sábado, 5 de setembro de 2020

Domingo na Usina: Biografias: Ángeles Mora Fragoso:

 

Ángeles Mora Fragoso ( Rute , província de Córdoba , 1952 ) é um escritor espanhol . Membro da Academia de Boas Letras de Granada desde 2003, em 2016 recebeu o Prêmio Nacional da Crítica e o Prêmio Nacional de Poesia da Espanha.

Biografia

Formou-se em Filosofia e Letras pela Universidade de Granada e é mestre em "Metodologia para o Ensino do Espanhol como Língua Estrangeira" pela Universidade de Granada, onde foi professora de Língua e Literatura Espanhola no Centro de Lenguas Modernas . Ele também contribuiu para o jornal Granada Hoy . Ela é presidente da Free Verso Literature and Women Association ; Ela foi casada com o professor Juan Carlos Rodríguez e tem três filhos. 1

 Trajetória poética

Seu primeiro livro publicado foi Pensando que o caminho ia reto (1982), com título retirado de um verso de Garcilaso de la Vega . Embora, na realidade, os poemas de seu livro Caligrafia de Ontem (2000) sejam anteriores. Conquistou o prêmio "Ciudad de Melilla" com o livro Contradicciones, pássaros em 2001. Antes, havia feito uma primeira recapitulação literária em A Guerra dos Trinta Anos (1990), que na época ganhou o prêmio "Rafael Alberti". 2 Devemos também mencionar compilações de sua obra, como Poetic Anthology (1982-1995) (1995), em uma edição de Luis Muñoz, e ¿Las Mujeres son Magicas?(2000), apresentado por Miguel Ángel García. Em 2016 publicou Ficciones para una autobiografía (Bartleby Editores), obra premiada com o Prêmio Nacional da Crítica em abril, e o Prêmio Nacional de Poesia , em novembro. 3

 Poesia

Pensando que o caminho estava a seguir a direito , Granada, Diputación («Genil»), 1982.

A canção do esquecimento , Granada, Diputación ("Pocket Books"), 1985.

A Guerra dos Trinta Anos , Cádiz, Caja de Ahorros de Cádiz, 1990.

The errant lady , Granada, La General ("Coleção Literária"), 1990.

Câmara subjectiva , Palma de Maiorca, Monograma («El Cantor»), 1996.

Caligrafia de ontem , Rute, Ánfora Nova, 2000.

Contradições, pássaros , Madrid, Visor, 2001. Tradução italiana: Contraddizioni, ucelli, Alessandria, Edizioni dell'Orso, 2005.

The Thirty Years 'War , Granada, I & CILe («Messidor Collection»), 1, 2005.

Debaixo do tapete , Madrid, Visor, 2008.

Ficções para uma autobiografia , Madrid, Bartleby, 2016.

Antologias poéticas

Poetic Anthology (1982-1995) , editado por Luis Muñoz, Granada, Diputación («Yellow Jersey»), 1995.

As mulheres são mágicas? , prefácio de Miguel Ángel García, Lucena, Ayuntamiento ("Quatro Estações"), 2000.

Notebooks e Plaquetas

Silence / 4 , Fernán Núñez, Jorge Huertas Editor, 1994.

Elegy and postcards , Córdoba ("Cuadernos de la Posada"), 36, 1994.

Cantos de sirenas , Palma de Mallorca («Col.lecció poesía de paper»), 56, 1997.

Verses, 21 , University of Lleida, 1999.

Um cheiro de verbena , Montilla, Casa del Inca, 2001.

Jogos entre a chuva , Granada («Vitolas del Anaïs»), 18, 2005.

Diversos, 17 , Málaga, Centro Cultural da Geração de 27, 2005.

Jogo de cartas , Rute («Poesia in situ»), 5, 2012.

Saber de ti , Roquetas de Mar, Poesia Classroom, 2013.

Prêmios

Prêmio Unicaja de Poesia de 1989 pela Guerra dos Trinta Anos

Prêmio Internacional de Poesia da Cidade de Melilla de 2000 para Contradições, Aves

Prêmio de Poesia Jaime Gil de Biedma 2008, segundo lugar, por debaixo do tapete 4

Prêmio da crítica de poesia espanhola 2015 Ficciones para autobiografia 5

Prêmio Nacional de Poesia 2016 de Ficciones por uma autobiografia.

fonte de origem:

https://es.wikipedia.org/wiki/%C3%81ngeles_Mora

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Contos do Sábado na Usina: Olavo Bilac: COMO OS CÃES:

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— Não é possível, senhora! — dizia o comendador à esposa — não é possível! 
— Mas se eu lhe digo que é certo, seu Lucas! — insistia a D. Teresa — pois é mesmo a nossa filha quem m’o disse! 
O comendador Lucas, atônito, coçou a cabeça: 
— Oh! senhora! mas isso é grave! Então o rapaz já está casado com a menina há dois meses e ainda... 
— Ainda nada, seu Lucas, absolutamente nada! 
— Valha-me Deus! Enfim, eu bem sei que o rapaz, antes de casar, nunca tinha andado pelo mundo... sempre agarrado às saias da tia... sempre metido pelas igrejas. 
— Mas — que diabo! — como é que, em dois meses, ainda o instinto não lhe deu aquilo que a experiência já lhe devia ter dado?! Enfim, vou eu mesmo falar-lhe! Valha-me Deus! 
E, nessa mesma noite, o comendador, depois do jantar, chamou à fala o genro, um moço louro e bonito, dono de uns olhos cândidos... 
— Então, como é isso, rapaz? tu não gostas de tua mulher? 
— Como não gosto? Mas gosto muito! 
— Tá tá tá... Vem cá! que é que tu lhe tens feito, nestes dous meses? 
— Mas... tenho feito tudo! converso com ela, beijo-a, trago-lhe frutas, levo-a ao teatro... tenho feito tudo... 
— Não é isto, rapaz, não é somente isso! o casamento é mais que alguma cousa! tu tens de fazer o que todos fazem, caramba! 
— Mas... não entendo... 
— O´ homem! tu precisas... ser marido de tua mulher! 
— ... não compreendo... 
— Valha-me Deus! tu não vês como os cães fazem na rua? 
— Como os cães? ... como os cães?... sim... parece-me que sim... 
— Pois, então? Faze como os cães, pedaço de moleirão, faze como os cães! 
E não te digo mais nada! Faze como os cães...! 
— E, ao deitar-se, o comendador disse à esposa, com um risinho brejeiro: 
— Parece que o rapaz compreendeu, senhora! e agora é que a menina vai ver o bom e o bonito... 
Uma semana depois, a Rosinha, muito corada, está diante do pai, que a interroga. O comendador tem os olhos esbugalhados de espanto: 
— Que, rapariga? pois então, o mesmo? 
— O mesmo... ah! é verdade! houve uma coisa que até me espantou... ia-me esquecendo... houve uma cousa... esquisita... 
— Que foi? que foi? — exclamou o comendador — que foi?... eu logo vi que devia haver alguma cousa! 
— Foi uma cousa esquisita... Ele me pediu que ficasse... assim... assim... como um bicho... e... 
— E depois? e depois? 
— E depois... depois... lambeu-me toda... e... 
— ...E? 
— ... E dormiu!

Contos do Sábado na Usina: Artur Azevedo: O VIÚVO:

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Na véspera de partir para a Europa, o doutor Claudino, sem prever o fúnebre espetáculo de que ia ser testemunha, foi despedir-se do seu velho camarada Tertuliano. 
Ao aproximar-se da casa, ouviu berreiro de crianças e mulheres, e a voz de Tertuliano, que dominava de vez em quando o alarido geral, soltando, num tom estrídulo e angustioso, esta palavra: “Xandoca.” 
O doutor Claudino apressou o passo, e entrou muito aflito em casa do amigo. 
Havia, efetivamente, motivo para toda aquela manifestação de desespero. Tertuliano acabava de enviuvar. Havia meia hora que dona Xandoca, vítima de uma febre puerperal, fechara os olhos para nunca mais abri-los. 
O corpo, vestido de seda preta, as mãos cruzadas sobre o peito, estava colocado num canapé, na sala de visitas. À cabeceira, sobre uma pequena mesa coberta por uma toalha de rendas, duas velas de cera substituíam, aos dois lados de um crucifixo, o bom e o mau ladrão. 
Tertuliano, abraçado ao cadáver, soluçava convulsivamente, e todo o seu corpo tremia como tocado por uma pilha elétrica. Os filhos, quatro crianças, a mais velha das quais teria oito anos, rodeavam-no aos gritos. 
Na sala havia um contínuo fluxo e refluxo de gente que entrava e saía, pessoas da vizinhança, chorando muito, e indivíduos que, passando na rua, ouviam gritar e entravam por mera curiosidade. 
O doutor Claudino estava impressionadíssimo. Caíra de sopetão no meio daquele espetáculo comovedor, e contemplava atônito o cadáver da pobre senhora que, havia quatro dias, encontrara na rua da Carioca, muito alegre, levando um filho pela mão e outro no ventre, arrastando vaidosa a sua maternidade feliz. 
Tertuliano, mal que o viu, atirou-se-lhe nos braços, inundando-lhe de lágrimas a gola do casaco; o doutor Claudino estava atordoado, cego, com os vidros do pince-nez embaciados pelo pranto, que tardou, mas veio discreta, reservadamente, como um pranto que não era da família. 
— Isto foi uma surpresa... uma dolorosa surpresa para mim, conseguiu dizer com a voz embargada pela comoção. Parto amanhã para a Europa, no Niger... vinha despedir-me de ti... e dela... de dona Xandoca e... vejo que... que... que... 
E o doutor Claudino fez uma careta medonha para não soluçar. 
— Dispõe de mim, meu velho; estou às tuas ordens, bem sabes. 
— Obrigado, disse Tertuliano numa dessas intermitências que se notam nos maiores desabafos; o Rodrigo, aquele meu primo empregado no foro, já foi tratar do enterro, que é amanhã às dez horas. 
Fazendo grandes esforços para reprimir a explosão das lágrimas, o viúvo contou ao doutor Claudino todos os incidentes da rápida moléstia e da morte de dona Xandoca. 
— Uma coisa inexplicável! Nunca a pobre criatura teve um parto tão feliz... A parteira não esperou cinco minutos... Uma criança gorda, bonita... Está lá em cima, no sótão... hás de vê-la. De repente, uma pontinha de febre que foi aumentando, aumentando... até vir o delírio... Mandei chamar o médico... Quando o médico chegou já ela agoniza... a... va!... 
E Tertuliano, prorrompendo em soluços, abraçou-se de novo ao doutor Claudino. 
No dia seguinte, a cena foi dolorosíssima. Antes de se fechar o caixão, Tertuliano quis que os filhos beijassem o cadáver, medonhamente intumescido e decomposto. Ninguém reconheceria dona Xandoca, tão simpática, tão graciosa, naquele montão informe de carne pútrida. 
Fecharam o caixão, mas Tertuliano agarrou-se a ele e não o queria deixar sair, gritando: — Não consinto! não quero que a levem daqui! — Foi preciso arrancá-lo à força e empurrá-lo para longe. Ele caiu e começou a escabujar no chão, soltando grandes gritos nervosos. Três senhoras caíram também com espetaculosos. ataques. As crianças berravam. Choravam todos. 
De volta do enterro, o Doutor Claudino, conquanto muito atarefado com a viagem, não quis deixar de fazer uma última visita a Tertuliano. 
Encontrou-o num estado lastimoso, sentado numa cadeira da sala de jantar, sem dar acordo de si, rodeado pelos filhos, o olhar fixo no mísero recém nascido, que a um canto da casa mamava sofregamente numa preta gorda. 
— Tertuliano, adeus. Daqui a meia hora devo estar embarcado. Crê que, se pudesse, adiava a viagem para fazer-te companhia... Adeus! 
O viúvo lançou-lhe um olhar vago, um olhar que nada exprimia; sacudiu molemente a mão, e murmurou: 
— Adeus! 
Às sete horas da noite o doutor Claudino, sentado na coberta do Niger, contemplando as ondas esplendidamente iluminadas pelo luar, pensava naquele olhar vago de Tertuliano, naquele adeus terrível, e pedia aos céus que o seu velho camarada não houvesse enlouquecido. 
Meses depois, a exposição de Paris atordoava-o; mas de vez em quando, lá mesmo, na Galeria das Máquinas, no Palácio das Artes, ou na Torre Eiffel, voltava-lhe ao espírito a lembrança daquela cena desoladora do viúvo rodeado pelos orfãozinhos, e repercutia-lhe dentro d’alma o som daquele adeus pungente e indefinível. 
Interessava-se muito por Tertuliano. Escreveu-lhe um dia, mas não obteve resposta. Pobre rapaz! viveria ainda? a sua razão teria resistido àquele embate violento? 
Depois de um ano e quatro meses de ausência, o doutor Claudino voltou da Europa, e sua primeira visita foi para Tertuliano, que morava ainda na mesma casa. 
Mandaram-no entrar para a sala de jantar. Tertuliano estava sentado numa cadeira, sem dar acordo de si, rodeado pelos filhos, o olhar fixo no mais pequenito, que estava muito esperto, brincando no colo da preta gorda. 
— Tertuliano? balbuciou o doutor Claudino. 
O viúvo lançou-lhe um olhar vago, um olhar que nada exprimia; sacudiu molemente a mão, e murmurou: 
— Adeus. 
Depois, dir-se-ia que se fizera subitamente a luz no seu espírito embrutecido. Ele ergueu-se de um salto, gritando: 
— Claudino —, e atirou-se nos braços do velho camarada, exclamando entre lágrimas: 
— Ah! meu amigo! perdi minha mulher!... 
— Sim, já sei, mas já tinhas tempo de estar mais consolado... Que diabo! Sê homem! Já lá se vão quatorze meses!... 
— Como quatorze meses? seis dias... 
— Ora essa! pois não te lembras que acompanhei o enterro de dona Xandoca? 
— Ah! tu falas da Xandoca... mas há três meses casei-me com outra... a filha do Major Seabra, há seis dias estou viú... ú... vo! 
E Tertuliano, prorrompendo em soluços, abraçou de novo ao doutor Claudino.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Sexta na Usina:Poetas da Rede: Luizão Bernardo: "Miragens":

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Como miragens vemos as nossas sombras projetadas num futuro e sorrimos, enquanto outros dirão que são sonhos reais, mas são as muitas partes de uma caminhada sem fim, onde nos deparamos também com aqueles amigos que em uma queda, podem nos jogar pedras, ou nos ajudar a levantar e prosseguir.

Aí sim é que estarão escondidos os que são contra ou a favor em nossa caminhada dando apoio ou sabotando nossos sonhos, então aprenda a descobrir as amizades reais e diferenciar daquelas que são simples miragens a nos iludir

Sirlei Santos / Belém - PA

Luizão Bernardo / Seropédica – RJ

Sexta na Usina: Poetas da Rede: José Antônio Gonzalez: "Juntos somos mais":

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Juntos somos mais poetas.

Juntos somos mais a poesia.

Juntos somos mais os versos.

Juntos somos mais as rimas.

Juntos somos mais uma geração.

Juntos somos mais uma nova poesia.

Juntos somos mais uma história.

Direitos autorais reservados ao autor:

José Antônio Gonzalez De Oliveira Junior

31/08/20

(Gonzalez Jr)

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Lucio M. Varanda: NAS MÃOS DO DESTINO:

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Eu vejo teu rosto

em toda parte

sinto em tudo

a tua presença.

Te quero

te desejo

te necessito

te busco.

Mas onde te encontrar

me pergunto noite e dia.

Sonhei-te nas estrelas

mas não estavas

nem no mar

nem no sol

nem na lua.

mas estas no ar

em meus olhos

em meu coração

em meu ser,

mas não posso

te tocar vida minha.

Sonho!

Alucinação!

fanatismo!

Pode ser:

Mas sigo buscando

a espera do encontro

do destino.

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Leonardo Lisbôa:

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Senhora de Meu Céu

madrugada

ESTRELA DA ALVA

me acorda às quatro.

mandruvá

VÉSPER

anuncia a noite

VÊNUS,

cheia de desejo e paixão,

para o AMOR,

não importa  a  hora,

desafia   a  casta Lua.

Leonardo Lisbôa

Barbacena, 15/07/2020.

Caderno Poemas Profanos

(e Sacros, quase)

Direitos do texto e foto

reservados e protegidos segundo

Lei do Direito Autoral nº 9.610,

de 19 de Fevereiro de 1998.

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Jaca t guto: Elos de sangue:

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no campo batalha inacabada

o meu sangue ferve a correr

em meandro passo do querer

o tudo ou nada nas veias a viver

em teu corpo sagaz de prazer

respeitado a fundo no meu lazer

na vida madrasta  a sofrer

que teima confinada a doer

no meu corpo vivaz  de luta

no afinco do sobreviver

ao tempo de  lanças rudes

aguçadas em feridas do vazar

tornado labuta no aceitar

lado a lado a protecção amar

que um dia senti imune

nas pontas de sangue amor

deixadas escorrer nos elos

onde dizias amo-te

e te protejo na luta .

---

jaca t guto

imagem : d.a.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo: Encontro:



Este teu olhar que desnuda a minha alma, 
perco minha calma, mesmo que tardia, 
em saber que finalmente chegou o dia 
em que o terno se torna eterno. 

Teu sorriso me acende um ser que repousa 
sobre a sombra do esperar eterno. 

O calor do teu corpo me traz para a vida 
que parou um dia, e a felicidade brota em 
meu peito feito grama em solo fértil.. 

Teu cheiro me faz delirar em pensamentos 
profanos, me vejo em outro plano. 

A busca termina num solo eterno a tua 
voz soa como um bálsamo dos deuses 
que acalma e sustenta o meu ser.

Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo: Grandeza:



Dentro de um reino encantado de sonhos 

viajo na imaginação e ouço as canções 

dos ventos que me levam ao imaginário, do teu ser, 

a grandeza do existir, e o prazer de tê-la. 

E em teu corpo viver a felicidade da razão.

Poesia de Quinta na Usina: Laurindo Ribeiro: O MEU SEGREDO I:



 O lume de sinistro fogo estranho Que em meu olhar se acende; A nuvem que de mágoas carregada No rosto se me estende; Esta agonia acerba que repassa Os sons da minha lira; Este céptico altivo horror ao mundo Que em tudo meu respira; Estas rugas, que trago sobre as faces, Os modos distraídos, A constante desordem do semblante, Dos gestos, dos vestidos; Revela tudo um segredo, Que o mundo não sabe ler; Segredo, que só com pranto É que se pode escrever; Segredo, que em meu futuro Negro anátema cuspiu; Segredo, que seduziu-me; Segredo que me traiu. Letras escritas com pranto Sei que apagadas serão! Sei que um segredo de mágoas Nunca merece atenção! Mas não importa; hoje quero O meu segredo escrever; Que guardado por mais tempo Talvez me faça morrer.

Poesia de Quinta na Usina: Laurindo Ribeiro: O QUE SÃO MEUS VERSOS:


 Se é vate quem acesa a fantasia Tem de divina luz na chama eterna; Se é vate quem do mundo o movimento C’o movimento das canções governa; Se é vate quem tem n’alma sempre abertas Doces, límpidas fontes de ternura, Veladas por amor, onde se miram As faces da querida formosura; Se é vate quem dos povos, quando fala, As paixões vivifica, excita o pasmo, E da glória recebe sobre a arena As palmas, que lhe of’rece o entusiasmo; Eu triste, cujo fraco pensamento Do desgosto gelou fatal quebranto; Que, de tanto gemer desfalecido, Nem sequer movo os ecos com meu canto; Eu triste, que só tenho abertas n’alma Envenenadas fontes d’agonia, Malditas por amor, a quem nem sombra De amiga formosura o céu confia; Eu triste, que, dos homens desprezado, Só entregue a meu mal, quase em delírio, Ator no palco estreito da desgraça, Só espero a coroa do martírio; Vate não sou, mortais; bem o conheço; Meus versos, pela dor só inspirados, — Nem são versos — menti — são ais sentidos, Às vezes, sem querer, d’alma exalados; São fel, que o coração verte em golfadas Por contínuas angústias comprimido; São pedaços das nuvens, que m’encobrem Do horizonte da vida o sol querido; São anéis da cadeia, qu’arrojou-me 2 Aos pulsos a desgraça, ímpia, sanhuda; São gotas do veneno corrosivo, Que em pranto pelos olhos me transuda. Seca de fé, minha alma os lança ao mundo, Do caminho que levam descuidada, Qual, ludíbrio do vento, as secas folhas Solta a esmo no ar planta mirrada.

Poesia de Quinta na Usina: Augusto dos Anjos: AVE LIBERTAS:



Ao clarão da madrugada, 
Da liberdade ao toque alvissareiro, Banhou-se 
o coração do Brasileiro Num eflúvio de luz auroreada. 
É que baqueia a vida escravizada! Já se ouvem os clangores do pregoeiro, 
Como um Tritão, levando ao mundo inteiro, Da República a nova sublimada. 
E ali do despotismo entre os escombros, Rola um drama que a Pátria exalça e doura 
Numa auréola de paz imorredoura, 
A República rola-lhe nos ombros; 
Enquanto fora na trevosa agrura Sucumbe o servilismo, e, 
esplendorosa, A liberdade assoma majestosa, 
-- Estrela d’Alva imaculada e pura! 
É livre a Pátria outrora opressa e exangue! Esse labéu que mancha a glória pública, 
Que apouca o triunfo e que se chama sangue, Manchar não pode as aras da República. 
Não! que esse ideal puro, risonho, Há de transpor sereno os penetrais 
Da Pátria, e há de elevar-se neste sonho Ao topo azul das Glórias Imortais! 
Esplende, pois, oh! Redentora d’alma, Oh! Liberdade, essa bendita e branca 
Luz que os negrores da opressão espanca, Essa luz etereal bendita e calma. 
Vós, oh Pátria, fazei que destes brilhos, Caia do santuário lá da História, 
Fulgente do valor da vossa glória, 
A bênção do valor dos vossos filhos!

Poesia de Quinta na Usina: Augusto dos Anjos: QUADRAS:



Embala-me em teus braços, De amores bons à sombra -- 
Quero em cheirosa alfombra Pousar os sonhos lassos! 
Teus seios, oh! morena -- Relíquias de Carrara -- 
Têm a ambrosia rara Da mais rara verbena. 
Aperta-me em teu peito, 
E dá-me assim, divina, De lírios e boninas 
Um veludíneo leito. 
Assim como Jesus, Eu quero o meu Calvário 
-- Anelo morrer vário Dos braços teus na Cruz! 
Porque não me confortas?! Bem sei, perdeste a ciência, 
Morreu-te a redolência, Alma das virgens mortas -- 
Mas não! Apaga os traços De tão funesto aspeito... 
Aperta-me em teu peito, Embala-me em teus braços!

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Quarta na usina: Poetisas da Rede: Lilian Menale: UMA NOITE ENCANTADA.(RONDEL):

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As estrelas anunciam o cair da noite

E tua mão afaga-me, deixa-me segura.

O tempo para no encanto desse instante,

Abraçamo-nos com ardência e ternura.

Desperta em nós o fogo do êxtase,

Nossos corpos se enlaçam perfeitamente,

As estrelas anunciam o cair da noite

E tua mão afaga-me, deixa-me segura.

Despidos de nossas roupas, cegos de desejo,

Somos levados pelo frescor do nosso beijo,

Ficamos reféns desta loucura incessante,

No esfregar das nossas coxas na cama,

As estrelas anunciam o cair da noite.

Lilian Menale

Codinome Uma Mulher Um Poema

Direitos autorais reservados.

http://umamulherumpoema.recantodasletras.com.br/

Deus nos abençoe e proteja todos os dias!!!

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Marilda Sampronha: Por que choram as mulheres?:

 


São tantos os motivos e porquês

Todos não são de uma só vez

Um a um de quando em quando

Mostra-se por aí uma mulher chorando.

Se é por causa de um homem, muitas delas têm mentido

Elas choram sim por uma criança nua

Compadecem-se por um menor desprovido

Choram por um homem jogado na rua.

Umas choram quando o filho vai embora

Ou quando no armário não encontram alimento

Choram quando o marido já morto não lhes sai do pensamento

Debulham-se em lágrimas ao perderem o filho que tanto adoram.

Choram as mulheres por um homem qualquer?

Dizem quem sim, penso que é tolice

Talvez uma lágrima de consolo quando ele quer

Ou ledo engano, deve ser crendice.

Por que chora uma mulher?

Não é por um novo sapato de salto

É quando o salário não lhe condisser

Porque sempre o preconceito fala mais alto.

Alguma mulher chora por não lhe permitirem ser forte

Chora por não ter na vida a mesma sorte

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De alguns patrões mal resolvidos

Assediando-na com os convites mais atrevidos.

As mulheres choram pelos seus filhos

Jamais eles serão empecilhos

Choram por todos os filhos de Deus

Porque elas os amam como se fossem filhos seus.

Pergunta -se então por que choram as mulheres?

Choram sim por tudo que de mal lhes vêm

Choram porque o destino lhes rouba prazeres

Ou porque muitos homens as olham com desdém.

Marilda Sampronha

30.08.2020

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Imara Ione: SILÊNCIO:

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No silêncio da

Minha mente

A paz habita

E neste momento

Nós compreendemos

A divindade em nós

A luz que nos faz

Morada e que quer

Sair, se expandir,

E transmitir o

Ensinamento

Maior que vem de

Deus, o amor!

No silêncio que

Necessitamos,

Que apreciamos,

Está à bela

Essência de

Cada ser vivo,

O amor!

No silêncio

Descobri-me

Ser humano

Com erros e

Acertos,

Apenas humano

A se conhecer,

Se respeitar

E se amar!

Imara Ione Vieira

Quarta na Usina: Suely Sett: Sei Esperar-te:


Qual o motivo de sua indiferença

Descrença

Não se pode negar a vida

somos caminhantes de uma mesma estrada

Ainda não é a hora da partida

Volte meu amor primeiro

Sigo esperando sem receio

Nosso amor ignora este tempo descuidado

Sigo-te silenciosamente

Serás sempre um amor presente

Na lembrança ainda que tardia

Doce é nossa melodia, reconhecida

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Que deixo tocar na vitrola antiga

Inundando de lembrança

Sentença inexata

Este exílio que de ti me afasta

Regresse pois, antes que o dia anoiteça

Não  esmoreças portanto

Este amor é belo e santo

Saberei esperar-te

Para além deste meu pranto

Suely Sette 29/08/2020

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Imagem Pixabay