sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Contos do Sábado na Usina: Olga Savary: King Kong x Mona Lisa:



para Zêlia e Ariano Suassuna

 A primeira coisa que dele teve foi a ameaça de sua morte. Uma ameaça através de seus guinchos, gaitadas, pios, rugidos, uivos, assobios, risadas, toda a algaravia por ele usada para a sedução. Era possível um ser tão vital com esta obsessão pela morte? Ela acha que o amou desde esse primeiro momento, embora não aceitando esse amor, esse seu sim à vida ao saber-lhe a ex-futura morte, e esse se dar tanto, o se dar todo, até demais. Era possível, tão exclusivista, amar um ser se dando assim, tão selvagem, tão espontâneo, se dando a todos: um ciúme a crucificar. Imaginou ser ele o mar para não sofrer. Por ser o mar de todos e, assim, que outro jeito teria senão aceitar um tal requintado primitivo. Um amor sem quase nada de particular, forte e violento mas quase impessoal, algo de amplo, sem espaço ou tempo, como por um mito ou coisa arquetípica. Amor seria isso? Então era isso amar? Amor não era. Era é paixão. A paixão não lhe era estranha, antes velha companheira. Mas a paixão com tal violência a assustava um pouco, como antes o medo da vida, ainda que não mais agora. E a paixão era um tanto trágica. Assim a aceitava: com esforço, com dor, mas também com gozo. Caça ou caçador, quem era? Aparentemente era ele o caçador, com tantos meneios mais a sedução, a estranha tensão de não poder passar tempo sem tocá-la. Era uma impossibilidade não tocá-la - dizia ele -, saber-lhe levemente a pele, a quentura e o morno da carne pressionada para mais tarde conhecer coisas mais rudes e tensas. Era ele o caçador. Mas quem lançou senão ela o que deflagrou tudo, uma distraída provocação sensual sobre as coxas de Pelé? Nem ela soube se teria sido intencional, mas falou assim, de como eram belas as coxas de Pelé, o que o intrigou. Como tão grande timidez deixava escapar tal insolência? Não se teria sabido o esplêndido animal que era à falta deste esplêndido animal que via agora e que, à primeira vista, a ameaçava e se ameaçava para ela com a proximidade passada de sua morte. E essa morte não vista, apenas entrevista, passada, era a grande ameaça para que ela conhecesse sua real vida e quem ela realmente era a partir do conhecimento dessa fera. King Kong - ela pensou -, vou chamá-lo assim, assim vou chamar a fera que me dará vida, como uma nova mãe-terra, a força animal até então desconhecida, a força primeira que, tomada nos dentes como o seu bocado primevo, a faria florescer e aceitar a vida com seus jogos, seus acertos e armadilhas. O perigo? É, era o perigo. Mas também a vida, a vida com suas espadas, seu cheiro acre e álacre, seu bafo feroz e comovente. De uma vez que lhe dissera o nome que secretamente lhe dava, houve o   espanto: mas não combina com você, que é minha Mona Lisa. Ela sorriu sem dizer nada, pensando: mas é de você que falo. Como fazê-lo entender? E era preciso? Uma fera é uma fera - e pronto. Nada de fazê-lo entender o que ele é. King Kong. Claro que era uma insolência. que agora fazia parte do jogo. Era tão fácil perceber. Não tinha ele a maciez da polpa, também possuía as unhas. Mais que isso: as garras. A boca não era só um fruto do mato, toda polpa, úmida e abrangente, toda língua. Era também dentes, as presas afiadas, esplêndidas mandíbulas. Um ser amorável essa fera, mas também de aguda crueldade e um tanto sádico, seu corpo marcado a fogo (o da paixão) como as reses que têm dono: dois K ardiam-lhe na anca. Poderia ela amar uma tal mistura de prazer e de perigo? Mas era já impossível retroceder. Seduzida pela fera, já não podia se reconquistar a si mesma. Agora que sabia seu corpo através do outro, seu espelho. Era a guerra, a paz dos abismos e da beira do desfiladeiro dos que nascem do furor da paixão, do lamber de sua língua rubra. King Kong: o êxtase e o horror. Rodeado de mandacarus, de cactos.


quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Ezequiel Alcântara:

 


Quem me dera viver apaixonado,

Decantar versos lindos ao luar

E ouvir a minha musa sussurar

Votos de amor, chamando-me de amado!

- Ezequiel Alcântara

:Sexta na Usina: Poetas da Rede: Angelo Augusto SONETO DE CRISE:

Não só de angústia vive o mal de um poeta;
Não só de tão contente vivo o amor;
Não só vivo o calvário do clamor;
Não só vejo uma lua ou um cometa;

Não ando só na direção da seta;
Não corro para as coisas sem valor;
Não vivo sem amor e sem calor;
Não só mal, não só bem assim me injeta;

Não quero apenas mais vão elogio;
Não sou nada que nunca em vida morra;
Não sou água corrente e morte em rio;

Mas sou um prisioneiro na masmorra,
Que vivo o bem e o mal que sempre crio,
E em sangue a solidão por mim escorra...

Angelo Augusto









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Sexta Na Usina: Poetas Da Rede: Ariel Van de Linde:BAJO LA LLUVIA :


Bajo la lluvia deseo amarte, 
enlazarte entre mis brazos 
mientras la madre naturaleza 

canta al hálito sus vientos de sueños.

Sueños que fueron guardados

en los remanentes de tus anhelos.



Ella salta gritando al cielo

con su vestido transparente 

marcando su piel de terciopelo 

que transformó la lluviosa tempestad,

su risa de ángel desafía la tormenta

y afronta al diluvio sin temor ni ofensa.



Deseo besarte en el ápice 

de mis labios mientras millones 
de gotas nos golpean burlando
las sombras vacías sobre la hierba
y bajo la lluvia solo ellas nos observan.

¿Serás tú mi ángel sin alas?
¿Cuánto juega el amor sin darnos
cuenta que está allí?, ¡besándonos!

Bajo la lluvia empapados te amo,
no hay reparos, sólo un grácil telón
de agua que nos sobra y nos halaga.

Ríes a mi mirada enamorada,
como un cristalino fulgor de pasión
y un nutrido límpido de amor.

(Ariel Van de Linde)

Sexta Na Usina: Poetas Da Rede: Carlos Carvalho: MEU MAIS BELO QUADRO:



Quis pintar um quadro,
que me fizesse lembrar de ti!

Busquei a inspiração,

no fundo da minha alma...

e com um enorme entusiasmo,

preparei-me para pintar!

Diante de mim...

uma tela em branco,

dentro de mim...

um desejo... um fogo que ardia!

Uma vontade enorme,

de me expressar,

de manifestar ao mundo,

o meu amor!
Fechei meus olhos...
e por momentos,
pude recordar!
Lembrei de ti...
do teu olhar,
que de uma forma doce e meiga,
conquistou meu coração!
Lembrei do teu sorriso
que me contagiava...
Lembrei do brilho...
que irradiavas!
Lembrei de ti...
do teu amor, da tua paixão!
Foi então que com alegria...
e amor no coração...
peguei no pincel...
e pintei o mais belo...
quadro de amor!!!

CARLOS VAZ DE CARVALHO
MAIA PORTUGAL

Sexta Na Usina: Poetas Da Rede: Luís Figueiredo:Eu, o mar, e a Lua:


Sentia-me só, e sem me aperceberCaminhei, na direção do mar
Aí fiquei a observá-lo até o dia nascer
E com ele tentando falar

Entretanto surgiu a Lua 

Com todo o seu esplendor

Essa dizia-me sou tua

E eu respondia, sou teu amor



Foi então, que meio enciumado

O mar quis conversar comigo

E se mostrou um pouco agitado

Respondi-lhe, já converso contigo



Entende, que a minha alma

Está enamorada por Lua

Tenta ter um pouco de calma

Não queiras que ela seja só tua



Sei muito bem, que também me fascinas

A tua imensidão me faz sentir pequenino

Não te zangues comigo, não quero brigas

Suaviza tuas ondas, faz o que te digo



Vou-te contar um segredo

Amo-te desde menino

Mas não contes à Lua, que tenho medo

Que ela fique enciumada, e perca o tino



Tenta entender-me por favor

Tanto tu como ela são a minha paixão

É com vocês que supero a minha dor

E a quem entrego o meu coração.

Luís Figueiredo 2013-11-05











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Sexta Na Usina: Poetas Da Rede:Carlos Vaz de Carvalho:



Simplesmente eu e tu...

num doce mistério,

de uma paixão,

que a historia,

irá recordar...

Carlos Vaz de Carvalho

Sexta Na Usina: Poetas da Rede: ni brisant:


Era tão superficial, 
que afogou-se em um copo d'água 

sem gás. 



[dos barris dobrados, ni brisant]






















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Sexta Na Usina: Poetas Da Rede: José Araújo: O apogeu do amor:


Vem minha querida

Vida minha, meu amor!

Minha bela, doce amada,

No meu peito tem calor

Sei que tu gostas de mim

Não posso viver assim!

Vem curar a minha dor,

Pode vir fazer morada

Esse peito aqui é seu

A minha casa é sua casa

Vamos viver tu e eu!

Vou dar pulos de alegria

Quando chegar esse dia

Do meu grande apogeu.

*
Direitos autorais:
José de Araújo Souza
Jussara-Ba, 16/01/2014.

sexta Na Usina: Poetas Da Rede:João Marcos Mouzartt Francisco:


O lado escuro da alma
O lado escuro da poesia 

A nostalgia de um amor perdido 

Um falido coração



O que já não pode ser visto 

O que é mal quisto pelos olhos 

Espólios de uma colisão



Não se trata de amar ainda 

Mas da vinda precoce e certeira 
De uma derradeira imolação

É bem verdade que é passado 
Mas mesmo em estado intangível 
Se torna sensível na imaginação

Do futuro outrora perdido 
Que por ser pedido permanente 
Vem a mente, à exaustão

E com carinho ainda se trata 
Pois não se mata sentimento bonito 
Mesmo que maldito e sem consolação

No lado escuro da alma 
A calma que não pode ser vista 
Lembranças à vista, de uma antiga paixão

J. M. M. F.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Poesia de quinta na Usna: D'Araújo:

 


 Falta

 O lamento ardente que ecoa em meu ser,

e me queima diante a falta tua,

faz  lampejar no meu árduo peito....

Poema na integra no livro:

"Entre Lírios e Promessas"



Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo:


 

Recompensa

Nunca trate sexo como recompensa, 

pois sexo é a entrega de dois corpos, 

em sintonia com o mesmo desejo.

Poema do livro:

"Entre Lírios e Promessas"

Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo:

 


Olhar

 

Por traz de um sublime olhar teu,

ferve um desejo insustentável.

E em minhas veias, meu sangue lateja,....

Poema na integra no livro:

"Entre Lírios e Promessas"