segunda-feira, 23 de abril de 2018

EisFLUÊNCIAS : A LÍNGUA PORTUGUESA EM REVISTA...



Publicação já Tradicional, em Língua Portuguesa, predominantemente circulante em Países de expressão Lusófona, Angola, Brasil, Guiné, Portugal, Madeira, Moçambique e Timor Leste, nem por isso, xenófoba, abrigando também autores simpáticos a Língua, ou Bilíngues, também Argentinos, Uruguaios ou Venezuelanos, em Poesia, Contos ou Prosa, acaba de sair, fresquinha, a partir de elaborado trabalho coletado em Portugal, pelos Poetas Carmo Vasconcelos e Henrique Ramalho, a Edição de Fevereiro, em sua 39ª versão...

Edição, excepcionalmente, exclusiva em Prosa, trás Textos de uma gama mais variada de Autores, perfazendo um total de 86, de diversos estilos e nacionalidades, enfim, uma síntese do que melhor há em gramática e literatura na Terra de Camões, e seus adeptos.


Aos Seis anos de ininterruptas Edições, sempre para bajulo e graça da Língua Portuguesa, trabalho para o qual se pede amplo compartilhamento, a Edição em questão pode ser alcançada no Link: 
http://www.carmovasconcelos-fenix.org/revista/eisFluencias/39-FEV16/eisFluencias_Fev_2016_6_39.htm

fonte de origem:
http://www.abdic.org.br/index.php/home-6/1163-eisfluencias-a-lingua-portuguesa-em-revista

clube de autores:Por que um bom livro é uma porta secreta?




 3 de outubro de 2016  clubedeautores         
A infância é surreal. Já comentei isso no post da quarta passada quando me alonguei, talvez mais do que o necessário, sobre como livros permitem que crianças criem mundos de acordo com as suas próprias e pessoalíssimas visões de mundo.


Nessa linha, vale muito conferir a palestra do autor Mac Barnett sobre a escrita que escapa das páginas abrindo todo um caminho para a imaginação:


Pensamento do Dia:

Só conseguiremos mudar nossa Pátria, no dia que a democracia deixar de ser um movimento classista isolada, e virar uma prática de cada cidadão.


Esta e mais de 90 outras estão nesta obra.
Para baixar o livro Grátis é só clicar no Link abaixo:

Crônicas De Segunda Na Usina: Machado De Assis: Itália — Por que não foi um embaixador a Koenigsberg?


25 DE NOVEMBRO DE 1861.
Itália — Por que não foi um embaixador a Koenigsberg? 
— Uma heresia científica — Dois livros — A companhia italiana —
Uma carta.
Começo por uma raridade, não uma dessas raridades vulgares de
que fala uma personagem de teatro, mas uma raridade vulgarmente rara: — o governo de acordo com a opinião.
Os complacentes e os otimistas hão de rir; não assim os julgadores
severos; esses dirão consigo: — é verdade! — A opinião havia
acolhido com entusiasmo a unificação da Itália; o governo acaba de reconhecer “com prazer” e sem delongas acintosas o novo reino Italiano. Não é caso de milagre, mas também não é comum.
Afez-se o país por tal modo a ver no governo o seu primeiro
contraditor, que não pôde reprimir uma exclamação quando o viu
pressuroso concluir o ato diplomático a que aludo. E por que não
havia de fazê-lo? perguntará o otimista. Eu sei! Por descuido, por cortesania, por qualquer outro motivo, mas a regra é invariável: o governo sempre contrariou a opinião.
Mas a Itália, ouço eu dizer, assenta hoje a sua existência política nas mesmas bases da nossa: uniu-se para ser a Itália, e escolheu o governo que achou melhor, como o império se unira para ser o império, e como escolheu por uma revolução o governo que achou mais compatível consigo e com os tempos. Quereria o governo brasileiro ser ilógico ou ridículo? Não alcançaria ele a clareza e a firmeza destes princípios?
Tudo isso é verdade, mas não menos verdade, é que este absurdo que por tamanho não parece entrar na cabeça de ninguém, existe na de muita gente. Não há ainda quem espere pela volta do absolutismo a Nápoles? Quem conte, para confusão dos maus, com a destituição
de Victor Manoel, e do herói de Marsala? Podem, é verdade, todas essas coisas acontecer; as vicissitudes humanas concluem muitas vezes pelo absurdo, e pelo aniquilamento
dos mais sãos princípios, mas as idéias ficam de pé, e o espírito,
abatido, embora, não abdica de si.
Não creio, ninguém pode crer, para honra nossa, que no espírito do governo imperial existisse nunca uma convicção contrária ao ato do reconhecimento. Mas nem por isso se pode contestar, que, por motivos fúteis embora, o governo poderia, como em outras vezes,
comprometer a opinião do país com uma nação estrangeira. E que nação, a Itália! Uma das que a providência das nações destina para ser um guia da raça latina, e conduzi-la através dos séculos ao aperfeiçoamento moral e intelectual de que ela é capaz. Seria lamentável, mas seria possível, e daqui vem que a imprensa e o país louvam todos os atos do governo.
Existirá nesse elogio contra as intenções do país, que o fez de coração, um amargo epigrama? De quem a culpa? Do governo e só do governo. Avezado a remar contra a opinião, este mau timoneiro, se alguma vez volta o batel à feição da corrente dos espíritos, é logo
objeto de mil cumprimentos, que lhe devem doer mais do que
dobradas chufas.
E ele anda agora em maré de epigramas; alguns bem bons nos lançaram os alemães, a propósito de não haver na coroação do rei Guilherme um embaixador brasileiro, bem que aquele soberano não ficasse nem meio minuto à espera de que o Brasil tomasse parte na
função.
Ora, o império foi realmente descortês e não praticou um ato de boa política. Abstraindo da importância da farsa de Koenigsberg, tratavase de uma potência de primeira ordem, de um soberano amigo, e de uma fonte onde vamos procurar colonos quando precisamos lavrar
nossas terras. Se não bastavam as duas primeiras considerações, a última devia de ser digna de reparo do governo. Por que não atendeu a ela?
Já ouvi, por suposição, que o governo não quis sem dúvida fazer gastos enormes, a bem de manter convenientemente um embaixador nosso, naquela estrondosa cerimônia. Mas, se é preciso
atender a essa tristíssima contingência, se o bom senso do governo imperial chega a descobrir estas dificuldades, porque não o ilumina a providência, detendo-lhe a mão quando, com largueza, envia certas comissões a Europa, e dão ajudas de custo a presidências de províncias, despesas improdutivas, e diametralmente opostas ao programa do gabinete? Essas migalhas fariam um pecúlio para dar que gastar ao nosso embaixador, que demais, não precisava dar saraus estrondosos nem ostentar a suntuosidade com que a França se representou na pessoa do duque de Magenta.
A conclusão forçada de tudo isto é que o governo foi descortês. Vale-lhe, porém, a inspiração com que se apressou a respeito da Itália, a negação que fez das regras comezinhas de polidez
internacional.
Outro tanto pudesse eu opor à negação da ciência em favor do empirismo, que no meio de uma corporação fez o diretor da Academia de Medicina. Ouvi bem, ó vindouros, o diretor de uma
Academia de Medicina!”Où la direction d'une académie va-t-elle se
nicher!”
Mas não pasmemos, leitor amigo. Negar a ciência é negar a esposa, com que se contraiu, depois de longo estudo, o consórcio íntimo do espírito e dos princípios. Mas negar a publicidade, negar a discussão,
que são a alma do sistema representativo, equivale a negar a liberdade, a negar a própria mãe. Ora, se o leitor recorrer aos “Anais” da sessão legislativa deste ou do ano passado, há de ler no discurso de um membro da câmara vitalícia a mais extravagante proposta, onde se suprimiam ou restringiam profundamente aquelas duas condições de um sistema
livre. Depois disto há que admirar? Lembra-me aquele quimérico de Jules Sandeau, que vendo a causa da queda dos governos nos próprios governos, suprimia-os, para acabar com este inconveniente, bem como suprimia as leis, afim de se não atentar mais contra elas . Felizmente o senso comum faz ouvidos de mercador, e o senador diretor prega debalde aos peixinhos.
Os tipos deste gênero são mais vulgares do que muita gente pensa:
— espíritos medíocres, não podendo abraçar a amplidão do espaço em que a civilização os lançou, olham saudosos para os tempos e as coisas que já forma, e caluniam, menos por má vontade que por inépcia, os princípios em nome dos quais se elevaram.
Deixando de parte esses entes passivos que não podem servir de tropeço à marcha das coisas, acho melhor voltarmos à folha nas ocorrências da semana.
Representou-se, há tempos, um drama no teatro Ginásio intitulado Sete de Setembro”, em que o Sr. Dr. Valentim Lopes apareceu no nosso mundo das letras. Esse drama acaba de ser publicado agora em volume. Postos de parte certos pontos de composição, contra os quais se oferecem muito boas razões, mas que não constituem defeitos capitais, contém essa peça beleza de estilo e de arte digna de menção. Mas fora inútil repetir agora e discutir a composição de que a maioria de meus leitores sem dúvida terá velho conhecimento pela exibição cênica. Também um outro trabalho, que só é novo na forma por que acaba de ser publicado, é o “Pequeno Panorama” do Sr. Dr. Moreira de Azevedo, coleção de pequenos artigos que viram à luz pela primeira vez nas colunas do “Arquivo Municipal”. É um volume precioso, onde a história de muitas cidades e monumentos nossos se acha escrita, sem pretensão, mais com visos de apontamentos que de brilhantes monografias. Não é o primeiro serviço deste gênero que o Sr. Dr. Moreira de
Azevedo presta as letras pátrias. Nisto cifra-se o movimento da literatura propriamente dita da
semana anterior.
Tivemos no sábado a “Norma” pela companhia italiana. Foi noite da despedida. Já se havia dado o “Ernani” por última récita, mas como verdadeiras moças em visita, o público e a companhia quiseram trocar os últimos amplexos no topo da escada. Também foram os mais ardentes e entusiásticos. Posso dizer em minha consciência de comentarista sincero, que foi essa a melhor representação da companhia italiana. Em nenhuma das vezes anteriores a Sra. Parodi se elevou a tanta altura no papel da sacerdotisa gaulesa. O paquete do Prata levou ontem esses artistas que de passagem nos fizeram gozar algumas noites de verdadeiro e completo prazer. Ouço dizer que devem voltar em maio e passar aqui o inverno: Deus o queira.
Tenho em mão uma carta de um amigo a propósito dos meus penúltimos “comentários”. Em dicção castigada, e com aquela energia dos observadores severos, fez o meu correspondente
algumas considerações, que, se devo penetrar no vago da carta, são aplicados à situação em que se acha a nossa arte dramática.
Bem que a magnanimidade do mestre o levasse a dizer que de minhas migalhas se sustenta, declaro aqui, que não migalhas, mas sim escolhida e boa iguaria traz ele à mesa do pobre operário, sem prestígio, sem saber, e talvez sem talento.Agradeço-lhe a carta e as
atenções.
Termino anunciando a próxima publicação de uma revista semanal – A “Grinalda” – onde cada um pode levar a sua flor e a sua folha a entrelaçar.
Redige-a o Sr. Dr. Constantino Gomes de Souza, cujas aptidões se acham já reconhecidas pelo público, e que deve cumprir o programa a que se propõe.

Gil.

Sonhos de uma pátria em movimentos:


Meu partido é minha Pátria:
O resultado do vem pra Rua:
Se isso foi uma vitória. 
O que conhecemos por derrota?

        




Bom dia amigos do facemundo: Aqui vos fala o ET do Planeta azul.
Desculpem pelo inicio que possa lhe parecer irônico, mas é exatamente assim que eu me sinto diante os últimos acontecimentos na nossa Pátria:
Nos últimos dias deixei minha opinião sobre a maioria dos meios de comunicação de nossa pátria de lado, e resolvi acompanhar a evolução dos acontecimentos.
Confesso que é complicado, porque para ouvir a opinião de certos especialista, diga-se de passagem, bem pagos para deferir longas resenhas sobre determinados assuntos de interesse principalmente, próprios.
Se você pobre cidadão mortal que somos, não tiver estomago forte, você vomita.
Mas vamos deixar as nossas diferenças de opinião de lado, afinal isso é muito enriquecedor em sistema democrático, isso mesmo, pois algumas cabeças pensantes desta pátria juram que vivemos em uma democracia plena. “Como dizia, o Poeta, profeta, filosofo e principalmente o louco, mas sano que eu conheci, o nosso querido: Raul rock Seixas: Não bulo com Governo, com Policia nem censura, é tudo gente fina meu advogado jura...”.
Tudo bem vamos deixar novamente estas questões paralelas de lado e vamos aos fatos:
Vendo assistindo e participando deste maravilhoso levante popular. (Quem dera que o fosse).
Eu como militante de esquerda que fuina mais de trinta anos, Este momento chega a me causar um frenesi;
Até você descobrir que estão querendo mudar de uma forma que fique tudo exatamente como estava, ai eu vejo que o idealismo foi devorado pelo sistema capitalista, que a democracia virou cortina de fumaça para oportunista sem o menor patriotismo, ou mesmo um objetivo em favor da coletividade.
Todos saíram de mãos dadas para que os valores absurdos que são cobrados em nosso sistema de transporte fossem revisto, que bom seria se assim fosse;
Porque depois de lutas, lagrima, sangue quebra quebras simetricamente calculadas:
O poder publico, reagiu se manifestou e acatou o clamor das ruas, que maravilhoso, como eu amo a democracia.
    E por alguns segundos tenho aquela sensação de dever comprido para com a minha pátria, e que finalmente o poder voltou às mãos de direito:
Ai me vem logo em seguida à visão inevitável da realidade que me faz repensar tudo que fiz ou deixei fazer. E me pergunto; o que fizemos com a nossa educação formadora de cidadãos:
Pois tínhamos uma tarifa de R$3,20 e baixamos para 3,00, finalmente uma vitória da luta coletiva de um mesmo ideal: Então vem a euforia da vitoria,a aclamação dos especialistas de plantão destilando suas fabulosas opiniões sobre o amadurecimento político da nossa nação e da vitória fabulosa conquistada a duras penas.
Ai eu acordo; Isso mesmo, acho que isso foi só um sonho, pois eu me nego a acreditar que depois de trinta anos de luta, isso foi tudo o que conseguimos, ou seja nada, isso mesmo nada:
Calma eu explico: A tarifa era R$3,20 um absurdo, mas para ela custar esses míseros 3,20.  Para capitalista que investiu na empresa, nos inocentes pagadores de impostos, através dos nossos legítimos e ilustres representantes, subsidiamos uma complementação de um bilhão de reais. Espere! Então qual é o valor real da tarifa: Por gentileza Algum entendido em  cálculos poderia fazer as contas e depois me informar, eu juru que divulgarei publicamente o resultado, mas vamos voltar aos fatos.
 Se valor atual nos temos que subsidiar, com um bilhão, à por gentileza o homem dos calculo não querendo abusa da sua benevolência faz mas esse pra nós, e desde de já nossa eterna gratidão, desculpe mas eu não perco essa mania de mistura assuntos.
Só pra da ênfase, ao ideal da luta. Não era para reduzir a tarifa?
Conforme os nossos ilustres e legítimos representantes aclamaram na imprensa, os custos desta redução não vai sair dos lucros dos empresários, empresários estes que diga se de passagem eu não tenho nada contra pois eles são frutos das escolhas que fizemos em ter um sistema econômico capitalista, e cá estou eu novamente misturando assunto.
Só para encerrar este pequeno desabafo de um cidadão que dedicou grande parte de sua existência a luta por uma pátria livre e justa.
Se a redução não vai sair do lucro das empresas, isso quer dizer que nós vamos continuar pagando o mesmo preço. Apenas encompridamos o caminho do dinheiro até o bolso dos empresários e assim criamos, mas um viés para a propagação da corrupção.
Então isso é o que aclamamos como vitória da nossa amada democracia, se isso é vitoria o que conhecemos por derrota?
Deixo aqui minhas sinceras desculpa se direta ou indiretamente com este texto que expressa tão somente a minha opinião, fui injusto de alguma forma com os meus irmãos patriota de tantas  lutas e conquistas.
Acrescentando uma virgula, estive ultimamente me perguntando por onde andam aqueles bravos cidadãos que até pouco tempo inundavam nossas avenidas com seus gritos de guerra na luta pela democracia, mais foi só começar pra valer a corrida eleitoral que todos desapareceram,
Mais agora é que era o momento de darmos nomes aos bois, ou será que os bois que financiaram toda aquela baderna, desculpe, toda aquela luta por direitos se juntaram ao mesmo rebanho, será que esses ilustres Brasileiro não entendem que agora e que a população mais precisa de esclarecimento para votar consciente ou será que não tem mais quem financie, essa democracia de cegos surdos e mudos, pois eles comem no mesmo coxo, é triste ver todas as legendas de engalfinhando, não defendendo o povo mais para saber quem fica com a fatia maior do dinheiro publico, até quando vamos ficar com nossos rabos gordos no conforto do sofá da sala enquanto estes bandos de urubus vão devorando os sonhos de um futuro melhor pros nossos filhos.
Salve o nome de todos em que você votar em um arquivo, já vai preparando um texto de cobrança, e envie toda semana por e-mail, para eles o partido que eles representa, sempre lembrando que vocês se reencontraram na próxima eleição, e quem sabe podemos começar mudar isso tudo que está ai.

Por isso me referi ao ET. Será que só eu enxergo por essa ótica.
E tenho dito.

"Quando imbecis sem propósitos tentam fazer revolução, eles perdem a compostura."

                         D’Araujo.

domingo, 22 de abril de 2018

Domingo Na Usina: Biografias: Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque,:



Nasceu em Benguela em 9 de Junho de 1930 e ali passou grande parte da sua infância, por certo a coligir sentimentos que, mais tarde, exalaria pela poesia que escreveu.

Nascida numa família abastada, foi criada no característico meio crioulo da urbe das Acácias Rubras da década de 30, onde apesar da circunstância colonial não faltavam cultores da velha escola republicana portuguesa anterior ao Estado Novo, a par de remanescentes dos tempos da tipóia e do comércio sertanejo.

Teve, como era próprio do seu tempo, uma educação profundamente cristã, o que lhe conferiu "um vincado espírito de liberalismo".

Depois de ter concluído o sexto ano num colégio de madres em Sá da Bandeira (actual Lubango), partiu para Lisboa, onde terminaria os estudos liceais e frequentou a Faculdade de Medicina.

Durante este período manteve uma estreita ligação com a Casa dos Estudantes do Império - CEI, tendo sido igualmente colaboradora em jornais e revistas de relevância na época, tais como  Revista Mensagem- CEI, o Jornal de Benguela, o Jornal de Angola, o ABC e Ciência.

Nessas publicações, surgiram os seus primeiros escritos poéticos, também publicados em várias antologias, até surgir o seu primeiro livro, intitulado Poesias, em 1960.

Poeta da Geração Mensagem, A sua poesia transpira  exílio, saudade obsessiva da terra e suas gentes, os lugares da infância, os amigos e as expectativas de um futuro em que pretendia participar logo que possível faz de Alda Lara, uma mensageira da sociedade civil, lutando com as armas de que dispunha a sua poesia, onde a política, estando implícita, é sobretudo do foro dos sentimentos.

Alda Lara, irmã do também notável poeta Ernesto Lara Filho, a poetisa de Benguela que faleceu prematuramente em 1962, anda algo esquecida em Angola por uma certa intelectualidade que, não obstante, não desconhece a importância da sua obra literária e o lugar de excelência que lhe cabe na literatura angolana, mas que persistem em fazer vista grossa à importância do seu testamento de (também ela) precursora de uma pré-poesia angolana que à época despontava, e que foi e é até hoje a voz feminina de maior sensibilidade, aliando ao acervo poético significativo que deixou, uma oficina de escrita passível de ser classificada já na década de 60 do século findo como de modernidade.

Após a sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira, atual Lubango, decidiu instituir o Prémio Alda Lara de Poesia.

Obra poética:
Poemas, 1966, Sá de Bandeira, Publicações Imbondeiro;
Poesia, 1979, Luanda, União dos Escritores Angolanos;
Poemas, 1984, Porto, Vertente Ltda. (poemas completos);

fonte de origem:
http://www.lusofoniapoetica.com/artigos/angola/alda-lara/biografia-alda-lara.html

Domingo Na Usina:Biografias:Ana Hatherly:



Natural do Porto, Ana Hatherly (1929-2015), licenciada em Filologia Germânica pela Universidade Clássica de Lisboa, diplomada em técnicas cinematográficas pela International London Film School e doutorada em Estudos Hispânicos do Século de Ouro pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. Entre 1981 e 1999, foi professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A sua vasta obra inclui poesia, ficção, ensaio, tradução, performance, cinema e artes plásticas, estando representada no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian e no Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Dirigiu as revistas Claro-Escuro (1988-1991) e Incidências (1997-1999). Parte do seu espólio encontra-se depositado no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea da Biblioteca Nacional.

Ana Hatherly integrou o grupo da revista Poesia Experimental (1964, 1966), sendo autora ou co-autora de alguns dos textos programáticos do movimento. A sua obra evidencia a assimilação do experimentalismo internacional característico da década de 1960, designadamente através da espacialização da palavra e da exploração caligráfica da relação entre desenho e escrita, mas também uma grande versatilidade de géneros, formas e estilos. Uma intensa auto-reflexividade é visível em ciclos de permutações paródicas, no desenvolvimento de formas como o poema-ensaio e a micro-narrativa, e na desconstrução de uma subjectividade feminizada. A atenção à dimensão plástica e gestual da escrita está patente quer em séries recolhidas em livro, quer nos desenhos e (des)colagens, quer ainda nos filmes e acções poéticas que realizou. A sua investigação académica contribuiu decisivamente para uma revisão da leitura da poesia barroca em Portugal e para o conhecimento da história da poesia visual.

Obras principais > O mestre (Arcádia, 1963), Sigma (1965), Eros frenético (Moraes, 1968), Anagramas (Galeria Quadrante, 1969), 39 tisanas (1969), Anagramático (1970), Mapas da Imaginação e da Memória (1973), O Escritor, 1967-1972 (1975), A Reinvenção da Leitura: Breve Ensaio Crítico seguido de 19 Textos Visuais (1975), Poesia, 1958-1978 (1980), O Cisne Intacto: Outras Metáforas - Notas para uma Teoria do Poema-Ensaio (1983), Escrita Natural (1988), Volúpsia (Quimera, 1994), 351 tisanas (1997), A idade da escrita (Tema, 1998), Rilkeana (Assírio & Alvim, 1999), Itinerários (Quasi, 2003), O pavão negro (Assírio & Alvim, 2003), A mão inteligente (Quimera, 2004), Fibrilações (Quimera, 2005), 463 tisanas (Quimera, 2006), A neo-Penélope (& etc, 2007). No campo da história e da teoria da poesia visual, publicou PO.EX: Textos Teóricos e Documentos da Poesia Experimental Portuguesa (1981; com E. M. de Melo e Castro) e A Experiência do Prodígio: Bases Teóricas e Antologia de Textos Visuais Portugueses dos Séculos XVII e XVIII (1983). A sua obra plástica foi objecto de uma exposição retrospectiva no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian: Ana Hatherly: Obra Visual, 1960-1990 (1992), tendo duas Antologias publicadas: Um calculador de improbabilidades (Quimera, 2001), Interfaces do olhar: uma antologia crítica, uma antologia poética (Roma Editora, 2004). É também autora dos filmes The Thought Fox (Londres, 1972), Spaghetti Time (Londres, 1972), C.S.S. (Cut-Outs, Silk, Sand) (Londres, 1974), Revolução (Lisboa, 1975), O Que É A Ciência (Lisboa, 1976), Música Negativa (Lisboa, 1977) e Rotura (Lisboa, 1977).

[Biografia escrita por Manuel Portela].
fonte de origem:
http://po-ex.net/taxonomia/transtextualidades/metatextualidades-alografas/ana-hatherly-biografia

Domingo Na Usina: Biografias: Gustavo Ferreyra:



Dois livros foram suficientes para Gustavo Ferreyra para lançar as bases de um projeto narrativa que acabaria por estabelecer-se como uma das narrativas mais exclusivo da Argentina nos últimos anos: A proteção, publicado em 1994, e desamparo, cinco anos depois. Então veio gineceo, vértice eo principal, no qual Ferreyra continuou tentando diferentes combinações torções corpo a corpo com as palavras, tentando variações quando meticulosamente construir um mundo em toda a sua porosidade, isto é, furando tinta em cada dos seus poros, um um-; um mundo habitado por personagens que carregam sobre os seus ombros o peso dele. Engraçado como romances de leitura Ferreyra gera um efeito hipnótico óptico ou melhor, a imobilidade; mas a verdade é que seus parágrafos progressos sólidos, como o tempo, de forma contínua e imperceptível. Um mal-entendido semelhante faz o seu trabalho como um todo. Alguns vontade, comparando a memória turva das leituras, a ideia de que o estilo é inabalável e imutável Ferreyra, torna-se monótono. E, pouco afeto pela estridência, o movimento minuto de sua prosa rastrear a curvatura de um balanço do milímetro. Simplesmente voltar para os livros para testar se uma falsa impressão. Nesse sentido, a primeira pessoa do diretor, que por sua vez foi um dos personagens da Vertex, é de alguma forma germe Piquito ouro. Ou o germe de uma das suas duas metades. Por mais de um romance coral Piquito ouro parece um romance Siamese, duas cabeças de bloqueio (e diretor ficar dentro, uma outra novela Risos). Neste novo livro, existem dois tons narrativa que está passando o bastão da história: em primeiro lugar, Piquito monólogo, um trinta-algo sociólogo tarde, eles apenas espalhar as cinzas de seus pais; e, por outro, o médico de família Cianquaglini, que começou algumas semanas antes de o romance foi morto na rua à noite em circunstâncias pouco claras. Ferreyra, "Eu acho que eles são duas histórias que vão além do romance. Eles irão convergir em um ponto. Só que a convergência não aparece. Pode escrever no futuro pós-vértice. Mas nunca da esquina ... Há também a intenção de enfrentar, sem interagir aparentemente de esquerda cenário intelectual e nenhum mundo intelectual, armado com o senso comum na época, a opinião coletiva. Todos Piquito poder verbal, eu acho que, neste contexto, que é o horizonte sobre o qual ele pretende distinguir-se, a subir. "

filho único algo estragado e superprotegida, uma vez que os seus pais mortos, uma vez formado um casal com uma mulher um pouco mais velho, Piquito recapitula sua vida, retratada seres humanos com naturalista olho, e levanta a voz para cantar, um discurso exultante exasperado, momentos candida, momentos cheios de misantropia, que relembram a melhor Céline, para dar um nome. E que normalmente gera alguns livros não causou Ferreyra. Riso, que acrescentou ao balanço narrativa dá a história de uma fluidez e taxa inédita "From desde Ferdinand Piquito se enfurece, mas está intimamente ligada à sua oposição à ingenuidade de um protagonista de Walser. Squalor e criatividade, incapacidade de criança, de qualquer maneira. Bico, penso eu, é tão atual que pode levar o controle remoto ", diz ele. Ele acrescenta: "Meus personagens lutam contra a realidade, o que quer que a realidade. Cada novela foi se aproximando de mim a vulgaridade do presente, sem, espero, fazer o texto em si essa vulgaridade. Se Duhalde tinha aparecido em meu primeiro romance, suponho que teria manchado mas agora eu trazê-lo ao texto e que o coloca com um guindaste e separado de seu habitat. "Ferreya é que, no nosso país, é um dos poucos que são incentivados a redefinir o "realismo", um termo que deve ser reconhecida a muitas vezes tem uma conotação negativa quase reflexão como áspero, sem imaginação, a priori, da realidade. Mas a prosa de Ferreyra passa o teste para incorporar Adrian Suar Duhalde, por meio Kosteki e Santillan e do corralito, o diálogo mais trivial caseiro; incluindo o que é chamado de "gordo", que pode soar maneiras ou estereotipados, e fazer que com que a literatura.

Enquanto o futuro do Piquito Piquetera tende para a militância, família de classe média orbita o buraco acabado de sair Dr. Cianquaglini após sua morte. Uma terceira pessoa, que é muito próximo ao que Ferreyra chamados de "meus velhos vícios", conta os dias de mulheres e os três filhos do médico assassinado, a investigação policial, combinando algumas reviravoltas inesperadas reações esperado para um Ela provoca a morte dentro de uma família. Longe de tudo drama, longe do discurso da mídia (que constroem suas próprias histórias de morte "engenheiro" ou "arquiteto", como vítimas de "insegurança"), Ferreyra não vai escapar do pacote, processos tipos sociais e consegue desligá-los. Até pelo diálogos hilariantes e algumas situações, volta a mostrar o sorriso leitor. E é que o VA Ferreyra, especialmente cada vez lançado após a morte de seu pai. "Toda morte é desejado, é também uma libertação pessoal, familiar, social ... Mais intelectuais, também me interessa, eu estou interessado comum. Eu nunca vê-los como tipos sociais que tendem a entrar em subjetividade. I evitar estereótipos, porque eles só vêm em cima de mim, como acontece com qualquer um, a degluto e afundar-me até que desapareçam como estereótipos. Ele não leva muito algumas vezes para alterar a vista. Ele tem construído ao longo dos anos para ser um profundo dentro de mim que não pode digerir o que é dado e joga as coisas para que eles não são facilmente reconhecíveis. " 

fonte de origem:
https://inrockslibros.wordpress.com/2010/01/18/gustavo-ferreyra-piquito-de-oro/

Os 100 melhores romances em língua espanhola dos últimos 25 anos:


O maldito canonizado: Roberto Bolaño emplacou 3 romances entre os 100 melhores do mundo hispânico no último quarto de século.


A revista colombiana Semana recentemente jogou lenha na fogueira das discussões literárias hispano-americanas ao reunir 81 críticos, jornalistas e escritores para eleger os 100 melhores romances em língua espanhola dos últimos 25 anos. Como sempre no caso dessas listas, o único interesse é brincar, comparar gostos e descobrir novos títulos. Jamais se chegará, claro, a nenhum acordo nem mesmo sobre o que constitui um grande romance. A lista dos 25 primeiros colocados, com as respectivas sinopses, encontra-se aqui. As 75 obras seguintes, acompanhadas só do nome do autor, país de origem e data de publicação, estão aqui.

Saiba Mais:
fonte de origem:

Domingo na Usina: Biografias: Cristiane Sobral:



(Rio de Janeiro, 1974) é uma atriz, escritora e poeta brasileira[1] [2] .

Estudou teatro no SESC do Rio de Janeiro, em 1989. No ano seguinte mudou-se para Brasília, onde montou a peça Acorda Brasil. Foi a primeira atriz negra graduada em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília. Atuou no curta-metragem A dança da Espera, de André Luís Nascimento, e em diversos espetáculos teatrais.

Estreou na literatura em 2000, publicando textos nos Cadernos Negros. Foi crítica teatral da revista Tablado, de Brasília. Fez pós-graduação em Educação com ênfase no ensino de Artes. Trabalhou como Assessora de Cultura da Embaixada de Angola no Brasil[3] .

Obras[editar | editar código-fonte]
1998 - Uma boneca no lixo (teatro) - Prêmio de montagem GDF
2000 - Dra. Sida (teatro) Prêmio do Ministério da Saúde
2004 - Petardo, será que você agüenta? (teatro) - com Dojival Vieira
2010 - Não Vou Mais Lavar os Pratos (poesia) - Editora Thesaurus
2011 - Espelhos, miradouros, dialéticas da percepção (contos) - Dulcina Editora.

fonte de origem: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cristiane_Sobral

Domingo Na Usina: Biografias: Oliveira Viana:



(Francisco José de Oliveira Viana), sociólogo e jurista, nasceu na localidade fluminense do Rio Seco de Saquarema, em 20 de junho de 1883, e faleceu em Niterói, RJ, em 28 de março de 1951.

Filho de Francisco José de Oliveira Viana e D. Balbina Rosa de Azeredo Viana, de tradicionais famílias fluminenses. Estudou no Colégio Carlos Alberto em Niterói. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Niterói em 1906. Dedicou-se ao magistério em 1916, como professor de Direito Penal dessa Faculdade (1932-1940). Foi, sucessivamente, diretor do Instituto do Fomento do Estado do Rio de Janeiro (1926); membro do Conselho Consultivo do Estado; consultor jurídico do Ministério do Trabalho; membro da Comissão incumbida de elaborar o anteprojeto da Constituição (Comissão do Itamaraty) em 1932; membro da Comissão Revisora das Leis do Ministério da Justiça e Negócios Interiores e, finalmente, a partir de 1940, ministro do Tribunal de Contas da União.

O primeiro livro Populações meridionais do Brasil (1920) causou grande impacto pela nova visão ao encarar os problemas sociológicos do país. Os livros subseqeentes, Pequenos estudos de psicologia social (1921) e Evolução do povo brasileiro (1923), este como contribuição ao censo de 1920, confirmaram essa posição. Uma das obras, Raça e assimilação (1932), representava uma visão tradicional dos problemas da raça, e deu margem a polêmicas. Oliveira Viana reformulou em trabalhos posteriores esta visão e o livro não foi mais reeditado. Dois outros livros de Oliveira Viana vieram provar, em segundas edições, o seu prestígio: O ocaso do Império (1925) e O idealismo na Constituição (1927).

Consultor jurídico do Ministério do Trabalho, foi um dos responsáveis pela elaboração da nova legislação trabalhista. Problemas de Direito Corporativo (1938) é a defesa do projeto de organização da Justiça do Trabalho, rebatendo as críticas do deputado Waldemar Ferreira na Câmara dos Deputados. O livro mostra as características dessa nova concepção de Direito. Problemas de Direito Sindical (1943) é também a defesa da nova organização sindical do país.

Após o ingresso na Academia publicou mais três livros fundamentais, entre os quais Instituições políticas brasileiras, em dois volumes, obra considerada, até hoje, um dos trabalhos mais sérios, no Brasil, no campo desses estudos. Deixou outros livros publicados postumamente.

Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e dos seus congêneres do Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará; da Academia Fluminense de Letras; da Société des Américanistes, de Paris; do Instituto Internacional de Antropologia; da Academia de História de Portugal; da Academia Dominicana de História e da Sociedade de Antropologia e Etnologia do Porto. Sua casa em Niterói foi transformada em museu, depois de sua morte.


Segundo ocupante da cadeira 8, foi eleito em 27 de maio de 1937, na sucessão de Alberto de Oliveira, e recebido pelo acadêmico Afonso Taunay em 20 de julho de 1940.

fonte de origem:

Domingo Na Usina: biografias: Austregésilo de Athayde:



Terceiro ocupante da Cadeira 8, eleito em 9 de agosto de 1951, na sucessão de Oliveira Viana e recebido pelo Acadêmico Múcio Leão em 14 de novembro de 1951. Recebeu o Acadêmico José Lins do Rego.

Austregésilo de Athayde (Belarmino Maria A. Augusto de A.), professor, jornalista, cronista, ensaísta e orador, nasceu em Caruaru, PE, em 25 de setembro de 1898, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 13 de setembro de 1993.

Era filho do Desembargador José Feliciano Augusto de Athayde e de Constância Adelaide Austregésilo de Athayde, e bisneto do tribuno e jornalista Antônio Vicente do Nascimento Feitosa. Cedo foi viver no Ceará, onde morou em várias cidades, acompanhando as constantes mudanças decorrentes da atividade profissional de seu pai na magistratura. Ingressou no Seminário da Prainha aos doze anos de idade e lá estudou para o sacerdócio até o 3º ano de Teologia. Deixando o seminário, revalidou os preparatórios no Liceu do Ceará. Foi professor do Colégio Cearense e do Colégio São Luís, dedicou-se ao ensino particular e começou a colaborar na imprensa, até 1918, quando se transferiu para o Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro, prosseguiu no magistério particular no Curso Normal de Preparatórios e no Curso Maurell da Silva. Iniciou a carreira jornalística no jornal A Tribuna. Em 1921, passou a colaborar no Correio da Manhã, dedicando-se à crítica literária, e mais tarde em A Folha, de Medeiros e Albuquerque. Foi tradutor e redator das agências Associated Press e United Press. Escreveu o livro de contos Histórias amargas, publicado em 1921.

Em 1922, colou grau em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito do antigo Distrito Federal. Manteve-se sempre ligado profissionalmente à imprensa. Em 1924, convidado por Assis Chateaubriand, assumiu a direção de O Jornal, ponto de partida para a organização dos Diários Associados, em que exerceu intensa atividade.

Adversário da Revolução de 1930, participou, ao lado de Assis Chateaubriand, do Movimento Constitucionalista irrompido em 9 de julho de 1932, em São Paulo, tendo sido preso e exilado para a Europa em novembro desse ano. Permaneceu muitos meses em Portugal, Espanha, França e Inglaterra e de lá se dirigiu a Buenos Aires, onde residiu nos anos de 1933 a 1934.

De volta ao Brasil reiniciou suas atividades nos Diários Associados como articulista e diretor do Diário da Noite e redator-chefe de O Jornal, do qual foi o principal editorialista, além de manter a coluna diária Boletim Internacional. Também escreveu semanalmente na revista O Cruzeiro e, por sua destacada atividade jornalística, recebeu, em 1952, na Universidade de Columbia, EUA, o Prêmio Maria Moors Cabot.

Em 1948, tomou parte como delegado do Brasil na III Assembléia da ONU, em Paris, tendo sido membro da comissão que redigiu a Declaração Universal dos Direitos do Homem, em cujos debates desempenhou papel decisivo. Dos redatores dessa histórica declaração, além da presença de Athayde, cumpre lembrar os nomes da jornalista norte-americana Eleanor Roosevelt, do professor libanês Charles Malek e do soviético prof. Pavlov, com assistência do jurista francês René Cassin. Austregésilo de Athayde foi reconhecido pelos próprios companheiros da Comissão como o mais ativo colaborador na redação do histórico documento, em cuja elaboração muitas vezes ocorreram divergências entre os redatores, mas que, afinal, tiveram sentido construtivo.

Em 1968, por ocasião do 20º. aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, a Academia Sueca conferiu o Prêmio Nobel da Paz ao jurista e filósofo René Cassin que, ao ter conhecimento da homenagem que lhe fora prestada, exatamente pelo papel que desempenhou na elaboração da declaração, chamou os jornalistas e declarou-lhes: "Quero dividir a honra desse prêmio com o grande pensador brasileiro Austregésilo de Athayde, que ao meu lado, durante três meses, contribuiu para o êxito da obra que estávamos realizando por incumbência da Organização das Nações Unidas."

Em 1978, no 30º aniversário desse documento, o Presidente Jimmy Carter, dos EUA, reconheceu universalmente, através de carta enviada a Austregésilo de Athayde, a "vital liderança" por ele exercida na elaboração da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Diplomado na Escola Superior de Guerra, em 1953, passou a ser conferencista daquele centro de estudos superiores. Além das suas atividades na imprensa, ao longo de muitos anos, pronunciou centenas de conferências, sobre a defesa dos direitos humanos e outros temas da atualidade, a convite de entidades culturais do país.

Dedicou-se à vida acadêmica desde agosto de 1951, quando foi eleito para ocupar a Cadeira nº 8, e o fez durante mais de quatro décadas. Em 1959, tornou-se presidente da Casa de Machado de Assis, tendo sido reeleito para dirigi-la por longos 35 anos. À frente dos destinos da Academia, consagrou-se como o consolidador, o grande realizador, permanentemente devotado à tarefa de engrandecê-la espiritual e materialmente. A Academia tornou-se o centro de sua vida e ele converteu-se, com o passar do tempo, na própria encarnação da ABL, transfundindo-se na Instituição que tão bem dirigiu. Dentre as muitas realizações na Academia, além das atribuições regimentais, Austregésilo construiu o prédio de 29 andares do Centro Cultural do Brasil, anexo à Academia, inaugurado em 20 de julho de 1979. Nesse ano, recebeu o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte pela sua realização. Empreendeu a reforma do Solar da Baronesa, em Campos, RJ, que ele pretendia transformar na sede de um museu do século XIX, do Instituto Internacional de Cultura e da Biblioteca Varnhagen, da Academia Brasileira, planejada para abrigar um acervo de 250 mil volumes. Autorizou a criação do Banco de Dados.

Apesar de toda a sua dedicação à atividade literária, Austregésilo de Athayde é dono de uma bibliografia literária pequena e não deixou uma obra ficcional à altura da fama que conquistou. No entanto, é praticamente impossível que haja, na história da literatura e mesmo do jornalismo de nosso País, alguém que tenha escrito mais do que ele. Gabava-se de ser o mais antigo editorialista e articulista em atividade, em todo o mundo. "Não me interesso em publicar livros", disse ele, em entrevista. "Como jornalista, eu fiz literatura. Sou jornalista e quero ser jornalista, intérprete do meu tempo e profeta do futuro de meu País."

Desde os tempos de colaborador do jornal A Tribuna e de tradutor na agência de notícias Associated Press, em 1918, até poucas semanas antes de sua morte, Mestre Athayde colocou seus pensamentos e suas idéias no papel, e poucas vezes deixou de publicar alguma matéria nos jornais e revistas de nosso País. Orgulhava-se de afirmar:

"Jamais escrevi um artigo que não expressasse a linha de minhas convicções democráticas. Nunca elogiei partidos, homens ou grupos". (...) "Sou incapaz de ser a favor de homens. Sou a favor de idéias, de pontos de vista. O que almejo mesmo é o pensamento democrático, a preservação de nossa unidade nacional e o bem do povo brasileiro."

Austregésilo de Athayde sempre relembrava com prazer e vaidade os acontecimentos de sua longa existência, durante a qual recebeu cento e setenta medalhas, placas e condecorações. Dizia ele que o ato mais importante de sua vida fora ter escrito a Declaração Universal dos Direitos do Homem, obra que o projetara no mundo inteiro e era o seu grande motivo de orgulho.

fonte de origem:
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D137/biografia

sábado, 21 de abril de 2018

Projeto contos Do Sábado Na Usina:Graciliano Ramos: Baleia:

A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pêlo caíra-lhe
em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras
supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca
e a inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a bebida.
Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de
hidrofobia e amarrara-lhe no pescoço um rosário de sabugos de milho
queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava-se nas estacas do curral
ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as
orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de
roscas, semelhante a uma cauda de cascavel.
Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira,
lixou-a, limpou-a com o saca-trapo e fez tenção de carregá-la bem para a
cachorra não sofrer muito.
Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que
adivinhavam desgraça e não se cansavam de repetir a mesma
pergunta:
- Vão bulir com a Baleia?
Tinham visto o chumbeiro e o polvarinho, os modos de Fabiano
afligiam-nos, davam-lhes a suspeita de que Baleia corria perigo.
Ela era como uma pessoa da família: brincavam juntos os três, para bem
dizer não se diferençavam, rebolavam na areia do rio e no estrume fofo que
ia subindo, ameaçava cobrir o chiqueiro das cabras.
Quiseram mexer na taramela e abrir a porta, mas Sinhá Vitória levou-os
para a cama de varas, deitou-os e esforçou-se por tapar-lhes os ouvidos:
prendeu a cabeça do mais velho entre as coxas e espalmou as mãos nas orelhas
do segundo. Como os pequenos resistissem, aperreou-se e tratou de subjugá-los,
resmungando com energia.
Ela também tinha o coração pesado, mas resignava-se: naturalmente a
decisão de Fabiano era necessária e justa. Pobre da Baleia.
Escutou, ouviu o rumor do chumbo que se derramava no cano da arma,
as pancadas surdas da vareta na bucha. Suspirou. Coitadinha da Baleia.
Os meninos começaram a gritar e a espernear. E como Sinhá Vitória
tinha relaxado os músculos, deixou escapar o mais taludo e soltou uma praga:
- Capeta excomungado.
Na luta que travou para segurar de novo o filho rebelde, zangou-se de
verdade. Safadinho. Atirou um cocorote ao crânio enrolado na coberta
vermelha e na saia de ramagens.
Pouco a pouco a cólera diminuiu, e Sinhá Vitória, embalando as
crianças, enjoou-se da cadela achacada, gargarejou muxoxos e nomes feios.
Bicho nojento, babão. Inconveniência deixar cachorro doido solto em casa.
Mas compreendia que estava sendo severa de mais, achava difícil Baleia
endoidecer e lamentava que o marido não houvesse esperado mais um dia
para ver se realmente a execução era indispensável.
Nesse momento Fabiano andava no copiar, batendo castanholas com
os dedos. Sinhá Vitória encolheu o pescoço e tentou encostar os ombros às
orelhas. Como isso era impossível, levantou os braços e, sem largar o filho,
conseguiu ocultar um pedaço da cabeça.
Fabiano percorreu o alpendre, olhando a baraúna e as porteiras,
açulando um cão invisível contra animais invisíveis:
- Ecô! ecô!
Em seguida entrou na sala, atravessou o corredor e chegou à janela baixa
da cozinha. Examinou o terreiro, viu Baleia coçando-se a esfregar as peladuras
no pé de turco, levou a espingarda ao rosto. A cachorra espiou o dono
desconfiada, enroscou-se no tronco e foi-se desviando, até ficar no outro lado
da árvore, agachada e arisca, mostrando apenas as pupilas negras. Aborrecido
com esta manobra, Fabiano saltou a janela, esgueirou-se ao longo da cerca
do curral, deteve-se no mourão do canto e levou de novo a arma ao rosto.
Como o animal estivesse de frente e não apresentasse bom alvo, adiantou-se
mais alguns passos. Ao chegar às catingueiras, modificou a pontaria e puxou
o gatilho. A carga alcançou os quartos traseiros e inutilizou uma perna de
Baleia, que se pôs a latir desesperadamente.
Ouvindo o tiro e os latidos, Sinhá Vitória pegou-se à Virgem Maria e
os meninos rolaram na cama, chorando alto. Fabiano recolheu-se.
E Baleia fugiu precipitada, rodeou o barreiro, entrou no quintalzinho
da esquerda, passou rente aos craveiros e às panelas de losna, meteu-se por
um buraco da cerca e ganhou o pátio, correndo em três pés. Dirigiu-se ao
copiar, mas temeu encontrar Fabiano e afastou-se para o chiqueiro das cabras.
Demorou-se aí um instante, meio desorientada, saiu depois sem destino, aos
pulos.
Defronte do carro de bois faltou-lhe a perna traseira. E, perdendo muito
sangue, andou como gente, em dois pés, arrastando com dificuldade a parte
posterior do corpo. Quis recuar e esconder-se debaixo do carro, mas teve
medo da roda.
Encaminhou-se aos juazeiros. Sob a raiz de um deles havia uma barroca
macia e funda. Gostava de espojar-se ali: cobria-se de poeira, evitava as
moscas e os mosquitos, e quando se levantava, tinha folhas secas e gravetos
colados às feridas, era um bicho diferente dos outros.
Caiu antes de alcançar essa cova arredada. Tentou erguer-se, endireitou
a cabeça e estirou as pernas dianteiras, mas o resto do corpo ficou deitado
de
banda. Nesta posição torcida, mexeu-se a custo, ralando as patas, cravando
as unhas no chão, agarrando-se nos seixos miúdos. Afinal esmoreceu e
aquietou-se junto às pedras onde os meninos jogavam cobras mortas.
Uma sede horrível queimava-lhe a garganta. Procurou ver as pernas e
não as distinguiu: um nevoeiro impedia-lhe a visão. Pôs-se a latir e desejou
morder Fabiano. Realmente não latia: uivava baixinho, e os uivos iam
diminuindo, tornavam-se quase imperceptíveis.
Como o sol a encandeasse, conseguiu adiantar-se umas polegadas e
escondeu-se numa nesga de sombra que ladeava a pedra.
Olhou-se de novo, aflita. Que lhe estaria acontecendo? O nevoeiro
engrossava e aproximava-se.
Sentiu o cheiro bom dos preás que desciam do morro, mas o cheiro
vinha fraco e havia nele partículas de outros viventes. Parecia que o morro
se tinha distanciado muito. Arregaçou o focinho, aspirou o ar lentamente,
com vontade de subir a ladeira e perseguir os preás, que pulavam e corriam
em liberdade.
Começou a arquejar penosamente, fingindo ladrar. Passou a língua
pelos beiços torrados e não experimentou nenhum prazer. O olfato cada vez
mais se embotava: certamente os preás tinham fugido.
Esqueceu-os e de novo lhe veio o desejo de morder Fabiano, que lhe
apareceu diante dos olhos meio vidrados, com um objeto esquisito na mão.
Não conhecia o objeto, mas pôs-se a tremer, convencida de que ele encerrava
surpresas desagradáveis. Fez um esforço para desviar-se daquilo e encolher
o
rabo. Cerrou as pálpebras pesadas e julgou que o rabo estava encolhido. Não
poderia morder Fabiano: tinha nascido perto dele, numa camarinha, sob a
cama de varas, e consumira a existência em submissão, ladrando para juntar
o gado quando o vaqueiro batia palmas.
O objeto desconhecido continuava a ameaçá-la. Conteve a respiração,
cobriu os dentes, espiou o inimigo por baixo das pestanas caídas. Ficou assim
algum tempo, depois sossegou. Fabiano e a coisa perigosa tinham-se sumido.
Abriu os olhos a custo. Agora havia uma grande escuridão, com certeza
o sol desaparecera.
Os chocalhos das cabras tilintaram para os lados do rio, o fartum do
chiqueiro espalhou-se pela vizinhança.
Baleia assustou-se. Que faziam aqueles animais soltos de noite? A
obrigação dela era levantar-se, conduzi-los ao bebedouro. Franziu as ventas,
procurando distinguir os meninos. Estranhou a ausência deles.
Não se lembrava de Fabiano. Tinha havido um desastre, mas Baleia
não atribuía a esse desastre a impotência em que se achava nem percebia que
estava livre de responsabilidades. Uma angústia apertou-lhe o pequeno
coração. Precisava vigiar as cabras: àquela hora cheiros de suçuarana deviam
andar pelas ribanceiras, rondar as moitas afastadas. Felizmente os meninos
dormiam na esteira, por baixo do caritó onde Sinhá Vitória guardava o
cachimbo.
Uma noite de inverno, gelada e nevoenta, cercava a criaturinha. Silêncio
completo, nenhum sinal de vida nos arredores. O galo velho não cantava no
poleiro, nem Fabiano roncava na cama de varas. Estes sons não interessavam
Baleia, mas quando o galo batia as asas e Fabiano se virava, emanações
familiares revelavam-lhe a presença deles. Agora parecia que a fazenda se
tinha despovoado.
Baleia respirava depressa, a boca aberta, os queixos desgovernados, a
língua pendente e insensível. Não sabia o que tinha sucedido. O estrondo,
a pancada que recebera no quarto, e a viagem difícil do barreiro ao fim do
pátio desvaneciam-se no seu espírito.
Provavelmente estava na cozinha, entre as pedras que serviam de
trempe. Antes de se deitar, Sinhá Vitória retirava dali os carvões e a cinza,
varria com um molho de vassourinha o chão queimado, e aquilo ficava um
bom lugar para cachorro descansar. O calor afugentava as pulgas, a terra se
amaciava. E, findos os cochilos, numerosos preás corriam e saltavam, um
formigueiro de preás invadia a cozinha.
A tremura subia, deixava a barriga e chegava ao peito de Baleia. Do
peito para trás era tudo insensibilidade e esquecimento. Mas o resto do corpo
se arrepiava, espinhos de mandacaru penetravam na carne meio comida pela
doença.
Baleia encostava a cabecinha fatigada na pedra. A pedra estava fria,
certamente Sinhá Vitória tinha deixado o fogo apagar-se muito cedo.
Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás.
E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam
com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro

enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes.