sábado, 10 de dezembro de 2022

Contos do Sábado na Usina: Camilo Castelo Branco:

 


XI

 

O Torcato, antes de entrar em casa, foi à residência. Ia misterioso, circunvagava uns olhares cautelosos: – se ninguém o ouviria? – perguntava ao abade Mairos.
E o abade, entrepondo as cangalhas nas páginas do breviário: – Pode falar, que estou sozinho. Que é?
– D. Miguel I está em Portugal – disse, curvando-se-lhe ao ouvido, com uma voz gutural.
– Você que me diz?! Como sabe isso? Pataratas!
– Chego agora do Porto; estive com o escrivão fidalgo, o Ferreira Rangel, e com o abade Gonçalo Cristóvão. El-rei está nesta província. Desconfia-se que é em Braga, e o José Alvo Balsemão disse-me que talvez eu o visse brevemente no nosso concelho, porque o levantamento há-de começar por aqui.
– Que me diz você, amigo Torcato? – sacudia os braços, fazia estalar os dedos como castanholas, tinha gestos mudos de exultação extática – que ia escrever ao abade de Priscos, que indagasse, que aparecesse... – É preciso trabalhar, preparar os ânimos...
– Chitão! – acudiu o Nunes com o dedo a prumo sobre o nariz. – Nada de espalhafato! Não ferva em pouca água, abade. Se der à língua, esbarronda-se o negocio. O rei só há-de aparecer aos seus amigos quando os generais entrarem pela Galiza. Não fala a ninguém; não se dá a conhecer. Diz que só falara em Lisboa com o conde de Pombeiro e com o Bobadela, e no Porto com o José António, o morgado do Bom Jardim, e mais com o padre Luís do Torrão... O abade conhece.
– Pois não conheço? como as minhas mãos; é o vice-rei nas províncias do norte... o nosso bom padre Luís de Sousa, que pelos modos está nomeado patriarca de Lisboa... Que pechincha, hem?
– É esse mesmo... Bem! até logo; vou ver a mulher e os filhos a casa, que ainda lá não fui. Um abraço, amigo abade! Parabéns! A choldra vai cair! Vida nova! Daqui a um mês está todo esse Minho em armas, e ei rei à frente dos seus vassalos. Outro abraço, e viva el-rei!
Lágrimas jubilosas, como contas de vidro sujas, tremeluziam nas pálpebras inflamadas do abade.
– Jante comigo, Nunes, jante comigo! Vai-se abrir uma de 1815, à saúde de el-rei!
– Parece que me estoira a pele! Não estou em mim! — Que ia ver a mulher e que voltava já.
Na noite de sábado para domingo de Carnaval, o Veríssimo pernoitou na Póvoa de Lanhoso, na estalagem do Relhas.
Disse ao estalajadeiro que era de longe e andava a viajar pela província. Perguntou se por ali não se festejava o Entrudo. O bodegueiro informou que na Póvoa havia guerra de laranjadas e às vezes pancadaria de Senhor Deus misericórdia; mas que na freguesia de Calvos havia comédias nos três dias de Entrudo, por sinal que o seu filho, um barbado que ali estava, com uma cara angulosa muito alvar, fazia de namorado no Médico Fingido, um entremez, coisa rica, que era de um homem malhar de costas naquele chão a rir – que se ele quisesse ver as comédias, podia ir com o seu rapaz, que lhe arranjava lá una cadeira de casa do abade.
O cenário para a representação do Médico Fingido arranjou-se na eira do Gonçalves, muito espaçosa e ajeitada, porque as figuras entravam e saiam, conforme a rubrica, do palheiro que tinha três portas. O palco, barrado de ferro, ainda húmido, estava ao abrigo de cobertas de chita alinhavadas umas nas outras, retesadas nas pontas por postes de pinho que rematavam em forquilhas para receberem uns varais lançados transversalmente. Havia dois mastros de castanheiro descascados, afestoados de buxos, alecrim e camélias, coroados por bandeiras vermelhas esburacadas. Parte dos mastros tinha uma lista em ziguezague pintada a zarcão, que se ia espiralando pelo pau acima, com cercadura de cruzinhas: – era obra de Cheta, um trolha inspirado que já tinha pintado um painel das Alminhas, onde havia almas do sexo fraco com grandes tetas lambidas por labaredas, e um rei coroado com a boca aberta ao acto de berrar queimado, e tamanha boca que só cedia à de um bispo mitrado, muito empertigado, com o seu báculo. O trolha ensaiara o entremez, e não entrava, porque lhe tinha morrido o pai, havia quinze dias, contava ele a um senhor de fora, desconhecido, que tinha vindo com o galã, o filho do estalajadeiro da Póvoa.
O Veríssimo foi admitido aos camarins, onde estavam sentados, em caixas de milho e na salgadeira, os figurantes à espera da sua vez, já vestidos. Viam-se os personagens do entremez. Matilde, amante de Alménio, uma ingénua, a protagonista da peça, a doente namorada, que levou o pai a trazer-lhe a casa o amante, o médico fingido. Este papel fora confiado a um latagão oficial de carpinteiro, com os pulsos cabeludos e os nós dos dedos com umas protuberâncias calosas que pareciam castanhas piladas antigas. Nas maçãs do rosto mascarrara duas zonas de carmim, que pareciam a distância umas chagas de mendigo de romaria aperfeiçoadas. Trajava um vestido de cetim branco da fidalga velha de Rio Caldo, feito em 1824 para um baile que houve em Braga aos anos de D. João VI. O peito chato do carpinteiro ficava à altura dos quadris da fidalga, e as clavículas espipavam as ombreiras do corpete, prendendo os movimentos ao desgraçado Matilde. Posto que a cena fosse a Casa de Astolfo, pai da doente fingida, a
velhaca estava de chapéu de palhinha com enorme telha enconchada e plumas brancas muito amarelecidas do mofo. O vestido era-lhe curto, mas lucravam com isso as pernas, que se deixavam ver até acima do jarrete, cingidas de fitas cruzadas que subiam de uns sapatos de duraque sem tacões, feitos de propósito e em concordância com os ângulos reentrantes e salientes dos pés. Era o grotesco do horror. A criada de Matilde, a Laberca, também vestia de cetim azul-ferrete, um pouco menos antigo, empréstimo das senhoras de S. Crau, que o assoalhavam de vez em quando para os entremezes. Não tinha chapéu nem sapatos de duraque: obedecia mais à caracterização natural. Na cabeça usava touca de folhos com laços de fita escarlate e nos pés os butes do amo com ponteira de verniz; ele era o criado do juiz de direito substituto; gozava créditos de representar papéis de lacaia fazendo rebentar a gente.
O Veríssimo fez os seus cumprimentos às duas damas, e manteve uma seriedade verdadeiramente real. O Alménio era o filho do estalajadeiro da Póvoa de Lanhoso, o Relhas. Calças brancas, quinzena de veludilho, bengala de castão de prata, chapéu branco de castor e óculos. Disse ao Veríssimo que punha os óculos para fingir de médico. Estava a um canto o galego, o Gonçalo, aguadeiro da casa. Como não havia em Calvos o costume rigoroso dos aguadeiros, o trolha ensaiador vestiu-o de almocreve, com as botas refegadas, faixa branca e em mangas de camisa, com uma monteira comprada em Tui. A cara era ao próprio, de uma verdade típica. O Pantufo, um saloio rico que queria casar com Matilde, e foi bigodeado pelo fingido médico, vestia a melhor andaina de fato do presidente da câmara, um apaixonado pelos entremezes, que a gravidade idas suas funções impedia de representar; mas emprestava a roupa e a inteligência dramatológica. Havia mais duas figuras, o Falsete, e o Astolfo, que se estavam vestindo lá dentro, por detrás de um ripado, que os deixava ver em camisa enfiando as pernas sujas nas pantalonas, enquanto o trolha lhes rebocava de vermelhão as caras.
O Nunes atravessara a eira, e endireitara para o palheiro, quando lhe disse o Gonçalves que estava lá dentro um fidalgo de longe. Encostou-se ao batente da porta, trocou um lance de olhos com o Veríssimo, e saiu apressadamente, arranjando pelo caminho uma fisionomia cheia de alvoroço, de surpresa.
Entrou pela residência, muito esbofado:
– O abade, já esteve na eira do Gonçalves?
– Não; estou a acabar de jantar, e lá vou ver essa borracheira de comédia. Você vem aganado!
– Vinha perguntar-lhe se conhece um sujeito de fora que lá está na eira.
– Aqui veio um rapazola da Póvoa pedir-me uma cadeira há coisa de meia hora para um fidalgo que tinha vindo com ele. Perguntei-lhe quem era o fidalgo. Diz que não sabe. Esta canalha em vendo um bigorrilhas de casaco chama-lhe fidalgo.
– Venha já daí comigo. Por quem é, não se demore... O abade, lembra-se de ver el-rei em Braga há treze
anos?
– Ora se lembro!... Beijei-lhe a mão três vezes.
– E, se o vir agora, conhece-o?
– Parece-me que sim – o padre limpava à pressa os beiços amarelos dos ovos do arroz-doce. – Mas isso que quer dizer? Você está doido, ou temos carraspana, amigo Nunes?
– Homem! venha comigo, e depois chame-me doido ou borrachão, lá como quiser; mas não se demore que eu estou em brasas vivas.
– Aí vou, aí vou, não se atrigue. Vai uma pinga do choco?
– Venha de lá isso. – Bebeu de um trago, e pediu outro: – Agora, à saúde de el-Rei! à saúde daquele que talvez esteja bem perto de nós! a cem passos!
– Toque! – exclamou o abade.
Pelo caminho, disse-lhe o Nunes que era preciso o maior disfarce, não olhar muito de frente para ele, e só deviam falar-lhe se a ocasião viesse muito a jeito.
– Você está a sonhar, homem!
Quando entraram à eira, já tinia começado a festa. Veríssimo estava em pé, com a mão direita apoiada nas costas da cadeira. De um e de outro lado remexia-se a turba, muitas raparigas a rirem dos actores vestidos de mulheres, e uns rapazes com chalaças de uma graça aparvalhada, muito local, a que os do palco respondiam à letra com manguitos, e os que faziam de mulheres batiam palmadas no traseiro, voltando-o para o público. Cães ladravam às figuras; os rapazes davam-lhes pauladas e eles ganiam. As velhas mandavam calar o gentio para poderem perceber as faias: – Canalha brava, calaide-vos aí! – Uma balbúrdia que parecia um teatro de cidade de primeira ordem. O tio Gonçalves, o dono da eira, dizia que estavam todos bêbedos, e voltava-se para o desconhecido, como a pedir desculpa.
– É Entrudo – dizia – é Entrudo, senhor!
Quando apareceu o padre na cancela da eira, houve silêncio com algumas fungadelas de riso das cachopas, e recomeçou a comédia em obséquio ao abade e à Arte ultrajada pela hilaridade bruta da plateia. Notaram alguns velhos sisudos que o forasteiro das grandes barbas se mantivera muito sério durante a troça da canalha. Assim o dizia o Gonçalves ao abade, perguntando-lhe se conhecia aquele senhor.
– Não conheço – e acotovelava o Nunes, segredando-lhe com o disfarce:
– Você adivinhou. É ele.
– Que me diz, abade?
– É ele.
O Veríssimo dera três passos para acender um cigarro no de um músico que estava sentado num bombo.
– E ele! – repetiu o abade. – Você não o viu coxear?
– Fale baixo, fale baixo, e não olhe muito para ele, que eu já o vi deitar-nos os olhos – acautelou o Nunes.
– Também eu...
Estalou neste momento uma gargalhada geral. Veríssimo também se riu, e deu palmas.
– Olha! olha! a dar palmas! – notou o abade com transporte. Aquilo sensibilizou-o até às lágrimas! O Sr. D. Miguel I a dar palmas às figuras do Médico Fingido, na eira do Gonçalves, em São Gens de Calvos! Tocante!
A risada geral, as palmas e os apupos não eram figorosamente uma ovação ao autor do entremez nem aos curiosos. Eis o caso. Na cena I o Astolfo pede carinhosamente à filha que coma alguma coisa. Matilde diz que não pode, que não está em si; que lhe acuda, que lhe acuda, porque um suor frio lhe faz perder os sentidos.
O gargajola esperava ser amparado pelo outro, em harmonia com a rubrica que diz: Finge desmaio, e Astolfo a sustém nos braços. Mas ou porque se antecipasse a desmaiar, ou porque Astolfo se demorasse a ampará-la, Matilde escorregou de costas sobre o barro ainda fresco do palco; e, no acto de se erguer debaixo dos apupos da multidão, arregaçaram-se-lhe as saias e saiotes até à cintura. Ora a Matilde não usava calcinhas. Um escândalo.
Veríssimo Borges não pôde sustentar a gravidade competente à sua pessoa. A natureza rebentou por de fora numas casquinadas convulsas que poderiam custar-lhe uma mocada, se a deflagração do riso não fosse geral.
Matilde fugiu do palco, enfiou pelo palheiro e não voltou à cena. O ensaiador, o trolha, saiu ao terreiro a explicar ao público a suspensão do entremez nestas palavras:
– Aquele alma do Diabo despiu a farpela, e diz que raios o parta, se cá tornar. Vocês pode ir à sua vida que não há hoje treato.
Começou a debandar o auditório em grande algazarra. Veríssimo parecia esperar que o galã, o Relhas Júnior, se despisse para se retirar. O Gonçalves perguntava-lhe:
– E que tal esteve a chalaça, senhor? Má mês pr'ó home, que se mais tivesse mais punha ó léu! – e voltando-se para o abade, que, a pedido do Nunes, guardava respeitosa distância: – Ó Senhor Abade! coisa assim não consta! Eu, se me sucedesse uma daquelas, metia a cabeça num fole.
– São acasos – disse Veríssimo com indulgência. – Não se lembrou que estava vestido de senhora.
O abade ganhou ânimo, abeirou-se do Gonçalves, cumprimentando o outro cerimoniosamente, e disse:
– O entremez não presta para nada. Se o homem não caísse, ninguém se ria.
– Provavelmente... – assentiu o Veríssimo, correspondendo à cortesia do Torcato Nunes, que parecia aproximar-se mais acanhado. – Estes casos de escorregar – acrescentou o desconhecido – acontecem nos primeiros teatros do mundo e até nas salas onde se dança; e de ordinário as senhoras que desastradamente caem, são verdadeiras senhoras é muito pior e mais melindroso.
O abade e o Nunes com muitos gestos afirmativos – que sim, que era muito pior, e mais melindroso, muito mais.
Derivou a conversação para as belezas naturais do Minho. O desconhecido sentia ter vindo no Inverno,
quando apenas se adivinhavam as pompas da Primavera.
Principiava a chuviscar. O abade ofereceu a sua casa ao forasteiro, enquanto não estiava a chuva. Veríssimo aceitou por momentos, visto que não se prevenira com guarda-chuva – um traste que detestava. Os aguaceiros repetiram-se com pequenas intercadências, varejados pelo sul; por fim, as cristas da serrania empardeceram, as nuvens rolavam pelos declives como escarcéus a despenharem-se, fechou-se o horizonte sem uma nesga, e a chuva não parava. O abade não permitiu que o hóspede saísse com tal tempo e já perto da noite.
Durante a ceia, apareceram algumas raparigas mascaradas com lençóis, abraçando a Senhorinha que servia à mesa, e dizendo em falsete pilhérias ao Nunes, a quem chamavam Trocatles e précurador de causas perdidas. Veríssimo mostrava-se contente e dizia:
– Bom povo! excelente povo! Este Minho é o bom coração de Portugal, e os seus habitantes, segundo me consta, possuem os melhores corações do reino. Eram dignos de ser mais felizes do que são, carregados por tributos, esmagados pelo peso dos empregados públicos, que são o flagelo de Portugal..
O padre escutava-o com religiosa atenção; o Nunes beliscava a coxa do abade, que tomam a presidência da mesa e pusera o hóspede à sua direita.
No fim da ceia, o padre Marcos, com o copo na mão, e de pé, disse que fazia uma saúde ao seu hóspede, porque lhe parecia que tinha a honra de beber à saúde de um realista, de um partidário de Sua Majestade o Sr. D. Miguel I, que Deus guardasse! O hóspede agradeceu, declarando que mesmo numa roda de liberais não negada os seus sentimentos políticos: que era realista, e como tal brindava à saúde de todos os amigos do príncipe proscrito.
O Nunes dava canelões inteligentes e às vezes dolorosos no abade, que o encarava de esconso como quem diz: – percebo; não faça de mim asno; sei que estou falando com el-rei.
A criada deu parte que estava pronta a cama.
– Quando Vossoria quiser – disse ela ao hóspede. Veríssimo sorriu-se agradavelmente:
– Que incómodo estou dando a esta excelente família... Irei descansar, Senhor Abade, e Sr. Torcato... parece-me que lhe ouvi chamar Torcato.
– Nunes Elas, um criado de vossa... – e susteve-se. Dizia-lhe depois o abade no quinteiro:
– Você ia-se estendendo, Nunes! Esteve por um triz a dizer, um criado de Vossa Majestade, não esteve?
– Por um triz, abade, que me estendia! Tal é a certeza de que está el-rei nesta casa! – E com transporte, olhando para as janelas: – Onde está pernoitando o Sr. D. Miguel I! o rei amado dos Portugueses, na pobre residência de São Gens de Calvos! Isto parece um sonho!
A segunda-feira de Entrudo foi uni chover desabalado. Não houve entremez nem se via viva alma no cruzeiro. O abade não consentiu que o hóspede se retirasse; e, aconselhado por Nunes, mandou à Póvoa buscar a bagagem. Era um baú de lata amolgado na tampa, com um cadeado roído de ferrugem. O legitimista ainda não tinha dado nome algum, nem os outros ousavam abrir ensejo a que ele tivesse de o inventar. Seria indelicadeza obrigado a mentir. Além de que, o padre Marcos, tratando-o sempre por senhor – o senhor isto, o senhor aquilo –, entendia que se aproximava do tratamento que se deve aos reis, e ao mesmo tempo ia insinuando ao real hóspede que já o conhecia.
– Bom é que ele se vá persuadindo que não somos pategos – dizia o abade ao Nunes. – Sim, bom é que se persuada... você percebe. – E piscava com esperteza.
– Ora, se percebo! O abade tem andado com uma cábula muito fina. Eu é que me custa a ter mão em mim.
A minha vontade era deitar-me de joelhos aos pés dele, e dizer-lhe:
– Deixe estar – acomodava o padre – deixe estar, Nunes. As coisas não vão assim... Quando for tempo, eu lhe direi... Nada de espantar a caça.
O Veríssimo pediu ao abade algum livro para se entreter, e não o obrigar a aturálo. O padre levou-o ao seu quarto, onde havia uma estante de pinho com três lotes de livros. Mostrou-lhe o Punhal dos Corcundas, a Defesa de Portugal, do padre Alvito Buela, a Besta Esfolada, os Burros, e o Novo Príncipe. O Veríssimo levou-os para o seu quarto, excepto os Burros; disse que não gostava de poesia. Falou com louvor do padre José Agostinho e de Frei Fortunato de S. Boaventura – colunas do altar e do trono, que tinham deixado dois vácuos impreenchíveis na falange realista. Perguntou-lhe o abade se os tinha conhecido pessoalmente. – Que sim, com as suas mãos... E sorria, como o príncipe proscrito, se lhe fizessem semelhante pergunta.
– Que prazer teria o padre José Agostinho, se hoje vivesse e pudesse ver el-rei!... – meditou o abade com a sua grande perspicácia observadora.
– Decerto. – concordava o Veríssimo indolentemente. – Mas quem tem agora esperanças de ver D. Miguel em Portugal?
– Eu, senhor, eu! – respondeu o padre, batendo na arca do peito com as mãos ambas. – Eu!
O Veríssimo folheava o Punhal dos Corcundas, e parecia não perceber a veemência do padre.
– Bons desejos, bons desejos do caro abade..
– E de quase toda a nação portuguesa, senhor! D. Miguel I nunca deixou de reinar nos corações do seu povo. Eu tenho na minha alma o retrato dele desde que o vi há treze anos em Braga e lhe beijei as suas reais mãos! – Escandecia-se o entusiasmo, punha as mãos, chamejavam-lhe nos olhos reflexos do fogo interno; e o Veríssimo continuava a folhear o Punhal dos Corcundas.
– Então viu-o, abade?
– Sim, meu senhor, vi-o com estes olhos, toquei-lhe com estas mãos.
– Ainda se recorda das suas feições?
– Perfeitamente.
– Ah! se o visse hoje, decerto o não conhecia... Está muito acabado.
– Conhecia, conhecia..
O abade sentiu um raio de dramatização que o vibrou todo. Eriçaram-se-lhe os cabelos, e coou-lhe pela espinha uma faísca eléctrica. Fez um passo atrás, e quando o Veríssimo repetiu: , o padre pôs um joelho em terra, estendeu o braço direito, e com o dedo indicador em riste, exclamou:
– Ei-lo! ei-lo!
– O abade! o senhor está alucinado! Por quem é, levante-se! Eu não sou quem pensa!
– Estou como devo estar diante do meu rei! – teimou o abade, com os dois joelhos no sobrado.
– Levante-se que vem gente! – dizia o outro, ouvindo passos na escada. Era o Nunes.
– Entre, amigo! – disse o abade, respondendo ao vizinho que pedia licença. Torcato encontrou o abade de joelhos e o Veríssimo esforçando-se por levantá-lo.
– Ajoelhe a meu lado, Nunes! que eu estou aos pés de el-rei! – exclamou o padre. E o outro, ajoelhando:
– Eu já o sabia, Real Senhor!
Foi assim que se inaugurou a corte de D. Miguel I em São Gens de Calvos, segunda-feira de Entrudo de 1845, às 3 horas da tarde.

domingo, 4 de dezembro de 2022

Crõnicas de Segunda na Usina: D'Araújo: Masoquismo futebolístico:


É domingo o sol brilha com aquela intensidade que só um aficcionado por futebol consegue enxergar, e para completar o seu time de coração, o seu pobre coração que a muito aprendeu a aguentar sofrimento, pois há dezoito anos que ele não ganha nem jogo de quermesse, com muita reza e propina, chegou novamente à final do campeonato nacional. 

Então você não tem outra alternativa senão, a de comprar umas dez caixas de cerveja, uns quinze quilos de carne daquelas que nem abacaxi amacia.
Pois a rapaziadas que você jamais deixaria de convidar para assistir o jogo na sua residência, faz leão africano parecer vegetariano.
Nem preciso comentar a alegria da sua esposa com este acontecimento, porque a casa praticamente se transforma em um campo de batalha, pois na sua doce ingenuidade de torcedor fanático não lhe passa pela cabeça qualquer possibilidade de imaginar que seu querido clube, por sinal o melhor do mundo, na sua visão, claro.
Possa deixar passar esta oportunidade de vencer, afinal o adversário é baba.
A gente sabe que depois do jogo, ganhando ou perdendo, a cerveja e a carne de casa perdem o sabor. Então todos, menos a mulher, claro, vão comemorar ou se lastimar em desculpas que só você ver, bem ali no boteco da esquina.
E ai os restos daquela sangrenta batalha de xingamentos e palavrões, fica a cargo da digníssima esposa que não seria louca de reclamar na frente dos seus dóceis amigos.
Mas dessa vez ele resolveu fazer diferente, pois era um momento muito especial, então despachou a dona da pensão para a casa das amigas afinal mulheres adora secar jogo do time do marido, é a única vingança que elas têm contra aquele adversário invencível.
Assim a retirada dela é estratégica e necessária para o território ficar livre para todos.
Ele não pode correr o risco de ser achocalhado pelos amigos com aquelas indiretas infame de uma mulher insatisfeita, mesmo porque eu não sei o que leva o homem achar que quem manda em casa é ele.
Finalmente a arena esta montada a cerveja nem precisa ta gelada, a carne mal esquenta já tem alguém rasgando ela no dente, como se estivesse com uma fome de antes de ontem.
O jogo começa assim como a tensão só aumenta a carne desses de goela a baixo feito quiabo, que nem nos dentes tocam.
O seu time precisa da vitória, o primeiro tempo termina no zero a zero, não tem problema ali foi só pra aquecer, no segundo tempo ele vai da uma sacolada de gols no pobre coitado do adversário.
Começa o segundo tempo e a cerveja nem passa mais pela geladeira antes de beber,
Bem, a partir daí o negro nem olha mais para a churrasqueira, porque meu amigo, carne mau passada e cerveja quente fazem uma pressão no estomago que nem avestruz agüenta.
Depois de noventa minutos de desespero já nos acréscimos para ser mais exatos aos quarenta e seis do segundo tempo, seu time precisando ganhar, o juiz marca um pênalti duvidoso contra o seu time, o que leva todos ao desespero.
O atacante corre bate na bola e o goleiro salvador defende que alegria, que nada o juiz mandou voltar à cobrança o goleiro se mexeu da linha.
O atacante corre para a bola e com a escolha certa do canto da trave onde ele chutou a bola, nem mesmo ele saberia que ali naquele momento enterrava o lindo sonho de ser campeão daquele ingênuo e desconhecido torcedor.
Então lá se foram o seu lindo domingo, e pensar que ele antecede a dolorosa e inevitável segunda feira de pura gozação naquele trabalho que já lhe caia como uma tortura permanente.
Bem, o que lhe restava era torcer para aquela carne mal passada e a agora amarga cerveja não lhe cause uma dolorosa congestão.
E quando ele achou que tudo tinha acabado não é que lhe entra porta a dentro a sua querida esposa com aquele olhar sarcástico e o sorriso no canto da boca, de tanta satisfação e muita energia. Sabe-se La o que ela andou conversando com as amigas para estar naquele fogo todo, assim ignorando aquela situação ali estabelecida de repente ela pula encima dele pronta para lhe devorar.
Ainda meio desolado e furioso, ele busca algo que lhe dê motivação, quando ele vira o seu olhar para a TV qual a primeira imagem que ele vê, isso mesmo o juiz dando as suas explicações sobre a marcação do pênalti.
E daquela inanimada criação o individuo com uma mente perturbada pelos acontecimentos, ele logo imagina que aquele desalmado e infame juiz que lhe arrancou o sonho de ser campeão certamente tem uma esposa.
Então ele se veste com a capa dos insensatos e em segundos ele se transforma em um garanhão insaciável, em minutos ele devora a sua querida esposa com a maestria dos que nasceram para o sexo.
Então a sua doce amada em delírios de prazer, e incapaz de imaginar que pensamento povoava o seu amado, ela fica a imaginar porque ele não tem a mesma atitude quando o seu time ganha.
E ao final daquele bailar de corpos em chamas já lhe é impossível esconder o seu sorriso de intensa alegria, pois ali estava a sua doce vingança para aquele insensível que lhe arrancou o titulo. E assim ele segue arrastando suas ilusões de grandeza ao sabor do momento, até que recomece novamente o campeonato.
E a sua doce amada a lhe desejar que seu time nunca venha a ganhar.

 

FIM


Crônicas de Segunda na Usina: Auridan Dantas: UM TAL DE VOUCHER:


Época de férias é uma onda. Tem de tudo um pouco: excur- sões, farofeiros, cruzeiros e simples viagens. 
Numa dessas viagens, um colega beradeiro aprontou uma, pois jamais tinha ido a um hotel. No máximo, uma hos- pedagem numa Kombi - (não vou dizer o nome, senão ganho um inimigo). Ajudado por colegas, fez a reserva em um hotel, pela internet, e levou a família: esposa e dois filhos. Os colegas fizeram todos os demais procedimentos e entregaram a ele a confirmação da reserva. 
Ao chegar ao hotel, o recepcionista perguntou se ele tinha trazido o VOUCHER. Ele de pronto respondeu: não. Só veio eu, a Gorete - minha esposa, o VALTER e o VOLBER - meus filhos. Não sei nem quem é esse tal de Voucher, e tenho pena dele, pois o cabra só nascer uma vez, e ainda ter um nome desses. É sacanagem dos pais. 
O recepcionista ‘tá até hoje se mijando de rir.


Crônicas de Segunda na Usina: Lima Barreto: Sobre o desastre;



Viveu uma semana a cidade sob a impressão do desastre da rua da Carioca. A impressão foi tão grande, alargou-se por todas as camadas, que temo não ter sido de tal modo profunda, pois imagino que, quando saírem a luz estas linhas, ela já se tenha apagado de todos os espíritos. 
Todos procuraram explicar os motivos do desastre. Os técnicos e os profanos, os médicos e os boticários, os burocratas e os merceeiros, os motorneiros e os quitandeiros, todos tiveram uma opinião sobre a causa da tremenda catástrofe. 
Uma coisa, porém, ninguém se lembrou de ver no desastre: foi a sua significação moral, ou antes, social. 
Nesse atropelo em que vivemos, neste fantástico turbilhão de preocupações subalternas, poucos têm visto de que modo nós nos vamos afastando da medida, do relativo, do equilibrado, para nos atirarmos ao monstruoso, ao brutal. 
O nosso gosto que sempre teve um estalão equivalente à nossa própria pessoa, está querendo passar, sem um módulo conveniente, para o do gigante Golias ou outro qualquer de sua raça. 
A brutalidade dos Estados Unidos, a sua grosseria mercantil, a sua desonestidade administrativa e o seu amor ao apressado estão nos fascinando e tirando de nós aquele pouco que nos era próprio e nos fazia bons. 
O Rio é uma cidade de grande área e de população pouco densa; e, de tal modo o é, que se ir do Méier à Copacabana, é uma verdadeira viagem, sem que, entretanto, não se saia da zona urbana. 
De resto, a valorização dos terrenos não se há feito, a não ser em certas ruas e assim mesmo em certos trechos delas, não se há feito, dizia, de um modo tão tirânico que exigisse a construção em nesgas de chão de sky-scrapers. 
Por que os fazem então? 
É por imitação, por má e sórdida imitação dos Estados Unidos, naquilo que têm de mais estúpido - a brutalidade. Entra também um pouco de ganância, mas esta é a acoraçoada pela filosofia oficial corrente que nos ensina a imitar aquele poderoso país. 
Longe de mim censurar a imitação, pois sei bem de que maneira ela é fator da civilização e do aperfeiçoamento individual, mas aprová-la quand mème, é que não posso fazer. 
O Rio de Janeiro não tem necessidade de semelhantes "cabeças-de-porco", dessas torres babilônicas que irão enfeá-lo, e perturbar os seus lindos horizontes. Se é necessário construir algum, que só seja permitido em certas ruas com a área de chão convenientemente proporcional. 
Nós não estamos como a maior parte dos senhores de Nova York, apertados, em uma pequena ilha; nós nos podemos desenvolver para muitos quadrantes. Para que esta ambição então? Para que perturbar a majestade da nossa natureza, com a plebéia brutalidade de monstruosas construções? 
Abandonemos essa vassalagem aos americanos e fiquemos nós mesmos com as nossas casas de dois ou três andares, construídas lentamente, mas que raramente matavam os seus humildes construtores. 
Os inconvenientes dessas almanjarras são patentes. Além de não poderem possuir a mínima beleza, em caso de desastre, de incêndio, por exemplo, não podendo os elevadores dar vazão à sua população, as mortes hão de se multiplicar. Acresce ainda a circunstância que, sendo habitada, por perto de meio a um milhar de pessoas, verdadeiras vilas, a não ser que haja uma polícia especial, elas hão de, em breve favorecer a perpetração de crimes misteriosos. 
Imploremos aos senhores capitalistas para que abandonem essas imensas construções, que irão, multiplicadas, impedir de vermos os nossos purpurinos crepúsculos do verão e os nossos profundos céus negros do inverno. As modas dos "americanos" que lá fiquem com eles; fiquemos nós com as nossas que matam menos e não ofendem muito à beleza e à natureza. 
Sei bem que essas considerações são inatuais. Vou contra a corrente geral, mas creiam, que isso não me amedronta. Admiro muito o Imperador Juliano e, como ele, gostaria de dizer, ao morrer: "Venceste Galileu". 
Revista da Época, 20-7-1917


Crônicas de Segunda na Usina: Erça de Queiroz: Londres, 14 de Abril de 1877:




Londres, 14 de Abril de 1877 
Estamos, parece, nas vésperas da guerra. 
A Turquia deu ao ultimato da Rússia uma verdadeira resposta turca – verbosa, altiva, teimosa, cheia do espírito de fatalismo muçulmano: recusa tudo: fazer concessões ao Montenegro, desarmar, mandar embaixadores a Sampetersburgo, aceitar as intervenções alheias, renovar quaisquer garantias, quase discutir: desprende-se assim violentamente das combinações diplomáticas, carrega a espingarda e espera. Era fácil prever esta reacção do orgulho turco. 
Há um ano que a Sublime Porta vive num estado de humilhação permanente. A Europa tem-na tratado como um seu subalterno dependente e inconsciente: impõe-lhe constituições, governa as suas finanças, discute a sua administração, usa da sua capital como de uma sala de hotel para instalar conferências, manda comissões impertinentes investigar os seus massacres domésticos, dá razão às províncias que se insurreccionam, força-a a constantes renovações do funcionalismo, censura as suas despesas, decide nos seus tribunais, obriga-a a nomear um parlamento, repreende-a, diz-lhe «chut!», desacredita-a, ralha-lhe, ameaça-a, não admite que ela tenha um espírito de raça, uma tradição histórica, uma necessidade religiosa e trata-a absolutamente como se ela fosse uma povoação de negros perdida no Sul da África. 
Esta situação não podia durar. O Turco é inteligente, orgulhoso, bravo, teimoso, fanático; um dia viria em que, enfastiado de ver em roda de si tantos pedagogos a querer dirigi-lo e tantos ferrabrases a franzirem-lhe a testa – devia necessariamente dar dois passos a trás e meter a espingarda à cara. 
Foi o que sucedeu. 
Aceitando tacitamente a guerra, a Sublime Porta foi hábil. Qualquer nova concessão que 
fizesse seria inútil: a Rússia sempre quis a guerra; através das declarações adocicadas de paz, da proposta de conferências, das esperanças nas soluções diplomáticas a Rússia ia lenta e seguramente preparando a guerra. A Turquia não a podia evitar; e indo, decisivamente, ao encontro dela mostra ao menos um sentimento de dignidade e de força. 
Além disso impelia-a a grande corrente do sentimento nacional; a cólera pública, excitada pelos ulemás, pelo partido da Velha, Turquia. é tão forte que concessões demasiadas ou a demonstração evidente de uma submissão à Europa faria correr um grande risco à dinastia dos Osmanlis. 
O actual grão-vizir tinha de mais a mais um interesse de ambição pessoal em se mostrar resistente e enérgico: é que, tendo substituído Midhat Paxá exilado tinha de mostrar as fortes qualidades que o sentimento geral atribui a Midhat: Midhat tem um grande partido, não só em Constantinopla mas em todo o império; ele é considerado como homem capaz de fazer face à Europa, de manter a dignidade da raça turca e de saber morrer com honra: ora o actual grão- vizir quer provar, para se manter, que não é um patriota inferior a Midhat: ninguém, na diplomacia, duvida que esta razão de política pessoal influiu poderosamente para a altiva resposta da Turquia ao ultimato da Rússia. Acresce a estas uma outra razão: é que a Turquia não pode licenciar o seu exército e que para o fazer viver tem de o fazer combater. Os Turcos têm quase duzentos mil homens mobilizados, reunidos na fronteira, com grandes esforços e sacrifícios nos dois últimos anos. Que se faria a este exército desmobilizando-o? Num país em que não há caminhos de ferro, quase não há estradas, estes homens, pertencendo às províncias mais afastadas do império, como poderiam voltar às suas casas? O Estado não tem dinheiro para os transportar. Com que recursos pessoais empreenderão eles a viagem? Nesta época do ano, os trabalhos do campo estão feitos; o Estado não tem trabalho que lhes dar, em que se ocupariam eles? A maior parte, em dois anos de acampamento, têm perdido o hábito do trabalho agrícola; o instinto da raça é militar: todo o turco ganha facilmente o hábito de ser soldado; perde mais facilmente o hábito de ser cultivador. 
Este exército desmobilizado dispersar-se-ia através de províncias pobres, assoladas pela insurreição, e seria um elemento de desordem, de pilhagem, de deboche, e a renovação das cenas da Bulgária: assim o sentimento nacional, estreitas questões de ambição pessoal, inextricáveis dificuldades financeiras – aí está o que leva a Turquia à guerra. 
O imperador da Rússia, por seu lado, é impelido também pelo entusiasmo público. 
Um retraimento agora poderia causar como na Turquia um abalo revolucionário em toda a Rússia. E um ódio nacional: os jornais, pela exaltação da sua cólera, pelas narrações permanentes das crueldades e das opressões turcas sobre os cristãos; os comités de Moscovo pela sua vasta influência; o sacerdócio russo por uma prédica irritada e fanática mantêm o espírito nacional num furor permanente contra o Turco; a guerra e considerada santa, sem nenhuma ideia de conquista, de anexação; é possível que a plebe e a rica burguesia mercantil de Moscovo e das cidades pensem em Constantinopla; mas as classes militares, a aristocracia, sabem bem que nem a Inglaterra nem a Áustria lhes permitiriam aumentar o território: e realmente por um puro sentimento, pela libertação dos cristãos que se batem. E no fundo os dois governos – russo e turco são impelidos por um fanatismo contrario. 
Qual será o resultado da luta? A desproporção de forças na fronteira é grave: os Russos têm duzentos e setenta e cinco mil homens de infantaria, vinte mil cavalos e novecentas peças de artilharia. Os Turcos têm cento e cinquenta mil homens de infantaria, três mil cavalos e duzentos e dezasseis canhões. Este número inferior é compensado por esta consideração: que o Turco é atacado e o Russo ataca – ora é conhecido que o Russo é o mais vagaroso e insuficiente dos exércitos de ataque e o Turco é um admirável soldado de defesa. Ninguém como ele para manter uma posição: é ainda uma qualidade que a sua religião lhe deu: a impassibilidade. 
Os Russos decerto podem mobilizar rapidamente grandes forças, mas aos Turcos basta-lhes levantar o estandarte do Profeta para que todo o maometanismo, sejam quais forem as dissidências de seita, corra às armas. 
Kalil Paxá, o embaixador da Turquia em Paris, dizia há dias, como o velhaco sorriso de velho maometano:

Crônicas de Segunda na Usina: Machado de Assis: 1.º DE JULHO DE 1863:


Os homens que se ocupam seriamente das coisas do Brasil tem um duplo título ao nosso reconhecimento: o que resulta do próprio fato e o que procede da singularidade e da estranheza dele, no meio da indiferença e da exageração. Por isso menciono logo no começo da crônica o livro do Sr. Wolff o Brasil Literário, belo volume em francês, que se não encontra ainda ou já se não encontra nas livrarias. 

Tive ocasião de folhear esse volume, mas apenas folhear. O autor procurou ser o mais minucioso possível, e pareceu-me que o foi. Reparei, é certo, na exclusão de alguns verdadeiros poetas e na menção de outros a quem Alceste podia dirigir esta interrogação: 
Quel Besoin si pressant avez-vous de rimer? 
Et qui, diantre, vous pousse à vous faire imprimer? 
Mas tudo é desculpável quando há no livro muito para agradecer. O Sr. Wolff socorreu-se do mais que podia para compor a sua obra; esse interesse e os verdadeiros resultados conseguidos tornam o seu nome digno de gratidão dos brasileiros. 
E relativamente às publicações literárias, como se explica esta tal ou qual indiferença do Brasil vendo morrer um dos seus maiores pensadores? Haverá razões da circunstância e do momento ou vai amortecendo entre nós o amor da glória intelectual? Eu disse em uma das minhas crônicas passadas, dando notícia da morte de Timon, que não acreditava nela, em vista do silêncio que se notava na imprensa portuguesa diante de tal acontecimento. Era apenas uma conjectura de homem a quem parecia que escritores como aquele não são comuns e merecem uma calorosa menção no dia em que passam dos labores da vida para as alegrias imperecíveis da eternidade. Façam-se em todo o império algumas exceções, ninguém mais comemorou a morte de J. F. Lisboa. 
O que é certo é que o país perdeu, e sem remédio, muita página brilhante que o ilustre maranhense se preparava a escrever em honra dele. 
Passemos a outros fatos, leitor, e sem sair do Maranhão. Meu dever de cronista só me deixa tocar nos assuntos. 
O que vou mencionar não é uma novidade, propriamente dita. É mais uma prova do que já está muito sabido. 
Em minha revista passada, falando da missão que cabe ao novo bispo alude ao estado do nosso clero, que é realmente e está a pedir uma mão de ferro em brasa. Nada significa o meu nome e eu não pretendo cadeira no parlamento. O que o leitor talvez não saiba é que, se o humilde cronista tivesse esta pretensão, meia dúzia de ministros do altar lavrariam logo circular conjurando os eleitores a não dar-me um voto sequer. É o que aconteceu agora a um deputado na assembléia maranhense. Tendo ele dito que o clero da província estava desmoralizado, alguns piedosos tonsurados travaram da pena e fizeram circular, pedindo que se não desse votação ao blasfemo e sacrílego Dr. Tavares Belfort. 
Se o deputado Belfort tivesse dito do clero brasileiro o que disse do clero maranhense, de todos os pontos do império surgiriam circulares de excomunhão eleitoral contra ele. 
Isto não faz mal algum, nem a vítima da fúria padresca fica menos do que é no corpo e na alma; mas o que provam estes fatos é que aqueles que pretendem servir a religião andam a expô-la a um grande ridículo, sem proveito para as suas pessoas, nem para ninguém. 
Em um país novo, cuja maioria se divide em dois campos, a indiferença e a carolice, a missão dos ministros do altar era outra, era a missão apostólica, tolerante, elevada, a fim de convencer os incrédulos, e trazer os fanáticos ao conhecimento dos verdadeiros princípios da Igreja. 
Em vez disso, os nossos padres divertem-se em lançar às urnas eleitorais a interdição religiosa, ou escrever gazetas sem tom nem som, a respeito das quais, ninguém sabe o que admirar mais, se a impudência dos redatores, se a paciência dos assinantes. 
Ninguém que deseje a prosperidade do país pode deixar de almejar uma administração perfeitamente convicta da verdade, que tome a peito fazer dos padres apóstolos verdadeiros e dos jornais de sacristia sérias tribunas de propaganda. 
Ponham à frente dos bispados homens tais e verão como as coisas mudam e começa uma era de regeneração. 
Repito, o que indigna hoje, não é só a intolerância, e o ridículo com que ela se apresenta, ridículo funesto aos verdadeiros interesses da Igreja. E o que mais dói é ver que esta intolerância reside em um clero pela maior parte ignorante, sem prestígio, e verdade, mas também sem escrúpulos. 
Dito isto, deixemos em santa paz os padres do Brasil. 
Sua Majestade o Imperador acaba de mimosear o distinto artista português 
Raphael Croner com um magnífico alfinete de brilhantes, como lembrança, diz a 
carta da mordomia, do apreço em, que tem o seu merecimento. 
Este merecimento que o público já teve ocasião de reconhecer e aplaudir é dos mais incontestáveis. Na crônica da última quinzena fiz menção do nome do distinto artista com aquele respeito que me impõem o seu talento e os seus conhecimentos. 
Em seu segundo concerto, dado ultimamente no Ginásio, anunciou o Sr. Croner umas variações de saxofone. O efeito provou mais que muito a expectativa; neste instrumento mostrou o Sr. Croner todos os dotes que o distinguiam no primeiro. Os aplausos do público coroaram o seu precioso trabalho. 
O Sr. Croner vai fazer uma digressão pela província de S. Paulo depois do que voltará a esta Corte, para tomar o paquete da Europa. É natural que ainda se faça ouvir entre nós e confirmar ainda uma vez as boas impressões que lhe deram o nosso público e a nossa terra. 
Outro artista português, e de renome, acha-se, como já sabem os leitores, nesta Corte. É conhecido velho. O menino Arthur está um homem, crescendo-lhe com a idade a rara perícia com que, desde os tenros anos, a todos admira. Deu um concerto no Teatro Lírico onde foi recebido na forma do costume e onde executou como sempre. 
Teve também da parte do Imperador a mesma distinção que recebeu o Sr. Croner. 
Brevemente tem lugar um concerto dado por ele, destinando-se o produto à subscrição nacional. 
Esta oferta do pianista deve ser recebida pelos brasileiros com a maior gratidão. 
Não quis Arthur Napoleão deixar de contribuir com o seu talento para a coleta patriótica a que se procede. É um ato que o honra e de que não nos esqueceremos, aliando sempre ao nome artístico que ele adquiriu, o de um amigo da nação.

sábado, 3 de dezembro de 2022

Domingo na Usina: Biografias: Andrés Trapiello:

 Andrés Trapiello por Asís G. Ayerbe.jpg

Andrés Trapiello ( Manzaneda de Torio , León , 10 de junho de 1953) é escritor e editor espanhol . Autor do monumental Hall of Lost Steps , autodescrito como um romance em andamento, dos quais 22 volumes apareceram até hoje.

Biografia

Junto com outros membros do Comissário da Memória Histórica em março de 2017

Andrés García Trapiello nasceu em Manzaneda de Torío , província de León , em 1953, 1 sendo um dos nove filhos de um rico fazendeiro e comerciante falangista, Porfirio García, casado com Laura Trapiello. Dois anos depois, a família mudou-se para León para viver na casa do avô paterno. Vários membros de sua família tiveram inclinações humanistas: um tio padre, César Trapiello , cartunista e jornalista, que era coroinha, o apresentou à leitura; um tio-avô, José Trapiello , foi um poeta modernista; e seu irmão Pedro García Trapiello é jornalista.

 Ele estudou colégio interno em um colégio dominicano e o PREU com os maristas de Palência . Depois de uma viagem a Marselha, onde trabalhou como garçom, entrou para um mosteiro dominicano em Caleruega (Burgos) no final de 1970 , mas foi expulso dois meses depois por descrença e rejeição da autoflagelação. Seu pai o expulsou de casa mais tarde, quando ele descobriu alguns números do Mundo Obrero debaixo de sua cama . Ele então passou cinco meses em Madrid com alguns anarquistas e como uma pensão, sobrevivendo de empregos precários. Mais tarde, ele fez filologia na Universidade de Valladolidatraído para aquela cidade pela falsa promessa de trabalhar na fábrica de seu tio paterno; Naquela época ele se juntou à Jovem Guarda Vermelha e já escrevia e colaborava com a imprensa; Ele era membro do Partido Comunista Maoísta da Espanha Internacional PCE (i) , 2 do qual foi expurgado em 1974 como um "revisionista e viciado em drogas". Em 1975 foi para Madrid , onde atualmente reside, contratado como editor de uma revista de arte, Guadalimar ; Também trabalhou até 1978 no programa cultural Encuentros con las letras da TVE . Lá ele conheceu sua esposa, Miriam Moreno (1954), de quem tem dois filhos. Dirigiu as revistas Entregas de la Ventura e Número e re-fundou a editora Trieste; Também colabora com a editora Granada Comares. 3

 Ele conheceu e gostou de Ramón Gaya , a quem considera seu mentor:

 Ele era de certa forma o pai, o professor e o amigo que não tínhamos quando éramos jovens, sem fingir ser ele para nós em nenhuma das três coisas. Com Gaya você estava ao lado e tinha que entender por si mesmo o que ela era, o que ela havia sido, seus silêncios e o que ela dizia, tudo. Porque ele não ia explicar para você. Por fim compreendemos que havia uma Espanha da qual nos podíamos orgulhar, da qual tínhamos a obrigação de fazer parte, uma Espanha que deveríamos preservar, cuidar e legar. A Espanha de Cervantes e Velázquez, a de Galdós e a de JRJ, e hoje eu acrescentaria, a Espanha de Gaya. Ele chamou isso de "o milagre espanhol". Ele apontou pintores, leituras, cidades, pessoas, atitudes. Ele nos ensinou a ler o passado sem piedade ou ressentimento, naturalmente, ele nos falou da naturalidade como uma qualidade de sentimento, e o sentimento da arte como sua própria natureza. Acima de tudo, ele nos ensinou a considerar a arte como vida e nos lembrou que há uma certa salvação na arte, uma questão que Miriam está trabalhando agora. Ele também me ensinou a olhar para os anos de guerra como ninguém havia feito antes.4

Seu romance O navio fantasma (1992) foi recebido com enorme hostilidade pela crítica literária de esquerda, por ter publicado pouco antes do falangista Sánchez Mazas. 5 É mais conhecido por seu diário (do qual, até agora, publicou 22 volumes, que são conjuntamente conhecidos como o Salón de Pasos Perdidos ) e seus romances. Ele também se dedicou à pesquisa de história literária, especialmente com foco em alguns escritores recorrentes: Cervantes , Galdós , Juan Ramón Jiménez e Unamuno , 6Além de ser autor de títulos abertos ao público em geral. Mais do que um pesquisador acadêmico, ele se identificaria como um leitor ávido. Num dos seus ensaios, sem dúvida o mais importante e extenso, Las armas y las letras. Literatura e Guerra Civil (1936-1939) , estuda o comportamento de escritores e intelectuais nesse período, tanto do lado rebelde (como Torrente Ballester , Álvaro Cunqueiro , Rafael Sánchez Mazas ou Agustín de Foxá ) e do republicano ( Antonio Machado , Rafael Alberti , Bergamín , Miguel Hernández , García Lorca , etc.), bem como os não alinhados ( Pío Baroja , Azorín , Unamuno , Manuel Chaves Nogales, Clara Campoamor ). 8 Interessado no fascismo literário, ele resgatou a obra dos autores falangistas mais proeminentes, concluindo que eles "ganharam a guerra , mas perderam as páginas dos manuais de literatura". 9 de outubro Trapiello, que argumentou que " nós não devemos politizar o passado , " 11 ele correu para o Senado por Madrid nas listas de UPyD para as eleições gerais de 2015 de Dezembro de 13 e um dos membros propostos pelos cidadãos do Comissário da Memória Histórica, entidade criada pela Câmara Municipal de Madrid em 2016, a quem foi confiada a elaboração de um relatório sobre a alteração da denominação dos frascos da Rota de Madrid para o cumprimento da Lei da Memória Histórica da qual, no entanto, ele é um detrator. 14 1516

 

Obras

Poesia

Las traditions , 1992, compilação de sua obra poética entre 1979 e 1990:

Perto da água , 1980

Tradições , 1982

A vida fácil , 1985

O mesmo livro , 1989

Talvez uma verdade , 1993

Naked Branch (1993-2001), 2001

Um sonho no outro , 2004

Segunda escuridão , 2012

E , 2018

Romances e contos

A bela tinta , 1988

Ghost Ship 7 , 1992

A malandanza , 1996

Dias e noites , 2000

A noite das quatro estradas. Uma história dos Maquis. Madrid, 1945 , 2001

The Perfect Crime Friends , 2003

Quando D. Quixote morreu , 2004

The confines , 2009

Ontem não mais 2012

O fim de Sancho Pança e outra sorte , 2014

Diários

Mais de vinte volumes do seu jornal Salón de paso perdidos foram publicados na editora Pre-Textos . Em 1999 apareceu Capricho Extremadura , uma selecção de extractos do seu jornal com centro temático no interior da Estremadura; uma edição revisada foi publicada em 2011.

 

The Locked Cat (1987), 1990

Loucuras infundadas (1988), 1992

The Glass Roof (1989), 1994

Nuvens em (1990), 1995 7

Knights fixed point (1991), 1996 7

As coisas mais estranhas (1992), 1997 7

A Reed That Thinks (1993), 1998

The Magdeburg Hemispheres (1994), 1999

Do fuir (1995), 2000

Clima inclemente (1996), 2001

A lanterna hialina (1997), 2002

Modern Seven (1998), 2003

The Gunpowder Garden (1999), 2005

A coisa em si (2000), 2006

Mania (2001), 2007

Troppo vero (2002), 2009

Pouco sensível (2003), 2011

Misery and Company (2004), 2013

Serei dúvida (2005), 2015

Just Facts (2006), 2016

It's World (2007), 2017

Proceedings (2008), 2019

Artigos

A coleção Los desvanes reúne seus artigos de jornal e outras colaborações:

 Milhares de Mil (1985-1995), 1995

Everything is Less (1985-1997), 1997

Relative Blue (1997), 1999

The Brevity of Days (1998), 2000

Tururú ... e outros problemas (1999), 2001

Sim e Não (2000), 2002

Mar sem costa (1997-2001), 2002

Contra todas as evidências (2001), 2004

Somos dois (2002), 2004

Laranjas do mar (2003), 2007

Mais ou menos (2004), 2007

Nem seu nem meu (2005), 2009

The Bastions (2006), 2009

Costanilla de los desamparados (2007), 2017

Negócios pendentes (2008), 2017

Ensaio

Experiência Plástica de Gabarrón , 1977, com prefácio de Miguel Fernández-Braso

A vida de Miguel de Cervantes , 1993 17

As armas e as cartas. Literatura e Guerra Civil (1936-1939), 1994; reed.: 2002; 2010; 2019 18

Clássicos do terno cinza , 1997

Os netos do Cid. A nova era de ouro (1898-1914), 1997 17

Eles eram apenas sombras , 1997

Travellers and Stable , 1998

O escritor do jornal , 1998

As estradas de retorno , 2000

A Arca das Palavras , 2004

... e Cervantes , 2005

Impressão moderna , 2006

La seda rota , 2006, com fotografias de Juan Manuel Castro Prieto

The Tramps , 2011

El Rastro , 2018

Uma pequena companhia. Barojiano improvisado , 2019.

fonte de origem:

https://es.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9s_Trapiello

Domingo na Usina: Biografias: Allen Mulherin Steele, Jr.:

 

Steele (2006)

Allen Mulherin Steele, Jr. (nascido em 19 de janeiro de 1958) é um jornalista e autor de ficção científica americana . 
Plano de fundo
Steele nasceu em Nashville, Tennessee em 19 de janeiro de 1958. Steele foi apresentado a ciência fandom de ficção participando de reuniões de Nashville 's clube da ciência ficção . Ele se formou no ensino médio na Webb School em Bell Buckle, Tennessee , recebeu um diploma de bacharel pelo New England College e um mestrado pela University of Missouri . [1] 
Escrevendo 
Antes de se estabelecer como autor de ficção científica, passou vários anos trabalhando como jornalista. Steele começou a publicar contos em 1988. Seus primeiros romances formaram uma história futura, começando com Orbital Decay e continuando através do Labirinto da Noite . Alguns de seus primeiros romances, como Orbital Decay e Lunar Descent, eram sobre operários trabalhando em futuros projetos de construção no espaço. Desde 1992, ele tende a se concentrar em projetos autônomos e contos, embora tenha escrito cinco romances sobre a lua Coyote. 
Steele atua no Conselho de Consultores da Space Frontier Foundation e do Science Fiction and Fantasy Writers of America , e é um ex-membro (Diretor Regional do Leste) do Conselho de Diretores da SFWA. [2] Em abril de 2001, ele testemunhou perante o Subcomitê de Espaço e Aeronáutica da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos , em audiências relacionadas à exploração espacial no século XXI. [3] 
Em 2004, ele contribuiu com um capítulo para o romance colaborativo de hoax, Atlanta Nights . 
Prêmios 
Allen Steele recebeu vários prêmios por sua escrita: [4] 
1990: Prêmio Locus por Decadência Orbital 

1996: Prêmio Hugo por "A Morte do Capitão Futuro" 

1997: Prêmio Locus por "" ... Where Angels Fear to Tread "" 

1997: Prêmio Leitores de Ficção Científica Chronicle por "" ... Where Angels Fear to Tread "" 

1998: Prêmio Hugo por "" ... Where Angels Fear to Tread "" 

1998: Prêmio Seiun por "A Morte do Capitão Futuro" 

2002: Prêmio do Leitor de Asimov por "Roubar o Alabama" 

2005: Prêmio do Leitor de Asimov por "The Garcia Narrows Bridge" 

2011: Prêmio Hugo para "O Imperador de Marte" 

2013: Prêmio Seiun para "O Imperador de Marte" 

2013: Prêmio Robert A. Heinlein (junto com Yoji Kondo ) [5] 

2014: Prêmio do Leitor de Asimov por "A Legião do Amanhã" [6] 

Bibliografia 

Esta lista está incompleta ; você pode ajudar expandindo-o . 

Romances 

A iteração Jericho . 1994. 

The Tranquility Alternative (1996) 

Oceanspace (2000) 

Chronospace (2001) Relançado para Kindle com o título preferido do autor, Time Loves a Hero 

Párias da Apollo (2012) 

VS Day (2014) 

Arkwright (2016) 

Série Near-Space 

também chamada de série Rude Astronauts 

Decaimento orbital (1989) 

Clarke County, Space (1990) 

Descida Lunar (1991) 

Labyrinth of Night (1992) 

A King of Infinite Space (1997) 

Coyote series [7] 

Coyote Trilogy 

Coyote: A Novel of Interestellar Exploration (2002) 

Coyote Rising: A Novel of Interestellar Revolution (2004) 

Coyote Frontier: A Novel of Interestellar Colonization (2005) 

Coyote Chronicles 

Coyote Horizon (2009) 

Coyote Destiny (2010) [8] 

Coyote Universe 

Spindrift (2007) 

Galaxy Blues (2008) 

Hex (2011) [9] 

Série Capitão Futuro 

Vingadores da Lua (2017) 

O retorno de Ul Quorn, Livro I: Capitão Futuro Apaixonado (2019) 

O Retorno de Ul Quorn, Livro II: As Armas de Plutão (2020} 

Chapbooks 

O Peso (1995) 

Os dias entre (2002) 

The River Horses (2007) 

Angel of Europa (2011) 

Ficção curta 

Coleções 

Rude Astronauts (1992) 

All-American Alien Boy (1996) 

Sex and Violence in Zero-G: The Complete Near-Space Stories (1998) 

American Beauty (2003) 

O último escritor de ficção científica (2008) 

Histórias 

Título Ano Publicado pela primeira vez Reimpresso / coletado 

John Harper Wilson 1989 Steele, Allen M. (junho de 1989). "John Harper Wilson" . Ficção científica de Asimov . 13 (6): 78–91. 

" Povo de Goddard " 1991 Ficção científica de Asimov , julho de 1991 

"Riders in the Sky" 1994 Outlaws alternativos editados por Mike Resnick 

"A Morte do Capitão Futuro" 1995 Ficção científica de Asimov , outubro de 1995 

Dozois, Gardner, ed. (1996). A melhor ficção científica do ano: décima terceira coleção anual . Griffin de St Martin. 

""... Onde os anjos temem pisar"" 1997 

"O Imperador de Marte" 2010 Ficção científica de Asimov , junho de 2010 

Dozois, Gardner, ed. (2011). O livro gigantesco do melhor novo SF 24 . Robinson. 

"Dezesseis milhões de ligas de Versalhes" 2013 "Dezesseis milhões de léguas de Versalhes". Analog . 133 (10): 8–22. Outubro 2013. 

"Sangue marciano" 2013 Dozois, Gardner; Martin, George RR, eds. (2013). Old Mars . Bantam Books .[10] [11] 

Dozois, Gardner, ed. (2014). A melhor ficção científica do ano: trigésima primeira coleção anual . Griffin de St Martin. 

Dozois, Gardner, ed. (2014). O livro gigantesco dos melhores novos SF 27 . Robinson. 

A Legião do Amanhã 2014 Steele, Allen M. (julho de 2014). "A Legião do Amanhã". Ficção científica de Asimov . 38 (7): 70–102. 

"Frogheads" 2015 Dozois, Gardner; Martin, George RR, eds. (2015). Old Venus . Bantam Books.[12] 

"Starship Mountain" 2018 Williams, Sheila, ed. (Julho a agosto de 2018). "Starship Mountain". Ficção científica de Asimov . 

"O Testamento Perdido" 2019 Williams, Sheila, ed. (Março a abril de 2019). "O Testamento Perdido". Ficção científica de Asimov . 

Não-ficção 

Ignição primária (2003) inclui artigos e ensaios de 1997–2004 

Steele, Allen M. (setembro de 2014). "Amanhã pelo passado" . Experimento de pensamento. Ficção científica de Asimov . 38 (9): 10–16.
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Domingo na Usina: Biografias: Roquette-Pinto:

 





Terceiro ocupante da Cadeira 17, eleito em 20 de outubro de 1927, na sucessão de Osório Duque-Estrada e recebido pelo Acadêmico Aloísio de Castro em 3 de março de 1928. Recebeu os Acadêmicos Afonso Taunay em 6 de maio de 1930 e Miguel Osório de Almeida em 23 de novembro de 1935.
Roquette-Pinto (Edgar R.-P.), médico legista, professor, antropólogo, etnólogo e ensaísta, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 25 de setembro de 1884, e faleceu na mesma cidade em 18 de outubro de 1954.
Era filho de Manuel Menelio Pinto e de Josefina Roquette Carneiro de Mendonça. Foi criado pelo avô João Roquette Carneiro de Mendonça. Fez o curso de humanidades no Externato Aquino. Ingressou, em seguida, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Colou grau em 1905. Logo depois de formado iniciou uma série de estudos sobre os Sambaquis das costas do Rio Grande do Sul. Professor assistente de Antropologia no Museu Nacional em 1906, tornou-se em pouco tempo conhecido como um dos mais sérios antropólogos que o país conhecera. Delegado do Brasil no Congresso de Raças, realizado em Londres, em 1911, resolveu passar mais algum tempo na Europa, a fim de dar prosseguimento aos estudos, com os professores Richet, Brumpt, Tuffier, Verneau, Perrier e Luschan.
Professor de História Natural na Escola Normal do Distrito Federal (1916) e professor de Fisiologia na Universidade Nacional do Paraguai (1920). Fundou, em 1923, na Academia Brasileira de Ciências, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que tinha fins exclusivamente educacionais e culturais e que, em 1936, doou ao Ministério da Educação.
Em 1912 Roquette-Pinto fez parte da Missão Rondon e passou várias semanas em contato com os índios nambiquaras que até então não tinham contato com os civilizados. De volta trouxe para o Museu Nacional vasto material etnográfico e como resultado dessa viagem publicou, em 1917, o livro Rondônia, com o sub-título Antropologia etnográfica, clássico da antropologia brasileira. Foi Roquette quem sugeriu dar a essa região o nome de Rondônia. Nesse campo de estudos publicou Ensaios de Antropologia Brasileira (1933) e Estudos Brasilianos (1941).
Diretor do Museu Nacional de 1915 a 1936, realizou um amplo trabalho de divulgação científica e empreendeu a feitura de uma grande coleção de filmes científicos. Em 1932, fundou a Revista Nacional de Educação; fundou e dirigiu, no Ministério da Educação, o Instituto Nacional do Cinema Educativo e fundou, também naquele ano, o Serviço de Censura Cinematográfica. Esteve em vários congressos nacionais e internacionais sobre temas de sua especialidade. Em 1940 foi eleito diretor do Instituto Indigenista Americano do México. No mesmo ano esteve no México e nos Estados Unidos.
Roquette-Pinto era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Brasileira de Ciências, da Sociedade de Geografia, da Academia Nacional de Medicina e de inúmeras outras associações culturais, nacionais e estrangeiras. Em homenagem aos seus estudos científicos, vários naturalistas famosos deram o nome de Roquette-Pinto a algumas espécies de plantas e animais: Endodermophyton Roquettei (Parasito da pele dos índios de Mato Grosso) por Olímpio da Fonseca; Alsophila Roquettei, por Brade e Rosenstock; Roquettia Singularis, por Melo Leitão; Phyloscartes Roquettei (pássaro do Brasil Central) por Snethlage; Agria Claudia Roquettei (borboleta) por May.

fonte de origem:

https://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D198/biografia

Domingo na Usina: Biografias: Antonio Houaiss:




Antonio Houaiss, professor, diplomata e filólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 15 de outubro de 1915 e faleceu no dia 7 de março de 1999, na mesma cidade.
Foi o quinto dos sete filhos de Habib Assad Houaiss e Malvina Farjalla Houaiss. Toda a sua formação intelectual ocorreu no Rio de Janeiro no ensino público. Perito-contador pela Escola de Comércio Amaro Cavalcanti (1933); curso secundário de madureza (1935); bacharel (1940) e licenciado (1942) em letras clássicas pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Casou-se, em 1942, com Ruth Marques de Sales (falecida a 4 de julho de 1988) e não teve filhos.
Lecionou português, latim e literatura no magistério secundário oficial do então Distrito Federal, de 1934 a 1946, quando pediu exoneração, ao optar pela carreira diplomática. Foi também membro examinador de português de vários concursos promovidos pelo DASP para preenchimento de cargos públicos (1941 a 1943); colaborador permanente do DASP na elaboração de provas de português para o serviço público (1942-1945), professor contratado pela Divisão Cultural do Ministério das Relações Exteriores para lecionar português no Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro de Montevidéu (1943 a 1945).
Na carreira diplomática, por concurso de provas em 1945, foi vice-cônsul do Consulado Geral do Brasil em Genebra (1947 a 1949), servindo também como secretário da delegação permanente do Brasil em Genebra, junto à Organização das Nações Unidas, e integrando representações brasileiras às assembleias gerais das Nações Unidas, da Organização Internacional do Trabalho, da Organização Mundial da Saúde e da Organização Mundial de Refugiados. Foi terceiro-secretário da Embaixada no Brasil em São Domingos, República Dominicana, de 1949 a 1951, e em Atenas, de 1951 a 1953; primeiro-secretário e depois ministro de segunda classe da delegação permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas em Nova York, de 1960 a 1964; membro da Comissão de Anistia de Presos Políticos de Ruanda-Urundi que em Usumbura examinou os processos de 1.220 presos políticos, anistiados todos pela Assembleia Geral das Nações Unidas por proposta da referida comissão, em 1962; relator da IV Comissão da Assembleia Geral das Nações Unidas (tutela e territórios não autônomos), em 1963.
A serviço do Ministério das Relações Exteriores, consolidou as 14.000 instruções de serviço no primeiro Manual de serviço (1947) desse Ministério, ainda vigente, com refundições. Foi assessor de documentação da Presidência da República, de 1957 a 1960, quando foram publicados 83 volumes documentais do quinquênio presidencial, segundo plano sistemático seu. Aposentado, em 1964, com a suspensão de seus direitos políticos por dez anos.
Foi secretário-geral do Primeiro Congresso Brasileiro de Língua Falada no Teatro, realizado em 1956, em Salvador, para o qual apresentou a tese que se tornou base das conclusões - normas da língua falada culta no Brasil - e encarregado da elaboração dos Anais respectivos (Rio de Janeiro e Salvador, 1958). Exerceu as funções de colaborador e pesquisador na Casa de Rui Barbosa, de 1956 a 1958 e de secretário-geral do Primeiro Congresso Brasileiro de Dialetologia e Etnografia (Porto Alegre, 1958), elaborando os Anais respectivos, publicados pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em 1970.
Colaborou na imprensa do Rio de Janeiro e de São Paulo, tendo sido redator do Correio da Manhã (1964-1965). Membro da Comissão Machado de Assis, desde a sua criação em 1958, e da Academia Brasileira de Filologia, eleito em 1960. Editor-chefe da Enciclopédia Mirador Internacional.
Membro da Comissão para o Estabelecimento de Diretrizes para o Aperfeiçoamento do Ensino/Aprendizagem da Língua Portuguesa, instituída pelo Decreto n. 91.372 de 26 de junho de 1985, com relatório conclusivo de 20 de dezembro de 1985.
Exerceu o cargo de Delegado do Governo Federal para proceder nos países de língua oficial portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe); recebeu o convite de presença à realização do Encontro para a Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa (janeiro-fevereiro de 1986), foi membro da delegação brasileira no Encontro para a Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa, realizado no Rio de Janeiro de 6 a 12 de maio de 1986, do qual foi o secretário-geral e delegado porta-voz brasileiro.
Em 1988, organizou o Congresso Internacional de Tradutores, realizado no Instituto Internacional de Cultura (Campos - RJ), tendo sido o vice-presidente e o secretário-executivo do encontro.
Foi nomeado para o Conselho Federal de Cultura, do qual participou até a sua extinção. Em 1990, recebeu o Prêmio Moinho Santista, na categoria Língua.
Ministro da Cultura do Governo Itamar Franco (1993); foi membro do Conselho Nacional de Política Cultural, do Ministério da Cultura (1994-1995), de que foi vice-presidente e renunciou dessa qualidade em abril de 1995. Foi presidente da Academia Brasileira de Letras (1996).
Quinto ocupante da cadeira 17, foi eleito em 1º de abril de 1971, na sucessão de Álvaro Lins, e recebido pelo acadêmico Afonso Arinos de Melo Franco em 27 de agosto de 1971. Recebeu os acadêmicos Antônio Callado e Sérgio Paulo Rouanet.

fonte de origem:

https://www.academia.org.br/academicos/antonio-houaiss/biografia

Domingo na Usina: Biografias: Affonso Arinos de Mello Franco:


Sexto ocupante da Cadeira nº 17, eleito em 22 de julho de 1999, na sucessão de Antonio Houaiss e recebido em 26 de novembro de 1999 pelo acadêmico José Sarney. Recebeu o acadêmico José Murilo de Carvalho. Faleceu no dia 15 de março de 2020, no Rio de Janeiro, aos 89 anos.
“O embaixador Affonso Arinos de Mello Franco foi um memorialista de águas cristalinas. Dotado de profunda intuição, compreendeu, como poucos, o sentimento do tempo: a longa duração diante da impermanência. Foi também um ensaísta primoroso, arguto e sutil. Escreveu sobre dois amigos notáveis: Vinicius de Moraes e Guimarães Rosa. Affonso foi um historiador atento às raízes do Brasil, com larga erudição, além de profundo italianista. Conhecia bem Dante e Varnhagen, Machado e Manzoni. Perco um amigo querido. Um homem probo e severo. Um grande brasileiro.”, afirmou o Presidente da ABL, Acadêmico Marco Lucchesi

Cadeira: 
17
Posição: 
6
Antecedido por:
Data de nascimento: 
11 de novembro de 1930
Naturalidade: 
Belo Horizonte - MG
Brasil
Data de eleição: 
22 de julho de 1999
Data de posse: 
26 de novembro de 1999
Acadêmico que o recebeu: 
Data de falecimento: 
15 de março de 2020
Local de falecimento: 

Domingo na Usina: Biografias: João Francisco Lisboa:


 João Francisco Lisboa, jornalista, crítico, historiador, orador e político, nasceu em Pirapemas, MA, em 22 de março de 1812, e faleceu em Lisboa, Portugal, em 26 de abril de 1863. É o patrono da cadeira n. 18, por escolha do fundador José Veríssimo.
Era o primeiro filho do casal João Francisco de Melo Lisboa e Gerardes Rita Gonçalves Nina. Estudou as primeiras letras em São Luís, onde viveu até os onze anos, quando voltou a Pirapemas. Permaneceu no sítio natal até completar quatorze anos. Falecido o pai, foi enviado para a capital da Província, a fim de trabalhar no comércio como caixeiro da loja do negociante Francisco Marques Rodrigues. Permaneceu nesse ramo de atividade de 1827 a 1829. Largando essa ocupação, dedicou-se inteiramente ao estudo, sob a orientação de alguns mestres renomados, entre os quais o professor de Latim Francisco Sotero dos Reis. Depois, separados por divergências de natureza política, os dois se tornariam adversários ferrenhos. Sotero dos Reis, em seu Curso de Literatura, gabou-se de ter contribuído para a educação de João Francisco Lisboa que, no entanto, fez sérias restrições ao mestre.
Suspensa a circulação do Farol Maranhense, dirigido por José Cândido de Morais, em 1832, Lisboa fundou, para continuar a pregação doutrinária do grande jornal, O Brasileiro, o seu primeiro diário, cuja publicação interrompeu com a morte de José Cândido. Fez reviver O Farol, assumindo a sua direção por dois anos. De 1834 a 1836, dirigiu o Eco do Norte, também retirado de circulação. Aí termina, segundo o seu biógrafo Antônio Henrique Leal, a primeira fase da carreira jornalística do escritor. Lisboa passou a trabalhar na administração pública, como secretário do governo durante três anos, a que se seguiu um período de duas legislaturas como deputado provincial.
A 20 de novembro de 1834, casou-se com D. Violante Luísa da Cunha, sobrinha de João Inácio da Cunha, Visconde de Alcântara. O casal não teve filhos. Adotou uma filha de Olegário José da Cunha, a qual veio a falecer pouco depois. Outra filha de Olegário foi adotada pelo casal e sobreviveu a ambos, tendo, já idosa, assistido à inauguração da estátua do pai adotivo, na cidade de São Luís, em 1918.
Em 1838, retomou o jornalismo, assumindo a direção da Crônica Maranhense, em sua fase áurea como escritor. Segundo Antônio Henriques Leal, a Crônica era um jornal de combate, especialmente criado para defender os interesses do Partido Liberal, reproduzindo a história viva das lutas políticas daqueles anos. Deixou de circular em dezembro de 1840. (O Museu Histórico Nacional, do Rio de Janeiro, publicou, em 1969, dois volumes onde se encontra coligida grande parte da colaboração de João Francisco Lisboa nas páginas da Crônica Maranhense.)
Era o período difícil da Regência e da Maioridade de D. Pedro II. Na tribuna parlamentar e na imprensa, Lisboa defende princípios da liberdade e interesses do povo, sendo injustamente acusado de participação na Balaiada, movimento revolucionário maranhense. Retirou-se temporariamente da política, dedicando-se à literatura e à advocacia. Em 1847, recusou o convite que lhe fizeram os liberais para se apresentar como candidato a deputado geral. Aceitou, contudo, a participação na Assembleia Provincial, para a qual foi eleito no ano seguinte.
Em 25 de junho de 1852, saiu o primeiro número do Jornal de Timon, folheto composto de cem páginas, inteiramente redigido por João Francisco Lisboa. Os cinco primeiros números circularam mensalmente. Somente em 1854 saíram, em volume de 416 páginas, os fascículos de 6 a 10; o 11º e o 12º saíram em março de 1858, quando o publicista residia com a família em Lisboa. Atacou, entre outros, Varnhagen, pelo método que empregou na História do Brasil. Apareceu, então, em Lisboa o panfleto Diatribe contra a timonice. Seu autor, disfarçado sob o pseudônimo de Erasmo, era o cunhado do próprio Varnhagen, Frederico Augusto Pereira de Morais. Também Varnhagen replicou no opúsculo Os índios bravos e o senhor Lisboa (Lima, 1867.)
João Francisco Lisboa transferira-se em 185, para o Rio de Janeiro, de onde, após curta permanência, partiu para Lisboa, incumbido pelo Governo Imperial de coligir, em Portugal, documentos e dados elucidativos da história brasileira. Lá pesquisou também sobre a vida do Padre Antônio Vieira, para uma biografia, que ficou inacabada. Após um período de intenso trabalho em arquivos portugueses, realizou uma viagem de despedida ao Maranhão, no período que vai de 5 de junho a 11 de dezembro de 1859. Nos anos que se seguiram, o estado de saúde do escritor torna-se cada vez mais precário, e ele veio a falecer às duas horas da madrugada de 26 de abril de 1863.
Ainda naquele ano, já de volta ao Maranhão, D. Violante da Cunha Lisboa tomava providências para que o corpo do marido fosse trasladado de Lisboa para São Luís. Houve alguma demora, e somente em 24 de maio de 1864 ali chegou o brigue Angélica, conduzindo a bordo os restos mortais de João Francisco Lisboa. Logo após o regresso de D. Violante Lisboa ao Maranhão, os amigos da família, destacando-se à frente deles Olegário José da Cunha e Antônio Henriques Leal, iniciaram as gestões para que fossem reunidas todas as suas obras, incluindo-se entre elas a Vida do Padre Antônio Vieira, inacabada.
Por sua atividade e por sua obra, João Francisco Lisboa é um típico representante de uma época e de uma sociedade. Fez parte do movimento maranhense do século XIX que se distinguiu, talvez pela proximidade material e espiritual da Metrópole, por acentuado pendor classicizante, traduzido na fidelidade aos padrões tradicionais do vernáculo e na defesa da tradição e do rigorismo gramatical, o que iria conferir à capital do Maranhão o honroso título de Atenas Brasileira. Foram seus contemporâneos Odorico Mendes, Sotero dos Reis, Joaquim Serra, Franco de Sá, Sousândrade, Antônio Henriques Leal, Cândido Mendes de Almeida e César Augusto Marques.
Todos os estudos biográficos sobre João Francisco Lisboa, cognominado o “Timon Maranhense”, se baseiam nos dados publicados por seu contemporâneo e amigo íntimo Antônio Henriques Leal na “Notícia acerca da vida e obras de João Francisco Lisboa”, que precede as suas Obras (4 volumes) impressas no Maranhão em 1864-1865, e na biografia, ampliada, reproduzida no tomo 4 do Pantheon maranhense, editado em 1857 pela Imprensa Nacional de Lisboa.
Em 1977 saiu o livro João Francisco Lisboa, jornalista e historiador, de Maria de Lourdes Menaço Janotti, e, em 1986, no 1º volume da nova fase da Coleção Afrânio Peixoto, da Academia Brasileira de Letras, João Francisco Lisboa, o Timon maranhense, de Arnaldo Niskier, duas obras de pesquisa em torno da figura e dos escritos do grande publicista.

fonte de origem:

https://www.academia.org.br/academicos/joao-francisco-lisboa/biografia

Domingo na Usina: Biografias: Alberto Faria:


 
Terceiro ocupante da Cadeira 18, eleito em 10 de outubro de 1918, na sucessão do Barão Homem de Melo e recebido em 6 de agosto de 1919 pelo Acadêmico Mário de Alencar. Recebeu o Acadêmico Gustavo Barroso.
Alberto Faria, jornalista, professor, crítico, folclorista e historiador, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 19 de outubro de 1869, e faleceu em Paquetá, cidade do Rio de Janeiro, em 8 de setembro de 1925.
Era filho do comerciante português José Lopes Faria e de D. Leocádia Lopes Faria. Fez o primário e o secundário no interior do Estado de São Paulo. Aos 12 anos, redigiu o jornalzinho O Arauto e, aos 14, fundou, na cidade de São Carlos (SP), A Alvorada. Realizou seus estudos no interior de São Paulo. Em 1889, fixou-se em Campinas (SP), onde exerceu o jornalismo. Fundou O Dia, em 1894, e escreveu para o Correio de Campinas, tornando-se seu diretor entre 1895 e 1896. Em 1897, lançou a Cidade de Campinas, por ele dirigida até 1904. Obteve grande êxito a seção “Ferros velhos”, sob o pseudônimo de Adelino. Em 1901, prestou concurso para a cadeira de Literatura, no Ginásio de Campinas, concorrendo com Coelho Neto e Batista Pereira, e logrou o primeiro lugar. Além de professor de literatura e jornalista, destacou-se como crítico e historiador de cunho erudito (scholarship), ao lançar mão dos processos de investigação e análise aplicados à literatura, para a decifração de problemas intrincados de autoria ou datação de obras. Polemista, manteve nos diversos jornais em que colaborou debates e discussões com escritores da época, tratando de temas de alto interesse para a cultura histórico-literária.
Orientou seus estudos para a crítica externa e interna das obras e da história literária. Foi um dos primeiros críticos brasileiros a se preocupar com o estabelecimento dos textos ou da autoria, a descoberta de influências, datas e fontes, e com a análise de formas e temas. Os seus estudos sobre o problema da autoria das Cartas Chilenas destacam-se entre os que mais luzes trouxeram à questão. Pseudônimos: Adélio, Adelino e Marcos Tuim.

fonte de origem:

https://www.academia.org.br/academicos/alberto-faria/biografia

Domingo na Usina: Biografias: Luís Carlos:


 
Quarto ocupante da Cadeira 18, eleito em 20 de maio de 1926, na sucessão de Alberto Faria e recebido pelo Acadêmico Osório Duque-Estrada em 21 de dezembro de 1926.
Luís Carlos (Luís Carlos da Fonseca Monteiro de Barros), engenheiro civil e poeta, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 10 de abril de 1880, e faleceu na mesma cidade em 16 de setembro de 1932.
Era filho do médico Dr. Eugênio Augusto de Miranda Monteiro de Barros e de D. Francisca Carolina Werna da Fonseca Monteiro de Barros. Terminados os preparatórios, ingressou na então Escola Politécnica, onde se formou em engenharia civil. Casado, transferiu-se para Minas Gerais e depois se mudou para São Paulo, onde exerceu a profissão nos quadros do serviço público, como funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, na Zona Norte, que ele chegou a chefiar. Foi removido, galgando de posto, para o Rio de Janeiro, onde fixou residência. Em 1921, foi nomeado consultor técnico do Ministério da Viação. Muito conceituado em sua profissão, nem por isso abandonou o seu pendor natural para as letras. Sob o funcionário exemplar, existia o poeta, de que pouca gente, só os mais íntimos, tinha conhecimento. Congregou um grupo de intelectuais, com quem fundou a Hora Literária. Começou a estampar nos jornais e revistas os seus versos, numa época em que o Parnasianismo dominava amplamente a poética brasileira e seus modelos filiavam-se à técnica de Olavo Bilac e Alberto de Oliveira. Pertencia ele à última geração parnasiana, à geração dos discípulos de Emílio de Meneses e de Francisca Júlia. Contudo, em Luís Carlos, há um toque de romantismo que foge ao estilo parnasiano puro e simples.
Na sessão da Academia de 14 de junho de 1917, à qual ele assistiu como visitante, Augusto de Lima fez a leitura de alguns de seus poemas. A imprensa do Rio de Janeiro passou a publicar-lhe sonetos esparsos, que o tornaram conhecido nas letras da metrópole.
Estreou em livro já aos quarenta anos. Colunas, publicado em 1920, foi aclamado com entusiasmo. Os amigos insistiam para que se candidatasse à Academia Brasileira de Letras. Tentou por duas vezes. A Academia recebeu-o e consagrou-o. João Ribeiro, em artigo (O Imparcial, 29-11-21), assim a ele se refere:
“Eram, de fato, colunas, segundo o título, no sentido próprio e nas suas várias ordens de estilo: dóricas, pela solidez; jônias, pela graça e leveza; coríntias, pelos seus capitéis floridos. E em conjunto eram todas gregas.
A poesia de Luís Carlos representa uma fase distinta, na estética dos nossos poetas. Não é o Parnasianismo já quase esgotado por enfadonhas e inúmeras repetições, nem é também a poesia inteiramente subjetiva que constitui a corrente mais vultosa da atualidade. Pode ser que participe de ambas por alguns caracteres compósitos, mas o que notamos como essencial nos seus versos é a técnica das comparações e das imagens que associam os dois elementos, subjetivo e objetivo, quase sempre com grande e feliz originalidade.”
Na Academia foi substituído pelo seu grande amigo Pereira da Silva, poeta que ele sempre quisera ver sentado ao seu lado na glória da Casa de Machado de Assis.

Atualizado em 28/07/2016.

fonte de origem:

https://www.academia.org.br/academicos/luis-carlos/biografia