segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Blog Concursos Literários: 30.04.2017 - XIX Jogos Florais de Curitiba

Blog Concursos Literários: 30.04.2017 - XIX Jogos Florais de Curitiba: Informações: a) Aberto a autores dos Países de Língua Portuguesa b) Trovas Prazo: 30 de abril de 2017* * Será considerada a data de rec...




O sufrágio do amar
O amor.
Este sentimento maravilhoso que sem pedir licença,
de tempos em tempos te invade, sem te dar explicação.
E simplesmente:
Seus olhos veem.
Seu coração sente.
Seu corpo deseja.
E pronto.
Ninguém consegue se esquivar desta trindade plenitude do amar.
O tempo passa.
E o perverso exercício do viver vai minando a base do querer, do
ficar e do ter.
E da mesma forma que iniciou, assim sem ter ou porque,
você resolve abrir mão de tudo.
Começa então o doloroso martírio da alma.
E dia a dia com requinte de crueldade, este sentimento tão nobre
passa a te consumir, noite e dia.
Ora vendo.
Ora sentindo.
Ora desejando.
E assim seus dias vão se arrastando na eternidade de cada segundo.
Na esperança de quem sabe um dia, este sufrágio da alma cesse.

Editora Clube de Autores:

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Blog Concursos Literários: 31.03.2017 - XIII Concurso de Trovas da UBT - Mara...

Blog Concursos Literários: 31.03.2017 - XIII Concurso de Trovas da UBT - Mara...: Informações: a) Aberto a todos os interessados b) Trovas c) Inscrições pela internet ou correios Prazo: 31 de março de 2017 * Será con...



Sala vazia
A arte a parte.
A parte que me resta.
Nos arreios da testa, tudo vira festa.
A comida mal feita.
A Igreja sem porta.
A horta.
O desfecho da sorte.
A morte.
O sono leve.
O desconforto do corpo.
A sombra atrás da árvore.
O trabalho forçado.
Forçado a sorrir, a amar e a gostar.
Sem ter gosto.
O desgosto da vida.
Avenida sem casas.
A sala vazia.
O coração no peito, que pulsa, pulsa...
Até que chegue a hora de entrar neste caminho sem volta.


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Blog Concursos Literários: 15.03.2017 - III Concurso de Trovas UBT / Country ...

Blog Concursos Literários: 15.03.2017 - III Concurso de Trovas UBT / Country ...: Informações: a) Aberto a autores dos Países de Língua Portuguesa b) Trovas Prazo: 15 de março de 2017* * Será considerada a data de rec...

Mulher às vezes...

Toda mulher além de sua beleza e alma bela, sempre
traz nela um provocador valor agregado.
O olhar.
A boca.
O cabelo.
O cheiro.
O sabor.
A fala.
O caminhar.
O fervor que do seu corpo exala.
O simples fato de ser ou estar.
E o mais perverso para os pobres homens, é quando tudo
isso está no mesmo ser, nos tornando reféns do eterno
desejo insano.

Do ter, possuir e poder agregar a tudo isso o seu próprio ser.

Editora Clube de Autores:
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Blog Concursos Literários: 30.07.2017 - e-Antologia - "Mitografias"

Blog Concursos Literários: 30.07.2017 - e-Antologia - "Mitografias": Informações: a) Aberto a todos os interessados b) Contos em Português c) Tema: Mito Moderno d) Inscrição pela internet (Conforme o regul...





Orgasmo
Deslizando a lâmina por entre a flor do teu desejo, quente
e úmida.
Movimentos simétricos, que pontualmente faziam aquele
corpo em transe bailar em movimentos sinuosos.
Teus gemidos e sussurros, a graciosa face trêmula e
descontrolada, inundavam o ambiente.
A carne branca e nua refletia a luz do abandono da alma.
Os inevitáveis impulsos involuntários faziam a lâmina
penetrar cada vez mais profundo, entre tuas torneadas coxas.
Seu quadril laceava meu desejo num bailar quase sinfônico.
Nestes colossais minutos de prazer e fúria, nos tornávamos
um só ser, até que restassem apenas dois corpos, sobre os
lençóis  brancos da satisfação.
E por fim nossos olhares se cruzavam como resposta aquele

orgasmo, nos eternizando um no outro.

Editora Clube de Autores:
Para ler o ressumo da obra ou comprar cilque no link:

Crônicas De Segunda Na Usina: Machado de Assis:A IGREJA DO DIABO


 ÍNDICE:
CAPÍTULO PRIMEIRO
CAPÍTULO II
CAPÍTULO III
CAPÍTULO IV
 CAPÍTULO PRIMEIRO
 DE UMA IDÉIA MIRÍFICA

Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a idéia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez.
 — Vá, pois, uma igreja, concluiu ele. Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. 
O meu credo será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja uma tenda de Abraão. E depois, enquanto
as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante de mim, nem Maomé, nem Lutero. Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo.
Dizendo isto, o Diabo sacudiu a cabeça e estendeu os braços, com um gesto magnífico e varonil. Em seguida, lembrou-se de ir ter com Deus para comunicar lhe a idéia, e desafiá-lo; levantou os olhos, acesos de ódio, ásperos de vingança, e disse consigo:
 — Vamos, é tempo. E rápido, batendo as asas, com tal estrondo
que abalou todas as províncias do abismo, arrancou da sombra para o infinito
azul.
 CAPÍTULO II
 ENTRE DEUS E O DIABO:
 Deus recolhia um ancião, quando o Diabo chegou ao céu. Os serafins que engrinaldavam o recém-chegado, detiveram-no logo, e o Diabo deixou-se estar à entrada com os olhos no Senhor.
 — Que me queres tu? perguntou este.
— Não venho pelo vosso servo Fausto, respondeu o Diabo rindo, mas por todos os Faustos do século e dos séculos.
— Explica-te.
— Senhor, a explicação é fácil; mas permiti que vos diga: recolhei primeiro esse
bom velho; dai-lhe o melhor lugar, mandai que as mais afinadas cítaras e alaúdes
o recebam com os mais divinos coros...
— Sabes o que ele fez? perguntou o Senhor, com os olhos cheios de doçura.
— Não, mas provavelmente é dos últimos que virão ter convosco. Não tarda muito que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto. Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma igreja. Estoucansado da minha desorganização, do meu reinado casual e adventício. É tempo de obter a vitória final e completa. E então vim dizer-vos isto, com lealdade, para que me não acuseis de dissimulação... Boa idéia, não vos parece?
— Vieste dizê-la, não legitimá-la, advertiu o Senhor.
— Tendes razão, acudiu o Diabo; mas o amor-próprio gosta de ouvir o aplauso dos mestres. Verdade é que neste caso seria o aplauso de um mestre vencido, e uma tal exigência... Senhor, desço à terra; vou lançar a minha pedra fundamental.
— Vai.
— Quereis que venha anunciar-vos o remate da obra?
— Não é preciso; basta que me digas desde já por que motivo, cansado há tanto da tua desorganização, só agora pensaste em fundar uma igreja?
O Diabo sorriu com certo ar de escárnio e triunfo. Tinha alguma idéia cruel no espírito, algum reparo picante no alforje de memória, qualquer coisa que, nesse breve instante da eternidade, o fazia crer superior ao próprio Deus. Mas recolheu o riso, e disse:
 — Só agora concluí uma observação, começada desde alguns séculos, e é que as virtudes, filhas do céu, são em grande número comparáveis a rainhas, cujo manto de veludo rematasse em franjas de algodão. Ora, eu proponho-me a puxá-las por essa franja, e trazê-las todas para minha igreja; atrás delas virão as de seda
pura...
— Velho retórico! murmurou o Senhor.
— Olhai bem. Muitos corpos que ajoelham aos vossos pés, nos templos do mundo, trazem as anquinhas da sala e da rua, os rostos tingem-se do mesmo pó, os lenços cheiram aos mesmos cheiros, as pupilas centelham de curiosidade e devoção entre o livro santo e o bigode do pecado. Vede o ardor, — a indiferença, ao menos, — com que esse cavalheiro põe em letras públicas os benefícios que
liberalmente espalha, — ou sejam roupas ou botas, ou moedas, ou quaisquer dessas matérias necessárias à vida... Mas não quero parecer que me detenho em coisas miúdas; não falo, por exemplo, da placidez com que este juiz de irmandade, nas procissões, carrega piedosamente ao peito o vosso amor e uma
comenda... Vou a negócios mais altos...
Nisto os serafins agitaram as asas pesadas de fastio e sono. Miguel e Gabriel fitaram no Senhor um olhar de súplica. Deus interrompeu o Diabo.
 — Tu és vulgar, que é o pior que pode acontecer a um espírito da tua espécie, replicou-lhe o Senhor. Tudo o que dizes ou digas está dito e redito pelos moralistas do mundo. É assunto gasto; e se não tens força, nem originalidade para renovar um assunto gasto, melhor é que te cales e te retires. Olha; todas as minhas legiões mostram no rosto os sinais vivos do tédio que lhes dás. Esse mesmo ancião parece enjoado; e sabes tu o que ele fez?
— Já vos disse que não.
— Depois de uma vida honesta, teve uma morte sublime. Colhido em um naufrágio, ia salvar-se numa tábua; mas viu um casal de noivos, na flor da vida, que se debatiam já com a morte; deu-lhes a tábua de salvação e mergulhou na eternidade. Nenhum público: a água e o céu por cima. Onde achas aí a franja de
algodão?
— Senhor, eu sou, como sabeis, o espírito que nega.
— Negas esta morte?
— Nego tudo. A misantropia pode tomar aspecto de caridade; deixar a vida aos outros, para um misantropo, é realmente aborrecê-los...
— Retórico e sutil! exclamou o Senhor. Vai; vai, funda a tua igreja; chama todas as virtudes, recolhe todas as franjas, convoca todos os homens... Mas, vai! vai! Debalde o Diabo tentou proferir alguma coisa mais. Deus impusera-lhe silêncio; os serafins, a um sinal divino, encheram o céu com as harmonias de seus cânticos. O Diabo sentiu, de repente, que se achava no ar; dobrou as asas, e, como um raio,
caiu na terra.
 CAPÍTULO III
 A BOA NOVA AOS HOMENS
 Uma vez na terra, o Diabo não perdeu um minuto. Deu-se pressa em enfiar a cogula beneditina, como hábito de boa fama, e entrou a espalhar uma doutrina nova e extraordinária, com uma voz que reboava nas entranhas do século. Eleprometia aos seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias, os deleites mais íntimos. Confessava que era o Diabo; mas confessava-o para retificar a noção que os homens tinham dele e desmentir as histórias que a seu respeito contavam as velhas beatas.
 — Sim, sou o Diabo, repetia ele; não o Diabo das noites sulfúreas, dos contos soníferos, terror das crianças, mas o Diabo verdadeiro e único, o próprio gênio da natureza, a que se deu aquele nome para arredá-lo do coração dos homens. Vede me gentil a airoso. Sou o vosso verdadeiro pai. Vamos lá: tomai daquele nome, inventado para meu desdouro, fazei dele um troféu e um lábaro, e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...
Era assim que falava, a princípio, para excitar o entusiasmo, espertar os indiferentes, congregar, em suma, as multidões ao pé de si. E elas vieram; e logo que vieram, o Diabo passou a definir a doutrina. A doutrina era a que podia ser na boca de um espírito de negação. Isso quanto à substância, porque, acerca da
forma, era umas vezes sutil, outras cínica e deslavada. Clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram as naturais e legítimas. A soberba, a luxúria, a preguiça foram reabilitadas, e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia, com a diferença que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada. A ira tinha a melhor defesa na existência de Homero; sem o furor de Aquiles, não haveria a Ilíada: "Musa, canta a cólera de Aquiles, filho de Peleu"... O mesmo disse da gula,
que produziu as melhores páginas de Rabelais, e muitos bons versos do Hissope; virtude tão superior, que ninguém se lembra das batalhas de Luculo, mas das suas ceias; foi a gula que realmente o fez imortal. Mas, ainda pondo de lado essas razões de ordem literária ou histórica, para só mostrar o valor intrínseco daquela
virtude, quem negaria que era muito melhor sentir na boca e no ventre os bons manjares, em grande cópia, do que os maus bocados, ou a saliva do jejum? Pela sua parte o Diabo prometia substituir a vinha do Senhor, expressão metafórica, pela vinha do Diabo, locução direta e verdadeira, pois não faltaria nunca aos seus com o fruto das mais belas cepas do mundo. Quanto à inveja, pregou friamente que era a virtude principal, origem de prosperidades infinitas; virtude preciosa, que chegava a suprir todas as outras, e ao próprio talento.
As turbas corriam atrás dele entusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes de eloqüência, toda a nova ordem de coisas, trocando a noção delas, fazendo amar as perversas e detestar as sãs.
Nada mais curioso, por exemplo, do que a definição que ele dava da fraude. Chamava-lhe o braço esquerdo do homem; o braço direito era a força; e concluía: muitos homens são canhotos, eis tudo. Ora, ele não exigia que todos fossem canhotos; não era exclusivista. Que uns fossem canhotos, outros destros; aceitava a todos, menos os que não fossem nada. A demonstração, porém, mais rigorosa e profunda, foi a da venalidade. Um casuísta do tempo chegou a confessar que era um monumento de lógica. A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos? não pode um homem vender uma parte do seu sangue para transfundi-lo a outro homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrando assim o princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente.
E descia, e subia, examinava tudo, retificava tudo. Está claro que combateu o perdão das injúrias e outras máximas de brandura e cordialidade. Não proibiu formalmente a calúnia gratuita, mas induziu a exercê-la mediante retribuição, ou pecuniária, ou de outra espécie; nos casos, porém, em que ela fosse uma expansão imperiosa da força imaginativa, e nada mais, proibia receber nenhum salário, pois equivalia a fazer pagar a transpiração. Todas as formas de respeito foram condenadas por ele, como elementos possíveis de um certo decoro social e pessoal; salva, todavia, a única exceção do interesse. Mas essa mesma exceção
foi logo eliminada, pela consideração de que o interesse, convertendo o respeito em simples adulação, era este o sentimento aplicado e não aquele.
 Para rematar a obra, entendeu o Diabo que lhe cumpria cortar por toda a solidariedade humana. Com efeito, o amor do próximo era um obstáculo grave à nova instituição. Ele mostrou que essa regra era uma simples invenção de parasitas e negociantes insolváveis; não se devia dar ao próximo senão indiferença; em alguns casos, ódio ou desprezo. Chegou mesmo à demonstração de que a noção de próximo era errada, e citava esta frase de um padre de Nápoles, aquele fino e letrado Galiani, que escrevia a uma das marquesas do antigo regímen: "Leve a breca o próximo! Não há próximo!" A única hipótese em que ele permitia amar ao próximo era quando se tratasse de amar as damas alheias, porque essa espécie de amor tinha a particularidade de não ser outra coisa mais do que o amor do indivíduo a si mesmo. E como alguns discípulos achassem que uma tal explicação, por metafísica, escapava à compreensão das turbas, o Diabo recorreu a um apólogo: — Cem pessoas tomam ações de um banco, para as operações comuns; mas cada acionista não cuida realmente senão nos seus dividendos: é o que acontece aos adúlteros. Este apólogo foi incluído no livro da sabedoria.
 CAPÍTULO IV
 FRANJAS E FRANJAS
 A previsão do Diabo verificou-se. Todas as virtudes cuja capa de veludo acabava em franja de algodão, uma vez puxadas pela franja, deitavam a capa às urtigas e vinham alistar-se na igreja nova. Atrás foram chegando as outras, e o tempo abençoou a instituição. A igreja fundara-se; a doutrina propagava-se; não havia uma região do globo que não a conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triunfo.
Um dia, porém, longos anos depois notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam as antigas virtudes. Não as praticavam todas, nem integralmente, mas algumas, por partes, e, como digo, às ocultas. Certos glutões recolhiam-se a comer frugalmente três ou quatro vezes por ano, justamente em
dias de preceito católico; muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhe pequenas quantias; os fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros.
A descoberta assombrou o Diabo. Meteu-se a conhecer mais diretamente o mal, e viu que lavrava muito. Alguns casos eram até incompreensíveis, como o de um droguista do Levante, que envenenara longamente uma geração inteira, e, com o produto das drogas, socorria os filhos das vítimas. No Cairo achou um perfeito ladrão de camelos, que tapava a cara para ir às mesquitas. O Diabo deu com ele à entrada de uma, lançou-lhe em rosto o procedimento; ele negou, dizendo que ia ali roubar o camelo de um drogman; roubou-o, com efeito, à vista do Diabo e foi dá-lo de presente a um muezim, que rezou por ele a Alá. O manuscrito beneditino cita muitas outras descobertas extraordinárias, entre elas esta, que desorientou completamente o Diabo. Um dos seus melhores apóstolos era um calabrês, varão de cinqüenta anos, insigne falsificador de documentos, que possuía uma bela casa na campanha romana, telas, estátuas, biblioteca, etc. Era a fraude em pessoa; chegava a meter-se na cama para não confessar que estava são. Pois esse homem, não só não furtava ao jogo, como ainda dava gratificações aos criados.
Tendo angariado a amizade de um cônego, ia todas as semanas confessar-se com ele, numa capela solitária; e, conquanto não lhe desvendasse nenhuma das suas ações secretas, benzia-se duas vezes, ao ajoelhar-se, e ao levantar-se. O Diabo mal pôde crer tamanha aleivosia. Mas não havia duvidar; o caso era verdadeiro.
Não se deteve um instante. O pasmo não lhe deu tempo de refletir, comparar e concluir do espetáculo presente alguma coisa análoga ao passado. Voou de novo ao céu, trêmulo de raiva, ansioso de conhecer a causa secreta de tão singular fenômeno. Deus ouviu-o com infinita complacência; não o interrompeu, não o
repreendeu, não triunfou, sequer, daquela agonia satânica. Pôs os olhos nele, e disse:
 — Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição humana. 

"Síndrome do esquecimento compulsivo"Meu partido é minha Pátria:


Breve nota de roda pé:

Em um tempo não muito distante, na avassaladora era do mensalão. O então presidente Lula afirmou não saber de nada que se passava há respeito, no seu governo.

Na ocasião eu pessoalmente pensei que fosse pura falta de caráter.
Mais o tempo passou, ai veio a crise hídrica em São Paulo..
E recententemente o ilustríssimo senhor governador de São Paulo, por ocasião de tudo que se refere ao andamento das obras do transporte publico ter se tornado ultra secreto, ele declarou que não era de seu conhecimento, pois tinha tudo sido feito pela secretária de transporte, ou seja o novo do mesmo, ou seja muda a hierarquia de governo mais o esquecimento não.
Ai, para não ficar só no executivo em uma demostração que o legislativo também sofre da mesma síndrome.
O homem que por força das circunstancia e desejo de uma boa parte da população e alguns seguimento político, pode se tornar o presidente da nossa pátria.
O ilustríssimo senhor Eduardo Cunham em depoimento na CPI, da Petrobrás, afirmou categoricamente não possuir contas na Suíça.
Ai, a Suíça envia provas documentais provando que o cidadão acima citado tem é mais de uma conta...
Bem, gostaria de convocar alguns especialista que por ventura fazem parte do facebook, para tentarem nos esclarecer qual o momento em que os nosso políticos são duramente atacados por está terrível síndrome. SEC. ( Síndrome do esquecimento compulsivo).
E assim quem sabe nas próximas eleições possamos nós, pobre eleitores conseguir identifica-los antes de elege-los.

A modernidade invade o Paraíso:

     Às vezes me pego imaginando porque uma instituição religiosa possui uma empresa de táxi Aéreo.
Será que nos esquecerão de avisar a data da concorrência pública para o transporte para o paraíso das almas que eles arrematam todo o dia junto com suas economias, claro.
Já temos TV por assinatura direta do paraíso para os eleitos, agora aguardo ansioso o speedy celestial, pois com sua vasta cobertura, finalmente poderei estalar o mesmo em minha humilde residência, porque devida a sua localização o convencional da telefônica lá não chega.
Como se tornou útil e fácil vender salvação em um mundo de desesperados pelo desejo do poder ter.

Crônicas De Segunda Na Usina: Masoquismo futebolístico.


      É domingo o sol brilha com aquela intensidade que só um aficionado por futebol consegue enxergar, e para completar o seu time de coração, o seu pobre coração que a muito aprendeu a aguentar sofrimento, pois há dezoito anos que ele não ganha nem jogo de quermesse, com muita reza e propina, chegou novamente à final do campeonato nacional.
Então você não tem outra alternativa se não, a de comprar umas dez caixas de cerveja, uns quinze quilos de carne daquelas que nem abacaxi amacia.
Pois a rapaziadas que você jamais deixaria de convidar para assistir o jogo na sua residência, faz leão africano parecer vegetariano.
Nem preciso comentar a alegria da sua esposa com este acontecimento, porque a casa praticamente se transforma em um campo de batalha, pois na sua doce ingenuidade de torcedor fanático não lhe passa pela cabeça qualquer possibilidade de imaginar que seu querido clube, por sinal o melhor do mundo, na sua visão, claro.
Possa deixar passar esta oportunidade de vencer, afinal o adversário é baba.
A gente sabe que depois do jogo, ganhando ou perdendo, a cerveja e a carne de casa perdem o sabor. Então todos, menos a mulher, claro, vão comemorar ou se lastimar em desculpas que só você ver, bem ali no boteco da esquina.
E ai os restos daquela sangrenta batalha de xingamentos e palavrões, fica a cargo da digníssima esposa que não seria louca de reclamar na frente dos seus dóceis amigos.
Mas dessa vez ele resolveu fazer diferente, pois era um momento muito especial, então despachou a dona da pensão para a casa das amigas afinal mulheres adora secar jogo do time do marido, é a única vingança que elas têm contra aquele adversário invencível.
Assim a retirada dela é estratégica e necessária para o território ficar livre para todos.
Ele não pode correr o risco de ser achocalhado pelos amigos com aquelas indiretas infame de uma mulher insatisfeita, mesmo porque eu não sei o que leva o homem achar que quem manda em casa é ele.
Finalmente a arena esta montada a cerveja nem precisa ta gelada, a carne mal esquenta já tem alguém rasgando ela no dente, como se estivesse com uma fome de antes de ontem.
O jogo começa assim como a tensão só aumenta a carne desses de goela a baixo feito quiabo, que nem nos dentes tocam.
O seu time precisa da vitória, o primeiro tempo termina no zero a zero, não tem problema ali foi só pra aquecer, no segundo tempo ele vai da uma sacolada de gols no pobre coitado do adversário.
Começa o segundo tempo e a cerveja nem passa mais pela geladeira antes de beber,
Bem, a partir daí o negro nem olha mais para a churrasqueira, porque meu amigo, carne mau passada e cerveja quente fazem uma pressão no estomago que nem avestruz agüenta.
Depois de noventa minutos de desespero já nos acréscimos para ser mais exatos aos quarenta e seis do segundo tempo, seu time precisando ganhar, o juiz marca um pênalti duvidoso contra o seu time, o que leva todos ao desespero.
O atacante corre bate na bola e o goleiro salvador defende que alegria, que nada o juiz mandou voltar à cobrança o goleiro se mexeu da linha.
O atacante corre para a bola e com a escolha certa do canto da trave onde ele chutou a bola, nem mesmo ele saberia que ali naquele momento enterrava o lindo sonho de ser campeão daquele ingênuo e desconhecido torcedor.
Então lá se foram o seu lindo domingo, e pensar que ele antecede a dolorosa e inevitável segunda feira de pura gozação naquele trabalho que já lhe caia como uma tortura permanente.
Bem, o que lhe restava era torcer para aquela carne mal passada e a agora amarga cerveja não lhe cause uma dolorosa congestão.
E quando ele achou que tudo tinha acabado não é que lhe entra porta a dentro a sua querida esposa com aquele olhar sarcástico e o sorriso no canto da boca, de tanta satisfação e muita energia. Sabe-se La o que ela andou conversando com as amigas para estar naquele fogo todo, assim ignorando aquela situação ali estabelecida de repente ela pula encima dele pronta para lhe devorar.
Ainda meio desolado e furioso, ele busca algo que lhe dê motivação, quando ele vira o seu olhar para a TV qual a primeira imagem que ele vê, isso mesmo o juiz dando as suas explicações sobre a marcação do pênalti.
E daquela inanimada criação o individuo com uma mente perturbada pelos acontecimentos, ele logo imagina que aquele desalmado e infame juiz que lhe arrancou o sonho de ser campeão certamente tem uma esposa.
Então ele se veste com a capa dos insensatos e em segundos ele se transforma em um garanhão insaciável, em minutos ele devora a sua querida esposa com a maestria dos que nasceram para o sexo.
Então o seu doce amada em delírios de prazer, e incapaz de imaginar que pensamento povoava o seu amado, ela fica a imaginar porque ele não tem a mesma atitude quando o seu time ganha.
E ao final daquele bailar de corpos em chamas já lhe é impossível esconder o seu sorriso de intensa alegria, pois ali estava a sua doce vingança para aquele insensível que lhe arrancou o titulo.E assim ele segue arrastando suas ilusões de grandeza ao sabor do momento, até que recomece novamente o campeonato.
E a sua doce amada a lhe desejar que seu time nunca venha a ganhar.

Pensamento do Dia:

“A infelicidade deve ser devorada a cada segundo, para que você não corra o risco dela se perpetuar no teu viver.  Então nunca se esqueça de tomar uma overdose de novos sonhos a cada alvorecer.”


Esta e mais de 90 outras frases estão nesta edição comemorativa.
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