quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Poesia De quinta Na Usina: D'Araújo: Janela do Tempo:


Sou apenas um menino travesso,
olhando pela fresta da Janela do tempo,
e vendo a alma do mundo pelo avesso.

D'Araújo.

Poesia De quinta Na Usina: Fernando Pessoa:110:


" Cada qual tem o seu álcool. Tenho álcool bastante em existir. 
Bêbado de me sentir, vagueio
e ando certo. Se são horas, recolho ao escritório como qualquer outro. 
Se não são horas, vou
até o rio fitar o rio, como qualquer outro. Sou igual. 
E por detrás de isso, céu meu, constelome

às escondidas e tenho o meu infinito."









Do Livro do Desassossego - Bernardo Soares
Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)
Fonte: http://www.cfh.ufsc.br/~magno/

Poesia De Quinta Na Usina:Machado de Assis: Flor da Mocidade:


Eu conheço a mais bela flor;
És tu, rosa da mocidade,
Nascida, aberta para o amor.
Eu conheço a mais bela flor.
Tem do céu a serena cor,
E o perfume da virgindade.
Eu conheço a mais bela flor,
És tu, rosa da mocidade.
Vive às vezes na solidão,
Como filha da brisa agreste.
Teme acaso indiscreta mão;
Vive às vezes na solidão.
Poupa a raiva do furacão
Suas folhas de azul-celeste.
Vive às vezes na solidão,
Como filha da brisa agreste.
Colhe-se antes que venha o mal,
Colhe-se antes que chegue o inverno;
Que a flor morta já nada vale.
Colhe-se antes que venha o mal.
Quando a terra é mais jovial
Todo o bem nos parece eterno.
Colhe-se antes que venha o mal,

Colhe-se antes que chegue o inverno.


Texto-fonte: Falenas:
Obra Completa, Machado de Assis, vol. II,
Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.
Publicado originalmente no Rio de Janeiro, por B.-L. Garnier, em 1870.

Poesia De quinta Na Usina: D'Araújo: Ventos:


Tão importante quanto construir abrigo 
para se proteger dos furacões 
da nossa breve existência.


É aprender a reconhecer os ventos 
que antecedem as tempestades 
que nos consome.

Poesia De Quinta Na Usina: Machado de Assis: SUAVE MARI MAGNO:


Lembra-me que, em certo dia,
Na rua, ao sol de verão,
Envenenado morria
Um pobre cão.
Arfava, espumava e ria,
De um riso espúrio e bufão,
Ventre e pernas sacudia
Na convulsão.
Nenhum, nenhum curioso
Passava, sem se deter,
Silencioso,
Junto ao cão que ia morrer,
Como se lhe desse gozo

Ver padecer.

Poesia De Quinta Na Usina:D'Araújo: Pra sempre:





E nas belas noites quentes, de insônias,
em que o esplendor da luz prateada do Luar,
vier a banhar o teus lindos olhos, e o teu sorriso eterno.
Ò bela flor.

Nela estarei, há tocar teus doces lábios,

para saciar o teu desejo do amar pra sempre... 


Conteúdo do livro:

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Poesia De Quinta Na Usina: Fernando Pessoa: Basta Pensar em Sentir:


Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

Pensamento do Dia:

“Montado no cavalo do meu desejo em recuperar o tempo perdido ,vou explorando as imensas planícies do desconhecido, na esperança de encontrar

algo que me sirva.”



Esta e mais de 90 outras frases estão nesta edição comemorativa.
Para fazer o download grátis do livro basta clicar no link a baixo:

Quarta Na Usina: Poetisas Da Rede: Madalena Ferreira: Vou:



Vou
Dessa vez vou

Correndo ladeiras

Descendo atalhos

Vou,
De encontro
Entre fileiras
Chegar,
Chegando até
Ao fluente de mim
são tantas águas
De medos profundos
Que dormitaram em lagos
Em fatos passados
Ninguém me viu chorar
A dor que desnuda
Sacode, fere, consome
Tremulando ao vento
Sempre altaneira
Deixei a esperança
sobressair em meio a tudo....
Vou,
Afoita
Valente
Trigueira
Levar até aos confins
Acertos 
Desacertos
Caminhos felizes e anônimos
Mostrando
Que a vida 
È toda feita
Com, emendos remendos
afinal
que tem me dê, por favor
A receita
Da vida certinha ínfalivel
Somos premiados
Com scripts, vivenciais
Se cumpres tua parte
Então és um vencedor
Vou 
Dessa vez vou
tirando da cartola
Peças de de um quebra cabeças
Mas,
Vivendo,
E não vegetando......
Vou,
sei que vou
Ao fundo de mim
Madalena,



Poetisa e Cronista



Madalena Ferreira

Quarta Na Usina: Poetisas Da Rede: Lila Camargo:



Sonhar faz parte Equilíbrio das asas do tempo Particular em saudades Infinito no sentir.
 Agora no aqui da fantasia Encontro tua alma vagando Perdido na neblina do dia Londres, 
Paris... Não sei do esconderijo Tenho-te na palma Da minha mão Tocando uma gaita, Bob Dylan em fundo Musical. Afinal, sonhar também faz parte! Tânia Mara Camargo.
















Link para adquirir o Livro:
"O Grito da Alma" poesias e pensamentos
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Quarta Na Usina:Poetisas Da Rede: Maria La-Salete Sá :ECOS DO PENSAMENTO:


Em todo o tempo do mundo

não há tempo para esquecer-te,

em todo o espaço em branco

há sempre lugar para ti.



És o meu tempo e o meu espaço

na imensidão deste universo que me cerca...



Não há lugar

nem tempo algum
onde possa esquecer-te.

De Maria La-Salete Sá (06/12/1987)

Quarta Na Usina: Poetisas Da Rede: Rosa Maria Santos:NO TEU LUAR:



Lua eternamente apaixonante
Entras pela noite dentro rompante
Trazes lindos desejos de loucura
Perdidos na noite escura 


Mas com o teu luar traiçoeiro 

E por vezes tão matreiro 

Levas ao engano na ternura 

Que por vezes se transforma em amargura



Numa noite linda de luar

Ouvi a tua voz, olhei, e vi o teu olhar

Os teus olhos eram cor da paixão

Entreguei a minha alma e o meu coração



Alguém a mim se declarou

Ao seu amor me entreguei

O meu coração se apaixonou

E vê só o que ganhei 



Era tudo uma ilusão

Foste a minha perdição

Quando te desligaste de mim

Deixaste-me de rastos sim



Entreguei-me ao teu amor 

Era uma deliciosa sensação

Esse amor se transformou em dor

Quando partiste o meu coração



Alguém se declarou a mim

Eu julguei que era amor sim

Nunca mais vou acreditar

O meu coração, ninguém mais o vai ocupar



Teu luar, ó lua é repleto de sentimentos

A cada instante, no teu luar alguém se está a declarar

A declaração pode ser linda, romântico e verdadeira

Mas muitas vezes acabamos por sofrer uma vida inteira



No teu luar, altivo, cativante, não és capaz

De evitar esse mal essa dor, para ti tanto faz

Ficas a observar o que se passa à tua volta no universo

Ao longo dos tempos, o teu fascínio tornou-se perverso



Era uma vez uma linda história de amor

Que nasceu no meu coração numa noite de luar

Quando o teu luar a terra vem visitar fico a pensar

Triste e saudosista observo-te com um sorriso a sonhar



Sines, 26 de Novembro de 2013

Autoria de: Rosa Maria Santos
























Link para Download do Manual Prático de Bioga;

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Terça Na Usina: Blogs De Literatura Na Rde:VAREJO SORTIDO: A LITERATURA DE LUIZ ALBERTO MACHADO



VAREJO SORTIDO: A LITERATURA DE LUIZ ALBERTO MACHADO: LITERATURA – Reunião dos livros publicados em verso e prosa. POESIA PRIMEIRA REUNIÃO (Antologia poética 1982/199...

Terça Na Usina: Blogs De Literatura Na Rede:POETISA TONHA MOTA: A BRISA, E O MAR:



Terça Na Usina: Blogs De Literatura Na Rede: "Amor Feito Poesia": AS SEM-RAZÕES DO AMOR:



"Amor Feito Poesia": AS SEM-RAZÕES DO AMOR: Eu te amo porque te amo. Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor...

Terça Na Usina: Blogs De Literatura Da Rede:Meu Universo de Poemas & Poesias ::: Pra Você



:: Meu Universo de Poemas & Poesias ::: Pra Você: É pra você as minhas palavras mais bonitas, O sorriso mais belo, O sentimento mais verdadeiro. É você quem desperta em mim o melhor qu...

São Paulo ganha novas livrarias especializadas em publicações independentes: Por: MARIA FERNANDA RODRIGUES:



06/02/2016 | 06h00

Ilustrarquia chega em março para fazer companhia à Ugra Press - que, recentemente, deixou de ser uma loja apenas virtual
Há seis meses a cena se repete. Douglas Utescher abre a porta da loja 116 da Galeria Ouro Velho, na Augusta, olha ao redor, respira fundo e sente aquele orgulho: “Eu tenho uma livraria”. Ele, 38, e Dani, 32, são donos da Ugra Press, que começou como editora em 2010, virou loja virtual em 2013, participou de várias feiras de livro e, em agosto do ano passado, inaugurou sua primeira loja física. Dedicada desde sempre a publicações independentes, sobretudo a HQ, a Ugra conquistou seu espaço numa cidade que já contava com lojas bem estabelecidas, como a Comix, HQ Mix, Gibiteria, Monkix, Cidade de Papel e Terramédia, Banca Tatuí, entre outras, além de sebos especializados. Cada uma, no entanto, tinha um perfil diferente. No próximo mês, depois de tanto investimento, ela deve fechar pela primeira vez no azul. E também em março, ela vai ganhar nova concorrente.


A história começa com a publicação do Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Independentes - o primeiro dos 15 títulos lançados pela Ugra. “Vimos que havia uma quantidade grande de material sendo produzido e que as pessoas não conheciam. Eu tinha, sim, o desejo de editar, mas surgiu também o desejo de dar visibilidade para esse material que já existia”, diz Douglas. O acesso a essa produção é difícil. “Se a pessoa quer comprar 10 livros, ela tem que falar com 10 autores diferentes, fazer 10 pagamentos diferentes, receber 10 envelopes. A ideia da loja virtual surgiu nesse contexto”, completa. Ela foi inaugurada com 30 títulos. Os clientes foram chegando, pedindo um título aqui e outro ali, e o acervo foi crescendo aos poucos. Hoje, são cerca de 1.500 títulos.

Saiba Mais:

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Anna Granado: Verde Esperança!: Oi gente tudo bem? Mesmo com bastante dificuldades para postar devido estar trabalhando e estudando muito, aqui mais um post com umas de mi...

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Messias Indeciso - Raul Seixas

Crônica De Segunda Na Usina: BBB: Bestas, Babacas e Bitolados: DECADÊNCIA DA CULTURA BRASILEIRA:



Por Luis Fernando Veríssimo 


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.

Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores).
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…. , estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… ,•visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

Fonte; Face book: Edilson Mourão

Crônicas De Segunda Na Usina: Machado de Assis: Palinódia do ministério -O Sr.Ministro do Império e a “Gazeta da Tarde” :

24 DE DEZEMBRO DE 1861.
Paula Brito – Questão diplomática – Palinódia do ministério -O
Sr.Ministro do Império e a “Gazeta da Tarde” – Os homens
sérios; reentrada da artista Gabriela – Partida da companhia
francesa – o Sr. Macedo Soares – Colégio da Imaculada
Conceição.
Mais um! Este ano há de ser contado como um obituário ilustre, onde
todos, o amigo e o cidadão, podem ver inscritos mais de um nome
caro ao coração e ao espírito.
Longa é a lista dos que no espaço desses doze meses que estão a
expirar, tem caído ao abraço tremendo daquela leviana, que não
distingue os amantes, como diz o poeta.
Agora é um homem que, pelas suas virtudes sociais e políticas, por
sua inteligência e amor ao trabalho, havia conseguido a estima geral.
Começou como impressor, como impressor morreu. Nesta modesta
posição tinha em roda de si todas as simpatias.
Paula Brito foi um exemplo raro e bom. Tinha fé nas suas crenças
políticas, acreditava sinceramente nos resultados da aplicação delas;
tolerante, não fazia injustiça aos seus adversários; sincero, nunca
transigiu com eles.
Era também amigo, era, sobretudo, amigo.
Amava a mocidade, porque sabia que ela é a esperança da pátria, e,
porque a amava estendia-lhe quanto podia a sua proteção.
Em vez de morrer, deixando uma fortuna, que o podia, morreu pobre
como vivera graças ao largo emprego que dava às suas rendas e ao
sentimento generoso que o levava na divisão do que auferia do seu
trabalho.
Nestes tempos de egoísmo e cálculo, deve-se chorar a perda de
homens que, como Paula Brito, sobressaem na massa comum dos
homens.
........................................................
Nas colunas do “Jornal do Comércio” continuam a aparecer os
contendores da questão diplomática. “Scoevola”, depois de ter feito
sacrifício da mão direita diante de Porsena, anda mostrando que é
capaz ainda de outras coisas muito mais asseadas.
O que é divertido é ver perturbados o remanso e a paz da igreja de
Elvas. No dize tu, direi eu, declarações de alta importância vieram à
tona do debate, o que prova desconfianças, e eis que um novo
personagem, com o seu próprio nome, aparece na discussão, a
tomar contas aos indiscretos.
Não entra nas condições exíguas deste escrito, nem que entrasse,
faria uma mais larga apreciação do debate a que aludo. Menciono
apenas como obrigação, e para prevenir o leitor menos perspicaz de
que a coisa vai tomar um aspecto mais importante do que até
agora.
De política é isso o que oferece algum interesse; no mais, mar morto
e calmaria podre.
Não deixarei de consignar mais uma palinódia do ministério, que
pode chamar-se bem o ministério das palinódias. Já o Sr. Manuel
Felizardo cantou uma na questão dos correios. Suprimiu umas tantas
agências, e depois foi restabelecendo-as, já se sabe, com o aplauso
dos beneficiados.
Dizia não sei que homem de Estado que é de boa política fazer o
mal, porque depois toda a concessão é considerada um bem de valor
real. Este preceito não foi mal compreendido pelo atual chefe da
nação francesa, que depois de arrecadar todas as liberdades
públicas, vai agora concedendo, hoje uma largueza à imprensa,
amanhã, outra ao parlamento, e depois outra no sentido da
autonomia provincial, e a cada pedaço que larga à nação faminta,
esta aceita agradecida e tece louvores ao seu protetor.
Também por cá se dá o mesmo. Preceito tão salutar não podia deixar
de ser observado neste país. Semelhante à dos correios, houve
ultimamente uma do Sr. Ministro da Justiça, que acaba de
restabelecer por um aviso as prisões que competem aos oficiais da
guarda nacional.
Como sempre acontece, a reparação foi considerada um benefício
extremo; a guarda nacional agradeceu ao ministério o seu ato, e
choveram os louvores.
Isto provaria contra o país, se não fosse fato observado em outros
países. Por conhecerem da eficácia do sistema, é que os políticos o
empregam; lembremo-nos de que, já na Antigüidade, Sócrates
sentia prazer em começar a perna depois do arrocho.
A este respeito, os nossos ministros são de boa massa.
O Sr. Ministro do Império, esse, depois do longo e laborioso trabalho
da parturição moral, relativamente ao regulamento das
condecorações, ficou abatido; a crise foi tremenda; as conseqüências
não podiam ser menos.Acha-se em convalescença; o pequeno está
bom.
A propósito, lembro-me de uma gazeta que se publica nesta corte,
ao bater das trindades, e que teve a bondade de ocupar-se de
passagem com a minha humildade pessoa foi a propósito da
apreciação dos meus últimos Comentários acerca do Sr. Ministro do
Império.
Acha ela que o Sr. Ministro do Império, longe de ser vulgar na
tribuna e no gabinete, é uma figura eminentíssima tanto neste como
naquela ; acredite quem quiser na sinceridade da gazeta de luscofusco,
eu não; sei bem que ela..ia escrevendo um verbo que ainda
não adquiriu direito de cidade ; direi por outro modo : sei que ela faz
a corte ao Sr. ministro. Está no seu direito; mas agora, querer
encaracolar os cabelos de S. Excia. à minha custa, isto é que é um
pouco duro.
Passemos leitor, ao teatro.
O Ginásio representou domingo um drama do repertório português,
Os homens sérios, de Ernesto Biester, para reentrada da Sra.
Gabriela da Cunha.
A reentrada de uma artista como a Sra. Gabriela não é um fato
comum e sem valor; ocorre-me, portanto, o dever de mencioná-lo
nesta revista.
O drama de Ernesto Biester é para mim uma composição de bom
quilate. Bem travado e bem deduzido, interessa, comove, oferece
lances bem preparados e cenas traçadas por mão hábil. Dos dramas
que conheço deste autor é este o que se me afigura mais completo.
Desapareceram nos Homens sérios os defeitos que eu sempre achei
no Rafael. Há na peça de que trato mais movimento que nesta
última, e menos expansão da fibra lírica, que tornava o Rafael uma
elegia, bem escrita é verdade, mas uma elegia, que não pode ser um
drama.
Não menos pelo escritor se recomendam Os homens sérios; o estilo
brilhante e conciso, o diálogo travado sem esforço, o epigrama fino,
a frase sentimental, a expressão sentenciosa, cada coisa no seu
lugar tudo a propósito, tais e outras belezas são atestadas que
Ernesto Biester dá de seu talento, e que não podem ser recusados
por falta de reconhecimento legal.
O papel de Amélia, a protagonista, é um belo, mas difícil papel: a
Sra. Gabriela deu-lhe esse tom dramático que caracteriza as suas
melhores criações.
Os que confiavam no seu talento (e não há duas opiniões a respeito)
não se admiraram; aplaudiram e sabiam que haviam de aplaudir.
Não esqueceu o menor toque exigido pelo original do poeta; no 2.º
e 4.º atos, principalmente, esteve brilhante.
Um poeta dizia que eram flores que a artista deitava à sua antiga
platéia. Flores por flores, também o público as teve, e muitas para
pagar as que lhe deu.
Se eu fizesse crítica de teatros, entraria em apreciação mais detida
do desempenho. Mas não é assim. Só me cabe apontar muito de leve
os fatos. O Sr. Joaquim Augusto acompanhou bem a Sra. Gabriela,
no papel de Luiz Travassos, marido brutal no interior, e delicado e
solícito em público. Estas duas figuras foram as principais. No papel
da condessa a Sra. M. Fernanda fez progressos.
Devia responder agora aos dois artigos que, a respeito do Teatro, a
concorrência e o governo, publicaram no Correio Mercantil o Sr.
Macedo Soares é o verdadeiro nome das iniciais M. . S. , com que
saiu o primeiro artigo.
Permitirá o meu ilustrado e talentoso contendor que eu fuja ao
debate; por convicção de erro, não; por medo, fora possível, se eu
atendesse só a minha inferioridade pessoal, e não à consideração de
que estou no terreno da verdade.
Mas a que chegaremos nós? O Sr. Macedo Soares, nos seus dois
últimos artigos, não pôde, apesar do seu talento e da sua ilustração,
demonstrar que o teatro não escapa à lei econômica, que rege as
corporações industriais; eu continuo convencido do contrário. E pelas
condições deste escrito não me é dado estabelecer uma discussão
sobre a matéria; com as minhas espaçadas aparições o debate seria
fastidioso.
Tenho uma observação a fazer: quando eu disse que a opinião do Sr.
Macedo Soares devia ser a última lembrada, se merecesse ser
lembrada, não quis de modo algum exprimir um desdém, que
tomaria as proporções do ridículo, partindo de mim para com o Sr.
Macedo Soares.
Termino mencionando os belos resultados obtidos no colégio da
Imaculada Conceição, do sexo feminino, em Botafogo. As meninas
mostraram, perante o numeroso concurso que assistiu aos exames,
um grande adiantamento mesmo raro, entre nós.
Folgo sempre de mencionar destas conquistas pacíficas da
inteligência; são elas, hoje, os únicos proveitos para o presente e
para futuro.
Fazer mães de família é encargo difícil; por isso também, quando há

sucesso, compensam-se os espíritos.