quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Poesia de Quinta na Usina: Fagundes Varela:



A MULHER (A C...)

A mulher sem amor é como o inverno, Como a luz das antélias no deserto, 
Como espinheiro de isoladas fragas, Como das ondas o caminho incerto.
A mulher sem amor é mancenilha
Das ermas plagas sobre o chão crescida,
Basta-lhe à sombra repousar um’hora
Que seu veneno nos corrompe a vida.
De eivado seio no profundo abismo
Paixões repousam num sudário eterno...
Não há canto nem flor, não há perfumes,
A mulher sem amor é como o inverno.
Su’alma é um alaúde desmontado
Onde embalde o cantor procura um hino;
Flor sem aromas, sensitiva morta,
Batel nas ondas a vagar sem tino.
Mas, se um raio do sol tremendo deixa
Do céu nublado a condensada treva,
A mulher amorosa é mais que um anjo,
É um sopro de Deus que tudo eleva!
Como o árabe ardente e sequioso
Que a tenda deixa pela noite escura
E vai no seio de orvalhado lírio
Lamber a medo a divinal frescura,
O poeta a venera no silêncio,
Bebe o pranto celeste que ela chora,
Ouve-lhe os cantos, lhe perfuma a vida...
- A mulher amorosa é como a aurora.

Poesia de Quinta na Usina: Fagundes Varela:

  




S. Paulo - 1861.

TRISTEZA

Minh’alma é como o deserto
De dúbia areia coberto,
Batido pelo tufão;
É como a rocha isolada, Pelas espumas banhada, 
Dos mares na solidão.
Nem uma luz de esperança,
Nem um sopro de bonança
Na fronte sinto passar!
Os invernos me despiram
E as ilusões que fugiram
Nunca mais hão de voltar!
Roem-me atrozes idéias,
A febre me queima as veias;
A vertigem me tortura!...
Oh! por Deus! quero dormir,
Deixem-me os braços abrir
Ao sono da sepultura!
Despem-se as matas frondosas,
Caem as flores mimosas
Da morte na palidez,
Tudo, tudo vai passando...
Mas eu pergunto chorando:
Quando virá minha vez?
Vem, oh virgem descorada,
Com a fronte pálida ornada
De cipreste funerário,
Vem! oh! quero nos meus braços
Cerrar-te em meigos abraços
Sobre o leito mortuário!
Vem, oh morte! a turba imunda
Em sua miséria profunda
Te odeia, te calunia...
- Pobre noiva tão formosa
Que nos espera amorosa
No termo da romaria.
Quero morrer, que este mundo
Com seu sarcasmo profundo
Manchou-me de lodo e fel,
Porque meu seio gastou-se,
Meu talento evaporou-se
Dos martírios ao tropel!
Quero morrer: não é crime
O fardo que me comprime
Dos ombros lançar ao chão,
Do pó desprender-me rindo
E as asas brancas abrindo
Lançar-me pela amplidão!
Oh! quantas louras crianças
Coroadas de esperanças
Descem da campa à friez!...
Os vivos vão repousando;
Mas eu pergunto chorando:
- Quando virá minha vez?
Minh’alma é triste, pendida,
Como a palmeira batida
Pela fúria do tufão.
É como a praia que alveja, Como a planta que viceja 
Nos muros de uma prisão!

Poesia de Quinta na Usina: Fagundes Varela:

  


S.  Paulo - 1861.

 

O ESTANDARTE AURIVERDE

(Cantos sobre a questão anglo-brasileira)

AO BRASIL
Bela estrela de luz, diamante fúlgido
Da coroa de Deus, pérola fina
Dos mares do ocidente,
Oh! como altiva sobre nuvens de ouro
A fronte elevas afogando em chamas
O velho continente!
A Itália meiga que ressona lânguida
Nos coxins de veludo adormecida
Como a escrava indolente;
A França altiva que sacode as vestes
Entre o brilho das armas e as legendas
De um passado fulgente.
A Rússia fria - Mastodonte eterno!
Cuja cabeça sobre os gelos dorme,
E os pés ardem nas fráguas;
A Bretanha insolente que expelida
De seus planos estéreis se arremessa
Mordendo-se nas águas;
A Espanha túrbida; a Germânia em brumas;
A Grécia desolada; a Holanda exposta
Das ondas ao furor...
Uma inveja teu céu, outra teu gênio,
Esta a riqueza, a robustez aquela,
E todas o valor!
Oh! terra de meu berço, oh pátria amada,
Ergue a fronte gentil ungida em glórias
De uma grande nação!
Quando sofre o Brasil, os brasileiros
Lavam as manchas, ou debaixo morrem
Do santo pavilhão!...

Poesia de Quinta na Usina: Laurindo Ribeiro:



VIII

A razão, para vingar-se, Mais aumenta o seu flagício, 
Com semblante inexorável, Muda, surda, imperturbável, 
Assistindo ao sacrifício.


Poesia de Quinta na Usina: Laurindo Ribeiro:

 

 
IX

Tudo é dor, tudo agonia,
E queixumes contra o fado;
Suspiros e pranto ardente,
Desespero no presente,
Saudades pelo passado!...

Poesia de Quinta na Usina: laurindo Ribeiro:



X
Té que vai desabrochando,
Pelo pranto d’aflição
Regada continuamente,
Do desengano a semente
Nas cinzas do coração.



Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo:


 

A mão

Mão que indica.
Mão que segura.
Mão que prende.
Mão que surpreende.
Mão que conduz.
Mão que empurra.
Mão que derruba.
Mão que ampara...


Conteúdo do livro:



      


Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo:


Ajuda

Nunca negue ajuda a quem lhe procura.
No entanto, jamais ofereça abrigo as
necessidades dos vícios.

Conteúdo do livro:



 



Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo:



Piedade

Se me xingar vai lhe fazer feliz, então
não poupe tempo, esforço, ou mesmo o
seu extenso vocabulário de amarguras.

Pois prefiro ser xingado por alguém feliz,....

Conteúdo do livro:




terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Quarta na Usina: poetisas da Rede: D.R.Maria Elena Vizzotto:



 "MEU ANJO AZUL"

Chegaste como que,por encanto

Invadiste meu ser e te apoderaste de minh'alma

Teu sorriso tem a luz do sol

Teus olhos olhos tem o brilho das estrelas

Teus beijos a doçura do mel

Teu corpo exala o perfume das rosas

Das rosas azuis, nascidas do amor de uma Deusa.

O azul do céu não é tão azul como TU és.

A imensidão do mar não se compara a infinitude de teu AMOR.

No aconchego de teus braços as tempestades se acalmam...

Nem mesmo o mais belo de todos os mortais

tem a beleza que teu ser encerra.

Cada dia de minha vida agradeço a Deus

Por ter trazido das esferas celestinas um ANJO

PARA SER O MEU ETERNO AMOR AQUI NA TERRA!

Meu único e verdadeiro AMOR!"

D.R.Maria Elena Vizzotto

Cruz Alta/RS/Brasil.

In.Antologia ACADEMIA CRUZ-ALTENSE DE LETRAS-pág.57

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Miriam Bilhó:


 

Melodia da vida

A experiência de sempre vivermos

a procura de realizarmos sonhos..

Sermos tocados, ouvindo a melodia

suave, ou as vezes tensa da vida.

Cultuando dos jardins as flores.

As borboletas que encantam

e anunciam transformações,

com qualidade e presença ativa.

Devolvendo ao lar de nossa alma

o sentido de pertinência ao nosso

mundo interno como o externo.

Tateando a vida com ousadia

e ao mesmo tempo segurança.

Vivendo relacionamentos diversos

mas sempre procurando entender

como ser entendido e bem sucedido.

Com os seres humanos tão diferentes

de pensamentos tão diversos,

o respeito as diferenças espalhar.

Sentindo a vida e vivendo

em constante comunhão

com a alegria de viver e amar!

Miriam Bilhó

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Silvia Regina Costa Lima:


 

JUNTO AO MAR

***

Eu, caminhando sozinha

passeio na manhã

junto ao mar

que cintila

na claridade

e reverbera a luz

atraindo a atenção.

*

Paro de andar

após os pés molhar

e lavar as mãos

na água salgada

já me sinto renovada

do cansaço da cidade.

*

Contra o morno vento,

abro o guarda-sol branco

estampado de andorinhas

e me sento no banco

esquecendo toda a lida.

Uso esse momento

e agradeço a Deus

esse aproveitar a vida!

***

Silvia Regina Costa Lima

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: GLORINHA RISSARDI:


 

É SÓ EM VOCÊ QUE PENSO

O teu carinho

Me faz tão bem

Penso até

Que estou sonhando

Você chegou

Na minha vida

Chegou assim

E foi ficando.

Confesso

Que estou gostando

Não pense

Que achei ruim

Tua presença

Me faz tão bem

Despertou

O amor em mim.

Quero

Com você estar

Viver

Esse amor intenso

Pois

Desde que te vi

É só em você

Que penso.

@GLORINHA RISSARDI.

19.01.2023.

País: Brasil 🇧🇷.

Direitos Autorais Reservados.

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Aline Bischoff:


 

Vaga no lume,

Lume tão vago,

Um vagalume,

Vagando vazio.

Aline Bischoff.

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Luísa Rafael:



 Estrela emponderada

Vestida de túnica transparente esvoaçante

Com perfume de pele quente estonteante

Um batom doce mel com o açúcar da sensualidade

Olhos dourados da estação despida de vaidade

Pérolas enfeitam a nudez numa nacarada elegância

Em pulseiras e colares que descansam numa glamorosa extravagância

Os olhares dançam no chão numa aparente timidez

Pulsa o coração irreverente com uma harmoniosa altivez

Ela desfila sensual com a joalharia da sua própria estima

Uma força natural com uma magia que tudo ilumina

Segura na mão o que na vida não domina e agrada

Tem autonomia e caminha por entre a sina como estrela emponderada

Ela é mulher valiosa e tem noção plena do seu valor

Uma vertigem de ilusão ou todo o coração com a melodia do amor

Luísa Rafael

Direitos de autor reservados

Porto, Portugal

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Denise Mourão:


 

Emoções.

Minha vida é  definida

por emoções. .

Emoções boas que

retratam a felicidade.

E outras que expõem

minhas tristezas.

Cada sorriso é um

Balsamo para alma..

E cada lágrima  ê

Um desalento da vida.

 Essas emoções nos

Qualificam para atingir.

A superação da tristeza

e conquista da alegria.

Ser feliz ê  nossa meta.

E transbordar boas emoções.

Acelera o coração.

E desanuvia  as páginas

Da vida.

Emoções que representam

Nossas vivências..

Emoções que acalentam

O coração da gente.

Denise Mourão

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Meire Perola Santos:

 


O que diz meu coração?

Quer saber o que diz meu coração?

Beije minha boca

NO silêncio desse beijo

Sentirás o que diz meu coração.

Te prometo é a linguagem mais segura e deliciosa.

A linguagem do beijo onde saberás o que diz meu coração.

O toque macio dos lábios desejados e sonhado.

Boca com boca

Toque com toque.

Olhos fechados

Apenas entregue aos beijos.

Assim te direi e mostrarei

O que diz meu coração.

Nesse bailar não vai parar

Cada detalhe dito nessa deliciosa emoção.

Meire Perola Santos©

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Marleni Santos:


 

Marleni Santos

Abri o meu baú

Abri o meu baú

Sua foto estava lá

Amarelada e desbotada

Com a sua calça jeans surrada.

Que saudades daqueles dias

Onde a liberdade imperava

Corríamos de patins

E na rua brincávamos.

Um rádio de pilhas

Um rock doido tocava

Um balançar de corpos

Requebrados a parte

Gargalhadas soavam.

Sentados na calçada

Cantávamos alegremente

Um beijo roubado

Um amor inocente.

O tempo nos separou

Para estados diferentes

Aquele amor inocente

Foi guardado para sempre.

Guardei a sua foto

No baú das recordações

Mas foi tão bom lembrar

De um amor de coração.

      Autora: Marleni Santos

      Direitos reservado a autora

      Soure_Marajó_Pará-Brasil

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Terça na usina: Blogs de literatura da Rede: Carlos-saramago.

"DOZE D'ARTE" - EXPOSIÇÃO COLETIVA DE PINTURA "

OUT OF THE WAY"criar loja virtual..

https://carlos-saramago.blogspot.com/2020/07/12-darte-exposicao-coletiva-de-pintura.html

Terça na Usina: Blogs de Literatura da Rede: iamfotonico:

"EU SOU O PODER INFINITO E CONSCIENTE EXPRESSANDO-SE ATRAVÉS DESTE CORPO E DESTA MENTE"

http://iamfotonico.blogspot.com/

Terça na Usina: Blogs de literatura da Rede: Poemas sem Pressa:



Não há como levar para o celeste
recando de alegrias,...

Terça na Usina: blogs de Literatura: Músicas, poemas, poesias, pensamentos e reflexões de Rafael Zucco:


Terça na Usina: Grupos de Literatura na Rede: Intenção & Gestos:


 

Meu amor

Toca as linhas com prazer

a seu interesse me modela

tiram-nas do prumo c' sedução!…

https://www.facebook.com/Poetisamariaivoneidejuvinodemelo

Terça na Usina: Grupos de Literatura da Rede: E-BOOKS POEMAS À FLOR DA PELE:

 


Grupo criado para uma maior interação entre todos os poetas que participaram e participam dos E-books da Poemas à Flor da Pele.

As imagens que …

https://www.facebook.com/groups/ebookspoemas

Terça na Usina: Blogs de Literatura da Rede: Guaraciaba Perides:



Pintores retratam amores em cores de fantasias. 
Os que sabem cantar louvam amadas....

Terça na Usina: Grupos de Literatura da Rede: Lua, sua Linda...Te Amo!!:

 


Neste grupo pode ser postado e discutido todos os assuntos, desde de que se mantenha o respeito e a educação, que são requisitos básicos para s…

https://www.facebook.com/groups/euealua

Terça na Usina: blogs de Literatura da Rede:eu tambem tenho um blog


Fim-de-semana onde vai haver treino e corrida, de 10km, virtual....

domingo, 22 de janeiro de 2023

Crônicas De Segunda Na Usina: Machado de Assis: Palinódia do ministério -O Sr.Ministro do Império e a “Gazeta da Tarde” :

24 DE DEZEMBRO DE 1861.
Paula Brito – Questão diplomática – Palinódia do ministério -O
Sr.Ministro do Império e a “Gazeta da Tarde” – Os homens
sérios; reentrada da artista Gabriela – Partida da companhia
francesa – o Sr. Macedo Soares – Colégio da Imaculada
Conceição.
Mais um! Este ano há de ser contado como um obituário ilustre, onde
todos, o amigo e o cidadão, podem ver inscritos mais de um nome
caro ao coração e ao espírito.
Longa é a lista dos que no espaço desses doze meses que estão a
expirar, tem caído ao abraço tremendo daquela leviana, que não
distingue os amantes, como diz o poeta.
Agora é um homem que, pelas suas virtudes sociais e políticas, por
sua inteligência e amor ao trabalho, havia conseguido a estima geral.
Começou como impressor, como impressor morreu. Nesta modesta
posição tinha em roda de si todas as simpatias.
Paula Brito foi um exemplo raro e bom. Tinha fé nas suas crenças
políticas, acreditava sinceramente nos resultados da aplicação delas;
tolerante, não fazia injustiça aos seus adversários; sincero, nunca
transigiu com eles.
Era também amigo, era, sobretudo, amigo.
Amava a mocidade, porque sabia que ela é a esperança da pátria, e,
porque a amava estendia-lhe quanto podia a sua proteção.
Em vez de morrer, deixando uma fortuna, que o podia, morreu pobre
como vivera graças ao largo emprego que dava às suas rendas e ao
sentimento generoso que o levava na divisão do que auferia do seu
trabalho.
Nestes tempos de egoísmo e cálculo, deve-se chorar a perda de
homens que, como Paula Brito, sobressaem na massa comum dos
homens.
........................................................
Nas colunas do “Jornal do Comércio” continuam a aparecer os
contendores da questão diplomática. “Scoevola”, depois de ter feito
sacrifício da mão direita diante de Porsena, anda mostrando que é
capaz ainda de outras coisas muito mais asseadas.
O que é divertido é ver perturbados o remanso e a paz da igreja de
Elvas. No dize tu, direi eu, declarações de alta importância vieram à
tona do debate, o que prova desconfianças, e eis que um novo
personagem, com o seu próprio nome, aparece na discussão, a
tomar contas aos indiscretos.
Não entra nas condições exíguas deste escrito, nem que entrasse,
faria uma mais larga apreciação do debate a que aludo. Menciono
apenas como obrigação, e para prevenir o leitor menos perspicaz de
que a coisa vai tomar um aspecto mais importante do que até
agora.
De política é isso o que oferece algum interesse; no mais, mar morto
e calmaria podre.
Não deixarei de consignar mais uma palinódia do ministério, que
pode chamar-se bem o ministério das palinódias. Já o Sr. Manuel
Felizardo cantou uma na questão dos correios. Suprimiu umas tantas
agências, e depois foi restabelecendo-as, já se sabe, com o aplauso
dos beneficiados.
Dizia não sei que homem de Estado que é de boa política fazer o
mal, porque depois toda a concessão é considerada um bem de valor
real. Este preceito não foi mal compreendido pelo atual chefe da
nação francesa, que depois de arrecadar todas as liberdades
públicas, vai agora concedendo, hoje uma largueza à imprensa,
amanhã, outra ao parlamento, e depois outra no sentido da
autonomia provincial, e a cada pedaço que larga à nação faminta,
esta aceita agradecida e tece louvores ao seu protetor.
Também por cá se dá o mesmo. Preceito tão salutar não podia deixar
de ser observado neste país. Semelhante à dos correios, houve
ultimamente uma do Sr. Ministro da Justiça, que acaba de
restabelecer por um aviso as prisões que competem aos oficiais da
guarda nacional.
Como sempre acontece, a reparação foi considerada um benefício
extremo; a guarda nacional agradeceu ao ministério o seu ato, e
choveram os louvores.
Isto provaria contra o país, se não fosse fato observado em outros
países. Por conhecerem da eficácia do sistema, é que os políticos o
empregam; lembremo-nos de que, já na Antigüidade, Sócrates
sentia prazer em começar a perna depois do arrocho.
A este respeito, os nossos ministros são de boa massa.
O Sr. Ministro do Império, esse, depois do longo e laborioso trabalho
da parturição moral, relativamente ao regulamento das
condecorações, ficou abatido; a crise foi tremenda; as conseqüências
não podiam ser menos.Acha-se em convalescença; o pequeno está
bom.
A propósito, lembro-me de uma gazeta que se publica nesta corte,
ao bater das trindades, e que teve a bondade de ocupar-se de
passagem com a minha humildade pessoa foi a propósito da
apreciação dos meus últimos Comentários acerca do Sr. Ministro do
Império.
Acha ela que o Sr. Ministro do Império, longe de ser vulgar na
tribuna e no gabinete, é uma figura eminentíssima tanto neste como
naquela ; acredite quem quiser na sinceridade da gazeta de luscofusco,
eu não; sei bem que ela..ia escrevendo um verbo que ainda
não adquiriu direito de cidade ; direi por outro modo : sei que ela faz
a corte ao Sr. ministro. Está no seu direito; mas agora, querer
encaracolar os cabelos de S. Excia. à minha custa, isto é que é um
pouco duro.
Passemos leitor, ao teatro.
O Ginásio representou domingo um drama do repertório português,
Os homens sérios, de Ernesto Biester, para reentrada da Sra.
Gabriela da Cunha.
A reentrada de uma artista como a Sra. Gabriela não é um fato
comum e sem valor; ocorre-me, portanto, o dever de mencioná-lo
nesta revista.
O drama de Ernesto Biester é para mim uma composição de bom
quilate. Bem travado e bem deduzido, interessa, comove, oferece
lances bem preparados e cenas traçadas por mão hábil. Dos dramas
que conheço deste autor é este o que se me afigura mais completo.
Desapareceram nos Homens sérios os defeitos que eu sempre achei
no Rafael. Há na peça de que trato mais movimento que nesta
última, e menos expansão da fibra lírica, que tornava o Rafael uma
elegia, bem escrita é verdade, mas uma elegia, que não pode ser um
drama.
Não menos pelo escritor se recomendam Os homens sérios; o estilo
brilhante e conciso, o diálogo travado sem esforço, o epigrama fino,
a frase sentimental, a expressão sentenciosa, cada coisa no seu
lugar tudo a propósito, tais e outras belezas são atestadas que
Ernesto Biester dá de seu talento, e que não podem ser recusados
por falta de reconhecimento legal.
O papel de Amélia, a protagonista, é um belo, mas difícil papel: a
Sra. Gabriela deu-lhe esse tom dramático que caracteriza as suas
melhores criações.
Os que confiavam no seu talento (e não há duas opiniões a respeito)
não se admiraram; aplaudiram e sabiam que haviam de aplaudir.
Não esqueceu o menor toque exigido pelo original do poeta; no 2.º
e 4.º atos, principalmente, esteve brilhante.
Um poeta dizia que eram flores que a artista deitava à sua antiga
platéia. Flores por flores, também o público as teve, e muitas para
pagar as que lhe deu.
Se eu fizesse crítica de teatros, entraria em apreciação mais detida
do desempenho. Mas não é assim. Só me cabe apontar muito de leve
os fatos. O Sr. Joaquim Augusto acompanhou bem a Sra. Gabriela,
no papel de Luiz Travassos, marido brutal no interior, e delicado e
solícito em público. Estas duas figuras foram as principais. No papel
da condessa a Sra. M. Fernanda fez progressos.
Devia responder agora aos dois artigos que, a respeito do Teatro, a
concorrência e o governo, publicaram no Correio Mercantil o Sr.
Macedo Soares é o verdadeiro nome das iniciais M. . S. , com que
saiu o primeiro artigo.
Permitirá o meu ilustrado e talentoso contendor que eu fuja ao
debate; por convicção de erro, não; por medo, fora possível, se eu
atendesse só a minha inferioridade pessoal, e não à consideração de
que estou no terreno da verdade.
Mas a que chegaremos nós? O Sr. Macedo Soares, nos seus dois
últimos artigos, não pôde, apesar do seu talento e da sua ilustração,
demonstrar que o teatro não escapa à lei econômica, que rege as
corporações industriais; eu continuo convencido do contrário. E pelas
condições deste escrito não me é dado estabelecer uma discussão
sobre a matéria; com as minhas espaçadas aparições o debate seria
fastidioso.
Tenho uma observação a fazer: quando eu disse que a opinião do Sr.
Macedo Soares devia ser a última lembrada, se merecesse ser
lembrada, não quis de modo algum exprimir um desdém, que
tomaria as proporções do ridículo, partindo de mim para com o Sr.
Macedo Soares.
Termino mencionando os belos resultados obtidos no colégio da
Imaculada Conceição, do sexo feminino, em Botafogo. As meninas
mostraram, perante o numeroso concurso que assistiu aos exames,
um grande adiantamento mesmo raro, entre nós.
Folgo sempre de mencionar destas conquistas pacíficas da
inteligência; são elas, hoje, os únicos proveitos para o presente e
para futuro.
Fazer mães de família é encargo difícil; por isso também, quando há

sucesso, compensam-se os espíritos.

sábado, 21 de janeiro de 2023

Domingo na Usina: Biografias: Ghislaine Nelly Huguette Sathoud:


Ghislaine Nelly Huguette Sathoud (nascida em 1969) é uma feminista congolesa (que vive no Canadá desde 1996) , preocupada principalmente com a violência doméstica .
Vida
Ghislaine NH Sathoud nasceu em 8 de abril de 1969, em Pointe Noire, Congo-Brazzaville . Sua mãe era enfermeira. Seu pai, Victor Sathoud, trabalhou na indústria madeireira e ocupou vários cargos políticos. [1] Ela chegou ao Canadá em 1996 e atualmente mora em Montreal. Ela é membro de várias associações literárias, incluindo: a Association des Ecrivains de Langue Française, o Conseil International d'Etudes Francophones e a Union des Auteurs et Artistes Africains au Canada. [1] Sathoud foi uma das vencedoras do Prêmio Naji Naaman 2008 por sua coleção de contos Les trésors du terroir . [2]
Ela possui um MA em Relações Internacionais e obteve o Mestrado em Ciência Política pela Université du Québec . [1] Ela conduziu pesquisas para a cidade de Montreal como parte da preparação para a terceira cúpula dos cidadãos sobre o futuro de Montreal em 2004. Em 2000, ela participou da Marcha Mundial das Mulheres com sua peça The Evils of Silence . Ela trabalhou para a Aliança de Comunidades Culturais pela Igualdade em Serviços Sociais e de Saúde (ACCESS). Ela escreveu uma peça intitulada Ici, ce n'est pas pareil chérie! que serviu de plataforma para a conscientização sobre a violência doméstica entre os imigrantes.
Ela está interessada em questões de gênero. Participou em 2005 de um livro coletivo sobre a União Africana e também de um livro coletivo sobre imigração publicado na Argentina em 2005. Seu ensaio intitulado "Mulheres da África Central em Quebec" foi publicado em 2006 pelas Edições L'Harmattan. Em 2007, ela participou de um trabalho coletivo intitulado Imagine, French Without Borders publicado pela editora americana Vista Higher Learning. Em 2008, a International Baccalaureate Organization (IBO), fundada em 1968 e localizada na Suíça, publicou o novo "Mercado da Esperança" em CD-Rom.
Esta fundação oferece programas educacionais de educação internacional: o CD-Rom é um recurso educacional utilizado por professores afiliados a alunos em vários países.
Família
Sathoud tem três filhos. Sua filha Jessica (nascida em 1997), um livro intitulado Mes confidences (Éditions Mélonic, Montreal). [1]
Publicações
Rendez aux Africaines leur dignité , Éditions L'Harmattan, Paris, 2011. ISBN 978-2-296-54514-4 . [3]
L'Art de la maternité chez les Lumbu du Congo Musonfi , Éditions L'Harmattan, Paris, 2008. ISBN 978-2-296-06059-3 . [4]
L'amour en migration , Éditions Ménaibuc, Paris, 2007. ISBN 978-2-35349-024-0 . [5]
Le combat des femmes au Congo-Brazzaville , Éditions L'Harmattan, Paris, 2007. ISBN 978-2-296-04611-5 [6]

Les femmes d'Afrique centrale au Québec , Éditions L'Harmattan, Paris, 2006. ISBN 2-296-01107-1 [7]

Les Frères de Dieu , Éditions Mélonic, Montreal, 2006, ISBN 2-923080-44-0 [8]

Ici, ce n'est pas pareil chérie! (pièce de théâtre enregistrée sur DVD), 2005

Hymne à la tolérance , Éditions Mélonic, Montreal, 2004. ISBN 2-923080-30-0 [1]

Itiana , Éditions Carte Blanche, Montreal, 2002, [1]

Les maux du silence , Maison culturelle Les Ancêtres, Sherbrooke, 2000, ISBN 2-9806882-0-7 [1]

Pleurs du cœur , Expédit, Paris, 1995 [1]

L'Ombre de Banda , CBE, Paris, 1990 [1]

Poèmes de ma jeunesse , ICA, Pointe-Noire, 1988 [1]

Obras colectivas

"Des mères et filles exécutantes", em Revue Interculturel , n ° 19, Alliance Française de Lecce (Itália), 2015, pp. 325–329.

"Quand des voies accueillent des sans-voix", na Revue Interculturel , n ° 18, Alliance Française de Lecce (Itália), 2014, pp. 279–292.

"Des mères révolutionnaires", na Revue Interculturel , n ° 17, Alliance Française de Lecce (Itália), 2013, pp. 9–14.

"Redonnons à l'enfance sa noblesse", na Revue Interculturel , n ° 16, Alliance Française de Lecce (Itália), 2012, pp. 293–299.

"Afrique: des vœux collectifs", na Revue Interculturel , n ° 15, Alliance Française de Lecce (Itália), 2011, pp. 9–15.

"Au chevet d'Haïti", em Haïti, je t'aime - Ayiti, mwen renmen ou , Les Éditions du Vermillon, 2010, pp. 197–202.

"En communion avec nos frères et sœurs d'Haïti", em Pour Haïti , Desnel, 2010, pp. 240–242.

"Le Marché de l'espoir", D'accord! , Boston, Vista Higher Learning, 2010, pp. 177-183.

"Une flamme pour vous", Tanbou , Cambridge, EUA, 2009.

fonte de origem:

https://en.wikipedia.org/wiki/Ghislaine_Sathoud