sábado, 23 de janeiro de 2021

Domingo na Usina: Biografias: Guimarães Júnior:



Guimarães Júnior (Luís Caetano Guimarães Júnior), diplomata, poeta, romancista e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 17 de fevereiro de 1847, e faleceu em Lisboa, Portugal, em 20 de maio de 1898. Foi um dos dez membros eleitos para se completar o quadro de fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde criou a cadeira nº 31, que tem como patrono o poeta Pedro Luís.
Era filho de Luís Caetano Pereira Guimarães, português, e de Albina de Moura, brasileira. (Há uma divergência na data de seu nascimento: Sílvio Romero indica o ano de 1844; outras fontes registram 1847. A filha do poeta, D. Iracema Guimarães Vilela, forneceu a Múcio Leão a data de 1845.) Fez os primeiros estudos no Rio de Janeiro. Aos dezesseis anos escreveu o romance Lírio branco, dedicado a Machado de Assis. Partiu para São Paulo, a fim de continuar os estudos preparatórios, e lá recebeu uma carta de Machado de Assis animando-o a prosseguir na carreira das letras. Fez o curso de Direito no Recife entre 1864 e 1869. Ali assistiu ao desenvolvimento da escola condoreira, em que tomou parte mais ou menos diretamente. Continuou a escrever, multiplicando-se no jornalismo e escrevendo livros de contos, comédias e poesias. Aos 28 anos, apaixonado por Cecília Canongia, cogitou de se casar. Sua situação no jornalismo e nas letras, embora brilhante, não lhe proporcionava os meios para viver estavelmente. O poeta e amigo Pedro Luís, então ministro dos Negócios Estrangeiros, oferece-lhe um lugar na diplomacia como secretário de Legação em Londres. De 1873 a 1894, passou por vários outros postos, em Santiago do Chile, em Roma, onde serviu sob as ordens de Gonçalves de Magalhães, e em Lisboa; foi, depois, como enviado extraordinário, para Veneza. Em 1894, transferiu-se, já aposentado, para Lisboa, onde veio a falecer.
Em Lisboa, como secretário de Legação, teve ocasião de conhecer alguns dos mais ilustres espíritos do tempo. Foi amigo de Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Fialho de Almeida. Distinguia-se como poeta e como homem do mundo. Ramalho Ortigão assim o definiu: “Como poeta, ele é um primeiro adido à legação da elegância... O seu estilo tem um lavor de renda, uma suavidade de veludo e um fresco perfume de toilette.” Tinha predileção pelas cidades da arte e do pensamento. O poeta celebra Londres, celebra Roma. Mais que tudo, porém, recorda o seu país. Suas principais obras são Corimbos e Sonetos e rimas. O primeiro representa a fase em que vivia no Brasil (1862 a 1872); o outro, o período em que residiu na Europa. A apreciação de críticos e estudiosos como Vicente de Carvalho, Medeiros e Albuquerque e Carlos de Laet, foi de pleno reconhecimento da poesia de Luís Guimarães Júnior. Seus sonetos revelam um grande apuro da forma, combinações métricas finas e sutis, e o gosto pelos motivos exóticos que ele pôde sentir e observar em suas peregrinações por terras estrangeiras. Romântico de inspiração, mas já dentro da orientação parnasiana, ele foi, no apuro da expressão, um precursor da poesia de Raimundo Correia, Bilac e Alberto de Oliveira.

fonte de origem:

https://www.academia.org.br/academicos/luis-guimaraes-junior/biografia

Domingo na Usina: Biografias: Pedro Luís:




Pedro Luís (Pedro Luís Pereira de Sousa), advogado, jornalista, político, orador e poeta, nasceu em 13 de dezembro de 1839, em Araruama, RJ, e faleceu em Bananal, SP, em 16 de julho de 1884. É o patrono da cadeira n. 31 da Academia Brasileira de Letras, por escolha de Luís Guimarães Júnior.
Educou-se em Nova Friburgo, no Colégio de S. Vicente de Paulo. Diplomado pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1860, estabeleceu-se como advogado no Rio de Janeiro, sendo também advogado no Conselho de Dom Pedro II. Na política filiou-se ao Partido Liberal. Deputado em duas legislaturas (1864-1866 e 1878-1881), revelou-se um orador fluentíssimo. Foi ministro dos Negócios Estrangeiros (1880), acumulando a pasta dos Negócios da Agricultura, quando faleceu o conselheiro Buarque de Macedo. Nesse período teve como funcionário Machado de Assis. Não alcançando ser reeleito deputado, por ocasião de dissolução da Câmara, o conselheiro Pedro Luís resignou do cargo de ministro. Em 1882, foi presidente da Província da Bahia. Acenava-lhe a política com um lugar no Senado, mas veio a falecer, aos 43 anos. Entre outras condecorações, era titular da Legião de Honra e grande dignitário da Ordem da Rosa.
Sua curta existência foi absorvida pela atividade política. Mas teve tempo bastante para firmar-se como poeta de cunho social e político, colocado entre os condoreiros, precursor de Castro Alves, cujo poema “Deusa incruenta”, o poema da imprensa, é uma antítese à “Terribilis Dea”, que a Guerra do Paraguai inspirou a Pedro Luís. Dele disse José Veríssimo:
“Também ele foi um poeta brilhante, o precursor da inspiração política e social e do que depois se chamou Condoreirismo na nossa poesia, político de relevo, jornalista, conversador agradabilíssimo, segundo quantos o trataram, e homem do mundo, de rara sedução. Deixou meia dúzia de poemas, os melhores no tom épico (“Os voluntários da morte”, “Terribilis Dea”), que todo o Brasil conheceu, recitou e admirou. Mas a sua obra dispersa, de mero diletante, se lhe criou um nome meio lendário como os de José Bonifácio e Francisco Otaviano, não basta a assegurar-lhe um posto de primeira ordem na nossa poesia.” E João Ribeiro, depois de chamá-lo “glorioso precursor de Castro Alves e da poesia hugoana no Brasil, pelas suas feições épicas e patrióticas”, aludiu à sua lírica: “Sei agora que ele nem sempre fora altiloquente e sabia murmurar com a suavidade de um Petrarca.”

fonte de origem:

https://www.academia.org.br/academicos/pedro-luis/biografia

Domingo na Usina: Biografias: Aurélio Buarque de Holanda:




Quarto ocupante da cadeira 30, eleito em 4 de maio de 1961, na sucessão de Antônio Austregésilo e recebido pelo Acadêmico Rodrigo Octavio Filho em 18 de dezembro de 1961. Recebeu os Acadêmicos Bernardo Elis, Marques Rebelo e Cyro dos Anjos.
Aurélio Buarque de Holanda (Aurélio Buarque de Holanda), ensaísta, filólogo e lexicógrafo, nasceu em Passo de Camaragibe, AL, em 3 de maio de 1910, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28 de fevereiro de 1989.
Filho de Manuel Hermelindo Ferreira, comerciante, e de Maria Buarque Cavalcanti Ferreira, passou parte da infância em Porto das Pedras, AL, e estudou as primeiras letras em Maceió. Fez os preparatórios no Liceu Alagoano. Aos 15 anos ingressou no magistério e passou a se interessar pela língua e literatura portuguesas. Diplomou-se em Direito pela Faculdade do Recife, em 1936. Em 1930 fez parte de um grupo de intelectuais que exerceria forte influência literária no Nordeste, entre outros Valdemar Cavalcanti, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Raul Lima, Raquel de Queirós. Em 1936 e 1937 foi professor de Português, Literatura e Francês no Colégio Estadual de Alagoas, e em 1937 e 1938, diretor da Biblioteca Municipal de Maceió.
Passou a residir no Rio de Janeiro a partir de 1938. Continuou no magistério, como professor de Português e Literatura Brasileira no Colégio Anglo-Americano em 1939 e 1940; professor de Português no Colégio Pedro II, de 1940 a 1969, e professor de Ensino Médio do Estado do Rio de Janeiro, de 1949 a 1980. Contratado pelo Ministério das Relações Exteriores, assumiu a cadeira de Estudos Brasileiros na Universidade Autônoma do México, de junho de 1954 a dezembro de 1955.
Colaborou na imprensa carioca, com contos e artigos. Foi secretário da Revista do Brasil (1939-1947), quando era seu diretor Otávio Tarquínio de Sousa, de 1939 a 1943. Nessa época, evidenciava-se o escritor, nos contos de Dois mundos, livro publicado em 1942 e premiado em 1944 pela Academia Brasileira de Letras, e no ensaio “Linguagem e estilo de Eça de Queirós”, publicado em 1945. Em 1941 começou Aurélio Buarque a atividade que o iria absorver a vida inteira e que, de certa forma, iria suplantar o Aurélio escritor: o Aurélio dicionarista. Foi quando o convidaram a executar, pela primeira vez, um trabalho lexicográfico, como colaborador do Pequeno dicionário da língua portuguesa. Em janeiro de 1945, tomou parte no I Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo.
Em 1947, iniciou no “Suplemento Literário” do Diário de Notícias a seção “O Conto da Semana”, que duraria até 1960 e, a partir de 1954, terá a colaboração de Paulo Rónai. Essa colaboração entre os dois amigos vinha desde 1941, quando se conheceram na redação da Revista do Brasil, e se concretizou no trabalho conjunto dos cinco volumes da coleção Mar de histórias, antologia do conto mundial, o primeiro deles publicado em 1945.
Além dos contos traduzidos para a coleção Mar de histórias, Aurélio Buarque de Holanda traduziu romances de vários autores, os Poemas de amor e os Pequenos poemas em prosa, de Charles Baudelaire.
A partir de 1950 Aurélio Buarque manteve, na revista Seleções do Reader’s Digest, a seção “Enriqueça o seu vocabulário”, que em 1958 ele irá reunir e publicar no volume de igual título. Em 1963, tomou parte, em Bucareste, representando a Academia, no Simpósio de Língua, História, Folclore e Arte do Povo Romeno, visitando na mesma ocasião a Bulgária, Iugoslávia, Tchecoslováquia e Grécia. Foi membro da Comissão Nacional do Folclore e da Comissão Machado de Assis.
A preocupação com a língua portuguesa, a paixão pelas palavras levou-o à imensa tarefa de elaborar o próprio dicionário, e esse trabalho lexicográfico ocupou-o durante muitos anos. Finalmente, em 1975, saiu o Novo dicionário da língua portuguesa, conhecido por todos como o Dicionário Aurélio. Desde a sua publicação, Mestre Aurélio atendeu a muitos convites, no Brasil inteiro, para falar do Dicionário e dos mistérios e sutilezas da língua portuguesa, que ele enriqueceu de tantos brasileirismos, fazendo do brasileiro comum um consulente de dicionário e um usuário consciente do seu idioma. Pronunciou numerosas conferências, sobre assuntos literários e linguísticos, no México, Estados Unidos, Cuba, Guatemala e Venezuela.
Pertenceu à Associação Brasileira de Escritores, seção do Rio de Janeiro (1944-1949). Era membro da Academia Brasileira de Filologia, do Pen Clube do Brasil, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, da Academia Alagoana de Letras e da Hispanic Society of America.
Atualizado em 04/10/2016.

fonte de origem: 

https://www.academia.org.br/academicos/aurelio-buarque-de-holanda/biografia

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Paulo Maurício G Silva:

 


ASSIM

Leve, de pés descalços, a sonhar...

Chuva de pétalas a cair sem fim,

finos raios de luz a te rondar...

Braços abertos para os céus carmim…

Carícia delicada em teu olhar,

um olhar dirigido só a mim...

O teu gesto suave a me acenar,

como a flor mais bonita do jardim…

Na varanda tranquila, a meditar...

Como se tu sentisses levitar

sutilmente um perfume em sua dança…

– Pode a lágrima triste despontar...

Mesmo com cada foto a desbotar,

é assim que te mantenho na lembrança!

(Paulo Maurício G Silva)

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Jackson Costa:

 


Chove! chuva! chove de mansinho...

vem caindo com amor,

molhando as flores com carinho,

deixando gotas de esplendor,

nas asas dos passarinhos.

(Jackson Costa)

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Yrto Mourão:

 


MARES, TERRAS, ARES

Gente profunda

nas profundezas da pele

Na superfície do sangue

salgado de sede

É mar na ponta da língua,

é amar pelas ondas

Ser marítimo, ser mais íntimo,

ser possível

Seres submersos

na submersão dos ares

Que desvendam os céus

se tornando celestes

Podem ver as trilhas

onde as águas inundam

No mesmo mundo

que o hoje mundana

Nas estranhas terras

que o futuro terrena

Viver é saber que

bem pouco se sabe

É nadar cavalgadas

pelas pistas do tempo

Sem coices ao vento,

vencendo obstáculos

E na aparência dos mares

ser cavalo marinho

Yrto Mourão

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Nando Fernández:

 


Eu te vi e parou o mundo, meu coração começou a te pertencer 

e minha mente me mandou te amar, e eu obedeci, porque já te amava.

****

Se eu pudesse te dizer em uma palavra o que sinto, 

se eu soubesse te olhar e te contar em silêncio meus sentimentos... 

se eu soubesse te apaixonar.

Nando Fernández

Sexta na Usina: Poetas da Rede: MAINOR OU CHAVARRIA B:

 


TITULO: TRISTE MELANCOLIA

AUTOR: MAINOR OU CHAVARRIA B

PAIS: COSTA RICA

Mundo inóspito e cruel ela vive sem ele.

Afloram choros e lamentos de seu interior,

mas silentes em solidão.

Finge sorrir, não quer demonstrar a dor que dilacera o coração.

E em sonhos liberta as fantasias da sua alma abalada, almejando felicidade.

Ai goza, canta, se sente amada.!

Cheia de carícias e beijos que libertam seus desejos de mulher quente.

Olhe nos olhos de seu amado o clarão de luxúria, e ela submissa se rende complacente entre seus braços.

Lá também chora mas ao saciar a sua paixão com corpos unidos fazendo amor.

Mas ao acordar retorna a melancolia,

A fantasia foi afastada.

Ela sozinha está em cruel espera.

Quer o verdadeiro retorno do seu amado

Mas está muito longe.

Não perde a esperança de beijá-lo de novo.

e cair submissa em seus braços sentindo sua pele,

Finalmente afastando a melancolia e solidão.

Sabe ele chegará,

enquanto ele sonha!

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Adalberto Silva:

 


As vezes,as lágrimas

Servem para abrir caminhos

Diante da nossa vida

Enxergamos tudo com um novo pensamento

Saímos da escuridão

E entramos no mundo horizonte prometido

Ninguém está sozinho

Somos uma criação

E o criador divino,nos vigia em silêncio

As lágrimas podem nos melhorar

Seremos homens da paz à semear o bem

Podemos puxar um irmão do fundo do poço

E apontar a direção certa

Talvez eu seja a sua bússola

O seu sol radiante

Aquele profundo sorriso mágico

E o próximo a te abraçar ou ser abraçado por você

Felicidades!

Direitos autorais reservados ao autor:

Adalberto Silva

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Denis De Oliveira:

 


.... Mulher dos meus sonhos....

Eu escolhi você....

Porque você é a única pessoa que me faz feliz.

A pessoa que ocupa meus pensamentos, pela qual eu arrisquei confessar tudo o que sentia, sem me importar com nada.

Por que você é...

Mulher que ocupa meus sonhos, sempre me pergunto o que você faz ou se você está bem, eu não sei.

Eu só queria saber sempre sobre você.

Você é a pessoa que tenho que controlar  o ciúme, se alguém te olha ou te diz coisas que possa te machucar .

A pessoa que eu seguiria apesar de tudo, eu não me importo com nada, além de você.

E sim, eu escolhi você, porque eu percebi você encontrou meu ponto fraco.

  única que encontrou uma maneira de acalmar

este espírito selvagem.

Escolhi porque percebi que,

Você vale a pena amar,

Você vale os riscos perigoso,

Você vale a vida inteira,

Você é a pessoa certa ,

quero conquistar todos dias.

Denis De Oliveira

Imagem da internet

Direitos Autorais Reservados®

Lei 9.610/98

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Paulo Major:

 


O  Chá chá chá

A lua chegou a embalar-me

No meu sonho de ilusão

Eu iniciei uma viajem sexual

Certa no ritmo certo

Passo a passo.... disfrutando

Sonhando com a beleza

A elegância de o ser

Da sua cor morena

A melhor das melhores cores

De uma mulher mexicana

Percorri o seu corpo

De lés a lés

De uma felicidade real

Dançando o  Chá chá chá

A dança mais popular mexicana

É bailada ao som do estilo

De mesmo nome

Bem similar

A diversos ritmos latinos

Como o mambo

A expressão corporal

É muito presente

É uma das variações de dança

Mais calientes do país

Do grande México

Excitando os mais corações

Tal e qual

Igual e tal qual 

Como o corpo do meu amor

Quando o mambo se calou

Num silêncio total

Ao despertar dos primeiros raios de sol

Eu acordei supreendido espantado

Nos braços do meu amor

Onde lhe lhei um beijinho

De bons dias

No meu acordar

De felicidade real

Aí aí aí....

Meu amor não sabe dançar

O  Chá chá chá

Mas ela na verdade

É a melhor no seu ritmo

Dançando no seu sentimento

O ritmo do amor.

Paulo Major Poesia

Data,18 de janeiro 2021

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo:

 




A onça, o bode e o homem

A onça com o instinto de
Sobreviver, ela devora.
O bode com o instinto de
Manter-se ele consome.
O homem com o instinto
De refazer, ele destrói.

Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo:

 




Da Alma

Aqueça seus desejos com toda intensidade de sua alma
Mas nunca aqueça sua alma
Com toda a intensidade de seus desejos......

Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo:

 


 



Calor, amar e dor

A dor do amar
A dor do não amar
O amar sem dor
O calor do amar
A dor da falta do calor do amar.
Amar além da dor
O calor além do amar.....

Poesia de Quinta na Usina: Alphonsus Guimarães:

 



XI

Cantem outros a clara cor virente
Do bosque em flor e a luz do dia eterno...
Envoltos nos clarões fulvos do oriente,
Cantem a primavera: eu canto o inverno.
Para muitos o imoto céu clemente
É um manto de carinho suave e terno: Cantam a vida, 
e nenhum deles sente Que decantando vai o próprio inferno. 
Cantam esta mansão, onde entre prantos
Cada um espera o sepulcral punhado
De úmido pó que há de abafar-lhe os cantos...
Cada um de nós é a bússola sem norte.
Sempre o presente pior do que o passado.
Cantem outros a vida: eu canto a morte.

poesia de Quinta na Usina: Alphosus Guimarães:

 



X

Como se moço e não bem velho eu fosse
Uma nova ilusão veio animar-me.
Na minh’alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se. 
Ouvi gritos em mim como um alarme. 
E o meu olhar, outrora suave e doce, 
Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se 
Todo em raios que vinham desolar-me. 
Vi-me no cimo eterno da montanha, 
Tentando unir ao peito a luz dos círios 
Que brilhavam na paz da noite estranha. 
Acordei do áureo sonho em sobressalto:
Do céu tombei aos caos dos meus martírios, 
Sem saber para que subi tão alto...

Poesia de Quinta na Usina: Primeiras Trovas Burlescas:

 




— 125 —

Homem—sentiu na carne desnudada
O açoite do algoz nodoar a honra,
E o sangue sobre a face envergonhada
Mudo escreveu o grito da deshonra!
Era escravo!—deixai-o que combata;
Livre nunca elle foi, quer sel-o agora,
Como o peixe no mar, a ave na matta,
Como no Céo a aurora!
Oh deixai-o morrer 1—d'este martyrio
Não alceis a calumnia ao gráo da historia!
Que fique a lusa mão em seu delírio
Já que o corpo manchou, manchar a gloria!
Respeitemos as cinzas do guerreiro
Que no pó sacudira a alteira fronte!
Quem sabe esse mysterio segredeiro
Do sol lá no horisonte?!
Não se vendeu! infâmia... era hum escravo!
Sentiu o estygma vil, horrendo sèllo;
Pulsou-lhe o coração, viu que era hum bravo;
Quiz despertar do negro pesadèllo!
Tronco sem folhas, triste e solitário,
Debalde o vento assoberbar tentou,
Das azas do tufão ao sopro vário
Estremeceu—tombou!
Deztmbro de A. I. Aniunes.

Poesia de Quinta na Usina: Primeiras Trovas Burlescas:

 




— 126 —

Paz ao sepulchro! Calabar morreu!
Sobre o topo da cruz falia á verdade;
Quiz ser livre também—elle escolheu,
Entre duas prisoens quiz ter vontade!
E a mão heróica que susteve a Hollanda
A covardia entrega desarmada!.... >
Vergonha eterna a Providencia manda
A' ingratidão manchada!
Morreu!—mas lá no marco derradeiro
O coração de amor bateu-lhe ainda!
Minha mãe, murmurou... era agoureiro
Esse queixume de huma dor infinda!
Morreu, o escravo se desfez em pó
Ferros lançai-lhe agora, si o podeis!
Vinde tyrannos—elle está bem sò,
Dictai-lhe agora leis!...

Poesia de Quinta na Usina: Primeiras Trovas Burlescas:



— 1 9 -

Com sabença profusa irei cantando
Altos feitos da gente luminosa,
Que a trapaça movendo portentosa
A' mente assombra, e pasma á natureza!
Espertos eleitores de encommenda,
Deputados, Ministros, Senadores,
Galfarros Diplomatas—chuchadores,
De quem resa a cartilha da esperteza.
Caducas Tartarugas—desfructaveisr
Velharoens tabaquentos—sem juízo,
Irrisórios fidalgos—de improviso,
Finórios traficantes—patriotas;
Espertos maganoens, de mão ligeira.
Emproados juizes de trapaça,
E outros que de honrados teem fumaça,
Mas que são refinados agiotas.
Nem eu próprio á festança escaparei;
Com foros de Africano fidalgote,
Montado n'hum Barão, com ar de zóte—
Ao rufo do tambor, e dos zabumbas,
Ao som de mil aplausos retumbantes,
Entre os netos*da Ginga, meus parentes,
Pulando de prazer e de contentes— 
Nas danças entrarei d'altas cayumbas.

domingo, 17 de janeiro de 2021

Domingo na Usina: Biografias: Antônio Austregésilo:




Terceiro ocupante da Cadeira 30, eleito em 29 de agosto de 1914, na sucessão de Heráclito Graça e recebido pelo Acadêmico Mário de Alencar em 3 de dezembro de 1914.
Antônio Austregésilo (Antônio Austregésilo Rodrigues Lima), médico, professor e ensaísta, nasceu no Recife, PE, em 21 de abril de 1876, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 23 de dezembro de 1960.
Era filho do advogado José Austregésilo Rodrigues Lima e de Maria Adelaide Feitosa Lima. Educou-se no Colégio das Artes, no Recife. Lá conheceu Tobias Barreto e participou, precocemente, do movimento literário e artístico da Escola de Recife. Aos 16 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para cursar a Faculdade de Medicina. Teve, entre seus mestres, Francisco de Castro, que exerceu grande influência sobre ele. Formou-se em 1899, defendendo a tese Estudo clínico do delírio. Foi o início da sua copiosa bibliografia sobre doenças mentais.
Em 1902, tornou-se médico da Santa Casa de Misericórdia. No governo Rodrigues Alves (1902-1906), integrou a equipe do professor Juliano Moreira, que assumira a Diretoria de Assistência aos Alienados. Foi o seu reencontro com a neurologia, que veio a ser sua especialização. Em 1909, foi designado, pela Congregação da Faculdade de Medicina, para professor substituto de Clínica Médica, Patologia Interna e Clínica Propedêutica. Em 1912, foi designado professor da recém-fundada cátedra de Neurologia na Universidade do Brasil. Principiou ali a sua grande obra de mestre, lançando no Brasil as bases de uma especialidade nova e criando a primeira escola de Neurologia.
Fundador dos Arquivos Brasileiros de Medicina e dos Arquivos Brasileiros de Neurologia e de Psiquiatria, representou o Brasil em vários congressos internacionais de Neurologia. Foi deputado federal por Pernambuco, de 1922 a 1930; membro da Academia Nacional de Medicina e da Sociedade Brasileira de Neurologia, das quais foi presidente; membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa; membro correspondente da Academia de Medicina de Paris e da Academia de Medicina de Nova York; membro honorário de todas as associações médicas do Brasil e da América do Sul; professor Honorário da Faculdade de Medicina de Pernambuco; e professor emérito da Universidade do Brasil.
Além de numerosas obras de medicina e psicologia, escreveu ensaios que evidenciam as qualidades do escritor. Seu pendor literário foi para o Simbolismo.

Atualizado em 04/04/2016.

fonte de orgem:


Domingo na Usina: Biografias: Heráclito Graça:


Heráclito Graça (Heráclito de Alencastro Pereira da Graça), advogado, magistrado, jurista, político, jornalista e filólogo, nasceu em Icó, CE, em 18 de outubro de 1837, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16 de abril de 1914.
Era filho do Conselheiro José Pereira da Graça, Barão do Aracati, e de D. Maria Adelaide da Graça, e tio de Graça Aranha. Realizados os estudos primários e secundários, fez os preparatórios na cidade do Recife, onde se diplomou, em 1857, na Faculdade de Direito. Deixou, já como acadêmico, um rastro brilhante de sua extraordinária inteligência e dedicação aos estudos. Depois de formado, foi viver com a família no Maranhão, onde seu pai era desembargador. Exerceu a magistratura, começando como promotor de Justiça em São Luís. Findo o primeiro quadriênio, pediu demissão, consagrando-se à advocacia, à política e ao jornalismo.
Fez parte do Partido Conservador. Fundou A Situação, jornal em que defendeu as ideias do partido. Simultaneamente trabalhava num semanário literário que também tinha a colaboração de Joaquim Serra, Gentil Braga, Trajano Galvão e outros. Não só no jornalismo político, senão no literário, via-se nele o futuro mestre da língua, tal o cuidado e esmero com que escrevia e a paixão que tinha pelos estudos da Língua Portuguesa.
Maranhense adotivo, elegeu-o o Maranhão representante na Câmara da Província em duas legislaturas. Em 1868 foi eleito para a assembleia geral, legislatura 1869-1872; dissolvida esta, foi Presidente da Paraíba. Reeleito deputado para a legislatura 1872-1875, e para a seguinte, que também foi dissolvida; foi designado para presidir o Ceará em fins de 1874.
Na Câmara, registrou-se a atuação que ele teve nos debates da reforma judiciária (1871), do recrutamento eleitoral (1875), da Lei do Ventre Livre. Na administração da Paraíba e do Ceará, exerceu o governo com correção e coerência a seus princípios. A probidade de caráter, a austeridade de suas medidas e a independência das atitudes o incompatibilizaram logo com as correntes políticas dominantes.
Em 1877, voltou ao Rio de Janeiro, indo a princípio advogar em companhia de José de Alencar, de quem era grande amigo. Além de profundo conhecedor do vernáculo, era ainda jurista eminente, e, como tal, o Barão do Rio Branco convidou-o para advogado do Brasil nos tribunais arbitrais com o Peru e a Bolívia, sendo depois disso nomeado consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores, cargo que ocupava quando faleceu.
Além de tantas atividades, era no estudo da língua que ele encontrava a maior satisfação, anotando pacientemente os clássicos e mais sistematicamente o Elucidário de Viterbo, ao fim do qual escreveu: “O Elucidário contém 6.143 vocábulos, foram acrescidos 7.457, perfazendo o total de 14.600.” Isso mostra o seu grande saber e capacidade de trabalho, e também a sua modéstia, pois era avesso à publicidade do que escrevia e realizava. Mesmo o único livro que publicou, resultou de circunstância especial.
Logo que apareceram os três volumes das Lições práticas da Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo, o filólogo Heráclito Graça publicou no Correio da Manhã, de 26 de fevereiro a 16 de novembro de 1903, sob a epígrafe “Notações filológicas”, uma série de artigos de refutação àquele mestre, esmiuçando, com clareza e logicidade admiráveis, os problemas linguísticos por ele tratados, não só nos mencionados artigos, mas ainda nos que publicou no Jornal do Comércio, sob o título “O que se não deve dizer”. Em 1904, reuniu em volume o que ele próprio chamou de “meus pobres reparos a alguns pontos filológicos e vernáculos do Sr. Cândido de Figueiredo” no livro intitulado Fatos da linguagem: esboço crítico de alguns assertos do Sr. Cândido de Figueiredo.
Segundo ocupante da cadeira 30, foi eleito em 30 de julho de 1906, na sucessão de Pedro Rabelo, e tomou posse por carta em 11 de julho de 1907.

fonte de origem:

https://www.academia.org.br/academicos/heraclito-graca/biografia



Domingo na Usina: Biografias: Pedro Rabelo:



Pedro Rabelo (Pedro Carlos da Silva Rabelo), jornalista, contista e poeta, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 19 de outubro de 1868, e faleceu na mesma cidade em 27 de dezembro de 1905. Quando da fundação da Academia Brasileira de Letras, ele tinha apenas 28 anos, mas seu nome como contista já estava firmado. Participou das reuniões de instalação da Academia, indicando como seu patrono o nome do amigo de todas as horas, Pardal Mallet, que falecera dois anos antes.
Cadeira: 
30
Posição: 
Fundador
Sucedido por:
Data de nascimento: 
19 de outubro de 1868
Naturalidade: 
Rio de Janeiro - RJ
Brasil
Data de falecimento: 
27 de dezembro de 1905
Local de falecimento: 
Rio de Janeiro, RJ.
fonte de origem:

Domingo na Usina: Biografias: Pardal Mallet:



Pardal Mallet (João Carlos de Medeiros Pardal Mallet), jornalista e romancista, nasceu em Bagé, RS, em 9 de dezembro de 1864, e faleceu em Caxambu, MG, em 24 de novembro de 1894. É o patrono da cadeira n. 30, por escolha do fundador Pedro Rabelo.
Neto e filho de grandes marechais, de sangue nobre e bravo, reuniu em si misturas de raças díspares, de países e continentes diversos, irlandês, francês, português e brasileiro. Veio ao mundo na época da Guerra do Paraguai, e em toda a sua breve vida viveu na atmosfera de uma família tradicional, cercado do carinho dos pais e das irmãs, mas povoada de reminiscências de guerras. Aprendeu na infância três línguas, francês, inglês e português.
Após os estudos preparatórios na terra natal, veio para o Rio de Janeiro para estudar Medicina. Deixou o curso no 4º ano porque o visconde de Saboia o ameaçava de reprovação se não abandonasse as ideias republicanas que expressava em artigos na imprensa carioca. Ele mantém seus pontos de vista e decide estudar Direito. Inicia o curso em São Paulo e vai concluí-lo em Recife, em plena efervescência da Escola do Recife. Em Pernambuco, manteve-se no jornalismo e publicou um livro de contos, Meu álbum, e um romance, O hóspede. O dia da colação de grau foi um ponto alto em sua vida: republicano arraigado, recusou-se a fazer o juramento legal. Não se sujeitaria às palavras que garantiam o respeito ao regime monárquico. Perante a Congregação declarou que não desejaria ser perjuro no primeiro passo da mocidade. Só com a intervenção de Joaquim Nabuco o diretor da Faculdade concedeu-lhe o grau a que tinha direito.
Voltando ao Rio, em 1888, não exerceu a advocacia. Participou dos movimentos abolicionista e republicano. O jornalismo foi a sua grande paixão espiritual. Foi periodista na Gazeta da Tarde, colaborou em quase todas as folhas cariocas, na Gazeta de Notícias, no Diário de Notícias, escrevendo muitas vezes sob pseudônimos: Armand de Saint Victor, Vítor Leal e Souvarine. Secretariou a Cidade do Rio, de José do Patrocínio. Rompendo com o grande abolicionista, que era antirrepublicano, fundou o jornal A Rua, dirigindo-o ao lado de Luís Murat, Olavo Bilac e Raul Pompeia. Temperamento exaltado, tentou restabelecer, no Brasil, o costume do duelo. Chegou a ter um com o seu maior amigo, Olavo Bilac, que se realizou, sem testemunhas, com floretes. Ficou ferido, mas logo a seguir os dois se reconciliaram no local.
Com Paula Nei, a princípio, e depois com Coelho Neto, Pardal Mallet teve grande êxito no panfleto O Meio, publicação periódica de preocupação social, política, literária e artística. A ele se deve a expressão popular “na ponta”, registrada no n. 12 do panfleto: “O Meio cada vez mais... na ponta.” Fundou o jornal O Combate, saindo o primeiro número em 12 de janeiro de 1892. No artigo de fundo, que lhe serve de programa, Pardal Mallet se declara socialista moderno, científico e construtor. Ali defendeu suas ideias e combateu o governo de Floriano Peixoto, até ser agredido por florianistas exaltados. O governo mandou fechar O Combate e Pardal Mallet foi desterrado para Tabatinga (AM). A agressão que sofreu dos florianistas contribuiu para a debilitação de sua saúde. Voltou para o Rio, onde passou breve temporada no palacete da família, seguindo depois para a casa de veraneio em Caxambu (MG), onde ele esperava curar-se da tuberculose, mas lá veio a falecer, antes de completar 30 anos.
A coragem com que enfrentava os fatos, a sua oposição ao governo de Floriano Peixoto, tido como um dos mais enérgicos presidentes brasileiros, demonstram a força da presença de Pardal Mallet no seu tempo. Três anos após sua morte, ao fundar-se a Academia Brasileira de Letras, o poeta e jornalista Pedro Rabelo escolheu-o como patrono da cadeira por ele fundada. Foi, portanto, a acolhida pela Academia de um escritor que fora contemporâneo dos fundadores e bem mais jovem que a maioria deles.
O escritor panfletista revelou-se também no opúsculo Pelo divórcio!, publicado em 1894, quando as ideias conservadoras no meio brasileiro repeliam qualquer inovação neste sentido. A significação de sua obra na literatura brasileira é modesta, inclinando-se para um misto de realismo e romantismo. Ele próprio não dava valia aos seus romances, que eram, para seu juízo, secundários. Não apresentam faces criadoras, nem páginas excepcionais. Hóspede e Lar descrevem cenas e costumes da vida carioca e A pandilha apresenta costumes gaúchos e evocações da sua terra natal.

fonte de origem:

https://www.academia.org.br/academicos/pardal-mallet/biografia

Domingo na Usina: Biografias: Geraldo Holanda Cavalcanti:



Sexto ocupante da Cadeira n.º 29, Geraldo Holanda Cavalcanti foi eleito no dia 2 de junho de 2010, na sucessão do Acadêmico José Mindlin, e recebido no dia 18 de outubro de 2010, pelo Acadêmico Eduardo Portella. Em dezembro do mesmo ano foi eleito Tesoureiro e em 2011 Secretário Geral, tendo sido reconduzido em 2012. Em 2013 foi eleito Membro Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 2014 e 2015.
Cadeira: 
29
Posição: 
Atual
Antecedido por:
Data de nascimento: 
6 de fevereiro de 1929
Naturalidade: 
Recife - PE
Brasil
Data de eleição: 
2 de junho de 2010
Data de posse: 
18 de outubro de 2010

Domingo na Usina: Biografias: José Ephim Mindlin:



Quinto ocupante da cadeira 29, eleito em 20 de junho de 2006, na sucessão de Josué Montello, e recebido em 10 de outubro de 2006 pelo Acadêmico Alberto da Costa e Silva. Faleceu em São Paulo em 28 de fevereiro de 2010.
José Ephim Mindlin nasceu em São Paulo (SP) em 8 de setembro de 1914 e faleceu na mesma cidade em 28 de fevereiro de 2010. Formou-se em Direito em 1936, pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Foi redator d’O Estado de São Paulo de 1930 a 1934. Advogou até 1950, quando foi um dos fundadores e presidente da empresa Metal Leve S/A, empresa pioneira em pesquisa e desenvolvimento tecnológico próprio no seu campo de atuação. Em sua atividade empresarial desenvolveu grande esforço em prol do avanço tecnológico brasileiro e no processo de exportação de produtos manufaturados brasileiros.
De interesses muito diversificados, tanto no campo cultural, como da educação, da economia, da política (não partidária), da ciência e da vida empresarial, atuou por muitos anos em todos esses setores, fazendo parte de numerosos Conselhos e entidades, no Brasil e no exterior. Foi membro do Conselho Superior da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) de 1973 a 1974; de 1975 a 1976, diretor do Conselho de Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e Secretário da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, quando estruturou a carreira de pesquisador. Foi um dos fundadores da UNIEMP, entidade destinada a promover a aproximação entre a Universidade e a Empresa, da qual atualmente foi Presidente Honorário. Fez parte do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia – CNPq, do Instituto de Pesquisa Tecnológica, e da Comissão Nacional de Tecnologia da Presidência da República. Foi durante muitos anos Vice-presidente da FIESP, tendo sido Diretor Titular do Departamento de Comércio Exterior e do Departamento de Tecnologia. Foi também membro do Conselho Internacional da FIAT, do Conselho Internacional do Unibanco e do Conselho do Banco de Montreal.
Foi membro colaborador da Academia Brasileira de Ciências e membro do Conselho de vários museus brasileiros, como o Museu de Arte Sacra de São Paulo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e o Museu Lasar Segall; membro honorário do Conselho Internacional do Museu de Arte Moderna de Nova York. Foi também presidente da Fundação Crespi Prado, membro do Conselho da Sociedade Amigos da Biblioteca Nacional e da Casa de Cultura de Israel, presidente da Sociedade de Cultura Artística de São Paulo e membro do Conselho da Vitae – Apoio à Cultura, Educação e Programas Sociais. Foi membro emérito da Diretoria da John Carter Brown Library, de Providence, R.I., dos Estados Unidos, uma das principais bibliotecas do mundo de livros raros sobre as Américas, e da Associação Internacional de Bibliófilos, com sede em Paris. Foi presidente do Conselho da Aliança Francesa de São Paulo e do Conselho Editorial EDUSP (Editora da Universidade de São Paulo).
Recebeu o título de Professor Honorário da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, e o título de Doutor Honoris Causa em Letras pela Brown University, de Providence, R.I., nos Estados Unidos, pela Universidade de Brasília, Universidade da Bahia, Universidade de Tocantins e Universidade de São Paulo. Foi membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Pernambuco e da Academia de Letras da Bahia.
Recebeu o Prêmio Juca Pato como Intelectual do Ano de 1998, bem como numerosos e variados prêmios e condecorações, no Brasil e no exterior, destacando-se em 2003 o Prêmio UNESCO Categoria Cultura e a Medalha do Conhecimento concedida pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com apoio do CNI e Sebrae Nacional, além do Prêmio João Ribeiro da Academia Brasileira de Letras. Foi eleito, em 1999, membro da Academia Paulista de Letras.
Foi casado com Guita Mindlin, nascida em 2 de agosto de 1916 e falecida em 25 de junho de 2006, com quem teve quatro filhos.
José e Guita compartilharam ao longo da vida a paixão pelos livros, que levou o casal a formar uma das mais importantes bibliotecas privadas do país, que Mindlin começou a formar aos 13 anos e chegou a ter 38 mil títulos. Em maio de 2006, o casal fez a doação de cerca de 15 mil obras da Biblioteca Brasiliana para a USP. No conjunto doado à USP, constam obras de literatura, história, sociologia, poesia. Dentre as raridades estão documentos do século XVI como as primeiras impressões que padres jesuítas tiveram do Brasil, jornais anteriores à Independência e manuscritos que resgatam a gênese literária de grandes obras, como Sagarana, de Guimarães Rosa, e Vidas secas, de Graciliano Ramos.
José Mindlin promoveu edições de cerca de 40 livros e revistas de arte e literatura, e de bibliografia brasileira. Publicou numerosos artigos e fez inúmeras conferências no Brasil e no exterior, em associações e universidades, sobre todos os assuntos de que se ocupava. Foi o autor de Uma vida entre livros: reencontros com o tempo e Memórias esparsas de uma biblioteca. Lançou em 1998 o CD O prazer da Poesia.

Atualizado em 21/11/2017.

fonte de origem:

https://www.academia.org.br/academicos/jose-mindlin/biografia