quarta-feira, 3 de junho de 2020

Poesia de Quinta na Usina: Paulo Leminsk:




sobre a mesa vazia abro a toalha limpa a mente tranquila palavra mais linda aqui se acaba


a noite mais braba a que não queria virar puro dia somos um outro um deus, enfim, está conosco

Poesia de quinta na Usina: Paulo Leminsk: contra narciso:




em mim eu vejo o outro e outro

e outro enfim dezenas trens passando

vagões cheios de gente centenas

o outro que há em mim é você

você e você assim como

eu estou em você eu estou nele em nós e só quando estamos em nós estamos em paz

mesmo que estejamos a sós

Poesia de Quinta Na Usina: D'Araújo: Fragmentos:


O avassalo da dor do espírito,

Quando o amor se despedaça.

Passamos a juntar os fragmentos

De nós mesmos, que em outrora

Foram ignoradas, de repente se torna

sua única âncora de sustentação do seu viver de cada dia.


Poesia de Quinta na Usina: Florbela Espanca: TRAZES-ME EM TUAS MÃOS DE VITORIOSO:


 

Trazes-me em tuas mãos de vitorioso Todos os bens que a vida me negou, E todo um roseiral, a abrir, glorioso Que a solitária estrada perfumou.

Neste meio-dia límpido, radioso, Sinto o teu coração que Deus talhou Num pedaço de bronze luminoso,

Como um berço onde a vida me pousou. O silêncio, ao redor, é uma asa quieta... E a tua boca que sorri e anseia,

Lembra um cálix de tulipa entreaberta... Cheira a ervas amargas, cheira a sândalo... E o meu corpo ondulante de sereia

Dorme em teus braços másculos de vândalo...


Poesia de Quinta na Usina: Florbela Espanca: A TUA VOZ DE PRIMAVERA:


 

Manto de seda azul, o céu reflete Quanta alegria na minha alma vai! Tenho os meus lábios úmidos: tomai A flor e o mel que a vida nos promete! Sinfonia de luz meu corpo não repete

O ritmo e a cor dum mesmo desejo... olhai! Iguala o sol que sempre às ondas cai,

Sem que a visão dos poentes se complete! Meus pequeninos seios cor-de-rosa,

Se os roça ou prende a tua mão nervosa, Têm a firmeza elástica dos gamos...

Para os teus beijos, sensual, flori!

E amendoeira em flor, só ofereço os ramos, Só me exalto e sou linda para ti!


Poesia de Quinta na Usina: Mundo mudo:


Sejamos livres.

Como o pássaro a plainar seus sonhos nos ventos da igualdade.

Sejamos livres.

Mas que nunca seja feita a vossa vontade.

Que seja na terra, no mar, ou mesmo no ar.

Sejamos livres.

E que as correntes dos insultos desta sociedade podre

Não nos torne escravos do querer, do ter, e do poder.

Sejamos livres.

E semeie, grite, espalhe os seus sonhos, como um insulto,

para aqueles que em suas masmorras de hipocrisia.

Tecem seus golpes contra nossas fortalezas de alegrias de sermos livres.

Sejamos livres.

Para pensar, falar, ouvir, e expressar todos os nossos desejos.

Até que os ouvidos do Mundo, entendam.

Que não se muda o mundo mudo.


terça-feira, 2 de junho de 2020

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Poesia: "Insônia":

Talvez quisesse dormir
Para nunca mais acordar
Quem sabe um novo porvir
Nova história poderás contar

Cai a noite
E a tristeza vem
Um encontro
O qual não convém

Inconveniente, não vai embora
E a ansiedade abre a porta
Assenta-se sem demora
Parece não haver hora

Os ponteiros passeiam em círculos
Parecem dar muitas voltas
E a alma afinco em risco
Na mente, jogam conversa fora

A noite é mesmo uma criança?
Só se for perdida, órfã
Na aurora busca a esperança
Falta expectativa, então chora

Vencida pelo cansaço
Une as pálpebras por curto tempo
A rotina a acorda em estilhaço
Levanta e segue carregada pelo vento

Parece não ter fim
Mas não termina aí
Há persistência ruim
Um caos do começo ao fim

Sonha acordada
Queria descansar sua alma
Tudo o que mais lhe falta
É no imo manter-se calma

Seria viável descobrir-se
Reconhecer-se cais
Desvencilhar-se do que é triste
Fazer-se remanso em paz

O amor mora dentro
É preciso desbravá-lo
Somente o conhecimento
Traz sono leve em leito afável

Não há para onde correr
Portanto, adentre-se
Busque o que lhe faz vencer
No autor da vida, concentre-se

Patricia C.

Tema por Elisa Mara - Santa Fé - PR

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Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Fátima Arede: Asas:

Mergulho no meu abismo
Em águas profundas, obscuras
Florestas densas e sombrias
Entre o caos e trevas
Refém de dúvidas e incertezas
Pelejo contra monstros indomáveis
Fui ferida, por espada
Minha alma trespassada!

Batalha inglória!
Apaziguar os meus temores
É a minha vitória!
Reviro os olhos absortos
Pela luz que em mim infunde.
Luz que me fascina
Em mim refletida
Flutuo, revoo, vôo!

- Fátima Arede
Direitos autorais Lei N°9.610/98

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Adélia Prado:

Nenhuma descrição de foto disponível.

Enquanto eu fiquei alegre,
permaneceram um bule azul com 
um descascado no bico,
uma garrafa de pimenta pelo meio,
um latido e um céu limpidíssimo
com recém-feitas estrelas.
Resistiram nos seu lugares, em seus ofícios,
constituindo o mundo pra mim, anteparo
para o que foi um acometimento:
súbito é bom ter um corpo pra rir
e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo
alegre do que triste. Melhor é ser.
.
Adélia Prado
~~
https://www.facebook.com/aromaspoeticasdaalma/

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Maria Angélica Guichard:


Acordei criando poesia e
Senti a energia da alegria
Em sintonia com a harmonia
Deste dia em que a pá-lavra
Que me eleva, lava, releva e
Leva, faz-me notar que há sim
O ofício que flui e até influi sem
Sacrifício, pois vem da alma de
Menina, tal qual a pétala de luz,
Tão pequenina, que nadica de
Importante é e pretende, exceto
Deixar um bom punhadinho da
Sua energia neste dia presente,
Como um presente para gente!
A Guria da Gaúcha Poesia

Quarta Na Usina: Poetisas da Rede: Márcia_Moraes: Minhas ilusões:

Na Terra do Sol Nascente, fui buscar-te em minhas ilusões...
No crepúsculo, as flores caíam das cerejeiras com o sereno 

e molhava as ruelas daquele lugar tão perfeito.
Senti teu perfume atraindo-me como as abelhas pelo néctar da flor.
Mas, foi teu lindo sorriso que prendeu-me 

naquela manhã e nunca mais esqueci da sua ternura... 

Expressada em seus lábios tão sedutores.
Tive que controlar-me para não beijá-los.
Nesse exato momento, entreguei meu coração a você.
Desde então, nunca mais pertenceu-me.
Hoje, ele bate nas esquinas da vida procurando por você...
O tempo todo.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Crônicas de Segunda na Usina: D'ADoutrinadores das Desgraças:

Ao logo de alguns anos, tenho visto muitos apresentadores, cujo são grandes formuladores de opiniões. Esbravejar contra os políticos corruptos, e os desmandos dos partidos aqui na nossa querida Pátria. Como não sei falar sem dar nome aos bois: O Faustão, Luciano Hulk, Carlos Massa, (Ratinho), José Datena, Gugu Liberato, Cersa Filho, entre outros. Porque em vez de esbravejar, seus discursos inúteis, cada um de vocês não abre um canal de acesso nos seus programas ou sites para recolher assinaturas para um projeto de ação popular que tem prioridade na Câmara; Para reduzir o número de deputados para pelo menos cinco, e dois senadores por estado, e acabar com a reeleição tanto no executivo como no legislativo, e por fim nas gordas verbas de gabinete, os cargos comissionados, todas as ajudas de custo, plano privado de assistência médica, passagens aéreas. Etc., etc... Claro que vocês nunca vão fazer isso, pois estariam fazendo lobe contra sua emissoras. e todos nós sabemos que elas gastam fortunas, com doações e lobistas em Brasília. Enquanto isto só nos resta desligar a TV. e torcer para mais um insatisfeito resolva escancarar as comportas da corrupção. E vamos seguindo em frente a cada eleição feito idiotas mudando de políticos e de partidos, sem termos a coragem de mudarmos a forma de fazer política. Lembre-se assim como começa falta água para todos. Um dia vai faltar comprador pros produtos que patrocinam vocês. Ai quem sabe vocês descubram que foram à hipocrisia alardeada pelas suas palavras que levou a nossa Pátria ao holocausto Social. E assim o cordão dos alienados crescem assustadoramente, em uma jamais imaginada e completa alienação, todos nós assistimos ao longo dos anos, aos nobres abutres do congresso nacional, a se digladiarem pelas belas porções da carniça dos recursos públicos. Enquanto as legendas majoritárias com seu apetite voraz subdividem entre se as fatias, mas nobres, as de tamanhos médios se engalfinham entre eles para ver quem vai ficar com a parte maior da carcaça. Já as legendas nanicas de baixo clero, usadas como massa de manobra lá no fosso junto com os que trabalham e constrói esta bela nação. Ficam na esperança que sobre algumas migalhas que lhe sacie a sua fome. Assim vamos tocando a nossas vidas, assistindo a tudo isso com nossas belas bundas gordas e inertes no conforto do sofá da nossa sala de estar, de frente pra TV de “led” de 50 polegadas, comprada em 36 vezes sem juros. Como se existisse o a prazo sem juros, independente destas questões paralelas, mesmo assim, vamos todos nos deliciando com a avenida chamada Brasil as nove pontualmente nos saudando com a sua doce melodia do kuduro. Até quando todos nós vamos continuar com esta demência, em acreditar que algum nobre presidente que venha a nos salva destes incansáveis abutres do congresso que são os quais verdadeiramente governam este país a preço de ouro por cada voto de apoio. Quanto mais escândalos terão de assistir de braços cruzados sem nenhuma reação, diante dos DEMOS...  Da vida, e todos os outros na mesma balada, deslizando com os recursos públicos de cachoeira a baixo. Quando é que nós cidadãos Brasileiros que construímos esta grande pátria, a custa de muito sangue, suor e lagrimas vamos reagir. O STF cumpre seu nobre papel da justiça, sega, surda e muda. Enquanto os seus honorários membros recebem seus gordos soldos, para continuarem a enterrarem fosso abaixo nas obscuras gavetas das injustiças qualquer processo que perturbem o nobre sono dos eleitos. Será que algum dia todos nós vai acordar desta demência política de hipocrisia, e passamos a construir com nossas próprias mãos o futuro que queremos para os nossos filhos netos e de todas as outras gerações que viram. Ou acordamos urgente e agimos ou seremos tragados pelo imenso bom senso dos hipócritas.

"Vivemos em uma república de alienados, e infelizmente todo politico tem a face exata da nação que ele representa."

 

FIM

sábado, 30 de maio de 2020

Domingo na Usina: Biografias: Miguel Reale:

Quarto ocupante da Cadeira nº 14, eleito em 16 de janeiro de 1975, na sucessão de Fernando de Azevedo e recebido em 21 de maio de 1975 pelo Acadêmico Cândido Mota Filho. Recebeu os Acadêmicos Pontes de Miranda e João de Scantimburgo.

Miguel Reale, jurista, filósofo, escritor, nasceu em São Bento do Sapucaí, SP, em 6 de novembro de 1910, e faleceu na cidade de São Paulo em 14 de abril de 2006. Filho do médico italiano Dr. Braz Reale e de D. Felicidade da Rosa Góis Chiarardia Reale.

Bacharel em Direito em 1934, quando publicou seu primeiro livro, O Estado moderno. Doutor em Direito, em 1941, quando se tornou catedrático de Filosofia do Direito, após concurso realizado em setembro de 1940.

Com sua tese Fundamentos do Direito (1940), lançou as bases de sua “Teoria Tridimensional do Direito”, que se tornaria mundialmente conhecida.

Em 1942, foi nomeado membro do Conselho Administrativo do Estado, cargo que exerceu até 1944.

Em 1947 foi Secretário da Justiça do Estado de São Paulo, quando criou a primeira Assessoria Técnico-Legislativa do país, para racionalização dos serviços legislativos.

Em 1949, assumiu a Reitoria da Universidade de São Paulo, instalando os primeiros Institutos Oficiais de Ensino Superior no Interior do Estado, a começar pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Em 1949, fundou o Instituto Brasileiro de Filosofia, do qual foi presidente. Essa entidade congrega todos os pensadores brasileiros e edita a Revista Brasileira de Filosofia, com mais de 60 anos de publicação.

Em 1951, chefiou a Delegação Brasileira junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Genebra, fazendo prevalecer o ponto de vista do Brasil, sobre salário mínimo nas plantações, através de votação em plenário, fato raramente acontecido naquela organização.

Em 1953, publicou o seu Curso de Filosofia do Direito, logo depois vertido para o italiano pelo catedrático da disciplina da Universidade de Bolonha, Prof. Luigi Bogolini, hoje na sua 20ª. edição.

Em 1954, fundou a Sociedade Interamericana de Filosofia, da qual foi duas vezes presidente.

Em 1957, 1959 e 1961 chefiou a Delegação Brasileira aos Congressos Interamericanos de Filosofia de Santiago do Chile, Washington e Buenos Aires, sendo eleito Vice-Presidente desses certames, assim como no realizado em Quebec, em 1967. Foi Presidente do VIII Congresso Interamericano de Filosofia, realizado em Brasília, em 1972.

Relator especial, nos XII, XIII e XIV Congressos Internacionais de Filosofia, realizados em Veneza, México e Viena, respectivamente, em 1958, 1963 e 1968. Vice-Presidente de uma das sessões plenárias do XV Congresso Internacional de Filosofia realizado na Bulgária. Conferencista especialmente convidado pelo XVI Congresso Internacional, de Düsseldorf, Alemanha, 1978, e XVIII realizado em Brighton, Inglaterra, 1988.

Em 1963 foi nomeado novamente Secretário da Justiça do Estado de São Paulo, tendo tomado parte ativa na defesa da autonomia do Estado e do regime democrático.

Em 1969, foi nomeado pelo Presidente Artur da  Costa e Silva para a Comissão de Alto Nível que reviu a Constituição de 1967, desse trabalho resultando, em parte, o texto da Emenda Constitucional nº 1 à  Constituição de 1967.

Colaborou, em 1972, na elaboração do tratado e documentos relativos à criação da Itaipu Binacional, à qual deu, pela primeira vez, a estrutura de “empresa internacional”.

Supervisor da Comissão Elaboradora e Revisora do Código Civil, cujo Anteprojeto se converteu no Projeto nº. 634, depois sancionado pelo Presidente da República pela Lei nº. 10.402 de 10/01/2002.

De 1969 a 1973, foi novamente Reitor da Universidade de São Paulo, onde implantou a reforma universitária e deu definitiva estrutura aos campi da Capital e do Interior, dotando-os de vários edifícios com áreas superiores a 200.000m2.

Em 1974, foi nomeado pelo Presidente Emílio Garrastazu Médici para o Conselho Federal de Cultura, cargo que exerceu durante 15 anos.

Organizador e presidente do II Congresso Brasileiro de Filosofia Jurídica e Social, em São Paulo, em 1986, e dos III e IV Congressos realizados em João Pessoa, em 1988 e 1990.

Organizou e presidiu sete Congressos Brasileiros de Filosofia, com publicação dos respectivos Anais. O primeiro foi realizado, em São Paulo, em 1950, e o VII e último, em João Pessoa, Paraíba, em 2002, sempre com representantes de todos os Estados da Federação e vários pensadores estrangeiros. Foi também de sua iniciativa o VIII Congresso Interamericano de Filosofia, que teve lugar em Brasília, em 1972.

Participou da criação do Instituto de Filosofia Brasileira, com sede em Lisboa, o qual promove o estudo do pensamento luso-brasileiro, através de colóquios que, em Portugal, têm o nome de Tobias Barreto e, no Brasil, o de Antero de Quental. O Colóquio Tobias Barreto, realizado nas cidades do Porto e Viana do Castelo, em outubro de 1996, foi dedicado ao debate das ideias filosóficas, políticas e pedagógicas de Miguel Reale.

A partir de 1998, proferiu conferências sobre o Projeto de Código Civil no Senado Federal, no Superior Tribunal de Justiça, na Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro e na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de São Paulo e, uma vez aprovado o referido código, em dezenas de cidades do País.

O seu pensamento foi objeto de debate do I Colóquio Luso-Brasileiro de Pesquisa Filosófica, realizado no Rio de Janeiro, em 1999.

Realizou conferências e participou de seminários de Filosofia e de Direito em diversas cidades do País.  Colaborou quinzenalmente no jornal O Estado de São Paulo, abordando questões filosóficas, jurídicas e sociais.

Atualizado em 28/07/2016.

fonte de origem:


Domingo na Usina: Biografias: Fernando de Azevedo:

Terceiro ocupante da Cadeira 14, eleito em 10 de agosto de 1967, na sucessão de Antonio Carneiro Leão e recebido pelo Acadêmico Cassiano Ricardo em 24 de setembro de 1968.

Fernando de Azevedo, professor, educador, crítico, ensaísta e sociólogo, nasceu em São Gonçalo do Sapucaí, MG, em 2 de abril de 1894, e faleceu em São Paulo, SP, em 18 de setembro de 1974.

Filho de Francisco Eugênio de Azevedo e de Sara Lemos Almeida de Azevedo, cursou o ginasial no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo. Durante cinco anos fez cursos especiais de letras clássicas, língua e literatura grega e latina, de poética e retórica; e, em seguida, cursou Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito de São Paulo.

Foi, aos 22 anos, professor substituto de latim e psicologia no Ginásio do Estado em Belo Horizonte; de latim e literatura na Escola Normal de São Paulo; de sociologia educacional no Instituto de Educação da Universidade de São Paulo; catedrático do Departamento de Sociologia e Antropologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Professor emérito da referida faculdade da USP.

Foi Diretor geral da Instrução Pública do Distrito Federal (1926-30); Diretor Geral da Instrução Pública do Estado de São Paulo (1933); Membro da Comissão organizadora da Universidade de São Paulo (1934); Diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Paulo (1941-42); Membro do Conselho Universitário por mais de doze anos, desde a fundação da Universidade de São Paulo; Secretário da Educação e Saúde do Estado de São Paulo (1947); Diretor do Centro Regional de Pesquisas Educacionais, que ele instalou e organizou (1956-61); Secretário de Educação e Cultura no governo do prefeito Prestes Maia (1961); redator e crítico literário de O Estado de São Paulo (1923-26), jornal em que organizou e dirigiu, em 1926, dois inquéritos um sobre a arquitetura colonial, e outro sobre Educação Pública em São Paulo, abordando os problemas fundamentais do ensino de todos os graus e tipos, e iniciando uma campanha por uma nova política de educação e pela criação de universidades no Brasil. No Distrito Federal (1926-30), projetou, defendeu e realizou uma reforma de ensino das mais radicais que se empreenderam no país. Traçou e executou um largo plano de construções escolares, entre as quais as dos edifícios na rua Mariz e Barros, destinados à antiga Escola Normal, hoje Instituto de Educação. Em 1933, quando Diretor Geral da Instrução Pública do Estado de São Paulo, promoveu reformas, consubstanciadas no Código de Educação.

Fundou em 1931, e dirigiu por mais de 15 anos, na Companhia Editora Nacional, a Biblioteca Pedagógica Brasileira (B.P.B.), de que faziam parte a série Iniciação Científica e a coleção Brasiliana. Foi o redator e o primeiro signatário do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (A reconstrução educacional no Brasil), em 1932, em que se lançaram as bases e diretrizes de uma nova política de educação. Foi presidente da Associação Brasileira de Educação em 1938 e eleito presidente da VIII Conferência Mundial de Educação que deveria realizar-se no Rio de Janeiro. Eleito no Congresso Mundial de Zurich (1950) vice-presidente da International Sociological Association (1950-53), assumiu com os outros dois vice-presidentes, Morris Ginsberg, da Inglaterra, e Georges Davy, da França, a direção dessa associação internacional por morte de seu presidente, Louis Wirth, da Universidade de Chicago. Membro correspondente da Comissão Internacional para uma História do Desenvolvimento Científico e Cultural da humanidade (publicação da Unesco); um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Sociologia, de que foi presidente, desde sua fundação (1935) até 1960; foi presidente da Associação Brasileira de Escritores (seção de São Paulo). Durante anos escreveu para O Estado de São Paulo.

Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (1944); Cruz de Oficial de Legião de Honra, da França (1947); Prêmio de Educação Visconde de Porto Seguro, conferido pela Fundação Visconde de Porto Seguro, de São Paulo (1964); Prêmio Moinho Santista (1971) em Ciências Sociais. Pertenceu à Academia Paulista de Letras.

Atualizado em 10/07/2017.

fonte de origem:

http://www.academia.org.br/academicos/fernando-de-azevedo/biografia

Domingo na Usina: Biografias: Antônio Carneiro Leão:

Segundo ocupante da Cadeira 14, eleito em 30 de novembro de 1944, na sucessão de Clóvis Beviláqua e recebido pelo Acadêmico Barbosa Lima Sobrinho em 1º de setembro de 1945.

Antônio Carneiro Leão, educador e ensaísta, nasceu em Recife, PE, em 2 de julho de 1887, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 31 de outubro de 1966.

Foram seus pais Antônio Carlos Carneiro Leão e Elvira Cavalcanti de Arruda Câmara Carneiro Leão. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife em 1911. Iniciou uma longa carreira no magistério universitário como professor de Filosofia de 1911 a 1914. Transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde prosseguiu na área da educação, como professor e administrador. Foi diretor geral da Instrução Pública no Rio de Janeiro (1922 a 1926); fundador da Escola Portugal, em setembro de 1924, e das 20 escolas com os nomes das 20 repúblicas americanas, entre 1923 e 1926, no Rio de Janeiro. Autor da Reforma da Educação no Estado de Pernambuco em 1928; foi Secretário de Estado do Interior, Justiça e Educação do Estado de Pernambuco (1929-1930); diretor do Instituto de Pesquisas Educacionais da Prefeitura do Distrito Federal na administração Anísio Teixeira (1934); criador e diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Pedagógicas da Universidade do Brasil.

No magistério universitário, foi professor de Administração Escolar e Educação Comparada na Faculdade Nacional de Filosofia; professor de Administração da Escola do Instituto de Educação do Distrito Federal; professor visitante e conferencista em universidades dos Estados Unidos, França, Uruguai e Argentina e professor emérito da Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil.

Na imprensa, foi colaborador de jornais de Recife, Rio de Janeiro e São Paulo; fundador e diretor de O Economista, de 1920 a 1927; redator de Autores e Livros, suplemento literário de A Manhã e colaborador de revista especializadas em educação e sociologia.

Membro correspondente do Institut de France e doutor honoris causa pela Universidade Autônoma do México; membro honoris causa de universidades argentinas e de várias instituições latino-americanas; oficial da Legião de Honra da França e da Ordem do Leão Branco da Tchecoslováquia, era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto de França, da Real Academia Espanhola, da Academia das Ciências de Lisboa e de inúmeras outras associações acadêmicas internacionais.

Segundo ocupante da cadeira 14, foi eleito em 30 de novembro de 1944, na sucessão de Clóvis Beviláqua, e recebido pelo acadêmico Barbosa Lima Sobrinho em 1º de setembro de 1945.

fonte de origem:

http://www.academia.org.br/academicos/antonio-carneiro-leao/biografia

Domingo na Usina: Biografias: Clóvis Beviláqua:

Fundador, cadeira 14

Clóvis Beviláqua, jurista, magistrado, jornalista, professor, historiador e crítico, nasceu em Viçosa, CE, em 4 de outubro de 1859, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 26 de julho de 1944.

Filho de José Beviláqua, que foi deputado provincial muito tempo, e de Martiniana Aires Beviláqua. Iniciou os estudos na cidade natal, ingressando, em 1872, no Ateneu Cearense. Daí transferiu-se para o colégio oficial de Fortaleza, em 1875. No ano seguinte, com 17 anos, embarcou para o Rio de Janeiro, onde prosseguiu nos estudos frequentando o Externato Gaspar e o antigo Mosteiro de São Bento, concluindo os preparatórios juntamente com Paula Ney e Silva Jardim. Em 1878, embarcou para Recife, iniciando os estudos jurídicos na renomada Faculdade. Com Martins Júnior, começa a publicar o folheto Vigílias Literárias e, a seguir, o jornal A Ideia Nova. Ambos trabalharam no jornal República, nos folhetos EscalpeloEstenógrafo e O crime de Vitória. Ao concluir o curso, em 1882, foi escolhido para orador da turma.

Iniciou a carreira de magistrado, em 1883, ao ser nomeado promotor público de Alcântara, no Maranhão. No jornalismo, fez campanha pela República e, após a proclamação, foi eleito deputado à Assembleia Constituinte pelo Ceará. Foi a primeira e a última vez que ocupou uma posição política. Com a República foi nomeado professor de legislação comparada da Faculdade de Direito do Recife.

Em 1884, prestou concurso para professor de Filosofia da Faculdade de Direito do Recife. Iniciou, então, a série de obras jurídicas que o credenciariam perante o país para desincumbir-se da missão que lhe foi atribuída pelo Presidente Campos Sales, em 1899, convidando-o a elaborar o anteprojeto do Código Civil Brasileiro. Veio para o Rio de Janeiro em março de 1900 e, em outubro do mesmo ano, terminava a sua obra.

Em 1906, o Barão do Rio Branco nomeava-o consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores, onde se manteve até 1934. Em 1920 foi convidado a fazer parte do Comitê dos Juristas no Conselho da Sociedade das Nações. Não podendo se ausentar do país, enviou um projeto de organização da Corte de Justiça Internacional, colaborando, assim, no importante convênio. Continua publicando outros livros de literatura e direito, sobretudo os Comentários ao Código Civil, em seis volumes. Em obras especiais estuda diversas partes do Código: Direito da Família, Direito das Obrigações, Direito das Cousas.

Em 1889 foi convidado por Epitácio Pessoa, Ministro da Justiça do Presidente Campos Salles, para elaborar o Ante-Projeto do Código Civil Brasileiro. Ainda pouco conhecido, veio para o Rio de Janeiro em março de 1900 e em outubro do mesmo ano fez entrega da obra.

A matéria teve longa tramitação no Congresso Nacional durante a qual Rui Barbosa apresentou parecer criticando a linguagem do projeto, que foi rebatido pelo filólogo Carneiro Ribeiro. Clóvis Beviláqua, em várias ocasiões, defendeu os princípios de seu ante-projeto. As alterações feitas no ante-projeto durante a tramitação parlamentar, em muitos casos, o modificava.

Após dezesseis anos de discussão, o Código Civil Brasileiro entrou em vigor em 1º de janeiro de 1917.

Em 1906, o Barão do Rio Branco nomeava-o consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores, onde se manteve até 1934. Em 1920 foi convidado a fazer parte do Comitê dos Juristas no Conselho da Sociedade das Nações. Não podendo se ausentar do país, preparou projeto de organização da Corte Permanente da Justiça Internacional. Publicou outros livros de filosofia e direito, sobretudo os Comentários ao Código Civil, em seis volumes. Em obras especiais estuda diversas partes do Código: Direito da Família, Direito das Obrigações, Direito das Cousas.

Em 1930 D. Amélia Freitas Beviláqua, esposa de Clóvis Beviláqua, se inscreveu à vaga de Alfredo Pujol. O presidente Aloysio da Costa encaminhou a matéria ao plenário, que, após amplo debate, decidiu que a expressão estatutária “brasileiros”, significava  apenas pessoas do sexo masculino e a inscrição  foi negada.

Em consequência, Clóvis Beviláqua se afastou em definitivo da Academia, apesar de vários apelos feitos posteriormente.

Em 1942, seu nome foi incluído no “Livro do Mérito” e, no ano seguinte, o seu busto inaugurado em praça pública.

Recebeu o acadêmico Pedro Lessa.

fonte de origem:

http://www.academia.org.br/academicos/clovis-bevilaqua/biografia

Domingo na Usina: Biografias: Franklin Távor:

Franklin Távora (João Franklin da Silveira Távora), advogado, jornalista, político, romancista, teatrólogo, nasceu em Baturité, CE, em 13 de janeiro de 1842, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 18 de agosto de 1888. É o patrono da cadeira n. 14, por escolha do fundador Clóvis Beviláqua.

Era filho de Camilo Henrique da Silveira Távora e de Maria de Santana da Silveira. Fez os primeiros estudos em Fortaleza. Em 1884 transferiu-se com os pais para Pernambuco. Fez preparatórios em Goiana e Recife, em cuja Faculdade de Direito matriculou-se em 1859, formando-se em 1863. Lá viveu até 1874, tendo sido funcionário, deputado provincial e advogado, com breve intervalo, em 1873, no Pará, como secretário de governo. Em 1874, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde viveu como funcionário da Secretaria do Império. Foi jornalista ativo, redigindo A Consciência Livre (1869-1870) e A Verdade (1872-73).

Iniciou a vida literária ainda estudante. No que se pode chamar a sua fase recifense, publicou os contos da Trindade maldita (1861); os romances Os índios do Jaguaribe (1862); A casa de palha (1866); Um casamento no arrabalde (1869); os dramas Um mistério de família (1862) e Três lágrimas (1870).

No Rio de Janeiro, teve influência na vida literária, fundando e dirigindo, com Nicolau Midosi, a Revista Brasileira (2ª fase), de que saíram dez volumes de 1879 a 1881. Ao mesmo tempo, inicia uma fase de reconstituição do passado pernambucano, marcadamente regionalista, tanto na ficção quanto na investigação histórica. Fez cerrada campanha contra José de Alencar, por não concordar com o seu romantismo idealista. É tido como um dos precursores do Realismo, embora os seus romances ainda sejam grandiloquentes e românticos. No romance O sacrifício (1879), são evidentes as concepções naturalistas. Intérprete literário de um regionalismo que se vinha exprimindo ideologicamente desde o início do século, defendeu o que chamava uma literatura do Norte, em oposição a uma literatura do Sul, considerada cheia de estrangeirismos e antinacionalismo. Pseudônimos: Semprônio e Farisvest.

Fundou a Associação dos Homens de Letras e foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

fonte de origem:

http://www.academia.org.br/academicos/franklin-tavora/biografia

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Sexta Na Usina: Poetas da Rede: António Ramalho: amor:

amor

Só tu e eu

Só tu e eu,
onde quero estar,
devia ser o que confirmar,
o amor que se aproximou.

O que é meu,
que nunca tinha visto dançar
tanto quanto o teu olhar me tirou o fôlego,
que não há uma mulher tão bela,
ao teu amor
que dançou em mim,
na morada que sou,
para dizer onde estava o nós,
que não acreditaste em mim.

A maneira de ver a verdade,
que diz que nunca esquecerei o dia,
ao dia em que te vi,
que se tornou amor na questão,
de nunca ninguém ter brilhado como tu,
no significado da expressão.

Só tu e eu,
que somos o postal do amor,
onde está o brilho
que se tornou a alma,
ao momento porque nunca esquecera
a maneira como vives
por falares o que sentes,
que é o desejo onde tropecei
ao olhar para ti.

Ficámos onde não está o tempo.

O tempo como sinal,
que perdi por não te ter,
ao meu lado que sei perguntar,
são os dias por dizer.

Nas lágrimas
que se lembraram de acordar,
saiu a imaginação
a ofereceu a dor
ao porquê que nunca disseste.

A verdade que for aparecer
nas flores que o tempo enviou,
era o desejo do teu beijo
à minha vida que somos,
o que queira saber o tempo,
ao que foi o amor.

Sem ti,
a saudade revelou a realidade,
ao lugar que se tornou
o que não explica,
que as flores secaram
nas palavras como coincidência
ao porquê da tua ausência.

As flores de ninguém,
disseram o teu nome,
na chama que apagou a esperança.

Na distância do céu
que me chama,
é a raiz que não é,
ao momento de amor que descobri
o que poderá perguntar
o que não queria,
que é a minha vida
sem as tuas palavras de amor,
a levar o meu caminho
de quem será
porque foi encenar a solidão.

Em cada passo a chamar a ação,
eu e tu,
na paixão que procurou a vida,
terá as lágrimas que são palavras.

Quando morrer,
levo da vida a dor,
ao verbo que é um sentido
que talvez seja o que disse o tempo.

Na vida que pensava ter,
vive um desejo na fronteira da liberdade.

A razão que não permitiu
que vivesses ao meu lado
ficou no portão do sempre.

Sem ti,
não consigo perceber o que o amor é.

Porque não posso esquecer
a tristeza de não te ter,
de saber que sou apenas
um olhar na luz que deveria tocar.

Sem ti,
não posso mais caminhar
no mundo que se desvanece.

A lua em fogo no céu enorme,
chora na tristeza
que tocar o que não aparece.

Queria estar no teu caminho,
queria ficar em ti,
à espera das estrelas,
no sol que está a nascer.

Eu não possa viver a vida no mistério.

Perdi-me um dia nos teus olhos
e no teu abraço,
senti elevar-me ao céu
no amor que chamou por nós.

Não sei o porquê,
mas não consigo negar o que senti,
que apareceu sob destino
esculpido no teu corpo.

Não serei encontrado
para compreender a chave…

Nos teus olhos disse existir,
o que só precisava de estar.

António Ramalho
(Direitos de autor reservados)

Sexta Na Usina: Poetas da Rede: Osvaldo Teles: A luz do final do túnel:

A luz do final do túnel projeta solidão

Sou tomado por um temor inevitável
De permanecer nesta estadia solitário
A memória tendo lapsos involuntários

Contínuo veloz a cada passada dada
Não consigo nem olhar para os lados
Não vejo a beleza exposta à margem
Contudo sigo firme no meu propósito

Ouço a voz do vento freneticamente
Segui escutando a sua triste canção
Por vezes tentei ficar muito contente
Quero que o espírito cante em júbilo

É que dá para ouvir nesta existência
Busquei encontrar o teu braço amigo
Unidos iríamos para nossa aventura
Contenda encontraríamos na jornada

Se cada um seguisse o seu caminho
Não deu para levar o peso castigava
Perdida ficará as almas na imensidão
Querendo encontrar sua alma gêmea

Osvaldo Teles

Sexta Na Usina: Poetas da Rede: Silva o poeta:

Descrevi para ti meu amor Um 

d'meus grandes desejo,
Que é ser teu óh minha flor
O meu primeiro doce beijo.

Que nessa singela cartinha
Onde com carinho escrevo,
E a desenhar em cada linha
O que será um doce apego.

Com desvelo e muita atenção
Que tu leia eu bem que espero,
Para que não me digas um não
Pois tu sabes o quanto te quero.

És um querer maior que o infinito
Que faço d'teu riso luz d'meu dia,
Desse amor colossal mais bonito
Pois não existirá coisa d'maior valia.

Silva o poeta
21/05/2020