terça-feira, 29 de setembro de 2020

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Isabel Bastos Nunes:

 


Abandonei-me ao vento

Fechei os olhos

Abandonei-me ao vento

Quis que a noite viesse

Que a sombra descesse

E com ela levasse

Os mistérios do meu corpo.

Docemente

Me entrego nessa dádiva

Misteriosa de espera e magia

Deixando-me abraçar

Entre o meu querer e sentir

Eco das minhas palavras e memórias

No abandono do meu desejo.

Abandonei-me ao vento

Sem medo da descoberta desses segredos

De alma aberta à mercê das lembranças

Que o tempo não apaga

Mas desvenda e converte em emoção.

Abandonei-me ao vento

Luz mansa e dorida que adoça o meu rosto

Fecho os olhos e deixo-me levar

Ao encontro de amarguras antigas

Na boca um travo salgado de mar

Na alma uma esperança vencida

Nos lábios o sabor de lágrimas

Abandonei-me ao vento

Depois não serei mais nada

Apenas um passado recente

Não haverá rasto nem cheiro

Nem sonhos, nem beijos

Nem a sorte nem retorno

Porque o vento tudo me levou.

Isabel Bastos Nunes

25/09/20

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Francisca do Monte Pires: Poema com Esquema:



A começar por aqui

Vou escrever um poema

E sempre a pensar em ti

Engendra-se um esquema

Que seja delicioso

Mais ou menos amoroso

Será que é boa ideia

Ou vais fazer cara feia

Vamos engendrar então

Um poema com esquema

Que faça bem ao coração

E protagonise um emblema

Porque amor é sempre amor

Não há mensagem melhor

Elevo o meu pensamento

Às carícias do momento

Francisca do Monte Pires

Quarta na Usina: Poetisas da rede: Mária I.sabe! M.achadinho: //...AMAR NA ESCURIDÃO!...//:


Entrego aos deuses da noite a candura

Que cresce e  vive neste meu recordar

Neste meu evocar de tremente loucura

Que acorrenta o pensar ao verbo amar



Vivo e permaneço na quietude do silêncio

Tacteio tua sombra no meio da escuridão

Deixo,-me envolver em voraz incêndio

Que me consome na fogueira da emoção

Quisera eu ver-te a sorrir aqui à minha beira

Cobrindo de amor a minha simples cabeceira

E odorar o aroma da rosa, nesta noite de luar

Ter-te aqui por um escasso minuto apenas

Apagarias do peito as querelas e as penas

Que sinto na escuridão por mim a flutuar

//... M ária I.sabe! M.achadinho

Quarta na Usina: Poetisas da Rede: Rosa Maria Santos: Saudade:



Sinto saudades

da minha janela

virada ao mar

aonde sol nascia

e se havia de deitar

 

Sinto saudades

de sorrir pela janela

respirar a maresia

olhar o azul céu,

e aquela sinfonia

 

De ouvir grasnar

Gaivotas ao redor

e olhar o sol

que ao entardecer

no mar adormecia

anunciando

um novo dia

 

Com lágrimas no olhar

olho da janela

não vejo o mar

o por do sol

somente estrelas

ao anoitecer

quando repouso a escrever

 

Olho o horizonte

não vejo o monte

gaivotas à deriva

buscando a fonte

 

da minha janela

com coração contrito

já não é bela

a vida porque grito

 

Somente a lua

negra e escura

fugaz estrela

sempre procura

da noite bela

daquela altura

 

no meu olhar

no escuro breu

sinto pulsar

o peito teu.


Rosa Maria Santos

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Sexta na Usina: Poetas da rede: "TUDO AQUILO ERA SÓ POESIA":



Tive Um Lindo Sonho

Na Noite Passada

Um Sonho Tão Risonho

Parecendo Um Conto De Fada

.

Sonhei Que Estava Eu

Em Uma Ilha Deserta

Olhos Postos No Céu

Com Uma Mulher Esbelta

.

Cujo O Rosto No Meu Sonho

Não Era Bem Visível

Lembro Do Seu Sorriso Risonho

Tornar O Lugar Mais Aprazível

.

Trocávamos Carícias

Beira-Mar Ao Som Das Ondas

E Nos Ouvidos Era Uma Delícia

Ouvir Euclides Da Lomba

.

O Meu Ardente Desejo

Domava Aquela Fera

Devolvia-Lhe Os Beijos

Que Outrora Me Dera

.

Afagava O Seu Cabelo

No Silêncio Da Selva Escura

Naquele Sonho Tão Belo

Fazíamos Amor Sem Sensura

.

Quando Ouço Alguém Gritando:

''Yad, Já É Manhã, Põe-Te De Pé''

E Fiquei Só Me Perguntando

Quem Seria Aquela Mulher

.

De Repente Foi-Se A Bruma

O Sonho Era Algo Que Eu Escrevia

E Não Havia Mulher Nenhuma

Tudo Aquilo Era Só Poesia...

.

YadhiBarroso, O Maior!

10/02/2015

Praia dos Ramiros

Sexta na Usina: Poetas da Rede: António Manuel Palhinha: MÃOS:



A pequena mão erguia-se para cima. Determinada no seu propósito, segurou o dedo gasto e calejado pelo tempo. Nada nele estranhou! Fixou-se firme, na sua suavidade como seda recebe a firmeza de uma mão que freme através do dedo intemporal. Une-se o tempo do antes e do depois nas gerações distintas. O tempo ascende até onde o braço se alonga. Da força dos antepassados emerge a raiz do mundo que agora descobre, caminhando no amparo que alimenta a força do seu corpo. Ergue o olhar emoldurando em sonhos a distância do rosto do companheiro, e a brisa ligeira afaga os seus cabelos deixando um sabor de vida partilhado. Assim esculpido no tempo que não se apaga, ficam algumas memórias que fluem, inconfessáveis se tornam nos espaços dos sentidos que as guardam em segredo. Com a força da vida, firma-se-lhe a mão, e de subido, surgem as palavras do pequeno petiz… “Pai, olha a... bobolaleta…”

«»

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO AUTOR - António Manuel Palhinha

FOTO: Internet

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Antonio Montes: O PIPOCAR:


 

O carrinho de pipoca

pipoca aqui

pipoca ali

pipoca por toda doca

assim como colibri.

 

Uma pipoca p'ro vento

uma pipoca p'ro ar

pipocando o sentimento

um dia p'ro juramento

o outro para orar.

 

Descendo pela avenida

tem pipoca colorida

tem doce e salgada vida

tem a hora preferida

para mover a partida.

 

Pipoca pião no chão

barbante zune no ar

bola de gude caminhão

bambolê e sua pipa

vento forte p'ra alinhar.

 

Antonio Montes

Sexta na usina: Poetas da Rede: Ed Santos Paixão:


 

Gosto de Você simples...

Gosto de Você simples, depois do banho, ainda com o cabelo meio molhado sem pentear...

gosto de Você simples, com a toalha enrolada nesse corpo delicioso...

Adoro quando Você me olha e abre e fecha a toalha me provocando, mordendo os lábios e dando aquele sorriso safado.

Gosto de Você simples caminhando em casa de um lado pra outro só de camiseta passando bem perto de mim e me provocando.. rs.

Gosto de Você simples se deliciando com um  potinho de brigadeiro passando o dedo dentro e lambendo os dedos

hummmmm !! Você faz isso muito gostoso !!! 

Gosto de Você simples com aquela camiseta larga se jogando em cima de mim e me deixando louco...

Gosto disso por que minhas mãos se perdem completamente em você no meio de tanta tanta coisa deliciosa pra acariciar...

Gosto de Você simples sem maquiagem, sem perfume, por que eu adoro teu cheiro, adoro tua pele, adoro teu abraço, adoro teu beijo, adoro teu morder com os lábios, adoro teu jeito louco e ao mesmo tempo calmo e simples de fazer amor, adoro a simplicidade dos teus atos, do teu jeito, das tuas atitudes.

Adoro e gosto demais de Você simples assim como Você é.

Ed  Santos  Paixão

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Gileno Moreno:

 


" Ser poeta não é tão importante .

Viver em poesia sim !

A vida fica mais leve . 

Não mais dependemos de sermos amados .

Queremos ser só  amor . "

Gileno Moreno

Direitos Reservados .

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Sexta na Usina: Poetas da Rede: Antonio Montes: PEGA:



Esse apego que me pega

em enredo, me carrega.

... Eu fico aos dedos...

Todos em segredos

assim teso como pedra.

Depois saio em ensaio

com capas chapéus baralho

... E jogo dados...

Todos enfados,

enfadados à malho.

 

Antonio Montes

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Silva Manuel: REVERÊNCIA:



Encantei-me com a maviosa

voz vinda da canção cantada

por Cinderela, uma das mais

belas ninfetas da minha Ilhabela,

que debruçada sobre o parapeito

da janela, feliz anunciava as boas novas

co’a chegada da primavera, juro que

pensei até que era uma quimera.

As crianças se entrelaçavam de alegria,

perambulando pelas ruelas, brincando

de cirandas e corridas, eram o símbolo

da felicidade e da poesia.

Os jardins que enfeitavam as casas,

eclodiram de harmonia e beleza, era o

encontro marcado das mais lindas flores

obras-primas que nos ofertava a mãe natureza.

Avencas, bromélias, calêndulas, cravinas,

girassóis, jasmins, lírios, margaridas, tulipas,

orquídeas e tagetes, todas decoravam e serviam

como moldura , à bela e desejada primavera.

Francisco Baia

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Ricky Mágico:


 

Deficiência é desamor!

O que é deficiência

Se não só limitação?

O que não pode faltar

É amor no coração

Não podemos esquecer

Que de próximo é chamado

Igual a mim é o outro ser...

Tem que ser aproximado!

Pra que conviver distante?

Diferença não é mal

Você é meu semelhante

Todo ser é especial

Especial, no bom sentido

Todos somos valiosos

Representantes da vida

Do bom viver, orgulhosos

Onde está do ser humano

O seu afeto e calor?

Todos somos limitados

Deficiência é desamor!

Ricky Mágico  / 21.09.2020

Sexta na Usina: Poetas da Rede: Daniel Mauricio:

 


Com primor

A primavera pinta a sua alma

Na fachada.

E no perfume das cores

Embriago meu olhar.

Daniel Mauricio

Foto postada por Fátima Stellfeld Mansani

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo: Amazônia:



Enfileirados em busca de harmonia e equilíbrio

Ouvimos os inevitáveis gritos

Que ecoam da nossa imensa floresta

Tentando salvar o que lhe resta de esperança

Da eterna dança da alma do mundo.

 

Sendo consumida pelas chamas

Da hipocrisia nossa de cada dia.

Onde a cultura do destruir é mais valiosa

Do que o plantar de um novo sonho.

 

E entre lágrimas e sussurros de dor

Da incapacidade de renascer a cada dia

Só lhe resta a imensa agonia

Do ronco dos motores

A alastrar as dores da devastação.

 

Ao som das canções dos ventos,

Esperamos novamente um momento

Em que nos traga a paz de nascer, crescer e morrer

Apenas com a ação do inevitável tempo.

Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo: Eu vejo o mundo:



Eu vejo o mundo, assim o mundo eu vejo.

Sob o falso brilho dos azulejos.

Azulejos de paredes tortas de colunas pensas.

 

Eu vejo o mundo que não pensa.

Um mundo que não admite seus erros

Mas ninguém vê o mundo como eu vejo.

 

Um mundo de hipocrisia e de agonia

Olha como eu vejo mundo.

Um mundo ao qual espero

Que um dia você também veja.

 

Um mundo feito caranguejo

Que só anda prá trás sem contar desejos.

Assim o mundo eu vejo...

Poesia de Quinta na Usina: D'Araújo: O grito:





Então nós não vamos fazer nada.
A truculência vencendo o bom censo.
A violência estampada na cara
De cada um de nós.

Até quando vão tombar,
Manoel, João e Joaquim?
Até quando os eleitos vão ficar
Trancados em seus palacetes
A ignorar a realidade que os cercam.

Até quando vamos blindar nossas fortalezas
Enquanto os filhos da corrupção em seus barracões
Tramam mais uma ação?

Será que todos eles vão fechar os olhos
E entupir os próprios ouvidos
Com os dólares da nação
Enquanto mais um nos semáforos da vida
Estende-nos a mão.

E todos nós com aquele olhar superior 
não Chegamos a enxergar sequer a dor 
daquele que não vê amor
E sim a dor do abandono.

Até quando vamos assistir
A meia dúzia de hipócritas
Levar o sonho de nossas crianças
Pelo ralo do poder?

E todos nós tendo que nos esconder de nós mesmos.
Até quando você vai ficar aí parado
Sem ter a coragem de sequer olhar pro lado?
Olhe, veja, fale grite, se faça ouvir, porque o futuro, e hoje é aqui.

Poesia de Quinta na Usina: Laurindo Ribeiro: O meu segredo II:





Mandado do inferno
Por ímpio destino,
Um gênio mali’no
No berço me viu —

E após um instante
Haver-me encarado
Com gesto irritado,
O Gênio — o meu fado

Traçando — sorriu.
Sorriu-se... e mudados
No mesmo momento
Que o Gênio cruento,

Cruento me viu,
Em negra tristeza,
Meus gostos findaram;
Meus lábios murcharam;

Meus ais começaram;
Meu pranto caiu.
No peito inda verde
Secou-se a ventura

Daquela fé pura
Que a infância nos dá;
No espelho onde via
Em êxtase santo



Os risos, o encanto,
De um mundo, que há tanto
Não sei onde está.
Em dita tão pura

Minh’alma exultava,
E quanto alcançava
Sabia explicar;
Que, além de dar crença

A tudo que ouvia,
Por certa magia,
As cousas que via,
Sentia falar.

Se às vezes tentava
Brincar com as flores,
Revendo os lavores
De um vasto jardim,

A brisa me dava,
No trânsito leve,
Um cântico breve,
Escrito na neve

De um casto jasmim.
Fugaz borboleta
Nas asas de ouro
Imenso tesouro

Deixava-me ver;
E, qual um avaro,
Sedento, inquieto,
Com ardido afeto

Atrás do inseto
Me punha a correr.
Qual boca de ninfa
Há pouco desperta,

Se rosa entreaberta
Prendia louçã,
Segredos da infância
A flor me contava,

Q’eu só escutava,
E, rindo, exclamava: —
Tu és minha irmã!...
À vista do oceano, Imenso, ruidoso,

Que quadro assombroso Fez meu ideal!...
Em êxtase, longo Vi nele espantado,
Rugindo deitado, Um monstro azulado 
D’enorme cristal.

Em crua e constante,
Horríssona guerra,
In’migo da terra,
Pintou-se-me o mar —

Que fero co’as ondas
Na praia batia,
E aflito bramia,
Porque não podia

A praia arredar.
Na concha celeste
Se os olhos fitava,
Lá novos achava

Encantos também;
Nos astros eu via
De anjinhos um bando,
Que, o corpo ocultando,

Me estavam olhando
De um mundo de além.
Eu via na lua
A casa encantada,

De luz prateada
Fugindo no ar;
Asilo somente
Da fada querida,

Que vinha escondida
A gente nascida
De noite embalar.
O sol eu amava

Da tarde na hora;
Amava-o d’aurora
No fresco arrebol.
E quando a tais horas

No mar se escondia,
P’ra ele me ria,
Julgando que via
Adeuses do sol.

Poesia de quinta na Usina: Laurindo Ribeiro: O MEU SEGREDO I:





O lume de sinistro fogo estranho
Que em meu olhar se acende;
A nuvem que de mágoas carregada
No rosto se me estende;

Esta agonia acerba que repassa
Os sons da minha lira;
Este céptico altivo horror ao mundo
Que em tudo meu respira;

Estas rugas, que trago sobre as faces,
Os modos distraídos,
A constante desordem do semblante,
Dos gestos, dos vestidos;
Revela tudo um segredo,

Que o mundo não sabe ler;
Segredo, que só com pranto
É que se pode escrever;
Segredo, que em meu futuro
Negro anátema cuspiu;

Segredo, que seduziu-me;
Segredo que me traiu.
Letras escritas com pranto
Sei que apagadas serão!

Sei que um segredo de mágoas
Nunca merece atenção!
Mas não importa; hoje quero
O meu segredo escrever;
Que guardado por mais tempo
Talvez me faça morrer.

Poesia de Quinta na Usina: Laurindo Ribeiro: O QUE SÃO MEUS VERSOS:

 


 



Se é vate quem acesa a fantasia
Tem de divina luz na chama eterna;
Se é vate quem do mundo o movimento
C’o movimento das canções governa;

Se é vate quem tem n’alma sempre abertas
Doces, límpidas fontes de ternura,
Veladas por amor, onde se miram
As faces da querida formosura;

Se é vate quem dos povos, quando fala,
As paixões vivifica, excita o pasmo,
E da glória recebe sobre a arena
As palmas, que lhe of’rece o entusiasmo;

Eu triste, cujo fraco pensamento
Do desgosto gelou fatal quebranto;
Que, de tanto gemer desfalecido,
Nem sequer movo os ecos com meu canto;

Eu triste, que só tenho abertas n’alma
Envenenadas fontes d’agonia,
Malditas por amor, a quem nem sombra
De amiga formosura o céu confia;

Eu triste, que, dos homens desprezado,
Só entregue a meu mal, quase em delírio,
Ator no palco estreito da desgraça,
Só espero a coroa do martírio;

Vate não sou, mortais; bem o conheço;
Meus versos, pela dor só inspirados, —
Nem são versos — menti — são ais sentidos,
Às vezes, sem querer, d’alma exalados;

São fel, que o coração verte em golfadas
Por contínuas angústias comprimido;
São pedaços das nuvens, que m’encobrem
Do horizonte da vida o sol querido;

São anéis da cadeia, qu’arrojou-me
Aos pulsos a desgraça, ímpia, sanhuda;
São gotas do veneno corrosivo,
Que em pranto pelos olhos me transuda.

Seca de fé, minha alma os lança ao mundo,
Do caminho que levam descuidada,
Qual, ludíbrio do vento, as secas folhas
Solta a esmo no ar planta mirrada.

Poesia de Quinta na Usina: Fagundes Varela: ILUSÃO:







Sinistro como um fúnebre segredo
Passa o vento do Norte murmurando
Nos densos pinheirais;
A noite é fria e triste;
solitário Atravesso a cavalo a selva escura
Entre sombras fatais. 

À medida que avanço, os pensamentos 
Borbulham-me no cérebro, ferventes,
Como as ondas do mar,
E me arrastam consigo, alucinado,
À casa da formosa criatura De meu doido cismar.
Latem os cães; as portas se franqueiam

Rangendo sobre os quícios; os criados
Acordem pressurosos;
Subo ligeiro a longa escadaria,
Fazendo retinir minhas esporas
Sobre os degraus lustrosos.
No seu vasto salão iluminado,

Suavemente repousando o seio
Entre sedas e flores,
Toda de branco, engrinaldada a fronte,
Ela me espera, a linda soberana
De meus santos amores.

Corro a seus braços trêmulo, incendido
De febre e de paixão... A noite é negra,
Ruge o vento no mato;
Os pinheiros se inclinam, murmurando:
- Onde vai este pobre cavaleiro Com seu sonho insensato?...