
Escravo—não, não morri
Nos ferros da escravidão;
Lá nos palmares vivi,
Tenho livre o coração!
Nas minhas carnes rasgadas,
Nas faces ensangüentadas
Sinto as torturas de cá;
Deste corpo desgraçado
Meu espirito soltado
Não partiu—ficou-me lá!...
Se de hum quadrado
Fizer hum ôvo
N'isso dou provas
De escriptor novo.
Sobre as abas sentado do Parnaso,
Pois que subir não pude ao alto cume,
Qual pobre, de hum Mosteiro á Portaria,
De trovas fabriquei este volume.
Vasias de saber, e de prosapia,
Não tractam de-Ariosto ou Lamartine
Nem recendem as ternas ambrosias
De Marsyas, Lamiras e Aritine.
Sam rithmas de tarello, atropeladas,
Sem metro, sem cadência e sem bitola,
Que formam no papel um ziguezague,
Como os passos de rengo manquitóla.
Grosseiras producções d'inculta mente,
Em horas de pachorra construídas;
Mas filhas de hum bestunto que não rende
Torpe lisonja ás almas fementidas.
O desejo de velar teu sono
Embalar teus sonhos
Aquecer teu corpo
Acalentar tua alma
Ser teu ensejo de existência
Ter a paciência de te esperar.
Com o resplandecer dos teus olhos
A alegria dos teus sorrisos
Que é o néctar do meu viver.
Há coisas que entram em sua vida
Feito tempestade em fúria.
Abala toda a sua estrutura.
E termina feita brisa leve
Sem deixar vestígios.

Na
videira dos meus sonhos
A uva a
destacar, Você a me acompanhar
Nos
melhores aromas e doçura
Deixamos
o tempo voar
Nos
nossos espumantes sentimentos
Em grandiosa
celebração
De
união paz amor e alegria
No
sorriso contagiante brilhando
Perto
as garrafa dos vinhos o branco a suprir
A
pureza, leveza e o encanto que vem de ti
Nas
mãos as taças de cristais toca uma na outra
Sintonizando
carinho afeto e prazer
Sua mão
ao acariciar meus lábios roses rosado
Satisfeita
ao degustar os vinhos tintos
No
sabor de seus beijos a misturar doçura
No fino
nobre especial momento
No seco
vinho a totalidade e ampliação
No meio
seco equilíbrio do nosso amor em ação
Na
suavidade de sua delicia a arrebatar
Você e
Eu apaixonados brindamos o nosso amor.
Tânia
Melo

O amor
é delicado como asas de borboletas.
Um
vento forte demais esgarça a trama e a sutileza de suas cores.
O amor é sensível tal como as antenas da borboleta que percebe
afrontas e rumores de morte, e em qualquer terreno
impróprio, desmaia e se esvai.
O amor é uma borboleta frágil e indefesa. Ferida em lugar inóspito, moribunda,
anseia a mão que a salve, o coração bondoso que acolha,
o jardim que
lhe sare das agruras vividas.
O amor nasce e morre todo dia, feito a pequena borboleta machucada,
com asas
dilaceradas, olhos inertes, cores desbotadas...
O amor morre na dor da inospitalidade, mas renasce em um outro jardim,
numa outra
flor, noutras mãos e no coração de quem sabe quanto é terno o amor,
Leve e
raro, como asas de borboletas em dia azul claro.
O amor
é uma borboleta, dengosa,
E
há de se ter por ele, imenso cuidado
Para
que renasça sempre em lugar apropriado.
Paula
Belmino

Meu
pedaçinho de chão
Aqui
come-se o peixe fresquinho
sem muito se preocupar
Com o tal de agrotóxico
Pra
nossa saude tirar
Vantuílo
Gonçalves
Trovas
é seu alimento
Espalha
sua arte no ar
Aqui
neste momento
É a
vontade de um peixe pescar
Angélica
Gouvea

E Com o
covid
A gente
apreende
1-Que o
outro é tão importante
Quanto
o eu
2-Que
todo velho merecem o amor
e
cuidado que o mundo esqueceu
3-Que
olhar para o vizinho e saber que ele está bem alivia também
4-Que
apesar de todo caus
O bem
sempre vence o mal
5-Que o
simples hábito de lavar as mãos pode salvar vidas
6-Que
devemos agir com muita responsabilidade nesta vida
7-Que
dividir não nos faz
mais
pobres
Dividir
nos faz nobres
8-Que a
nossa família deve ser amada e preservada sim
9-Que a
nossa casa não é
tão
ruim assim
10-Que
o altruísmo funciona
Melhor
que o egoísmo
11-Que
o homem agora
credita
no invisível
12-Que
o ter sempre estará em crise
Mas o
ser supera qualquer crise
13-Que
o sangue gay
Aceito
na pandemia
Nos
indaga não só a irônia
Mas a
falta de tecnologoa
14-Que
ficar em casa é um caminho para o autoconhecimento
15-Que
não poder conviver
É um
tormento
16-Que
quem não evolui com amor
Evolui
com a dor
17-Que
a nova guerra não se
Combate
com armas na mão
Mas com
ciência,saúde e educação
18-Que
ser humano é ser solidário
E
cuidar da natureza
Não nos
custa nada
Mas destrui-la
Nos sai
muito caro
19-Que
o homem destrói
Muito
mais do que constrói
Que os
verdadeiros heróis
Não
usam capas
Não
joga bola
Não
fazem show
Nem tem
altos cargos
Não tem
rosto bonito nem feio
Nem
carregam malas cheias
de
dinheiro
Os
verdadeiros heróis
Salvam
vidas com suas vidas
E usam
máscaras
No
mundo inteiro
Lusilene
Loura

A fome vem dos homens
Não da moral, nem da ética,
Nem da cibernética,
Tão pouco dos deuses;
A fome vem dos homens
Sem dignidade
Mascarados, brutais,
Infames...
A fome não tem nome
Não tem cara, nem cor,
Nem sobrenome,
Não tem forma, nem endereço,
Quando chega
Sem pedir licença
Instala-se de mansinho
Faz seu ninho
No peito, na barriga, no sexo,
Na alma do sujeito
Tira seu proveito e vai embora
Deixando em seu lugar
Um buraco negro: O MEDO,
Infinito, insaciável,
Voraz.
* O poema: "A fome vem dos
Homens", faz parte do blog Mil Poemas pela Democracia-2019/2020.
Ilustração: Internet.
**Todo respeito aos direitos
autorais dos meus poemas.
Maceió, 26 de Junho de 2020.
(poema escrito em 23/06/2015).

Poetar!... Transcender o corpo
físico...
Incorporar a alma de um
querubim!...
Ah! Poetar... Jogar o tempo ao
infinito.
Viver resignado o ardor de uma
quimera...
Sentir o lumiar em prosas e
versos...
Poetar!... Amear o vernáculo na
sua intensa pureza.
Bastar como as querubinas de
agora!...
Ah! Poetar... Ser
incondicionalmente oração...
Abrir os chacras e viandar além
do tangível e do intangível...
Soltar o espírito a outrem sem
indignação...
Poetar!... Ser um humano, sendo
total... integrar partes...
Paradoxo?... Esta é uma das
essências!... Levante à interpretação!...
Ah! Poetar... Passear de mãos
dadas pelas ruas sem preconceitos... tomar um sorvete...
Adjudicar ao próximo a próxima
reflexão...
Ser e estar em si como um invasor
alentador...
Poetar!... Ouvir o som do
universo em sintonia...
Tornar vivo o pálido e
transformá-lo em audaz...
Ah! Poetar... Não ver... Mas
sentir a gota do orvalho a alimentar...
Assim verás o orvalho a acamurçar
a flora, numa visão estonteante...
Ser brisa, mar, rios e o deserto
como uma sinfonia uníssona...
Poetar!... Viver um idílio e
codificá-lo ao mundo sem medo...
Orar a força do amor, sem se
importar com o por vir...
Ah! Poetar... É não mensurar, é
deixar ao encargo da brisa...
É permitir à métrica a
liberdade... As rimas ao sabor dos sentidos em comboio evolutivo...
É estar sempre descontente ao ver
uma folha de papel em branco...
FERNANDO LEAL.

Melhor caminhar descalço pelo
deserto,
Na esperança que encontrarás um
oásis...
Melhor nadar mar aberto
na certeza de um porto seguro...
Do que pensar ter o mundo aos
teus pés,
Pois que então, saberás do vazio
!
ecc Alkontar

Quando temos um sonho à realizar temos que encarar os desafios,
lutar por ele e assim conseguimos concretizar o que sonhamos...
Meu sonho é você...
Queria te ver
Mesmo que seja por instantes
Queria te tocar
Para sentir sua pele aveludada
Queria só um beijo
Assim me sentiria o mais feliz
dos mortais.
Como não posso
Te ver, te tocar ou te beijar
Só me resta sonhar.
Sonhar em estar ao seu lado
Como era antigamente
Quando a gente dançava coladinho
Ao som das ondas
Em noites enluaradas
A beira mar.
Ah, que saudades
Dos tempos de outrora
Agora só resta a solidão
Ao vagar pelas noites
Boemias pensando em ate ver
Ai me ponho a sonhar acordado
Meu sonho é você...
Djalma Pinheiro
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Meu dia belíssimo despertou
Da minha cama me levantei
Na árvore o pássaro cantou
Ouvir o canto me emocionei
Fico ali sentado muito quieto
Não tenho nenhuma pressa
Contrito só olhava para o teto
Levanto-me uma hora dessa
Coloco na cabeça o chapéu
Com o meu coração partido
Elevo o pensamento ao céu
Para suturar um peito ferido
Sigo firme na direção certa
Quero abraçar a felicidade
Partilhando a ideia concreta
De espalhar a fraternidade
Vou muito feliz pela estrada
Cantarolando nossa canção
Seguindo com minha amada
Absorvendo toda a emoção
Osvaldo Teles
Eu
vejo o mundo, assim o mundo eu vejo.
Sob o falso
brilho dos azulejos.
Azulejos de
paredes tortas de colunas pensas.
Eu vejo o
mundo que não pensa.
Um mundo que
não admite seus erros
Mas ninguém vê
o mundo como eu vejo.
Um mundo de
hipocrisia e de agonia
Olha como eu
vejo mundo.
Um mundo ao
qual espero
Que um dia
você também veja.
Um mundo feito
caranguejo
Que só anda
prá trás sem contar desejos.
Assim o mundo
eu vejo...
O tempo que muda o tempo todo.
Todo o tempo muda todos
Com a precisão do tempo.
Todos querem mudar o tempo
Sem perceber que o tempo
Não tem tempo de esperar um tempo.
Eu tenho o tempo
Que o tempo me dá de tempo.
Fugindo do tempo, não tenho eu tempo
Para saber o tempo que me resta.
Vivemos e morremos o tempo todo.
Afinal é o passar do tempo
Que nos tira o tempo que nos resta.
Desculpe, preciso de tempo
Para refletir sobre como recuperar o tempo.
Pois andei perdendo tempo,
Tentando ganhar tempo,
Para não mais perder meu tempo,
O tempo todo.
Se
te comparo a um dia de verão
És
por certo mais belo e mais ameno
O
vento espalha as folhas pelo chão
E
o tempo do verão é bem pequeno.
Ás
vezes brilha o Sol em demasia
Outras
vezes desmaia com frieza;
O
que é belo declina num só dia,
Na
terna mutação da natureza.
Mas
em ti o verão será eterno,
E
a beleza que tens não perderás;
Nem
chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas
linhas com o tempo crescerás.
E
enquanto nesta terra houver um ser,
Meus
versos vivos te farão viver.