sexta-feira, 12 de março de 2021

Contos do Sábado na Usina: Camilo Castelo Branco:

 


P. S.

Com os subsídios ministrados pelo cura de Caldelas compus esta narrativa, espraiando-me por acessórios do duvidoso bom senso, cuja responsabilidade declino dos ombros daquele discreto sacerdote. Tudo que neste livro tem bafio de velhas chalaças, ironias e sátiras é meu; e, se alguém por isso me arguir de pouco respeitador do vício e da tolice, retiro tudo.
Se o meu condescendente informador me permite, ouso dizer-lhe – para nos esquivarmos ambos às insídias da crítica portuguesa – que a demência de Marta não é extremamente original nem o meu romance uma singularidade incontroversa. O que, sem disputa, é original, é duvidar eu de que o sou.
Num Conto de Charles Nodier, autor remoto que se perde no crepúsculo da literatura arqueológica, há uma LÍDIA que endoideceu quando o marido, um barqueiro de limpo nascimento e generosa índole, pereceu num incêndio salvando três crianças e sua mãe.
Lídia enlouquece e cuida que seu esposo está no Céu de dia e a visita de noite. Ela, desde o repontar da aurora, sai ao jardim, e colhe flores para o brindar quando ele desce do azul com asas de penas de ouro. Ao cabo de seis anos deste sonhar delicioso, a ditosa doída, quando andava a recolher as flores dilectas para o bouquet das núpcias com o anjo de cada noite, sentou-se em dulcíssima sonolência e expirou.
As analogias de Lídia e Marta frisam pela visão dominante na demência de ambas – uma espécie de ressurreição do amado. No que elas diversificam essencialmente é que uma sonhou seis anos e a outra vai no trigésimo sétimo da sua demência; Lídia sonhou absorvida na sua ideal aliança com um celícola, um bem- aventurado com asas de ouro; Marta quando imerge alucinada no seu letargo, é a paixão leal ao amado sempre vivo na terra e no seu coração. Lídia passa as noites em amplexos do marido celestial; Marta, sem consciência da sua vida orgânica, tem cinco filhos, corno se arrancasse de si a porção ignóbil de seu ser e a rejeitasse ao sevo sensual do marido, ressalvando a alma dessa inconsciente materialidade. Quer-me, portanto, parecer que não há nódoa de plagiato no meu livrinho – uma coisa original como o pecado.
O leitor pergunta:
– Qual é o intuito científico, disciplinar, moderno, deste romance? Que prova o conclui? Que há aí proveitoso como elemento que reorganize o indivíduo ou a espécie?
Respondo: Nada, pela palavra, nada. O meu romance não pretende reorganizar coisa nenhuma. E o autor desta obra estéril assevera, em nome do patriarca Voltaire, que deixaremos este mundo tolo e mau, tal qual era quando cá entrámos.
São Miguel de Seide, Dezembro de 1882.

quinta-feira, 11 de março de 2021

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Adalberto Silva:

 


Luar formidável

Encanto sublime

Palavras fogem

Natureza comanda

Momentos perfeitos

Uma ira de elogios em sua direção

Me conecta a este lindo luar

Em forma de amor

Linda e meiga

Mágica e sedutora

Hipnotizadora de almas

Uma sublime senhora !

Adalberto Silva

Brasil

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Marcos Vila Real Rodrigues:

 


.Acadêmico:(Imortal) Marcos Vila Real Rodrigues

.Patrono: Waly Salomão.

.Cadeira: 04.

.Prisioneiro nos cinco sentidos.

.Em mundo imaginário.

.Observando os reflexos.

.Nas miragens de um vidro.

.Como se fosse...um peixe de aquário.

.Atrás das lentes...fotografando o bizarro.

.Em Shopping Center...atrás das vitrines.

.Imagens se modificam em segundos.

.Paranoia de uma vida corrida.

.Te peguei parada no tempo.

.Em uma pose de fotografia.

.Os tempos porém eram outros.

.Falavas comigo!!...e sorria.

.Um clique enfim em segundos.

.Eternizou sua passagem no tempo.

.Hoje em um quadro de parede.

.Seu sorriso marcou este evento.

.Diante de muitas lembranças.

.Viajas comigo...noite e dia.

.Ao lado do para brisa do carro.

.No lugar que me fazias companhia.

.Dentro de um porta luvas fechado.

.Misturada com versos e poesia.

.levo a sua imagem.

.Na cópia da fotografia!!!

(Prisioneiro) Autor Marcos Vila Real Rodrigues.

.Comunidade Dos Poetas Ocultos.

http://academia-mundial-de-cultura-e-literatura3.webnode....

.Direitos autorais reservados e preservados.

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Daniel Mello:

 


Poesia - Descomposta Gisela

Em teu rosto delicado de anjo,

Vejo o batom e o rímel

Esconder tua face de menina .

Em teu olhar vejo a janela de sua alma,

Repleto de cores e encantos,

A pureza de mulher.

Descomposta Gisela,

Eres para mim uma musa

A Gisele Bunchen da poesia,

Com seu andar de gazela.

O vermelho de sua boca,

É sua marca preferida,

E o tom castanho de teus olhos

São repletos de encanto e magia .

Descomposta Gisela,

A menina que virou musa

A doce inspiração

Ao Amante das Palavras.

Autor O Amante das Palavras

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Luciano Austrelino:

 


ALDRAVIA

doce

olhar

essência

ternura

eterna

timidez

Luciano Austrelino

MEMÓRIAS POÉTICAS

Sexta na Usina: Poetas da Rede: gustavo drummond:

 


POR  AMOR-

Lua  curiosa, cheia

finge  nada ver;

nós nos amando

perdidos, ousados.

Sangue ferve na veia,

tudo pode acontecer,

Climax do clima girando,

Tremores,  prazer irado.

Vida em alude avassalador,

Carícias atrevidas; bem-vindas,

Eu em transe; você linda.

Creio ser isso coisa do amor.

(gustavo drummond)

Sexta na Usina: Poetas da Rede: enrique Inocencio:

 


A PENA

Quando você de uma asa caiu

No meu pensamento surgiu

A arte de escrever poesia

De repente um toque no meu coração

Era Deus me dando iluminação

Para usar a pena e um pote de tinta

E rabiscar uma poesia sucinta

Na Estação da Poesia encontrei minha pena

Alí na plataforma a espera do trem

Achei  o que eu precisava para viver bem

Você era a peça que eu tanto precisava

Enquanto a minha mente poetizava

Quando olho para você

Me vem a inspiração de escrever poesia

És minha pena do dia a dia

Até parece que a muito tempo eu já te possuía

Com minha pena

Um pote de tinta

E minha agenda

Viajo no túnel do tempo

Passeio pela a Grécia e vejo as mulheres de Atena 

cuidando dos seus maridos com suas sirenas

Henrique Poesia

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Airton Reis Reis:

 


ARTE UNIVERSO

Viver.

Valores.

Dimensão.

Vida. Cores.

Aves. Frutos.

Peixes. Paisagens.

Regionalidades. Imagens.

Natureza. Meio Ambiente.

Criador. Criação. Beleza. Tela.

Semelhanças. Criaturas. Seres.

Harmonia. Terra. Plástica Expressão!

Poesia Airton Reis Reis

Tela Adriano Figueiredo Ferreira

Em Cuiabá-MT, 11 de Março de 2021.

Sexta na Usina: Poetas da Rede: MAINOR OU CHAVARRIA B:

 


TÍTULO: CALMA CORAÇÃO

AUTOR: MAINOR OU CHAVARRIA B

PAÍS: COSTA RICA

Não me desafie coração

Não tente minha alma,

O suficiente com a pena que carrega

com o silêncio deste amor.

Não encha minha mente de ilusão.

já perturbada com a imagem de

sua amada.

Nem invadas de falácias meus sonhos,

que com ela não há esperança.

Não perturbe minha existência,

acalma a tua algarabía,

palpite lentamente para que eles curem.

suas feridas.

Deixe o tempo passar e aplaque.

essa dor,

da pena sofrida da rejeição

deste amor.

Tenha calma e veja!

Um dia chegará sua primavera.

Onde a rosa mais linda você encontrará

e encherá de felicidade os seus dias.

Mas por enquanto!

Só palpite para subsistir,

me deixando viver em paz,

Não quero saber nada de amar.

mesmo que ela seja minha maior inspiração,

e você vê meu tormento

quarta-feira, 10 de março de 2021

Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo:

 


Opera de Dor

Do alto da minha ignorância proclamada.

Vejo a benevolência dos hipócritas

Estendida à incompetência do ser.

 

Vejo as nuvens de fumaça

A sobrevoar a praça

Onde a tristeza passa.

 

Vejo a desgraça alheia

Entre as meias verdades e poucas mentiras

Vejo a alegria oculta e vazia.....

poema na Integra no Livro:

"O Grito da Alma"

Poesia de Quinta na Usina; D'Araújo:

 


Todos os dias 

Vamos dar gargalhadas de alegria

Desse bando de hipocrisia

E expor a nossa agonia de cada dia

Mesmo que tardia

 

Mas quem sabe um dia

Teremos dias de alegria

E como poesia

Um amanhecer de um novo dia

Que nos traga a felicidade......


Poema na Integra no Livro:

 "O Grito da Alma"

Poesia de quinta na Usina; D'Araújo:

 


Caatinga

Na caatinga eu nasci

Na caatinga me criei

Na caatinga eu vivi

Mas depois que de lá eu saí.....


Poema na integra no Livro:

"O Grito da Alma"

Poesia de Quinta na Usina: Augusto dos Anjos:

 




SONETO

A orgia mata a mocidade, quando Rugem na carne do delírio as feras, 
E o moço morre como está sonhando Nas suas vinte e cinco primaveras.
Em cima -- o oiro sem mancha das esferas, Em baixo oiro manchado de execrando 
Festim de sibaritas, de heteras Lubricamente se despedaçando!
Em cima, a rede do estelário imáculo Suspensa no alto como um tabernáculo 
-- A orgia, em baixo, e no delírio doudo
Como arvoredos juvenis tombados Os moços mortos, os brasões manchados,
E um turbilhão de púrpuras no lodo!

Poesia de Quinta na Usina: Augusto dos Anjos:

 




SONETO

E ele morreu. Ele que foi um forte Que nunca se quebrou pelo Desgosto Morreu... 
mas não deixou na ara do rosto Um só vestígio que acusasse a Morte!
O anatomista que investiga a sorte Das vidas que se abismam 
no Sol-posto Ficaria admirado do seu rosto
Vendo-o tão belo, tão sereno e forte!
Quando meu Pai deixou o lar amigo 
Um sabiá da casa muito antigo, 
Que há muito tempo não cantava lá,
Diluiu o silêncio em litanias...
E hoje, poetas, já faz sete dias 
Que eu ouço o canto desse sabiá!

Poesia de quinta na Usina; Augusto dos Anjos:



VAE VICTIS

A Dor meu coração torça e retorça E me retalhe como se retalha 
Para escárnio e alegria da canalha Um leão vencido que perdeu a força!
Sobre mum caia essa vingança corsa, Já que perdi a última batalha!
E, enquanto o Tédio a carne me trabalha, A Dor meu coração torça e retorça!
Cubra-me o corpo a podridão dos trapos! Os vibriões, os vermes vis, os sapos 
Encontrem nele pábulo eviterno...
-- Repositório de milhões de miasmas Onde se fartem todos os fantasmas, 
Primavera, verão, outono, inverno!


Poesia de Quinta na Usina: Laurindo Ribeiro:

 


 

V

 

E desde então existo, mas não vivo;

 

Só tenho sentimento

 

Nesse elo fatal por onde a vida

 

Se prende ao sofrimento.

 

Vi na infância relâmpago afogado

 

Em negra escuridão;

 

De amor nas breves ditas vil mentira,

 

Na glória uma ilusão.

 

Eis porquê, dos prazeres desquitado,

 

O rosto em pranto inundo;

 

Tudo odeio, e pareço desposado

 

Com seres doutro mundo.

 

E na verdade o estou: pena minh’alma

 

Nas sombras da amargura...

 

Homens! fugi de mim; não vos pertenço —

 

Sou outra criatura.

 

Poesia de Quinta na Usina: Laurindo Ribeiro:

 


IV

 

Outro fantasma, a glória,

 

Da passada visão invade o posto.

 

Pelos mares risonhos da esperança

 

Ao batel do desejo abrindo as velas

 

Minh’alma foi buscá-lo.

 

De pintor bem falaz condão tem ele

 

Muito para temer; do entusiasmo

 

Nas lavas do vulcão acende o facho,

 

Que os desenhos lhe aclara: esposa amante,

 

Dá-lhe, a imaginação, seus cofres todos,

 

Donde tira estampas que copia

 

Nas telas do futuro. De seus quadros

 

Na beleza enlevada a viajante

 

Navega sem sentir.

 

Eis ponto negro

 

No azulado horizonte surge, e estende

 

Asas de tempestade! Às vistas magas

 

Reposteiro de ferro mão ignota

 

Rápido corre, e presto em lastro imenso

 

De aguçados cachopos se convertem

 

As aniladas ondas. Rola o lenho

 

Por sobre o pedregal, e mastro e leme,

 

Enrolados na vela espedaçada,

 

O sopro de um tufão some nos ares!

 

Rompendo a cerração espectro em osso

 

De repente aparece, sacudindo

 

Na destra uma mortalha: envolto nela

 

Desceu meu pai à campa!...

 

Musa, basta...

 

Pare-se um pouco aqui; nas tuas asas,

 

Que não neste papel, corra meu pranto...

 

Apara-o, anjo meu; depois os mares

 

Transpõe... o lar dos mortos não te assusta —

 

Não é assim? Pois bem, irmã querida,


 

 

 

6


 

Na terra — nossa mãe — suspende os vôos;

 

Busca a sombria região dos túmulos,

 

E lá, depois de um beijo dar na campa

 

De nosso amado pai, depõe sobre ela

 

Este pranto que verto.

 

Enfim bonança

 

Ímpia resplandeceu sobre os destroços

 

Que fez o vendaval. Único vivo,

 

Em pé sobre um rochedo, contemplei-os

 

E  ri-me... e neste riso agonizou-me A última esperança... foi a síntese

De minha vida inteira; — estreita fresta Por onde, desmaiada e quase morta,

Minh’alma um raio morno

 

De prazer sepulcral mandava ao mundo.

 

E o Gênio, que viu meu berço,

 

Dentre os cachopos surgiu,

 

E olhando os estragos riu,

 

Contente de minha dor.

 

Do Gênio estava completa

 

Toda inteira a profecia:

 

Era o que o Gênio dizia

 

No seu riso mofador.