assistindo aos ciclos de perpetuação da natureza, Torga aprendeu o valor de cada homem, como criador e propagador da vida e da natureza: sem o homem, não haveria searas, não haveria vinhas, não haveria toda a paisagem duriense, feita de socalcos nas rochas, obra magnífica de muitas gerações de trabalho humano. Ora, estes homens e as suas obras levam Torga a revoltar-se contra a Divindade Transcendente a favor da imanência: para ele, só a humanidade seria digna de louvores, de cânticos, de admiração: (hinos aos deuses, não/os homens é que merecem/que se lhes cante a virtude/bichos que cavam no chão/actuam como parecem/sem um disfarce que os mude).

Para Miguel Torga, nenhum deus é digno de louvor: na sua condição omnisciente é-lhe muito fácil ser virtuoso, e enquanto ser sobrenatural não se lhe opõe qualquer dificuldade para fazer a natureza - mas o homem, limitado, finito, condicionado, exposto à doença, à miséria, à desgraça e à morte é também capaz de criar, e é sobretudo capaz de se impor à natureza, como os trabalhadores rurais transmontanos impuseram a sua vontade de semear a terra aos penedos bravios das serras. E é essa capacidade de moldar o meio, de verdadeiramente fazer a natureza, mal-grado todas as limitações de bicho, de ser humano mortal que, ao ver de Torga, fazem do homem único ser digno de adoração.

Poesia
8 - " Ansiedade "
1930 - Rampa[2]
1931 - Abismo
1936 - O outro livro de Job[2] [4]
1943 - Lamentação
1944 - Libertação
1946 - Odes
1948 - Nihil Sibi
1950 - Cântico do Homem
1952 - Alguns poemas ibéricos
1954 - Penas do Purgatório
1958 - Orfeu rebelde[2] [4]
1962 - Câmara ardente
1965 - Poemas ibéricos
1997 - Poesia Completa, volume I
2000 - Poesia Completa, volume II
Prosa[editar | editar código-fonte]
2000 - Pão Ázimo[2]
2000 - Criação do Mundo
1934 - A Terceira Voz[2]
1937 - Os Dois Primeiros Dias
1938 - O Terceiro Dia da Criação do Mundo
1939 - O Quarto Dia da Criação do Mundo
1940 - Bichos[2] [4]
1941 - Contos da Montanha[2] "Diário I"
1942 - Rua[2]
1943 - O Senhor Ventura[2] "Diário II"
1944 - Novos Contos da Montanha[2]
1945 - Vindima[2]
1946 - "Diário III"
1949 - "Diário IV"
1950 - Portugal'
1951 - Pedras Lavradas[2] [4] "Diário V"
1953 - "Diário VI"
1956 - "Diário VII"
1959 - "Diário VIII"
1974 - O Quinto Dia da Criação do Mundo
1976 - Fogo Preso
1981 - O Sexto Dia da Criação do Mundo
1982 - Fábula de Fábulas
1999 - "Diário: Volumes IX a XVI"(1964-1993), Publicações Dom Quixote e Herdeiros de Miguel Torga, 2.ª edição integral, ISBN 972-20-1647-4
Indice dos volumes
Diário IX (15-1-1960/20-9-1963)
Diário X (5-10-1963/30-7-1968)
Diário XI (2-8-1968/6-4-1973)
Diário XII (17-5-1973/22-6-1977)
Diário XIII (8-7-1977/20-5-1982)
Diário XIV (21-5-1982/11-1-1987)
Diário XV (20-02-1987/31-12-1989)
Diário XVI (11-1-1990/10-12-1993)
O seu Diário (1941 - 1994), em 16 volumes, mistura poesia, contos, memórias, crítica social e reflexões. No último volume, diz: "Chego ao fim, perplexo diante de meu próprio enigma. Despeço-me do mundo a contemplar atônito e triste o espetáculo de um pobre Adão paradoxal, expulso da inocência sem culpa sem explicação."[1]

Peças de teatro
1941 - "Terra Firme" e "Mar"[2]
1947 - Sinfonia[4] [2]
1949 - O Paraíso[2]
1950 - Portugal
1955 - Traço de União
Ensaios e Discursos
Ensaios e Discursos, publicações Dom Quixote,Lisboa, 2001, ISBN 972-20-1681-4 , ‘’tomou por base, respectivamente,os textos da 6.ª edição de Portugal, Coimbra, 1993; da 2.ª edição revista de Traço de União, Coimbra, 1969; e da edição de Fogo Preso, Coimbra, 1989”, conforme nota do editor, p. 8.

Traduções
Seus livros foram traduzidos em diversos idiomas, algumas vezes publicados com um prefácio seu: espanhol, francês, inglês, alemão, chinês, japonês, croata, romeno, norueguês, sueco, holandês, búlgaro.

Prémios e homenagens
1969 - Prémio do Diário de Notícias.
1976 - Prémio de Poesia da XII Bienal de Internacional de Poesia de Knokke-Heist (Bélgica)
1980 - Prémio Morgado de Mateus, com Carlos Drummond de Andrade
1981 - Prémio Montaigne da Fundação Alemã F.V.S.
1989 - Prêmio Luso-Brasileiro Luís de Camões
1991 - Prémio Personalidade do Ano
1992 - Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores
1993 - Prémio da Crítica, consagrando a sua obra
1995 - O seu nome foi colocado, em 3 de Maio de 1995, numa rua da Freguesia de Santa Maria, no Concelho de Lagos.


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Domingo Na Usina: Biografias:Antônio Valentim da Costa Magalhães:



 (Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 1859 — Rio de Janeiro, 17 de maio de 1903) foi um jornalista e escritor brasileiro, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Biografia
Filho homônimo de Antônio Valentim da Costa Magalhães e de D. Maria Custódia Alves Meira. Formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, onde ingressara em 1877. Ali colabora para os periódicos acadêmicos "Revista de Direito e Letras", "Labarum" e "República", este último de Lúcio de Mendonça. Ainda nesta cidade publicou três obras: "Idéias de Moço", "Grito na Terra" e "General Osório", este último em parceria com Antônio da Silva Jardim, além de seu primeiro livro, intitulado "Cantos e Lutas". Ali também casou-se, em 1880.

Voltando para o Rio, dedica-se ao jornalismo, dirigindo o periódico "A Semana" (fundado em 1885), que torna-se o veículo dos jovens escritores da época, além da propaganda abolicionista e republicana, sendo um período de marcadas agitações culturais e políticas, estando Valentim Magalhães no proscênio dessas lutas todas. Sobre sua participação, registrou Euclides da Cunha,[1] que o sucedeu na Academia: "A geração de que ele foi a figura mais representativa, devia ser o que foi: fecunda, inquieta, brilhantemente anárquica, tonteando no desequilíbrio de um progresso mental precipitado a destoar de um estado emocional que não poderia mudar com a mesma rapidez".

Também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas Galeria republicana[2] (1882-1883), Branco e Negro[3] (1896-1898) e Brasil-Portugal[4] (1899-1914).

Seu grande envolvimento com as causas que defendia não lhe permitiram uma maior produção literária, sendo comum entre os críticos[5] que seu papel foi o de divulgar os demais escritores nacionais.

Ficou célebre pelas inúmeras polêmicas criadas, que redundaram em ataques e desafetos, bem como pelas defesas que dele faziam os amigos.

Durante o Encilhamento, falsa prosperidade econômica que se seguiu à Proclamação da República por obra do seu confrade Rui Barbosa, então feito Ministro das Finanças, Valentim dedicou-se ao lucro rápido, fundando uma companhia e, logo mais, como todos, vindo à falência.

Sobre seu papel na memória futura, então ainda presenciando os reveses, declarou:

"A princípio fui gênio; mais tarde cousa nenhuma. Hoje César, amanhã João Fernandes…"
Poesia
Registra Manuel Bandeira[6] que o autor participara, ao lado de Teófilo Dias, Artur Azevedo, Fontoura Xavier e outros, da chamada "Batalha do Parnaso", uma reação ao romantismo, iniciada ainda na década de 1860, e que ganhou força com a agitação promovida por Artur de Oliveira. Este misto de boêmio e intelectual conhecera em Paris os intelectuais parnasianos, e influenciara os autores brasileiros.

Versos
Íntimo
(domínio público)
Esta alegria loura, corajosa,
Que é como um grande escudo, de ouro feito,
E faz que à Vida a escada pedregosa
Eu suba sem pavor, calmo e direito,
Me vem da tua boca perfumosa,
Arqueada, como um céu, sobre o meu peito:
Constelando-o de beijos cor de rosa,
Ungindo-o de um sorriso satisfeito…
A imaculada pomba da Ventura
Espreita-nos, o verde olhar abrindo,
Aninhada em teu cesto de costura;
Trina um canário na gaiola, inquieto;
A cambraia sutil feres, sorrindo,
E eu, sorrindo, desenho este soneto.
Bibliografia
Sua obra, considerada menor no contexto da literatura brasileira, regista, entretanto, uma curiosidade, por conta de uma errata:

1896 – Concluído o romance "Flor de Sangue", de Valentim Magalhães, que seria publicado pela Laemmert com a mais inusitada das erratas "…à página 285, 4a. linha, em vez de "estourar os miolos", leia-se "cortar o pescoço".[7] Seus livros:
Cantos e Lutas, poesia (1897);
Quadros e Contos (1882);
Vinte Contos e Fantasias (1888);
Inácia do Couto, comédia (1889);
Escritores e Escritos (1894);
Bric-à-brac, contos (1896);
Flor de Sangue, romance (1897);
Alma, crônicas (1899);
Rimário, poesia (1899)
Lorbeerkranz.png Academia Brasileira de Letras.


fonte de origem:Wikipédia, a enciclopédia livre