sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Revista eisFluências de Dezembro/2016: D'Araújo: ACORDE:

                                        

 Porque você vai continuar aí sentado?
Acorde levante-se. Corra!
O mundo está esperando por você para ser salvo.
Pule, grite se faça ouvir.
Porque o mundo só muda se você mudar.

Outros povos não podem te ver.
Mas poderão te ouvir se você não desistir.
Não fale aos que te ouvem
Mas sim, para aqueles que fingem ser surdos.

Vamos, mostre as verdades do mundo.
Para aqueles que fingem ser cegos.

Acorde!
Hoje temos mais uma manhã de primavera
E continuamos a sua espera.
Vamos juntos salvar o mundo da hipocrisia
Da falta de alegria e gritar heresias.

Para enlouquecer aqueles que em seus
Palacetes de Mármore,

Tão frios quanto os seus sentimentos.......

Poesia De Quinta Na Usina: Paulo Leminski:



Domingo

Canto dos passarinhos


Doce que dá para pôr no café.

Poesia De Quinta Na Usina: Paulo Leminski:



Só mesmo um velho
para descobrir,
detrás de uma pedra,

toda a primavera.

Poesia De Quinta Na Usina: Luís de Camões: Soneto: 114:



Ah! Fortuna cruel! Ah! duros Fados!
Quão asinha em meu dano vos mudastes!
Passou o tempo que me descansastes,
agora descansais com meus cuidados.
Deixastes-me sentir os bens passados,
para mor dor da dor que me ordenastes;
então na hora juntos nos levastes,
deixando em seu lugar males dobrados.
Ah! Quanto melhor fora não vos ver, gostos,
que assim passais tão de corrida, que fico duvidoso se vos vi:
 sem vós já me não fica que perder, se não se for esta cansada vida,

que por mor perda minha não perdi.

Poesia De Quinta Na Usina: Luís de Camões: Soneto:136:



A formosura fresca serra,
 e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;
 o rouco som do mar, a estranha terra,
o esconder do sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;
 Enfim,
tudo o que a rara natureza com tanta variedade nos oferece,
me está (se não te vejo) magoando.
 Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando nas mores alegrias,

mor tristeza.

Poesia De Quinta Na Usina: D'Araújo: Fervor:


Com ar de controle e tranquilidade
escondemos no fundo do peito,
aqueles nossos desejos que nos
devoram feito fogo em nossos corpos e almas.

E nos deixamos levar em doces palavras
soltas aos ventos que nos conforta.

E assim evitamos pensar nas possibilidades
do imenso prazer de nos possuir.
Assim aos poucos vamos consumindo
o que nos consome, velando o prazer que nunca teremos


Conteúdo:





















Editora: www.perse.com.br

Poesia De Quinta Na Usina: D'Araújo: Sabor:



 Entre o tempo e o espaço
Fica o descompasso do meu desejo
Na eterna busca do sabor dos teus beijos

O calor da tua alma, e a beleza do teu ser...



Conteúdo do Livro:




















Editora: www.biblioteca24x7.com.br

Poesia De Quinta Na Usina:Fernando Pessoa: Andei léguas de sombra:




Andei léguas de sombra
Dentro em meu pensamento.
Floresceu às avessas
Meu ócio com sem-nexo,
E apagaram-se as lâmpadas
Na alcova cambaleante.
Tudo prestes se volve
Um deserto macio
Visto pelo meu tato
Dos veludos da alcova,
Não pela minha vista.
Há um oásis no Incerto
E, como uma suspeita
De luz por não-há-frinchas,
Passa uma caravana.
Esquece-me de súbito
Como é o espaço, e o tempo
Em vez de horizontal

É vertical.



                  Cancioneiro
Fernando Pessoa
Fonte: http://www.cfh.ufsc.br/~magno/cancioneiro.htm

Poesia De Quinta Na Usina: Fernando Pessoa: A morte chega cedo:


 A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.
O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.
E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte

Que Deus deixou aberto.




Cancioneiro
 Fernando Pessoa
Fonte: http://www.cfh.ufsc.br/~magno/cancioneiro.htm

Poesia De Quinta Na Usina: Machado de Assis: JÚLIA:




Teu rosto meigo e singelo
Tem do Céu terno bafejo.
Tu és a rosa do prado
Desabrochando ao albor
Abrindo o purpúreo seio,
Abrindo os cofres de amor.
Tu és a formosa lua
Percorrendo o azul dos céus,
Retratando sobre a linfa.
Os seus alvacentos véus.
Tu és a aurora formosa
Quando dalém vem surgindo;
E que se ostenta garbosa
Áureas flores espargindo.
Tu és perfumada brisa
Sobre o prado derramada
Que goza os doces sorrisos
Da formosa madrugada.
Tua candura e beleza
Tem de amor doce expressão
És um anjo, minha Júlia,
Donde nasce a inspiração.
Quando a terra despe as galas
E os mantos da noite veste,
Vejo brilhar tua imagem
Lá na abóbada celeste.
Nela vejo as tuas graças,
Nela vejo um teu sorriso
Nela vejo um volver d'olhos
Nascido do paraíso.
És ó Júlia, meiga virgem
Que temente ora ao Senhor;
São teus olhos duas setas.

O teu todo é puro amor.




Poesias dispersas

Textos-fonte:
Obra Completa, Machado de Assis, vol. III,
Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.
Toda poesia de Machado de Assis. Org. de Cláudio Murilo Leal.
Rio de Janeiro: Editora Record, 2008.

Poesia de Quinta Na Usina: Machado de Assis:NO ÁLBUM DO SR. QUINTELA:




Faz-se a melhor harmonia
Com elementos diversos;
Mesclam-se espinhos às flores:

Posso aqui pôr os meus versos.




Poesias dispersas

Textos-fonte:
Obra Completa, Machado de Assis, vol. III,
Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.
Toda poesia de Machado de Assis. Org. de Cláudio Murilo Leal.
Rio de Janeiro: Editora Record, 2008.

Pensamento do Dia:



“Subestimar o seu semelhante, é mergulhar no abismo das possibilidades.”


Esta e mais de 90 outras frases estão nesta edição comemorativa.
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Quarta Na Usina: Poetisas da rede:Elvira Juana Cocco: TE AGRADEZO POR AMARME:


Te agradezco por amarme

por darme tanta alegría,

quitar de mis ojos el llanto
y entregarme tú la vida.



La tristeza me embargaba
cuando llegaste a mi vida,
pusiste luz en mis sueños
iluminaste todos mis días.

Te agradezco por amarme
darme abrigo entre tus brazos,
alejando de mi ésta nostalgia
que lastimaba con saña mi alma.

Hoy me entrego a éste amor
me reflejo en tu tierna mirada,
caricias cálidas y enamoradas
de un profundo sentimiento.

Prometimos amarnos siempre
sin mirar para atrás al pasado,
sin rencor en nuestros corazones
juntos hacia ése futuro deseado.

Elvira Juana Cocco
Buenos Aires - Argentina
CHÁ vida por me amar Obrigado por me amar, me dando tanta alegria, remover as lágrimas dos meus olhos e me dá vida.


A tristeza que senti quando você entrou na minha vida, você colocar a luz em meu sonhos iluminaste todos os meus dias.



Obrigado por me amar, me dê abrigo em seus braços, afastando-me esta nostalgia machucando violentamente a minha alma.



Hoje entrego-me a amar-me a reflexão em seus olhos macios, caloroso e amoroso um profundo sentimento de carícias.



Prometemos sempre nos amar sem olhar para trás ao passado, sem rancor em nossos corações juntos para que o desejado futuro.



Elvira Juana Cocco Buenos Aires - Argentina 

Quarta Na Usina: Poetisas da Rede:Maria Antonia Delvalle: Maravillosamente mujer :


Soy bella por que te amo..
Soy preciosa por que me amas. .
Soy hermosa por que te tengo. .

Soy graciosa por tu ternura. .

Estoy espléndida por tus
caricias. .
Soy arrogante por tu virilidad. .
Soy magnífica por darte gusto. 
Eres mi amor incondicional. .
Me atraes de cuerpo y alma..
Con tu amor..tu ternura. .tus
caricias..tu pasión. .me siento
la mujer mas fabulosa..dueña 
de tu amor. .
En este universo nuestro. me
siento maravillosamente bellaaa!!!
Exquisitamente femenina. ..
♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡
18 - 08 - 2014
Maravilhosamente ❤ mulher sou bonita porque eu te amo...
Sou linda, porque você me ama. .
Sou bonita, porque eu tenho você. .
Eu sou pela sua graciosa de ternura. .
Eu sou esplêndido pelo seu toque. .
Eu sou arrogante por sua masculinidade. .
Eu sou grande para lhe dar um gostinho. 
Você é meu amor incondicional. .
Atraem-me de corpo e alma...
Com seu amor...a tua ternura. .TUS acaricia...sua paixão. Eu as mulheres sentem mais fabulosas...dono do seu amor. .
Neste nosso universo. Sinto-me maravilhosamente bellaaa!
Requintadamente feminina. ..
♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡ Maria Antonia Delvalle 18 - 08-2014 

Quarta Na Usina: Poetisas Na Rede:Maria Clara Rezende: NÃO PROMETO:


Não te prometo uma vida perfeita

Uma vida sem dores

Uma vida sem defeitos...
Mais prometo meu coração
Te entregar..
E se assim quiseres vem
Viver comigo



Que prometo muito amor te dar
E as tuas dores e teus problemas
Pelo menos aliviar
Vem dividir comigo
Todos os teus dias
Vem
Ser feliz
A vida é breve não vale a pena esperar 
Então vem...

16-08-14
10:23

Quarta Na Usina: Poetisas Da Rede: Vóny Ferreira: JANELA DE SAL:


São os teus olhos saindo do mar

Que brilham como estrelas para mim

Profundamente consegues alcançar

A memória que tenho de tudo que vem de ti.


Vens como quem permanece incógnito
Com uma profundidade que me inflama
Mais do que mar serás sempre o meu tudo
Ardendo no meu peito em pura chama.
VÓNY FERREIRA
M. Ivone B.S.Ferreira_________________

Vf

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Quarta Na Usina:Poetisas Da Rede: Tejeda Tejeda Azucena:


Sentir,
sentir que tu mano es mi caricia,

sentir que tu sueño es mi deseo,

sentir que tu mirada es mi descanso,

sentir que tu nombre es mi canción,

sentir que tu boca es mi refugio,

sentir que tu alma es mi regalo.

Sentir que existes...
sentir que vivo para amarte.

Quarta Na Usina: Poetisas Da Rede: CLAUDINHA POETA:



SEJA SENSITIVO PARA " PODER " 
SONHAR SONORA_MENTE 

COM ALMA ...



CLAUDINHA POETA 

LONDRINA BRASIL

Quarat Na usina: Poetisas Da Rede:Patricia Hart:TIMELESS TIME:



"AUNQUE EL RELOJ MARQUE CINCO MINUTOS, 

LA ESPERA DEL SER AMADO ES SIEMPRE UNA ETERNIDAD"

TIMELESS TIME

Patricia Hart

Derechos reservados.

Teatro y Neurociencias / Patricia Hart
Página facebook de Patricia Hart

Pensamento do Dia:

“A Filosofia vai muito além de uma arquitetura de pensamentos, sob a forma de palavras bem ordenadas.

Banhada com o falso brilho do verniz da necessidade do momento.”


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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Crônicas De Segunda Na Usina: D'Araujo: Sonhos Baratos:



          Em um mundo cada vez mais frenético onde passamos há consumir o tempo sem se dar conta da sua exata importância, sempre acabamos todos enfileirados na mesma burrice.
De vez em quando, eu, cidadão de poucas pretensões consumista, me vejo contaminado pelo impulso do consumo. Então me pego a observar as pessoas que transitam em plena Rua 25 de Março, o mais autentico paraíso dos insatisfeitos. Como um rebanho fora de controle, alucinados pelos holofotes do baixo prazer. Todos vão se abalroando naquela calçada que com o tempo se tornaram estreitas diante o desejo incomum de todos, em muitas vezes a calçada se torna insuficiente então muitos passam a disputar espaço com os automóveis que ali trafegam com os seus motoristas sob a mesma luz do desejo.
Todos absolutamente encantados com as belas vitrines que acalentam seu ego vazio e obscuro.
Vão aos poucos abarrotando as suas sacolas de insatisfações nas imensas prateleiras das lojas de inutilidades domesticas, onde quase tudo que se compra, jamais vão utilizá-las. Em uma interminável lista de bibelôs para enfeitar os seus mais íntimos e obscuros desejos de felicidade.
Assim vamos ofuscando nossos fracassos com os sonhos baratos de consumir a se mesmo antes que o tempo os consuma. Sempre cegos pela interminável necessidade do ter, e ser pelo poder, violentamos os mais nobres valores em nossos delírios instantâneos sobre o efeito desta febre de insanidade temporária diante uma imensa babel de loucos.
E ao longo do tempo nos tornamos repulsivos aos que nos desafiam com a sua indiferença ao nosso nobre propósito de futilidades inúteis.
Entrincheiramos os sonhos nas nossas fortalezas de hipocrisia afastando qualquer possibilidade de convívio harmonioso com o semelhante que não compactue dos mesmos desejos insolentes.


Crônicas De Segunda Na Usina:Machado de Assis: Sufrágios pelo rei de Portugal:


16 DE DEZEMBRO DE 1861.
A lei das condecorações – O sr. Ministro do Império – O fim do
decreto – Escola-normal de teatro – Nada de concorrência –
Os fins do teatro – Sufrágios pelo rei de Portugal.
Dizia um filósofo antigo que as leis eram as coroas das cidades.
Para caracterizá-las assim deve supor-se que leis sejam boas e
sérias. As leis más ou burlescas não podem ser contadas no número
das que tão pitorescamente designa o pensador a que me refiro.
A folha oficial deu a público um decreto que reúne as duas
condições: de abusivo e de ridículo; é o decreto que regula a
concessão de condecorações. A imprensa impugnou o ato
governamental, e à folha oficial foram ter algumas respostas, com
que se procurou tornar a coisa séria.
Mas se a coisa era burlesca e má, má e burlesca ficou; as
interpretações dos sacerdotes não trouxeram outra convicção ao
espírito do vulgo. Devo todavia notar que a má impressão produzida
pelo regulamento das condecorações diminuiria se tivesse atendido
para o nome do ministro que firmou o decreto.
Benza-o Deus, o Sr. Ministro do Império não é, nunca foi, e muito
menos espera ser uma águia. Adeja na sua esfera comum, tem por
horizonte a beira dos telhados da sua secretária, e deixa as nuvens e
os espaços largos a quem envergar asas de maiores dimensões que
as suas.
Isto no gabinete, isto na tribuna; o homem da palavra luta de
mediocridade com o homem da pena, e, força é dizer, quando este
parece que suplanta aquele, aquele vence a este, para de novo ser
vencido.
Por isso há de dar água pela barba a quem descobrir qual dos dois é
mais vulgar.
Se tivesse atendido a esta circunstância, o pasmo não teria sido tão
grande, porque está escrito que o fruto participa das qualidades da
árvore, e o tal decreto devia doer mais ao Sr. Ministro do que se
pensa. S. Excia. levou seu tempo a trabalhar naquela obra, não
comunicou a ninguém a novidade que ia dar, pelo menos não houve
esse zum-zum que precede, as mais das vezes, aos atos do poder, e
um belo dia disse consigo: - “Vou causar uma surpresa a estes
queridos fluminenses: amanhã pensam ler na folha oficial uma
cataplasma árida do expediente dos meus colegas, e eu dou-lhes
este acepipe preparado por minhas bentas mãos”. E publicou-se o
regulamento.
Ora, cuidar que depois da sua obra a musa da história o receberia
nos braços, e ver que ele teve o mais triste dos acolhimentos, o do
ridículo, é um transe duro de sofrer, e maior do que se houvesse
ligado pouca importância ao resultado das suas lucubrações.
Cada ministro gosta de deixar entre outros trabalhos, um que
especifique o seu nome no catálogo dos administradores.
A matéria das condecorações seduziu o Sr. Ministro do Império ;
datavam de longe os decretos que a regulavam, o Sr. Ministro quis
reunir esses retalhos para fazer o seu manto de glória, e organizou
um regulamento geral.
O primeiro artigo desse regulamento espantou a todos, porque exigiu
20 anos de serviços não remunerados, para concessão de uma
condecoração, era murar a grande porta das graças, e fazia admirar
que o governo com as próprias mãos quebrasse uma das suas boas
armas eleitorais.
O art. 9.º restabeleceu os ânimos; muravam a grande porta, é
verdade, mas abriam um largo corredor, ou antes, reconheciam e
legalizavam essa via de comunicação aberta pelo abuso.
O governo quis ser esperto, mas o público não se deixou cair no laço
armado à sua boa fé.
Não vá agora o leitor pensar que me pronuncio assim porque
considero a concessão de graças o sumo bem que pode desejar toda
a ambição do coração humano!Deus me absolva se peco, mas eu não
penso assim. O que, porém, cumpre dizer em honra da verdade, é
que o decreto de 7 de dezembro é uma lei manca e burlesca.
Entre os atos de nulo valor do governo ocupa esse um lugar distinto.
Oxalá que ande ele melhor avisado na organização de uma escola
normal de teatro, sobre o que está uma comissão encarregada de
dar o seu parecer.
Espera-se com ânsia, e pela minha parte, com fé, o resultado do
estudo da comissão, porque a matéria apesar de importante não foi
até aqui estudada.
Entretanto, antes que tenha aparecido o trabalho oficial, já uma
opinião se manifestou nas colunas do “Correio Mercantil”.
Essa opinião sinto dizê-la, devia ser a última lembrada, se merecesse
ser lembrada.
A doutrina liberal de concorrência aplicada à espécie prejudica o
ponto essencial da questão, e que se tem em vista atingir.
Criar no teatro uma escola de arte, de língua e de civilização, não é
obra de concorrência, não pode estar sujeita a essa mil
eventualidades que têm tornado, entre nós, o teatro uma coisa difícil
e a arte uma profissão incerta.
É na ação governamental, nas garantias oferecidas pelo poder, na
sua investigação imediata, que existem as probabilidades de uma
criação verdadeiramente séria e seriamente verdadeira.
Uma legislação emanada da autoridade, a reunião dos melhores
artistas, a escolha dos mestres de ensino, a criação de escolas
elementares de ensino, onde se aprenda arte e língua, duas coisas
muitas vezes ausentes de nossas cenas, a boa remuneração ao
trabalho dos compositores, um júri de julgamento de peças, em boas
bases, ficando extinto o conservatório, tudo isto sem descuidar-se na
flutuação das receitas, tais são os fundamentos, não de um teatroescola,
mas do teatro, na sua acepção mais abstrata.
Virá o estímulo, os outros aprenderão no primeiro, e arte torna-se
um fato, uma coisa real.
Mas deixar à luta individual a criação de uma escola nas condições
exigidas, equivale a não criar coisa nenhuma. E se alguma coisa se
fizer há de ser em demasia lento.
Não, o teatro não é uma indústria, como diz a opinião a que me
refiro; não nivelemos assim as idéias e as mercadorias.
O teatro não é um bazar, e se é, que estranhas mercadorias são
estas, chamadas Othelo, Athalia, Tartufo, Marion Delorme e Frei Luiz
de Souza, e como devem soar mal, nos centros comerciais, os nomes
de Shakespeare, Racine, Molière, Victor Hugo e Almeida Garrett.
Não é o teatro uma escola de moral? Não é o palco um púlpito?
Diz Victor Hugo no prefácio da Lucrecia Borgia: “O teatro é uma
tribuna, o teatro é um púlpito. O drama, sem sair dos limites
imparciais da arte, tem uma missão nacional, uma missão social e
uma missão humana. Também o poeta tem cargo de almas. Cumpre
que o povo não saia do teatro sem levar consigo alguma moralidade
austera e profunda. A arte só, a arte pura, a arte propriamente dita,
não exige tudo isso do poeta; mas no teatro não basta preencher as
condições da arte.”
Estou certo de que a comissão e o governo não entregarão à
concorrência a criação de uma escola normal de teatro. Isto no
pressuposto de que a nomeação da comissão não foi uma fantasia do
autor do decreto das graças.
Dito isto, passemos a outras coisas. Mas o quê?Depois da minha
última revista, nada se deu que mereça uma menção ou um
comentário.
O que de mais notável sei, é que se continua a celebrar missas e
ofícios fúnebres pelo rei D. Pedro V; na sexta-feira foi o do cônsul de
Portugal, hoje é o da sociedade Portuguesa de Beneficência
Dezesseis de Setembro, o da Dezoito de Julho, o da Igualdade e
Beneficência, e de uma comissão da Prainha.
Folgo por ver que nestas homenagens prestadas à majestade morta,
fala menos o ânimo dos vassalos que o coração dos amigos e

admiradores das virtudes daquele ilustre soberano.