terça-feira, 27 de junho de 2017

Terça Na Usina: Blogs De Literatura Na Rede: O Vento e a Entropia: Olho do Furacão:



Olho do Furacão

Devo ser invisível à essa transcendência, que jamais me atinge;
Munido de fraquezas até os dentes;
Que não se pode esconder de olhos atentos, nem de olfatos sensíveis;
Fui levado por você, através de mim;
Em constante atrito com o tempo que...  definhava vagarosamente;
Sob o efeito da tua presença.
Eu, a esticar meu braço;
Tentando alcançar o que se afastava.....


O Vento e a Entropia: Olho do Furacão: Devo ser invisível à essa transcendência, que jamais me atinge; Munido de fraquezas até os dentes; Que não se pode esconder de olhos at...

Pensamento do Dia:

“Um lindo passado para recordar, um hoje por inteiro para construir e um amanhã infinito para conquistar.”


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Terça Na Usina: Blogs de Outros Autores e Autoras Da Rede: Poesias e poemas: Meus poemas...pedaços de mim


Poesias e poemas: Meus poemas...pedaços de mim: Acho que não sei escrever poemas bonitos... A tristeza só se escreve com palavras tristes, Cheias do que não se quer dizer, mas é pre...

Terça Na Usina: Blogs de Outros Autores e Autoras Da Rede: MENINA VOADORA: Coração partido:



MENINA VOADORA: Coração partido: Coração partido (Anne Lieri) Menininha que cresceu Com sonhos e ilusões Muitos limites venceu Entre folguedos, can...

Terça Na Usina: Blogs De Outros Autores e Autoras Da Rede: VERSOS DE AMOR E DOR: Esperei Por Ti


VERSOS DE AMOR E DOR: Esperei Por Ti: Esperei por ti Desde o início de minha existência Quando senti próxima tua presença Esperei por ti No silêncio das minhas palavras N...

Terça Na Usina: Blogs De Literatura Da Rede:Fernanda Missurino :







"Em Recriar, a autora mostra maturidade poética e versatilidade, 
reunindo textos concretistas, poemas em prosa e criações q...

Pensamento do Dia:

“A reciprocidade de um sorriso sincero é a porta de entrada para um amor verdadeiro.”



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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Crônicas De Segunda Na Usina: Hoje foi Sepultado o Zé...



       Foi sepultado hoje, o Zé... 
Não, Não vai passar em nenhum canal de TV.
Em uma daquelas reportagens maravilhosas na cobertura do sepultamento de alguém importante. 
Isso mesmo, a morte do Zé não tem a menor importância.
Ele não foi politico, jogador de futebol, piloto de fórmula I.
Nem tão pouco fez alguma descoberta no campo da ciência que o levasse a concorrer ao prêmio Nobel.
Nunca pertenceu a nenhum sindicato, pois sempre trabalhou informalmente.
Não foi ator, apresentador.
Não amigos, ele não vai ter o seu nome, no letreiro de uma grande Loja de departamentos,
Nem escrito em placas de uma grande avenida, rua, viela, ponte ou pinguela.
O dia do seu nascimento, padecimento ou falecimento, não vai constar no calendário como um dia comemorativo, pois o Zé não foi Padre, pastor, ou Bispo.
Nem mesmo um famoso cantor, compositor ou Poeta importante.
Ele já veio ao mundo em desvantagem, pois nasceu em uma velha estalagem.
Filho de mãe solteira, mesmo assim nunca bateu carteira.
Quis o criador, talvez para aumentar sua dor que sua pele fosse de cor.
Isso no mundo que vivemos é um problema, pois há um grande grupo de imbecis que acha que a cor da pele compromete a inteligência, na verdade acho que esses tipos é que o seu cérebro desbotou junto com a pele.
Ele foi apenas um trabalhador anônimo que criou os seus filhos, apenas com o suor do seu próprio rosto, e a calosidade das suas mãos.
Nunca se arrependeu de ser honesto, de viver baseando na própria consciência.
Não vai ter nenhuma nota em nenhum jornal ou revista. O mundo nunca vai ficar sabendo da sua existência.
Certamente nenhum grande autor vai se prontificar a escrever o texto da sua lápide,
Onde descreva os grandes feitos do Zé, para sobreviver com o seu mísero salário.
E certamente o seu túmulo não vai se tornar um ponto de peregrinação pelo milagre de transformar os seus filhos em homens de caráter, apesar de tudo ao redor contar totalmente contra.
Mesmo assim o seu nascimento acabou virando uma nota, os seus sonhos uma melodia, e sua existência uma grande poesia.
Nenhuma grande gravadora ousou convoca-lo para a seu play list.
Nenhuma Editora vai publicar os versos do seu viver.
Infelizmente se você não mora, nem está fazendo turismo em ribeira mole, nos confins do inexistente, onde nasceu, viveu e morreu o Zé... Você não vai ficar sabendo nada da sua vida.
Por isso tomei a liberdade de deixar por escrito esta humilde existência, e não espero por este gesto me tornar maior ou menor do que fui.
Simplesmente mais um Zé, que pra muitos, é ninguém...

Mas que pra mim. Ser eu mesmo, me basta.

D'Araújo.

Pensamento do Dia:

"A noite é uma criança distraída no colo da mãe, esperando o doce sorriso do novo amanhecer.”


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Meu Partido é minha Pátria: império dos hipócritas:







E mais uma vez a nação brasileira é aclamada com uma reforma política histórica.....
Ai fico pensando se no resto do mundo também é assim ou só os nossos políticos tem convicção que somos realmente imbecil e otários, não da para acreditar mais eles conseguiram fazer uma reforma que na prática não muda nada.
Ai eu pergunto; Aonde estavam os nobres políticos, que neste momento tão difícil se apresentam como alternativas para livrar nossa pátria desta suposta quadrilha que tomou conta  dela.
Onde estavam o nobre Senador Aércio, e a ilustríssima Marina, por acaso eles são políticos Avestruz, que na hora que as coisas ficam complicadas eles enfiam a cabeça na terra e deixam o bonde passar e depois reaparecem com aquele sorriso amarelo como se nada estivesse acontecendo ao seu redor.
Por onde andam aqueles bravos brasileiro que rosnavam suas amarguras quebrando tudo que viam pela frente em nome de uma Pátria, com educação saúde e segurança de qualidade.
onde foram parar os nobres partidos que se dizem de esquerda, será que estão todos comendo no mesmo coxo.
Assistido de camarote, a nossa pátria afundar para eles depois dividirem a carcaça feito abutres esfomeados.
 Até quando vamos ser coniventes, e cúmplices desta falte de caráter dos representantes dos três poderes desta pátria que se aliam para que suas mordomias não sejam ameaçadas.
Nos não precisamos de mais impostos, o que nós necessitamos é acabar com todos os cargos comissionados, com todas as gratificações, verbas de gabinetes, ajuda de custos, reduzir pela metade o número de representantes  nos legislativos brasileiro,  
Acabar de vez com a sangria dos recursos públicos, tanto no legislativo no executivos como no judiciário.
Até quando vamos todos sustentar a este império de hipócritas sem fazermos nada.



"Palavras Soltas Pensamentos Vivos Volume II" Disponível para download Grátis:

“Deixo aqui minha alma impressa. Em parágrafos tortos, frases em desordens, sílabas atônitas, letras soltas, versos, prosas e sentimentos vivos. Até que o passar do doce e perverso tempo os façam eternos”.



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domingo, 25 de junho de 2017

Domingo Na Usina: Biografias:Antônio Valentim da Costa Magalhães:



 (Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 1859 — Rio de Janeiro, 17 de maio de 1903) foi um jornalista e escritor brasileiro, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Biografia
Filho homônimo de Antônio Valentim da Costa Magalhães e de D. Maria Custódia Alves Meira. Formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, onde ingressara em 1877. Ali colabora para os periódicos acadêmicos "Revista de Direito e Letras", "Labarum" e "República", este último de Lúcio de Mendonça. Ainda nesta cidade publicou três obras: "Idéias de Moço", "Grito na Terra" e "General Osório", este último em parceria com Antônio da Silva Jardim, além de seu primeiro livro, intitulado "Cantos e Lutas". Ali também casou-se, em 1880.

Voltando para o Rio, dedica-se ao jornalismo, dirigindo o periódico "A Semana" (fundado em 1885), que torna-se o veículo dos jovens escritores da época, além da propaganda abolicionista e republicana, sendo um período de marcadas agitações culturais e políticas, estando Valentim Magalhães no proscênio dessas lutas todas. Sobre sua participação, registrou Euclides da Cunha,[1] que o sucedeu na Academia: "A geração de que ele foi a figura mais representativa, devia ser o que foi: fecunda, inquieta, brilhantemente anárquica, tonteando no desequilíbrio de um progresso mental precipitado a destoar de um estado emocional que não poderia mudar com a mesma rapidez".

Também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas Galeria republicana[2] (1882-1883), Branco e Negro[3] (1896-1898) e Brasil-Portugal[4] (1899-1914).

Seu grande envolvimento com as causas que defendia não lhe permitiram uma maior produção literária, sendo comum entre os críticos[5] que seu papel foi o de divulgar os demais escritores nacionais.

Ficou célebre pelas inúmeras polêmicas criadas, que redundaram em ataques e desafetos, bem como pelas defesas que dele faziam os amigos.

Durante o Encilhamento, falsa prosperidade econômica que se seguiu à Proclamação da República por obra do seu confrade Rui Barbosa, então feito Ministro das Finanças, Valentim dedicou-se ao lucro rápido, fundando uma companhia e, logo mais, como todos, vindo à falência.

Sobre seu papel na memória futura, então ainda presenciando os reveses, declarou:

"A princípio fui gênio; mais tarde cousa nenhuma. Hoje César, amanhã João Fernandes…"
Poesia
Registra Manuel Bandeira[6] que o autor participara, ao lado de Teófilo Dias, Artur Azevedo, Fontoura Xavier e outros, da chamada "Batalha do Parnaso", uma reação ao romantismo, iniciada ainda na década de 1860, e que ganhou força com a agitação promovida por Artur de Oliveira. Este misto de boêmio e intelectual conhecera em Paris os intelectuais parnasianos, e influenciara os autores brasileiros.

Versos
Íntimo
(domínio público)
Esta alegria loura, corajosa,
Que é como um grande escudo, de ouro feito,
E faz que à Vida a escada pedregosa
Eu suba sem pavor, calmo e direito,
Me vem da tua boca perfumosa,
Arqueada, como um céu, sobre o meu peito:
Constelando-o de beijos cor de rosa,
Ungindo-o de um sorriso satisfeito…
A imaculada pomba da Ventura
Espreita-nos, o verde olhar abrindo,
Aninhada em teu cesto de costura;
Trina um canário na gaiola, inquieto;
A cambraia sutil feres, sorrindo,
E eu, sorrindo, desenho este soneto.
Bibliografia
Sua obra, considerada menor no contexto da literatura brasileira, regista, entretanto, uma curiosidade, por conta de uma errata:

1896 – Concluído o romance "Flor de Sangue", de Valentim Magalhães, que seria publicado pela Laemmert com a mais inusitada das erratas "…à página 285, 4a. linha, em vez de "estourar os miolos", leia-se "cortar o pescoço".[7] Seus livros:
Cantos e Lutas, poesia (1897);
Quadros e Contos (1882);
Vinte Contos e Fantasias (1888);
Inácia do Couto, comédia (1889);
Escritores e Escritos (1894);
Bric-à-brac, contos (1896);
Flor de Sangue, romance (1897);
Alma, crônicas (1899);
Rimário, poesia (1899)
Lorbeerkranz.png Academia Brasileira de Letras.


fonte de origem:Wikipédia, a enciclopédia livre

Domingo Na Usina: Biografias: Herman Melville :


(1 de agosto de 1819, Nova York - 28 de setembro de 1891, Nova York) foi um escritor, poeta e ensaísta norte-americano. Embora tenha obtido grande sucesso no início de sua carreira, sua popularidade foi decaindo ao longo dos anos. Faleceu quase completamente esquecido, sem conhecer o sucesso que sua mais importante obra, o romance Moby Dick, alcançaria no século XX. O livro, dividido em três volumes, foi publicado em 1851 com o título de A baleia e não obteve sucesso de crítica, tendo sido considerado o principal motivo para o declínio da carreira do autor.
Biografia:
Herman Melville foi o terceiro filho de Allan e Maria Gansevoort Melvill (que posteriormente acrescentaria a letra "e" ao sobrenome). Quando criança, Melville teve escarlatina, o que afetou permanentemente sua visão. Mudou-se com a família, em 1830, para Albany, onde frequentou a Albany Academy. Após a morte do pai, em 1832, teve de ajudar a manter a família (então com oito crianças). Assim, trabalhou como bancário, professor e agricultor. Em 1839, embarcou como ajudante no navio mercante St. Lawrence, com destino a Liverpool e, em 1841, no baleeiro Acushnet, a bordo do qual percorreu quase todo o Pacífico. Quando a embarcação chegou às ilhas Marquesas, na Polinésia francesa, Melville decidiu abandoná-la para viver junto aos nativos por algumas semanas. As suas aventuras como "visitante-cativo" da tribo de canibais Typee foram registadas no livro Typee, de 1846. Ainda em 1841, Melville embarcou no baleeiro australiano Lucy Ann e acabou por se unir a um motim organizado pelos tripulantes insatisfeitos pela falta de pagamento. O resultado foi que Melville foi preso em uma cadeia no Tahiti, da qual fugiu pouco depois. Todos esses acontecimentos, apesar de ocuparem menos de um mês, são descritos em seu segundo livro Omoo, de 1847. No final de 1841, embarcou como arpoador no Charles & Henry, na sua última viagem em baleeiros, e retornou a Boston como marinheiro, em 1844, a bordo da fragata United States. Os dois primeiros livros renderam-lhe muito sucesso de crítica, público e um certo conforto financeiro.

Em 4 de agosto de 1847, Melville casou com Elizabeth Shaw e, em 1849, lançou seu terceiro livro, Mardi. Da mesma forma que os outros livros, Mardi inicia-se como uma aventura polinésia, no entanto, desenvolve-se de modo mais introspectivo, o que desagradou o público já cativo. Dessa forma, Melville retomou à antiga fórmula literária, lançando duas novas aventuras: Redburn (1849) e White-Jacket (1850). Nos seus novos livros já era possível reconhecer o tom visivelmente mais melancólico, que adotaria a seguir. Em 1850, Melville e Elizabeth mudaram-se para Arrowhead, uma quinta em Pittsfield, Massachusetts (atualmente um museu), onde Melville conheceu Nathaniel Hawthorne, a quem dedicou Moby Dick, publicado em Londres, em 1851. O fracasso de vendas de Moby Dick e de Pierre, de 1852, fez com que o seu editor recusasse o manuscrito, hoje perdido, The Isle of the Cross.

Herman Melville morreu em 28 de setembro de 1891, aos 72 anos, em Nova York, em total obscuridade. O obituário do jornal The New York Times registrava o nome de "Henry Melville". Depois de trinta anos guardado numa lata, Billy Budd, o romance inédito na época da morte de Melville foi publicado em 1924 e posteriormente adaptado para ópera, por Benjamin Britten, e para o teatro e o cinema, por Peter Ustinov.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]
Romances[editar | editar código-fonte]
Typee: A Peep at Polynesian Life (Typee: Um Olhar sobre a Vida na Polinésia), (1846)
Omoo (Omoo: Uma Narrativa de Aventuras nos Mares do Sul), (1847)
Mardi (Mardi), (1849)
Redburn, (1849)
White-Jacket, (1850)
Moby-Dick, a baleia branca (1851)
Pierre, (1852)
Isle of the Cross, (1853)
Israel Potter, (1856)
The confidence-man (O Homem de Confiança) (1857)
Billy Budd (1924)
Contos[editar | editar código-fonte]
The Piazza Tales, (1856)
The Piazza,
Bartleby, o Escrivão,
Benito Cereno,
The lightning-Rod Man,
The Encantadas, or Enchanted Isles,
The Bell-tower
Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]
Gilles Deleuze, "Bartleby, ou a Fórmula " in "Crítica e Clínica", editora 34, 1987, Brasil - tradução Peter Paul Pelbart
Wilhelm Weber, Herman Melville: eine stilistische Untersuchung, Basel, Philographischer Verlag, 1937.
Pierre Frederix, Herman Melville, Paris, Gallimard, 1950.
Jean Giono, Pour saluer Melville, Paris, Gallimard, 1986.
Philippe Jaworski, Melville: le desert et l'empire, Paris, Presses de l'Ecole normale superieure, 1986.
Marc Richir, Melville: les assises du monde, Paris, Hachette, 1996.
Robert S. Levine, ed, The Cambridge companion to Herman Melville, Cambridge, Cambridge University Press, 1998.
Laurie Robertson-Lorant, Melville: a biography, Amherst, University of Massachusetts Press, 1998.
Geoffrey Sanborn, The sign of the cannibal: Melville and the making of a postcolonial reader, Durham-London, Duke university press, 1998.
Realino Marra, Una giustizia senza diritti. La condanna di Billy Budd, «Materiali per una storia della cultura giuridica», XXXVI-1, 2006, 103-17.
Barbara Spinelli, Moby Dick, o L’ossessione del male, Brescia, Morcelliana, 2010.

William C. Spengemann, Three American poets: Walt Withman, Emily Dickinson, and Herman Melville, Notre Dame, University of Notre Dame Press, 2010.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Domingo Na Usina: Biografias: Angélica Freitas:



(Pelotas, 1973) é uma poeta e tradutora brasileira.
Biografia
Freitas nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 8 de abril de 1973. Formou-se em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), residindo alguns anos em Porto Alegre. Mudou-se mais tarde para São Paulo, onde trabalhou como repórter para o jornal O Estado de S. Paulo e a revista Informática Hoje. Deixou a capital paulista em 2006, iniciando uma série de passagens e residências temporárias em países como a Holanda, a Bolívia e a Argentina. Atualmente, a poeta vive e trabalha em Pelotas, Brasil.

Literatura
Angélica Freitas teve poemas reunidos em livro, pela primeira vez, em uma antologia de poesia brasileira contemporânea publicada na Argentina, intitulada Cuatro poetas recientes del Brasil (Buenos Aires: Black & Vermelho, 2006), organizada e traduzida pelo poeta e crítico argentino Cristian De Nápoli. Nesse mesmo ano, participaria de leituras públicas de seus poemas em São Paulo, na Casa das Rosas, e no Festival de Poesia Latino-americana de Buenos Aires. Sua primeira coletânea de poemas viria com o volume Rilke Shake (São Paulo: Cosac Naify, 2007), que integra a coleção de poesia contemporânea "Ás de colete", dirigida pelo poeta carioca Carlito Azevedo.

Desde então, seus poemas foram traduzidos e publicados na Espanha, México, Estados Unidos, Alemanha e França. Angélica Freitas estava também entre os autores brasileiros convidados para o Festival de Poesia de Berlim (Poesiefestival Berlin), que dedicou sua edição de 2008 à língua portuguesa. Em 2009, leu ainda na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) e em festivais de Santiago (Chile) e Cidade do México. Seus poemas vêm sendo também publicados em várias revistas impressas e eletrônicas, como Inimigo Rumor (Rio de Janeiro, Brasil), Diário de Poesía (Buenos Aires/Rosário, Argentina), águas furtadas (Lisboa, Portugal), Hilda (Berlim, Alemanha) e Aufgabe (Nova Iorque, Estados Unidos).

Em 2012 seu livro um útero é do tamanho de um punho (também grafado por alguns periódicos com a primeira letra em maiúsculo) alcançou grande sucesso de crítica, sendo finalista em 2013 no Prêmio Portugal Telecom1 2 3 .

Angélica Freitas é coeditora, com os poetas Fabiano Calixto, Marília Garcia e Ricardo Domeneck, da revista de poesia Modo de Usar & Co., para a qual traduziu poetisas hispano-americanas como Blanca Varela, Susana Thénon e Lucía Bianco. Seu trabalho já foi ligado, por críticos como Ricardo Domeneck, a poéticas medievais como a das fatrasies, o que a liga também a poetas satíricos e do nonsense, como o brasileiro Sapateiro Silva, o inglês Edward Lear (1812 - 1888) e o alemão Christian Morgenstern (1871 - 1914), além de dadaístas como Hans Arp (1886 - 1966). A crítica e tradutora americana Hilary Kaplan menciona também, em sua introdução às traduções de poemas da autora gaúcha, o paralelo entre certas práticas de Angélica Freitas, como o que esta chamaria de googlagem, e o trabalho de poetas contemporâneos dos Estados Unidos ligados ao movimento FLARF.

Publicações
Poesia

Rilke Shake (São Paulo: Cosac Naify, 2007)
um útero é do tamanho de um punho (São Paulo: Cosac Naify, 2013)
Editoria

revista Modo de Usar & Co. (Rio de Janeiro: Livraria Berinjela, 2007)
revista Modo de Usar & Co. 2 (Rio de Janeiro: Livraria Berinjela, 2009)
Antologias

Cuatro Poetas Recientes del Brasil (Buenos Aires: Black & Vermelho, 2006) - Argentina - ISBN 10: 9872222320
Otra línea de fuego: quince poetas brasileñas ultracontemporaneas. Org. Heloísa Buarque de Hollanda. (Diputación Provincial de Málaga, 2009) - Espanha
VERSSchmuggel / Contrabando de Versos (Berlin: Das Wunderhorn / São Paulo: Editora 34, 2009) - Alemanha
El libro de los gatos (Buenos Aires: Bajo la Luna, 2009) - Argentina
A Poesia Andando. 13 poetas do Brasil (Lisboa: Cotovia, 2008) - Portugal
Skräp-poesi: antología bilingüe en español y sueco (Malmö: ed. POESIA con C, 2008) - Suécia
Natiunea Poetilor (Suceava: ed. Musatini, 2008) - Romênia
Poesía-añicos y sonares híbridos. Doce poetas latinoamericanos (Berlin: SuKulTur, 2007) - Alemanha
Caos Portátil (Ciudad de México: ed. El Billar de Lucrecia, 2007) - México

Poemas no ônibus (Porto Alegre: Secretaria Municipal da Cultura, 2002) - Brasil - ISBN 393773774X.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Domingo Na Usina: Biografias: Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira:


(Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1905 — Rio de Janeiro, 7 de junho de 1980),1 mais conhecida como Adalgisa Nery, foi uma poetisa modernista e jornalista brasileira, mais conhecida por suas obras Ar do Deserto, de 1943, Mundos Oscilantes publicado entre 1937 e 1952, e A Imaginária, de 1959.
Biografia
Infância
Nascida na rua Sebastião Lacerda, no bairro Laranjeiras, Adalgisa era filha do advogado Gualter Ferreira, natural do Mato Grosso, mas baseado no Rio de Janeiro, e da portuguesa Rosa Cancela. Sensível e imaginativa desde cedo, ela ficou órfã de mãe aos oito anos de idade, o que lhe foi um grande impacto, registrado mais tarde em sua obra.2

O segundo casamento de seu pai se tornou motivo de conflitos emocionais, pois Adalgisa não se adaptou ao temperamento difícil da madrasta. Estudou como interna em um colégio de freiras e, naquela época, já era vista como "subversiva" por defender as "órfãs" (categoria comum nos colégios religiosos da época), consideradas subalternas e maltratadas. Por essa razão, acabou sendo expulsa da escola. Portanto, a única educação formal que ela recebeu em vida foi a do ensino primário.

Vida com Ismael Nery
Aos quinze anos, Adalgisa se apaixonou por seu vizinho, o pintor Ismael Nery,3 um dos precursores do Modernismo no Brasil, com quem casou aos dezesseis anos. O casamento durou doze anos, até a morte do pintor em 1934. A partir do casamento, Adalgisa Nery mergulhou em uma vida trepidante, que lhe proporcionou a entrada em um sofisticado circuito intelectual graças a frequentes reuniões em sua casa, uma estada de dois anos na Europa com o marido, e a consequente aquisição de cultura. Porém a vida de Adalgisa foi também muito marcada pelo sofrimento e pela relação conflituosa, muitas vezes violenta, com o marido. O casal teve sete filhos, todos homens, mas somente o mais velho, Ivan, e o caçula, Emmanuel, sobreviveram.

Em 1959 Adalgisa Nery publicou o romance autobiográfico A Imaginária,4 que se tornou seu maior sucesso editorial. Adalgisa, usando como alter ego a personagem Berenice, descreveu como o fascínio que sentia pelo marido no início do casamento foi substituído por um verdadeiro sentimento de terror pela violência que ele podia assumir na vida cotidiana.

Viúva aos vinte e nove anos, sem muitos recursos financeiros e com dois filhos para criar, Adalgisa foi trabalhar primeiro na Caixa Econômica, mas depois conseguiu arranjar um cargo no Conselho do Comércio Exterior do Itamaraty. Em 1937 lançou seu primeiro livro de poesia, intitulado Poemas.

Vida com Lourival Fontes
Em 1940 Adalgisa casou com o jornalista e advogado Lourival Fontes, que era o diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), criado por Getúlio Vargas em 1939, para difundir a ideologia do Estado Novo.

Seguiu o segundo marido em funções diplomáticas em Nova Iorque, de 1943 a 1945, e como embaixador no México em 1945. No México desenvolveu amizade com os pintores Diego Rivera, José Orozco (ambos a retrataram), Frida Kahlo, David Siqueiros e Rufino Tamayo. Em 1952 viajou novamente àquele país, como embaixadora plenipotenciária, para representar o Brasil na posse do presidente Adolfo Ruiz Cortines. Recebeu a Ordem da Águia Asteca, nunca antes concedida a uma mulher, em virtude de suas conferências sobre Juana Inés de la Cruz.

O casamento com Lourival durou treze anos, e a separação ocorreu quando ele se apaixonou por outra mulher.

Jornalista e política
Em razão do grande sofrimento causado pelo abandono de Lourival Fontes, e apesar de seu valor literário ser reconhecido não só no Brasil como na França, onde uma coletânea de poemas foi traduzida por Pierre Seghers, Adalgisa resolveu destruir a própria fama e renegar sua obra. A partir daí, tornou-se jornalista, escrevendo para o jornal Última Hora e política. Foi eleita deputada três vezes, primeiro pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e depois, no tempo do bipartidarismo, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em 1969 teve o mandato e seus direitos políticos cassados.

Últimos anos
Pobre e desamparada, sem ter onde morar, após em vida ter doado tudo para os filhos, Adalgisa passou a residir entre 1974 e1975 em uma casa do comunicador Flávio Cavalcanti, em Petrópolis, onde viveu como reclusa. Contrariando seu propósito de nunca mais dedicar-se à literatura, ela escreveu e publicou ainda dois livros de poesia, dois de contos, um de artigos e um romance, Neblina. O romance foi dedicado a Cavalcanti, considerado "dedo-duro" pela Ditadura, em gratidão pelo acolhimento que lhe dera. No conflito entre o que seria "politicamente correto" e a lealdade a um amigo, Adalgisa escolheu, sem hesitar, o caminho do afeto. Em razão disso, o livro foi ignorado pela crítica.

Em 1975 passou a morar na casa de seu filho mais moço, Emmanuel. Em maio de 1976, deixou um bilhete para o filho e se internou sozinha, por livre e espontânea vontade, sem ter doença alguma, numa casa de repouso para idosos, em Jacarepaguá. Emmanuel, quando chegou em casa, surpreso, não encontrou mais a mãe. Um ano mais tarde, ela sofreu um acidente vascular cerebral e ficou afásica e hemiplégica. Três anos mais tarde, aos setenta e quatro anos, faleceu.

Obras
Poemas, 1937
A Mulher Ausente (poemas), 1940
Og (contos), 1943
Ar do Deserto (poemas), 1943
Cantos da Angústia (poemas), 1948
As Fronteiras da Quarta Dimensão (poemas), 1952
A Imaginária (romance), 1959
Mundos Oscilantes (poemas) 1962
Retrato sem Retoque (crônicas), 1966
22 menos 1 (contos), 1972
Neblina (romance), 1972

Erosão (poemas), 1973

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Domingo Na Usina: Biografias:José Saramago:


José de Sousa Saramago ComSE • GColSE (Golegã, Azinhaga, 16 de novembro de 1922 — Tías, Lanzarote, 18 de junho de 2010) foi um escritor, argumentista, teatrólogo, ensaísta, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português.

Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.2 A 24 de Agosto de 1985 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a 3 de Dezembro de 1998 foi elevado a Grande-Colar da mesma Ordem, uma honra reservada apenas a Chefes de Estado.3

O seu livro Ensaio sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil, Uruguai e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Fiel Jardineiro e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira adapta um conto retirado do livro Objecto Quase, conto esse que viria dar nome ao filme Embargo, uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha.

Nasceu no distrito de Santarém, na província geográfica do Ribatejo, no dia 16 de Novembro, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, foi membro do Partido Comunista Português e foi director-adjunto do Diário de Notícias. Juntamente com Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Casado, em segundas núpcias, com a espanhola Pilar del Río, Saramago viveu na ilha espanhola de Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

A 29 de Junho de 2007 constitui a Fundação José Saramago para a defesa e difusão da Declaração Universal dos Direitos Humanos e dos problemas do meio ambiente.4 Em 2012 a Fundação José Saramago abre as suas portas ao público na Casa dos Bicos em Lisboa, presidida pela sua mulher Pilar del Río.

Biografia:
José Saramago nasceu na vila de Azinhaga, no concelho da Golegã, de uma família de pais e avós agricultores.5 A sua vida é passada em grande parte em Lisboa, para onde a família se muda em 1924 – era um menino de apenas dois anos de idade. Dificuldades económicas impedem-no de entrar na universidade. Demonstra desde cedo interesse pelos estudos e pela cultura, sendo que esta curiosidade perante o Mundo o acompanhou até à morte. Formou-se numa escola técnica. O seu primeiro emprego foi de serralheiro mecânico. Fascinado pelos livros, visitava, à noite, com grande frequência, a Biblioteca Municipal Central — Palácio Galveias.6
Início de vida:
Aos 25 anos, publica o primeiro romance Terra do Pecado (1947), no mesmo ano de nascimento da sua filha, Violante, fruto do primeiro casamento com Ilda Reis – com quem se casou em 1944 e com quem permaneceu até 1970. Nessa época, Saramago era funcionário público. Viveu, entre 1970 e 1986 com a escritora Isabel da Nóbrega. Em 1988, casar-se-ia com a jornalista e tradutora espanhola María del Pilar del Río Sánchez, que conheceu em 1986 e ao lado da qual viveu até à morte. Em 1955 e para aumentar os rendimentos, começou a fazer traduções de Hegel, Tolstói e Baudelaire, entre outros.6

Depois de Terra do Pecado, Saramago apresentou ao seu editor o livro Clarabóia que, depois de rejeitado, permaneceu inédito até 2011. Persiste, contudo, nos esforços literários e, dezanove anos depois, funcionário, então, da Editorial Estudos Cor, troca a prosa pela poesia, lançando Os Poemas Possíveis.5 Num espaço de cinco anos, publica, sem alarde, mais dois livros de poesia: Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975). É quando troca também de emprego, abandonando a Estudos Cor para trabalhar no Diário de Notícias (DN) e, depois, no Diário de Lisboa. Em 1975, retorna ao DN como Director-Adjunto, onde permanece por dez meses, até 25 de Novembro do mesmo ano, quando os militares portugueses intervêm na publicação (reagindo ao que consideravam os excessos da Revolução dos Cravos) demitindo vários funcionários. Demitido, Saramago resolve dedicar-se apenas à literatura, substituindo de vez o jornalista pelo ficcionista: "(…) Estava à espera de que as pedras do puzzle do destino – supondo-se que haja destino, não creio que haja – se organizassem. É preciso que cada um de nós ponha a sua própria pedra, e a que eu pus foi esta: "Não vou procurar trabalho", disse Saramago em entrevista à revista Playboy, em 1995.6

Da experiência vivida nos jornais, restaram quatro crónicas: Deste Mundo e do Outro, 1971, A Bagagem do Viajante, 1973, As Opiniões que o DL Teve, 1974 e Os Apontamentos, 1976. Mas não são as crónicas, nem os contos, nem o teatro os responsáveis por fazer de Saramago um dos autores portugueses de maior destaque – esta missão está reservada aos seus romances, género a que retorna em 1977.7

Três décadas depois de publicado Terra do Pecado, Saramago retornou ao mundo da prosa ficcional com Manual de Pintura e Caligrafia. Mas ainda não foi aí que o autor definiu o seu estilo. As marcas características do estilo "saramaguiano" só apareceriam com Levantado do Chão (1980), livro no qual o autor retrata a vida de privações da população pobre do Alentejo.7

Dois anos depois de Levantado do Chão (1982), surge o romance Memorial do Convento, livro que conquista definitivamente a atenção de leitores e críticos. Nele, Saramago misturou factos reais com personagens inventados: o rei D. João V e Bartolomeu de Gusmão, com a misteriosa Blimunda e o operário Baltazar, por exemplo. O contraste entre a opulenta aristocracia ociosa e o povo trabalhador e construtor da história servem de metáfora à medida da luta de classes marxista. A crítica brutal a uma Igreja ao serviço dos opressores inicia a exposição de uma tentativa de destruição do fenómeno religioso como devaneio humano construtor de guerras.7

De 1980 a 1991, o autor trouxe a lume mais quatro romances que remetem a factos da realidade material, problematizando a interpretação da "história" oficial: O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), sobre as andanças do heterónimo de Fernando Pessoa por Lisboa; A Jangada de Pedra (1986), em que se questiona o papel Ibérico na então CEE através da metáfora da Península Ibérica soltando-se da Europa e encontrando o seu lugar entre a velha Europa e a nova América; História do Cerco de Lisboa (1989), onde um revisor é tentado a introduzir um "não" no texto histórico que corrige, mudando-lhe o sentido; e O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), onde Saramago reescreve o livro sagrado sob a óptica de um Cristo que não é Deus e se revolta contra o seu destino e onde, a fundo, questiona o lugar de Deus, do cristianismo, do sofrimento e da morte.7

Nos anos seguintes, entre 1995 e 2005, Saramago publicou mais seis romances, dando início a uma nova fase em que os enredos não se desenrolam mais em locais ou épocas determinados e personagens dos anais da história se ausentam: Ensaio Sobre a Cegueira (1995); Todos os Nomes (1997); A Caverna (2001); O Homem Duplicado (2002); Ensaio sobre a Lucidez (2004); e As Intermitências da Morte (2005). Nessa fase, Saramago penetrou de maneira mais investigadora os caminhos da sociedade contemporânea, questionando a sociedade capitalista e o papel da existência humana condenada à morte.7

A ida para Lanzarote conta mais sobre o escritor do que deixa transparecer a justificativa corrente (a medida censória portuguesa). Com o gesto de afastamento rumo à ilha mais oriental das Canárias, Saramago não apenas protesta ante o cerceamento, como finca raízes num local de geografia inóspita (trata-se de uma ilha vulcânica, com pouca vegetação e nenhuma fonte de água potável). A decisão tem um carácter revelador, tanto mais se se levar em conta que, neste caso, "mais oriental" significa dizer mais próximo de Portugal e do continente europeu.

Mesmo em dias de hegemonia do pensamento pró-mercado, Saramago guardava um olhar abrigado numa ilha europeia mais próxima da África que do velho centro da civilização capitalista. Sempre atento às injustiças da era moderna, vigilante das mais diversas causas sociais, Saramago não se cansava de investir, usando a arma que lhe coube usar, a palavra. "Aqui na Terra a fome continua, / A miséria, o luto, e outra vez a fome.", diz o eu lírico do poema saramaguiano "Fala do Velho do Restelo ao Astronauta" (do livro Os Poemas Possíveis, editado em 1966).

Morte:
Saramago faleceu no dia 18 de Junho de 2010,8 aos 87 anos de idade, na sua casa em Lanzarote onde residia com a mulher Pilar del Rio, vítima de leucemia crónica.9 O escritor estava doente havia algum tempo e o seu estado de saúde agravou-se na sua última semana de vida. O seu funeral teve honras de Estado, tendo o seu corpo sido cremado no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa. As cinzas do escritor foram depositadas aos pés de uma oliveira, em Lisboa em 18 de junho de 2011.10

Obra:
“Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores.(…) Basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias(…)”
— Saramago, A Jangada de Pedra, 1986
José Saramago foi conhecido por utilizar um estilo oral, coevo dos contos de tradição oral populares em que a vivacidade da comunicação é mais importante do que a correcção ortográfica de uma linguagem escrita. Todas as características de uma linguagem oral, predominantemente usada na oratória, na dialéctica, na retórica e que servem sobremaneira o seu estilo interventivo e persuasivo estão presentes. Assim, utiliza frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional; os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros. Este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Muitas das suas frases (i.e. orações) ocupam mais de uma página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos ocupariam capítulos inteiros de outros autores.7

Estas características tornam o estilo de Saramago único na literatura contemporânea, sendo considerado por muitos críticos um mestre no tratamento da língua portuguesa. Em 2003, o crítico norte-americano Harold Bloom, no seu livro Genius: A Mosaic of One Hundred Exemplary Creative Minds ("Génio: Um Mosaico de Cem Exemplares Mentes Criativas", tradução livre), considerou José Saramago "o mais talentoso romancista vivo nos dias de hoje"11 , referindo-se a ele como "o Mestre". Declarou ainda que Saramago é "um dos últimos titãs de um género literário que se está a desvanecer".7

Obras publicadas:
Romances:
Terra do Pecado, 1947
Manual de Pintura e Caligrafia, 1977
Levantado do Chão, 1980
Memorial do Convento, 1982
O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
A Jangada de Pedra, 1986
História do Cerco de Lisboa, 1989
O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
Ensaio Sobre a Cegueira, 1995
Todos os Nomes, 1997
A Caverna, 2000
O Homem Duplicado, 2002
Ensaio Sobre a Lucidez, 2004
As Intermitências da Morte, 2005
A Viagem do Elefante, 2008
Caim, 2009
Claraboia, 2011
Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas, 2014
Crónicas[editar | editar código-fonte]
Deste Mundo e do Outro, 1971
A Bagagem do Viajante, 1973
As Opiniões que o DL Teve, 1974
Os Apontamentos, 1977
Peças teatrais[editar | editar código-fonte]
A Noite, 1979
Que Farei com Este Livro?, 1980
A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987
In Nomine Dei, 1993
Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido, 2005
Contos[editar | editar código-fonte]
Objecto Quase, 1978
Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979
O Conto da Ilha Desconhecida, 1997
Livros de poesia
Os Poemas Possíveis, 1966
Provavelmente Alegria, 1970
O Ano de 1993, 1975
Diário e Memórias
Cadernos de Lanzarote (I-V), 1994
As Pequenas Memórias, 2006
Infantil
A Maior Flor do Mundo, 2001
O Silêncio da Água, 2011
Viagens
Viagem a Portugal, 1983
Prémios
Entre as premiações destacam-se o Prémio Camões (1995) – distinção máxima oferecida aos escritores de língua portuguesa, e o Nobel de Literatura (1998), o primeiro concedido a um escritor de língua portuguesa.

Polémicas “"Marx nunca teve tanta razão como hoje."12 ”
— José Saramago, Público, 15/06/2008
A carreira de Saramago foi acompanhada de diversas polémicas. As suas opiniões pessoais sobre religião ou sobre a luta internacional contra o terrorismo são muito discutidas e algumas resultam mesmo em acusações de diversos quadrantes.

Política]
Diretor-Adjunto do Diário de Notícias[editar | editar código-fonte]
Após a Revolução dos Cravos, no dia 9 de Junho de 1974, José Saramago ingressa na direcção do Diário de Notícias como adjunto do director Luís de Barros. Desde logo tornou claro que pretendia utilizar o posto concedido como ferramenta política no intuito de tornar Portugal um estado socialista: “O DN vai ser o instrumento, nas mãos do povo português, para a construção do socialismo.”

Com a nacionalização do jornal, após o 11 de Março de 1975, o jornal remodelou a sua direcção. Saramago manteve o seu cargo, mas para efeitos práticos, as suas funções assemelhavam-se mais ao cargo de director do que director-adjunto. Entre Abril e Novembro do mesmo ano, redigiu cerca de 95 textos na primeira página sob o título de “Apontamentos”, que acabavam por funcionar como editoriais do jornal. Nestes textos era possível denotar fortes críticas a Mário Soares, Freitas do Amaral, entre outros, e rasgados elogios a dirigentes conotados com o ideário comunista dos quais se destacam Vasco Gonçalves.

Estes textos não eram assinados, e por uma só vez surge a assinatura de José Saramago junto com a de Luís de Barros, nas páginas do DN num texto intitulado "Uma Direcção Nova" e publicado a 11 de Abril: "O DN é importante de mais para que os seus trabalhadores aceitem vê-lo transformar-se em feudo de alguém. Esta Casa precisa de todos e será obra de todos". Contrariando estas palavras, 22 jornalistas serão despedidos a 27 de Agosto por delito de opinião. "Informação revolucionária não se faz com jornalistas contra-revolucionários. Por isso, os que o eram foram afastados", explicará o DN, a 4 de Setembro, em prosa não assinada.

Entre os vários textos que escreveu, nunca escondeu que acreditava na instauração de regime socialista recorrendo à força das armas. São dele as afirmações: “Ou esta Revolução se suicida (...) ou se recupera pela única via que lhe deixam aqueles que a querem liquidar”, "a violência revolucionária é uma legítima defesa quando está em causa a vida e o futuro de um povo inteiro" e "O regresso aos quartéis, que alguns teimam em preconizar, nada resolveria as Forças Armadas, tendo sido MFA no seu sector progressista, não podem recuperar neutralidades utópicas: mais vale, portanto, que, mesmo em conflito, continuem no primeiro plano da acção política. Mas cuidado, o tempo não espera". Estas afirmações consistiam num apelo implícito ao golpe militar, que poderia mergulhar o país na guerra civil como preço a pagar para que continuasse a ser o povo a determinar os destinos do país. De facto, no dia seguinte à publicação destas afirmações, 25 de Novembro de 1975, sectores da esquerda radical levam a cabo uma tentativa de golpe de estado falhada, assinalando também o fim da influência de Saramago no DN.13

Críticas a Israel e acusações de anti-semitismo
Um caso que tem tido alguma repercussão relacionou-se com a posição crítica do autor em relação à posição de Israel no conflito contra os palestinianos. Por exemplo, a 13 de Outubro de 2003, numa visita a São Paulo, em entrevista ao jornal O Globo, afirmou que os judeus não merecem a simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o Holocausto… Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós. A Anti-Defamation League (ADL) (Liga Anti-Difamação), um grupo judaico de defesa dos direitos civis, caracterizou estes comentários como sendo anti-semitas. Segundo as palavras de Abraham Foxman, director da ADL, "os comentários de José Saramago são incendiários, profundamente ofensivos e mostram uma ignorância destes assuntos, o que sugere um preconceito contra os judeus".

Em defesa de Saramago, diversos autores afirmam que ele não se insurgiu contra os judeus, mas contra a política de Israel, como, por exemplo, num artigo publicado a 3 de Maio de 2002 no jornal Público, onde, comparando o actual conflito com a cena bíblica de Davi e Golias, o autor diz que Davi, representando Israel, "se tornou num novo Golias" e que aquele "lírico Davi que cantava loas a Betsabé, encarnado agora na figura gargantuesca de um criminoso de guerra chamado Ariel Sharon, lança a "poética" mensagem de que primeiro é necessário esmagar os palestinianos para depois negociar com o que deles restar".

Integração de Portugal numa Federação Ibérica
Em entrevista ao jornal Diário de Notícias em 15 de Julho de 2007, Saramago afirmou que a integração entre Espanha e Portugal é uma forte probabilidade e que os portugueses só teriam a ganhar se Portugal fosse integrado na Espanha, país no qual se auto-exilou (na ilha de Lanzarote) e que viu como seu a atribuição do Nobel da Literatura.[2]

Acerca do prémio Nobel
Em Setembro de 1997, a agência publicitária sueca, Jerry Bergström AB, de Estocolmo, contratada pelo ICEP (órgão estatal português para a promoção do comércio e turismo nacional), organizou uma visita de José Saramago a Estocolmo, incluindo um seminário na Hedengrens, a principal cadeia de livrarias sueca, um discurso na Universidade de Estocolmo e várias entrevistas a jornais, revistas e rádios suecas. Nesses mesmos dias, a televisão estatal sueca produziu um programa especial dedicado ao escritor.

Em outubro do mesmo ano, a Feira Internacional do Livro de Frankfurt tem neste ano Portugal como país em destaque, estando José Saramago neste local, em 8 de outubro de 1998, quando recebe a informação de ter ganho o prémio, que, em 7 de dezembro de 1998, Saramago recebe em Estocolmo.

Segundo o Diário de Notícias, o director da empresa sueca Jerry Bergström AB afirmou: "Portugal nunca tinha tido um Prémio Nobel da literatura e uma parte da nossa missão consistia em mudar essa situação".

Comentando esta atribuição, Sture Allén, então secretário da Academia Sueca, negou que a decisão tenha sido afectada por "campanhas publicitárias, comentários de académicos ou escritores, ou qualquer outro tipo de pressão".

Contradizendo Allén, Knut Ahnlund e Lars Gyllensten, membros da academia afirmaram que seria ridículo afirmar que os membros da academia sejam "imunes a agências publicitárias". Ahnlund foi crítico da atribuição do prémio Nobel a Saramago, que segundo ele foi o culminar de uma campanha profissional de relações públicas.

Religião
Oposição à Igreja Católica

Saramago por Bottelho
Saramago encontrou sempre fortes críticas e oposição na Igreja Católica, facto pelo qual ele se refere a esta como "fascista" com frequência. Alguns protestantes (ou evangélicos) já declararam publicamente apoiar a liberdade de expressão do autor.14 E essa relação de tensão com a Igreja Católica é agravada devido à origem portuguesa de Saramago, local onde o catolicismo é muito forte e discuti-lo ainda é um tabu.15

Devido à sua origem portuguesa e a toda a influência cultural exercida pelo catolicismo em tal contexto, Saramago sente a necessidade de abordar a Bíblia no seu trabalho de escritor – esse texto faz parte do seu património cultural, ao contrário do corão, que Saramago entende não ser a sua tarefa abordá-lo.16

A interpretação que Saramago faz da Bíblia é a de que ela é um "manual de maus costumes", cheio de "um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana", e que para uma pessoa comum a decifrar, precisaria de ter "um teólogo ao lado". E cita para sustentar isso os episódios de violência relatados na Bíblia, como sacrifício de Isaque, a destruição de Sodoma ou a vida de Jó, por exemplo. Para Saramago, todos eles revelam que "Deus não é de fiar". E Saramago diz, sobre a necessidade ou não da exegese, que tem que "interpretar a letra" do texto – um processo que, na interpretação bíblica, é chamado de literalista.16 E isso de modo algum impede que outra pessoa tenha a sua interpretação, ou que ele tente impor a sua interpretação como verdade como absoluta. Muito pelo contrário, ele até mesmo estimula a leitura bíblica: "Sobre o livro sagrado, eu costumo dizer: lê a Bíblia e perde a fé!", diz Saramago.

Porém, Saramago não deixa de reconhecer que a "Bíblia tem coisas admiráveis do ponto de vista literário" e "muita coisa que vale a pena ler", estando, dentre elas, os salmos, com páginas "belíssimas", o Cântico dos Cânticos, e a parábola do semeador contada por Jesus.16

A relação de tensão de Saramago com a Igreja Católica cresceu fortemente após a publicação do livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo em 1991, que foi adaptado para o teatro em 2001. O livro foi motivo de fortes críticas por parte de católicos que se consideraram ofendidos pela leitura secular que Saramago faz da personagem Jesus.17 18

A Igreja Católica não gostou da atribuição do Prémio Nobel a Saramago e publicou no diário do Vaticano, L'Osservatore Romano: “Saramago é, ideologicamente, um comunista inveterado”.19

O lançamento do livro Caim (2009) voltou a suscitar "incompreensões, resistência, ódios velhos", conforme Saramago. "Desperto muitos anticorpos em certas pessoas", acrescenta, acusando várias vezes responsáveis da Igreja Católica (mas não protestantes ou judeus) de terem comentado o livro que ainda não leram – de facto, as pessoas foram instadas a comentar as declarações sobre a Bíblia, feitas por Saramago.16

E, realmente, após o lançamento de Caim, várias vozes católicas se insurgiram contra Saramago. Ele foi acusado pelo padre José Tolentino Mendonça, director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, de fazer uma leitura "ingénua, ideológica e manipuladora" da Bíblia. O bispo do Porto, D. Manuel Clemente, afirmou que José Saramago "revela uma ingenuidade confrangedora quando faz incursões bíblicas" e, como "exigência intelectual, deveria informar-se antes de escrever". Já o director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica de Lisboa, Peter Stilwell, considera que "seria espantoso" que José Saramago encontrasse algo divino na Bíblia e sublinhou que o escritor escolheu o fratricida Caim e não Abel, a vítima.

O teólogo Anselmo Borges inicialmente afirmou que Saramago fez uma leitura "completamente unilateral" da Bíblia, que tem, como qualquer livro, de ser lida como um todo.20 Mais tarde, tal teólogo declarou ter opinião formada sobre Caim: "Gostei do livro e até digo que é importante." Dá três razões para justificar a sua opinião: a "Bíblia é um livro aberto; há liberdade de interpretação e obriga os crentes a reflectir".15 Para o biblista Fernando Ventura, José Saramago tinha a exigência intelectual de se informar antes de escrever. O religioso capuchinho referiu que "a Bíblia pode ser lida por alguém que não tem fé, mas supõe alguma honestidade intelectual de quem o lê", e acusou Saramago de "uma falta gigantesca" dessa honestidade.

Sobre tais afirmações, Saramago, com sarcasmo, disse: "Dizem que li a Bíblia com ingenuidade porque é necessário fazer uma interpretação simbólica, ou seja, aquilo que ali está escrito não tem sentido por si. E levou mil anos a ser escrito!"21 Ainda sobre a alegação de "ingenuidade", respondeu: "Abençoada ingenuidade que me permitiu ler o que lá está e não qualquer operação de prestidigitação, dessas em que a exegese é pródiga, forçando as palavras a dizerem apenas o que interessa à Igreja. Leio e falo sobre o que leio".22

Essas críticas confirmam também a opinião de Saramago de que muitos que comentaram o livro ainda não o leram – isso está explícito no próprio teor das críticas.

É também por esses comentários que Saramago diz que os católicos "não leem a Bíblia".23

Devido aos acontecimentos, em uma conversa com o teólogo católico José Tolentino de Mendonça no final de Outubro de 2009, Saramago declarou: "A mim, o que me vale, meu caro Tolentino, é que já não há fogueiras em São Domingos".24

O Papa Bento XVI, que em Abril de 2009 já havia afirmado que "os estudiosos católicos não podem interpretar a Bíblia de uma maneira independente, nem de um ponto de vista científico ou individual",25 após o episódio ocorrido no lançamento de Caim voltou a afirmar publicamente que apenas a Igreja Católica pode interpretar a Bíblia.26

Dias após a morte de Saramago, o jornal oficial do Vaticano chamou o escritor de "populista extremista" e "ideólogo anti-religioso".27

Críticas ao Papa Bento XVI[editar | editar código-fonte]
Na sua passagem por Roma em 14 de Outubro de 2009, Saramago chamou Joseph Alois Ratzinger, também chamado Papa Bento XVI, de "cínico", dizendo que a "insolência reaccionária" da Igreja Católica precisa ser combatida com a "insolência da inteligência viva".28

Dentre as suas principais declarações, estavam a de que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para "reforçar o seu neomedievalismo universal, um Deus que ele jamais viu, com o qual nunca se sentou para tomar um café, mostra apenas o absoluto cinismo intelectual" dele. Disse também que "[a]s insolências reaccionárias da Igreja Católica precisam de ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só têm interesse no poder".28

Críticas de católicos a Saramago[editar | editar código-fonte]
Após ter enfrentado fortes críticas com o lançamento do livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo em 1991, mudou-se de Portugal para a Espanha. Pouco depois,29 o lançamento de Caim em 2009 voltou a render-lhe mais críticas.

O eurodeputado Mario David, falando em nome pessoal e assumindo-se católico não-praticante, disse ter vergonha de ser compatriota do escritor, e escreveu no seu blogue da Internet, tendo-o repetido depois aos meios de comunicação, que Saramago devia renunciar à nacionalidade portuguesa.30 Apesar de tais declarações, o escritor esclareceu que jamais pensou em abandonar a cidadania portuguesa.31

Em defesa de Saramago, a eurodeputada socialista Edite Estrela declarou que tais palavras de Mario David são inquisitórias.32

Já Sousa Lara, sub-secretário de Estado adjunto da Cultura de Portugal em 1991, que então vetou o livro O Evangelho segundo Jesus Cristo de uma lista de romances portugueses candidatos a um prémio literário europeu, em Outubro de 2009 comparou Saramago com Berlusconi (isto embora Berlusconi seja um político direitista italiano conhecido por sua fé católica33 34 35 36 37 que até já foi responsável pela publicação de um livro de Saramago em Itália por ser uma obra de "anticatólica", sendo que Saramago considerava que "O Estado de Berlusconi" era "católico e reaccionário"38 ), sugerindo que ele deveria receber uma "punição" (não apenas divina) pelo que foi escrito em Caim, declarando o que segue:

"Este senhor atingiu, não se percebe muito bem porquê, um patamar de impunidade que a humanidade concede, tipo Berlusconi. Há umas pessoas que podem dizer tudo, que podem fazer as coisas mais absurdas e as pessoas habituam-se a isso e não levam a mal. Só tenho pena que não enxovalhe, da mesma forma que enxovalhe o património católico, por exemplo os muçulmanos, porque esses não perdoam e vergam-lhes pela pele. Aí é mais difícil insistir muito numa gracinha reiterada contra a religião muçulmana. Calculo que depois não lhe corra bem o futuro depois".39

O poeta Manuel Alegre, sobre tais acontecimentos, declarou: "Isto é uma história portuguesa cheia de preconceitos e fantasmas. Em primeiro lugar é preciso ler o livro de José Saramago. Ele é um grande escritor, mas parece que não se perdoa a Saramago, ser um grande escritor da língua portuguesa, ser um Prémio Nobel e não ser um homem religioso". "Ele escreveu um livro, mas não vejo ninguém discutir o livro. Só vejo discutir as opiniões que com todo o direito ele expressou sobre a Bíblia". Conforme questiona Alegre, "As pessoas podem não estar de acordo com aquilo que ele diz, mas como é que se pode pôr em causa a seriedade de um homem que diz aquilo que pensa". Ele considera tais acontecimentos como "um preconceito" e "resquícios de dogmatismo". "Não lhe podem negar o direito de escrever um livro e também não se pode crucificar o Saramago por exprimir as suas opiniões e menos ainda por ser um grande escritor, e menos ainda por ser um Prémio Nobel". Finalizando, disse que "ao Saramago não se perdoa ser um português que se atreveu a ganhar o Prémio Nobel da Literatura e que diz que não acredita em Deus".40

Devido ao ocorrido, Saramago chegou até mesmo a propor dois novos direitos à Declaração Universal dos Direitos Humanos: o direito à dissidência e à heresia.

Fonte de origem:
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.