terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Maria luisa felipe:


 

Ciúmes de quê?

Ciúmes de quê? Se viajou por você todas as noites, me imaginando em um paraíso entre seus brasos

Ciúmes de quê? Se minha alma te pertence em total plenitude onde meus pensamentos são todos tulhos

Ciúmes de quê? Se eu contar o tempo, as horas, que minha alma em pena viaja pela galáxia para te encontrar nos meus sonhos

Nos meus dias e noite eu sonho-te, navego pelo teu corpo como fugitiva e perpetuo o teu cheiro na minha pele

Ciúmes de quê? Você não precisa ter selos de você!

Maria luisa felipe

Cidade HAVANA Cuba

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Ivani Santos:


 

Amor incondicional

É aquele que transforma a alma em felicidade

É aquele que te deixa em êxtase

Que te faz sentir a leveza da vida

Que te lança seu carinho e seu olhar...

Que escreve seu nome nas linhas do tempo...

Amor incondicional é aquele que demostra que a felicidade é você

É amigo e companheiro

É aquele que te tem no coração

Que te afaga...

Que te beija no doce sentir da vida

Que te faz sonhar...

Que se entrega sem medos

Que se espera a verdade

Que mora no coração

E que te ama de verdade...

Ivani Santos

19/02/2023

Direitos autorais reservados à autora

Quarta na Usina: poetisas da Rede: Miriam Bilhó:



 Em verso tecido

Um dia talvez tudo escrito

Do  amor tão doce e bonito

Quem sabe o registro fique

Em versos  tecido tão doce

Amor eternizado em poesia

Brotando dentro do coração

Vivências de muita  alegria

Tranbordando em emoção

Recordando minha paixao

E te entreguei meu coração.

Carente estava o meu ser

Tu chegou  tão carinhoso

Com seu sorriso gostoso

E de mansinho se alojou

Miriam Bilhó

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Milka Minkova:


 

O PERSONAGEM APAIXONADO

Na costa você senta sozinho

marque pensamentos que você alinha,

nas almas que se reuniram,

paz de espírito que eles não te deram.

A pessoa que você ama segue você,

tagovina não é você para roubar

é ainda mais difícil para ti,

Em Damari ele está escondido.

A despedida chegou até você com força,

ainda mais difícil,

o que não veio depois dela,\n

Deixe-a ir livremente.

Você não pode passar sem ela

sem aquele amor sedento,

Estás triste por a teres deixado ir,

Deixado com uma alma miserável.

Você está sentado na costa

Na solidão com o silêncio

ah, dor na alma,

com um grito alto de um lobo.

Vês o tipo que te enviou,

mas você sabe que ela não vai voltar,

dor e tristeza sua alma morre,

um coração com luto.

Queres aquele tipo ao teu lado\n\n

para trazê-lo para si mesmo,

para acariciá-lo suavemente,

o amor que você acende novamente.

Milka Minkova

Quarta na Usina: Poetisa da Rede: Meire Perola Santos:



 O Sonho aconteceu

Hoje realizada e amada

Amando vou seguindo

Estou em pleno paraíso

Sinto uma imensa paz

O sonho mais lindo aconteceu

Você e eu meu doce amor

Tudo logo se encaixou

Numa sintonia de Amor

Não imaginava acontecer

Você nasceu e vive aqui

Em meu coração

Doce amor e paixão

O sonho se realizou

Tudo em meu ser mudou

Hoje vivo uma história de amor

Um sonho realizado de amor

Vem e não vá embora

Pois meu corpo implora

Teu amor é meu alimento

Te quero aqui neste momento

Meire Perola Santos©

Quarta na na Usina: Poetisas da Rede: Ludmilla Paula:


 

Almas gêmeas

Há uma parte de mim que mora em mim mesma

E a outra parte mora em você.

Onde estás, estou também,

Onde vou, tu vais comigo.

É como se fôssemos almas gêmeas

Trilhando os mesmos caminhos.

Por aí vamos, juntos,

Nos amando e nos divertindo

Por estes jardins encantados,

Como se fôssemos um só.

Ludmilla Paula

Direitos autorais reservados

Lei 9610/98

Quarta na Usina: Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Luísa Rafael:


 

Sopram ventos musicais distantes

Sussurros de letras douradas sentimentais

Notas musicais de alfabetos de consoantes ou vogais

Bailados de palavras soltas envoltas no teu perfume de essências naturais

Aromas de afectos que ondulam discretos

Carícias apaixonadas de fragrâncias nos arrepios sensoriais das distâncias

Que ateiam a chama adormecida de quem ama, em labaredas enfeitiçadas das exuberâncias!

Luísa Rafael

Direitos de autor reservados

Porto, Portugal

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Maria Isaac Laurencio:


 

Nome Maria Isaac Laurencio

País Cuba

Legenda É você o amor da minha vida

Neste afastamento meu coração

sinta uma paixão imensa,

desmedida quando sinto emoções

e sensações que chegam à alma.

Vibre meu coração apaixonado

Meu ser está bagunçado

docificando a paisagem do amor

com seus carinhos e soluços

sendo você o amor da minha vida.

No silêncio e na solidão da noite

Nossos corpos repousam excitados

recebendo ternura molhada por prazer

entregues pelo amor da minha vida.

Aqueles carinhos suaves despertam

nossos instintos de ser

na minha vida você é meu outono

e eu você doce primavera

guardando um verão intenso

nas nossas peles inquietas por emoção.

Você deixa suas pegadas na pele terna

e nos meus lábios feridas de desejo

por uma ilusão no cefira suspiro

da minha alma e do meu ser chegando

fazer o amor da minha vida.

Seu olhar é como um raio de luz

que ilumina minha vida que

enche minha mente de desejos

Sojulgando minha pele

me entregando você amor eterno

Direito de minha autoria

Foto da net

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Elizabeth Loureiro Euclydes:

 


Autora: Elizabeth Loureiro Euclydes

Curitiba- Brasil🇧🇷

Data: 02/02/2023

Título: FASCINAÇÂO

Meus sonhos mais lindos tenho

São o luar os seus mensageiros

Recordando o seu olhar venho

Sob luz da lua, você passageiro

O chão salpicado pelas estrelas

Meu coração só extasse alegria

O luar no teu olhar dando festa

Com fascinação detalhes eu via

 Se o luar subia no firmamento

Em nós derramando seu brilhar

Só nossa era o meu sentimento

Abraçadinhos em juras do amar

Hoje só recordo tais momentos

Na janela do quarto ela penetra

E paraliso ao seu encantamento

Permito sua dança e digo entra

Você, eu, o luar na nossa paixão

Inspiram, me levam para poesia

Se és amor, a minha fascinação

Pelo luar vivo só e na senofilia.

Terça na Usina: grupos de Literatura da Rede: Poetas, escritores, músicos, atores e amantes de literatura:

 


Este grupo possui a finalidade de reunir todos aqueles que gostam de poesias e literaturas diversas.

Mas também tem a finalidade de reunir aquel…

https://www.facebook.com/groups/poetasescritoresmusicos

Terça Na Usina: Blogs e SITEs De Literatura:Estante diagonal:



Criadora e editora do Estante Diagonal, estudante de Marketing, apaixonada por livros, romances, cachorrinhos e finais felizes. Há 5 anos falando sobre livros na internet. Divirtam-se e sintam-se a vontade para ler e comentar o quanto quiserem. Espero muito que gostem e voltem outra vez!

Fonte de origem, E para visualisar conteúdo acesse:
http://www.estantediagonal.com.br/

terça na Usina: Grupos de Literatura da Rede: Grupo Editorial Beco dos Poetas & Escritores Ltda:

 


Editora

Grupo Editorial Beco dos Poetas e Escritores Ltda

CNPJ 09.111.811/000134 Insc Est.148.539.080.114

Pref- Edit 62337

https://www.facebook.com/G.E.Beco.dos.Poetas.e.Escritores.Ltda

Terça Na Usina; blogs e Sites de Literatura Na Rede:


Diana Medeiros


♡"Porque a leitura é a minha melhor terapia"
🔖#meuvicioemlivrosindica #meuviciolidosdomes
linktr.ee/meuvicioemlivros
FONTE DE ORIGEM E PARA SABER MAIS ACESSE:

https://www.meuvicioemlivros.com/p/autores.html

Terça na Usina: grupos de Literatura da Rede: Recanto das Letras - Poesia:

 


Comunidade com milhares de Poesias, mensagens, crônicas, contos, frases, pensamentos, poetrix, haikais e outros gêneros literários. * DIVULGUEM AS SUAS POESIAS, FIQUEM À VONTADE. O ESPAÇO É NOSSO!....

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Terça na Usina: Grupos de Literatura da Rede: Roda de Poesia com Jaqueline Ferreira:



 Roda de Poesia com Jaqueline Ferreira:

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Terça na Usina: grupos de Literatura da Rede: Roda De Poesia Slam Do Meio:



 Roda De Poesia Slam Do Meio:

https://www.facebook.com/PoesiaEmRoda


Terça na Usina: Grupos de Literatura da Rede: Ser Tão Poeta:

 




Projeto Ser Tão Poeta, sociedade voluntária sem fins lucrativos. Criado em 2014, ativo desde de 27 de julho de 2017. Presidenta Graciele Castro,…

https://www.facebook.com/groups/sertaopoetapetrolina

Terça na Usina: Grupos de Literatura da Rede: grande amor e te amo:

 


Qualquer pessoa pode ver quem está no grupo e o que é publicado nele...

https://www.facebook.com/groups/600274860180282

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Crônicas De Segunda Na Usina:Machado de Assis: Sufrágios pelo rei de Portugal:


16 DE DEZEMBRO DE 1861.
A lei das condecorações – O sr. Ministro do Império – O fim do
decreto – Escola-normal de teatro – Nada de concorrência –
Os fins do teatro – Sufrágios pelo rei de Portugal.
Dizia um filósofo antigo que as leis eram as coroas das cidades.
Para caracterizá-las assim deve supor-se que leis sejam boas e
sérias. As leis más ou burlescas não podem ser contadas no número
das que tão pitorescamente designa o pensador a que me refiro.
A folha oficial deu a público um decreto que reúne as duas
condições: de abusivo e de ridículo; é o decreto que regula a
concessão de condecorações. A imprensa impugnou o ato
governamental, e à folha oficial foram ter algumas respostas, com
que se procurou tornar a coisa séria.
Mas se a coisa era burlesca e má, má e burlesca ficou; as
interpretações dos sacerdotes não trouxeram outra convicção ao
espírito do vulgo. Devo todavia notar que a má impressão produzida
pelo regulamento das condecorações diminuiria se tivesse atendido
para o nome do ministro que firmou o decreto.
Benza-o Deus, o Sr. Ministro do Império não é, nunca foi, e muito
menos espera ser uma águia. Adeja na sua esfera comum, tem por
horizonte a beira dos telhados da sua secretária, e deixa as nuvens e
os espaços largos a quem envergar asas de maiores dimensões que
as suas.
Isto no gabinete, isto na tribuna; o homem da palavra luta de
mediocridade com o homem da pena, e, força é dizer, quando este
parece que suplanta aquele, aquele vence a este, para de novo ser
vencido.
Por isso há de dar água pela barba a quem descobrir qual dos dois é
mais vulgar.
Se tivesse atendido a esta circunstância, o pasmo não teria sido tão
grande, porque está escrito que o fruto participa das qualidades da
árvore, e o tal decreto devia doer mais ao Sr. Ministro do que se
pensa. S. Excia. levou seu tempo a trabalhar naquela obra, não
comunicou a ninguém a novidade que ia dar, pelo menos não houve
esse zum-zum que precede, as mais das vezes, aos atos do poder, e
um belo dia disse consigo: - “Vou causar uma surpresa a estes
queridos fluminenses: amanhã pensam ler na folha oficial uma
cataplasma árida do expediente dos meus colegas, e eu dou-lhes
este acepipe preparado por minhas bentas mãos”. E publicou-se o
regulamento.
Ora, cuidar que depois da sua obra a musa da história o receberia
nos braços, e ver que ele teve o mais triste dos acolhimentos, o do
ridículo, é um transe duro de sofrer, e maior do que se houvesse
ligado pouca importância ao resultado das suas lucubrações.
Cada ministro gosta de deixar entre outros trabalhos, um que
especifique o seu nome no catálogo dos administradores.
A matéria das condecorações seduziu o Sr. Ministro do Império ;
datavam de longe os decretos que a regulavam, o Sr. Ministro quis
reunir esses retalhos para fazer o seu manto de glória, e organizou
um regulamento geral.
O primeiro artigo desse regulamento espantou a todos, porque exigiu
20 anos de serviços não remunerados, para concessão de uma
condecoração, era murar a grande porta das graças, e fazia admirar
que o governo com as próprias mãos quebrasse uma das suas boas
armas eleitorais.
O art. 9.º restabeleceu os ânimos; muravam a grande porta, é
verdade, mas abriam um largo corredor, ou antes, reconheciam e
legalizavam essa via de comunicação aberta pelo abuso.
O governo quis ser esperto, mas o público não se deixou cair no laço
armado à sua boa fé.
Não vá agora o leitor pensar que me pronuncio assim porque
considero a concessão de graças o sumo bem que pode desejar toda
a ambição do coração humano!Deus me absolva se peco, mas eu não
penso assim. O que, porém, cumpre dizer em honra da verdade, é
que o decreto de 7 de dezembro é uma lei manca e burlesca.
Entre os atos de nulo valor do governo ocupa esse um lugar distinto.
Oxalá que ande ele melhor avisado na organização de uma escola
normal de teatro, sobre o que está uma comissão encarregada de
dar o seu parecer.
Espera-se com ânsia, e pela minha parte, com fé, o resultado do
estudo da comissão, porque a matéria apesar de importante não foi
até aqui estudada.
Entretanto, antes que tenha aparecido o trabalho oficial, já uma
opinião se manifestou nas colunas do “Correio Mercantil”.
Essa opinião sinto dizê-la, devia ser a última lembrada, se merecesse
ser lembrada.
A doutrina liberal de concorrência aplicada à espécie prejudica o
ponto essencial da questão, e que se tem em vista atingir.
Criar no teatro uma escola de arte, de língua e de civilização, não é
obra de concorrência, não pode estar sujeita a essa mil
eventualidades que têm tornado, entre nós, o teatro uma coisa difícil
e a arte uma profissão incerta.
É na ação governamental, nas garantias oferecidas pelo poder, na
sua investigação imediata, que existem as probabilidades de uma
criação verdadeiramente séria e seriamente verdadeira.
Uma legislação emanada da autoridade, a reunião dos melhores
artistas, a escolha dos mestres de ensino, a criação de escolas
elementares de ensino, onde se aprenda arte e língua, duas coisas
muitas vezes ausentes de nossas cenas, a boa remuneração ao
trabalho dos compositores, um júri de julgamento de peças, em boas
bases, ficando extinto o conservatório, tudo isto sem descuidar-se na
flutuação das receitas, tais são os fundamentos, não de um teatroescola,
mas do teatro, na sua acepção mais abstrata.
Virá o estímulo, os outros aprenderão no primeiro, e arte torna-se
um fato, uma coisa real.
Mas deixar à luta individual a criação de uma escola nas condições
exigidas, equivale a não criar coisa nenhuma. E se alguma coisa se
fizer há de ser em demasia lento.
Não, o teatro não é uma indústria, como diz a opinião a que me
refiro; não nivelemos assim as idéias e as mercadorias.
O teatro não é um bazar, e se é, que estranhas mercadorias são
estas, chamadas Othelo, Athalia, Tartufo, Marion Delorme e Frei Luiz
de Souza, e como devem soar mal, nos centros comerciais, os nomes
de Shakespeare, Racine, Molière, Victor Hugo e Almeida Garrett.
Não é o teatro uma escola de moral? Não é o palco um púlpito?
Diz Victor Hugo no prefácio da Lucrecia Borgia: “O teatro é uma
tribuna, o teatro é um púlpito. O drama, sem sair dos limites
imparciais da arte, tem uma missão nacional, uma missão social e
uma missão humana. Também o poeta tem cargo de almas. Cumpre
que o povo não saia do teatro sem levar consigo alguma moralidade
austera e profunda. A arte só, a arte pura, a arte propriamente dita,
não exige tudo isso do poeta; mas no teatro não basta preencher as
condições da arte.”
Estou certo de que a comissão e o governo não entregarão à
concorrência a criação de uma escola normal de teatro. Isto no
pressuposto de que a nomeação da comissão não foi uma fantasia do
autor do decreto das graças.
Dito isto, passemos a outras coisas. Mas o quê?Depois da minha
última revista, nada se deu que mereça uma menção ou um
comentário.
O que de mais notável sei, é que se continua a celebrar missas e
ofícios fúnebres pelo rei D. Pedro V; na sexta-feira foi o do cônsul de
Portugal, hoje é o da sociedade Portuguesa de Beneficência
Dezesseis de Setembro, o da Dezoito de Julho, o da Igualdade e
Beneficência, e de uma comissão da Prainha.
Folgo por ver que nestas homenagens prestadas à majestade morta,
fala menos o ânimo dos vassalos que o coração dos amigos e

admiradores das virtudes daquele ilustre soberano.

Crônicas de Segunda Na Usina: lima Barreto: Maio:


Estamos em maio, o mês das flores, o mês sagrado pela poesia. Não é sem emoção que o vejo entrar. Há em minha alma um renovamento; as ambições desabrocham de novo e, de novo, me chegam revoadas de sonhos. Nasci sob o seu signo, a treze, e creio que em sexta-feira; e, por isso, também à emoção que o mês sagrado me traz, se misturam recordações da minha meninice. 
Agora mesmo estou a lembrar-me que, em 1888, dias antes da data áurea, meu pai chegou em casa e disse-me: a lei da abolição vai passar no dia de teus anos. E de fato passou; e nós fomos esperar a assinatura no largo do Paço. 
- Na minha lembrança desses acontecimentos, o edifício do antigo paço, hoje repartição dos Telégrafos, fica muito alto, um sky-scraper; e lá de uma das janelas eu vejo um homem que acena para o povo. 
Não me recordo bem se ele falou e não sou capaz de afirmar se era mesmo o grande Patrocínio. 
Havia uma imensa multidão ansiosa, com o olhar preso às janelas do velho casarão. Afinal a lei foi assinada e, num segundo, todos aqueles milhares de pessoas o souberam. A princesa veio à janela. Foi uma ovação: palmas, acenos com lenço, vivas... 
Fazia sol e o dia estava claro. Jamais, na .minha vida, vi tanta alegria. Era geral, era total; e os dias que se seguiram, dias de folganças e satisfação, deram-me uma visão da vida inteiramente festa e harmonia. 
Houve missa campal, no Campo de São Cristóvão. Eu fui também com meu pai; mas pouco me recordo dela, a não ser lembrar-me que, ao assisti-la, me vinha aos olhos a Primeira missa, de Vitor Meireles. Era como se o Brasil tivesse sido descoberto outra vez... Houve o barulho de bandas de músicas, de bombas e girândolas, indispensável aos nossos regozijos; e houve também préstitos cívicos. Anjos despedaçando grilhões, alegrias toscas passaram lentamente pelas ruas. Construíram-se estrados para bailes populares; houve desfile de batalhões escolares e eu me lembro que vi a princesa imperial, na porta da atual Prefeitura, cercada de filhos, assistindo àquela fieira de numerosos soldados desfiar devagar. Devia ser de tarde, ao anoitecer. 
Ela me parecia loura, muito loura, maternal, com um olhar doce e apiedado. Nunca mais a 
vi e o imperador nunca vi, mas me lembro dos seus carros, aqueles enormes carros dourados, puxados por quatro cavalos, com cocheiros montados e um criado à traseira. 
Eu tinha então sete anos e o cativeiro não me impressionava. Não lhe imaginava o horror; não conhecia a sua injustiça. Eu me recordo, nunca conheci uma pessoa escrava. Criado no Rio de Janeiro, na cidade, onde já os escravos rareavam, faltava-me o conhecimento direto da vexatória instituição, para lhe sentir bem os aspectos hediondos. 
Era bom-saber se a alegria que trouxe à cidade a lei da abolição foi geral pelo país. Havia de ser, porque já tinha entrado na consciência de todos a injustiça originária da escravidão. 
Quando fui para o colégio, um colégio público, à rua do Resende, a alegria entre a criançada era grande. Nós não sabíamos o alcance da lei, mas a alegria ambiente nos tinha tomado. 
A professora, Dona Teresa Pimentel do Amaral, uma senhora muito inteligente, a quem muito deve o meu espírito, creio que nos explicou a significação da coisa; mas com aquele feitio mental de criança, só uma coisa me ficou: livre! livre! 
Julgava que podíamos fazer tudo que quiséssemos; que dali em diante não havia mais limitação aos propósitos da nossa fantasia. 
Parece que essa convicção era geral na meninada, porquanto um colega meu, depois de um castigo, me disse: "Vou dizer a papai que não quero voltar mais ao colégio. Não somos todos livres?" 
Mas como ainda estamos longe de ser livres! Como ainda nos enleamos nas teias dos preceitos, das regras e das leis! 
Dos jornais e folhetos distribuídos por aquela ocasião, eu me lembro de um pequeno jornal, publicado pelos tipógrafos da Casa Lombaerts. Estava bem impresso, tinha umas vinhetas elzevirianas, pequenos artigos e sonetos. Desses, dois eram dedicados a José do Patrocínio e o outro à princesa. Eu me lembro, foi a minha primeira emoção poética a leitura dele. Intitulava-se "Princesa e Mãe" e ainda tenho de memória um dos versos: 
"Houve um tempo, senhora, há muito já passado..." 
São boas essas recordações; elas têm um perfume de saudade e fazem com que sintamos a eternidade do tempo. 
Oh! O tempo! O inflexível tempo, que como o Amor, é também irmão da Morte, vai ceifando aspirações, tirando presunções, trazendo desalentos, e só nos deixa na uma essa saudade do passado às vezes composta de coisas fúteis, cujo relembrar, porém, traz sempre  prazer. 
Quanta ambição ele não mata! Primeiro são os sonhos de posição: com os dias e as horas e, a pouco e pouco, a gente vai descendo de ministro a amanuense; depois são os do Amor - oh! como se desce nesses! Os de saber, de erudição, vão caindo até ficarem reduzidos ao bondoso Larousse. Viagens... Oh! As viagens! Ficamos a fazê-las nos nossos pobres quartos, com auxílio do Baedecker e outros livros complacentes. 
Obras, satisfações, glórias, tudo se esvai e se esbate. Pelos trinta anos, a gente que se julgava Shakespeare, está rente que não passa de um "Mal das Vinhas" qualquer; tenazmente, porém, ficamos a viver, -esperando, esperando... o quê? O imprevisto, o que pode acontecer amanhã ou depois. Esperando os milagres do tempo e olhando o céu vazio de Deus ou Deuses, mas sempre olhando para ele, como o filósofo Guyau. 
Esperando, quem sabe se a sorte grande ou um tesouro oculto no quintal? 
E maio volta... Há pelo ar blandícias e afagos; as coisas ligeiras têm mais poesia; os pássaros como que cantam melhor; o verde das encostas é mais macio; um forte flux de vida percorre e anima tudo... 
O mês augusto e sagrado pela poesia e pela arte, jungido eternamente à marcha da Terra, volta; e os galhos da nossa alma que tinham sido amputados - os sonhos, enchem-se de brotos muito verdes, de um claro e macio verde de pelúcia, reverdecem mais uma vez, para de novo perderem as folhas, secarem, antes mesmo de chegar o tórrido dezembro. 
E assim se faz a vida, com desalentos e esperanças, com recordações e saudades, com tolices e coisas sensatas, com baixezas e grandezas, à espera da morte, da doce morte, padroeira dos aflitos e desesperados... 
Feiras e mafuás, 4-5-1911

Crônicas de Segunda Na Usina: Lima Barreto: A mulher brasileira:




É  de uso que, nas sobremesas, se façam brindes em honra ao aniversariante, ao par que se casa, ao infante que recebeu as águas lustrais do batismo, conforme se tratar de um natalício, de um casamento ou batizado. Mas, como a sobremesa é a parte do jantar que predispõe os comensais a discussões filosóficas e morais, quase sempre, nos festins familiares, em vez de se trocarem idéias sobre a imortalidade da alma ou o adultério, como observam os Goncourts, ao primeiro brinde se segue outro em honra à mulher, à mulher brasileira.

Todos estão vendo um homenzinho de pince-nez, testa sungada, metido numas roupas de circunstâncias; levantar-se lá do fim da mesa; e, com uma mão ao cálice, meio suspenso, e a outra na borda do móvel, pesado de pratos sujos, compoteiras de doce, guardanapos, talheres e o resto - dizer: “Peço a palavra"; e começar logo: Minhas senhoras, meus senhores". As conversas cessam; Dona Lili deixa de contar a Dona Vivi a história do seu último namoro; todos se aprumam nas cadeiras; o homem tosse e entra em matéria: “A mulher, esse ente sublime..." E vai por aí, escachoando imagens do Orador familiar, e fazendo citações de outros que nunca leu, exaltando as qualidades da mulher brasileira, quer como mãe, quer como esposa, quer como filha, quer como irmã.

A enumeração não foi completa; é que o meio não lhe permitia completá-la.
É  uma cena que se repete em todos os festivos ágapes familiares, às vezes mesmo nos de alto bordo.
Haverá mesmo razão para tantos gabos? Os oradores terão razão? Vale a pena examinar.
 Não direi. que, como mães, as nossas mulheres não mereçam esses gabos; mas isso não
é  propriedade exclusiva delas e todas as mulheres, desde as esquimós até às australianas, são merecedoras dele. Fora daí, o orador estará com a verdade?

Lendo há dias as Memórias, de Mine. d'Épinay, tive ocasião de mais de uma vez constatar a floração de mulheres superiores naquele extraordinário século XVIII francês.

Não é preciso ir além dele para verificar a grande influência que a mulher francesa tem tido na marcha das idéias de sua pátria.

Basta-nos, para isso, aquele maravilhoso século, onde não só há aquelas que se citam a cada passo, como essa Mine. d'Épinay, amiga de Grimm, de Diderot, protetora de Rousseau, a quem alojou na famosa “Ermitage", para sempre célebre na história das letras; e Mine. du Deffant, que, se não me falha a memória, custeou a impressão do Espírito das leis. Não são unicamente essas. Há mesmo um pululamento de mulheres superiores que influem, animam, encaminham homens superiores do seu tempo. A todo o momento, nas memórias, correspondências e confissões, são apontadas; elas se misturam nas intrigas literárias, seguem os debates filosóficos.

É  uma Mine. de Houdetot; é uma Marechala de Luxemburgo; e até, no fundo da Sabóia, na doce casa de campo de Charmettes, há uma Mine. de Warens que recebe, educa e ama um pobre rapaz maltrapilho, de quem ela faz mais tarde Jean-Jacques Rousseau.

E foi por ler Mine. d'Épinay e recordar outras leituras, que me veio pensar nos calorosos elogios dos oradores de sobremesas à mulher brasileira. Onde é que se viram no Brasil, essa influência, esse apoio, essa animação das mulheres aos seus homens superiores?

É  raro; e todos que o foram, não tiveram com suas esposas, com suas irmãs, com suas mães, essa comunhão nas idéias e nos anseios, que tanto animam, que tantas vantagens trazem ao trabalho intelectual.

Por uma questão qualquer, Diderot escreve uma carta a Rousseau que o faz sofrer; e logo este se dirige a Mme. d'Épinay, dizendo: “Se eu vos pudesse ver um momento e chorar, como seria aliviado!" Onde é que se viu aqui esse amparo, esse domínio, esse ascendente de uma mulher; e, entretanto, ela não era nem sua esposa, nem sua mãe, nem sua irmã, nem mesmo sua amante!

Como que adoça, como que tira as asperezas e as brutalidades, próprias ao nosso sexo, essa influência feminina nas letras e nas artes.

Entre nós, ela não se verifica e parece que aquilo que os nossos trabalhos intelectuais têm de descompassado, de falta de progressão e harmonia, de pobreza de uma alta compreensão da vida, de revolta clara e latente, de falta de serenidade vem daí.

Não há num Raul Pompéia influência da mulher; e cito só esse exemplo que vale por legião. Se houvesse, quem sabe se as suas qualidades intrínsecas de pensador e de artista não nos poderia ter dado uma obra mais humana, mais ampla, menos atormentada, fluindo mais suavemente por entre as belezas da vida?

Como se sente bem a intimidade espiritual, perfeitamente espiritual, que há entre Balzac e a sua terna irmã, Laura Sanille, quando aquele lhe escreve, numa hora de dúvida angustiosa dos seus tenebrosos anos de aprendizagem: "Laura, Laura, meus dois únicos desejos, 'ser célebre e ser amado', serão algum dia satisfeitos?" Há disso aqui?

Se nas obras dos nossos poetas e pensadores, passa uma alusão dessa ordem, sentimos que a coisa não é perfeitamente exata, e antes o poeta quer criar uma ilusão necessária do que exprimir uma convicção bem estabelecida. Seria melhor talvez dizer que a comunhão espiritual, que a penetração de idéias não se dá; o poeta força as entradas que resistem tenazmente.

É  com desespero que verifico isso, mas que se há de fazer? É preciso ser honesto, pelo menos de pensamento...

É   verdade que os homens de inteligência vivem separados do país; mas se há uma pequena minoria que os segue e acompanha, devia haver uma de mulheres que fizesse o mesmo.

Até como mães, a nossa não é assim tão digna dos elogios dos oradores inflamados. A sagacidade e agilidade de espírito fazem-lhes falta completamente para penetrar na alma dos filhos; as ternuras e os beijos são estranhos às almas de cada um. Sonho do filho não é percebido pela mãe; e ambos, separados, marcham no mundo ideal. Todas elas são como aquela de que fala Michelet: "Não se sabe o que tem esse menino. Minha Senhora, eu sei: ele nunca foi beijado".

Basta observar a maneira de se tratarem. Em geral, há jeitos cerimoniosos, escolhas de frases, ocultações de pensamentos; o filho não se anima nunca a dizer francamente o que sofre
ou o que deseja e a mãe não o provoca a dizer.
Sem sair daqui, na rua, no bonde, na barca, poderemos ver a maneira verdadeiramente familiar, íntima, sem morgue nem medo, com que as mães inglesas, francesas e portuguesas tratam os filhos e estes a elas. Não há sombra de timidez e de terror; não há o "senhora" respeitável; é "tu", é “você”.

As vantagens disso são evidentes. A criança habitua-se àquela confidente; faz-se homem e, nas crises morais e de consciência, tem onde vazar com confiança as suas dores, diminuí-las, portanto, afastá-las muito, porque dor confessada é já meia dor e tortura menos. A alegria de viver vem e o sorumbatismo, o mazombo, a melancolia, o pessimismo e a fuga do real vão-se.

Repito: não há tenção de fazer uma mercurial desta crônica; estou a exprimir observações que julgo exatas e constato com raro desgosto. Antes, o meu maior desejo seria dizer das minhas patrícias, aquilo que Bourget disse da missão de Mme. Taine, junto a seu grande marido, isto é, que elas têm cercado e cercam o trabalho intelectual de seus maridos, filhos ou irmãos de uma atmosfera na qual eles se movem tão livremente como se estivessem sós, e onde não estão de fato sós.

Foi, portanto combinado a leitura de uma mulher ilustre com a recordação de um caso corriqueiro da nossa vida familiar que consegui escrever estas linhas. A associação é inesperada; mas não há do que nos surpreender com as associações de idéias.

Vida urbana, 27-4-1911