quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Poesia De Quinta Na Usina: D'Araújo:Dinheiro:




O dinheiro é como o tempo.
Vai-se rápido e não volta mais.
Imprescindível para quase tudo

Mas se não for tratado
Com seu devido valor
Pode deixar seqüelas
Irremediáveis para todo o sempre

Da sua breve existência...


Conteúdo do livro:



















Editora: www.biblioteca24x7.com.br

Poesia De Quinta Na Usina:William Shakespeare:SONETO LXV:



 Se a morte predomina na bravura Do...
O mundo inteiro é um palco
E todos os homens e mulheres não passam de meros atores
Eles entram e saem de cena
E cada um no seu tempo representa diversos papéis.


Poesia De Quinta Na Usina: Augusto dos Anjos:II:



Noute! O silêncio vinha entrando pelo mundo E ele, lúgubre e só, trôpego e cambaleando Foi-se arrastando, foi aos poucos se arrastando,

Para as bordas fatais dum precipício fundo!

Quis um momento ainda olhar para o Passado...

E em tudo que o rodeava, oito vezes, funéreo Horrorizado viu como num cemitério Cadáveres de um lado e cinzas de outro lado!

De súbito, avistando uma frondosa tília Julgou, louco, avistar a ÁRvore da Esperança...
E bateram -lhe então de chofre na lembrança A casa que deixara, os filhos, a família!

Não morreria, pois! Somente morreria Se da Vida, sozinho, ele pisasse os trilhos...
Que mal lhe haviam feito a esposa e a irmã e os filhos?! Preciso era viver! Portanto, viveria!

Viveria! E a fecunda e deleitosa seara Verde dos campos, onde arde e floresce a Crença,
Compensaria toda a sua dor imensa Tal qual o Céu a dor de Cristo compensara!

E aos tropeços, tombando, o Velho caminhava...

Caminhava, e a sonhar, bêbado de miragem, Nem viu que era chegado o termo da viagem, E amplo, a rugir-lhe aos pés, o precipício estava.

Num instante viu tudo, e compreendendo tudo, Quis fazer um esforço -- o último esforço, e o braço Pendeu exangue, o peito arqueou-se, o cansaço Empolgara-o, e ele quis falar e estava mudo!

Mudo! E a quem contaria agora as suas mágoas?! E trágico, no horror brutoda despedida
Abraçou-se com a Dor, abraçou-se com a Vida E sepultou-se ali no coração das águas!

Cantavam muito ao longe uns carmes doloridos! Eram tropeiros, era a turba trovadora
Que assim cantava, enquanto a Terra Vencedora Celebrava ao luar a Missa dos Vencidos!

E o cadáver, a toa, a flux d’água, flutua! Ninguém o vê, ninguém o acalenta, o acalenta...

Somente entre a negrura atra da terra poenta Alguém beija, alguém vela o cadáver: a Lua!

Poesia De Quinta Na Usina: Augusto dos Anjos: ESTROFES SENTIDAS:



Eu sei que o Amor enche o Universo todo E se prende dos poetas à guitarra
Como o pólipo que se agarra ao lodo

E a ostra que às rochas eternais se agarra.

O amor reduz-nos a uniformes placas, Uniformiza todos os anelos
E une organizações fortes e fracas Nos mesmos laços e nos mesmos elos.

Por muito tempo eu lhe sorvi o aroma, E, desvairado, sem prever o abismo Fiz desse amor um ídolo de Roma, Eleito Deus no altar do fetichismo!

Tudo sacrifiquei para adorá-lo

-- Mas hoje, vendo o horror dos meus destroços, Tenho vontade de estrangulá-lo

E reduzi-lo muitas vezes a ossos!

Todo o ser que no mundo turbilhona Veja do Amor, à luz das minhas frases, Uma montanha que se desmorona, Estremecendo em suas próprias bases.

E em qualquer parte do Universo veja -- Sombrias ruínas de um solar egrégio E o desmoronamento duma Igreja

Despedaçada pelo sacrilégio.

A Natureza veste extraordinárias Roupagens de ouro. Além, nas oliveiras, Aves de várias cores e de várias Espécies, cantam óperas inteiras.

A compreensão da minha niilidade Aumenta à proporção que aumenta o dia E pouco a pouco o encéfalo me invade Numa clareza de fotografia.

Na área em que estou, ao matinal assomo, Passa um rebanho de carneiros dóceis...
E o Sol arranca as minhas crenças como Boucher de Perthes arrancava fósseis.

Observo então a condição tristonha Da Humanidade, ébria de fumo e de ópio,
Tal qual ela é, e não tal qual a sonha E a vê o Sábio pelo telescópio.

O Sábio vê em proporções enormes Aquilo que é composto de pequenas Partes, construindo corpos quase informes E aquilo que é uma parcela apenas.

Da observação nos elevados montes Prefiro, à nitidez real dos aspectos, Ver mastodontes onde há mastodontes E insetos ver onde há somente insetos.

A inanidade da Ilusão demonstro Mas, demonstrando-a, sinto um violento Rancor da Vida -- este maldito monstro Que no meu próprio estômago alimento!

Nisto a alma o ofício da Paixão entoa E vai cair, heroicamente, na água Da misteriosíssima lagoa

Que a língua humana denomina Mágoa!

Dos meus sonhos o exército desfila E, à frente dele, eu vou cantando a nênia Do Amor que eu tive e que se fez argila,

Como Tirteu na guerra de Messênia!

Transponho assim toda a sombria escarpa Sinistro como quem medita um crime...
E quando a Dor me dói, tanjo minha harpa E a harpa saudosa a minha Dor exprime!


Estes versos de amor que agora findo Foram sentidos na solidão de uma horta, À sombra dum verdoengo tamarindo Que representa a minha infância morta!

Poesia De Quinta Na Usina: D'Araújo: Sonhadores:




O viajante do tempo pregado em uma
imensa tela de exposição de um mundo
em movimento constante.

Alimenta os sonhadores transeuntes
com suas promessas de vida eterna.

Mas traz no seu semblante a inevitável
e triste face dos que esquecem que,
o pra sempre, é apenas hoje.



conteúdo do livro:


















Editora: www.perse.com.br


Poesia De Quinta Na Usina: Fernando Pessoa:148:


"O homem perfeito do pagão era a perfeição do homem que há; o homem perfeito do cristão a
perfeição do homem que não há; o homem perfeito do budista a perfeição de não haver
homem."
"Tudo quanto o homem expõe ou exprime é uma nota à margem de um texto apagado de
todo. Mais ou menos, pelo sentido da nota, tiramos o sentido de que havia de ser o do texto;

mas fica sempre uma dúvida, e os sentidos possíveis são muitos."






Do Livro do Desassossego - Bernardo Soares
Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)
Fonte: http://www.cfh.ufsc.br/~magno/

Poesia De Quinta Na Usina: Fernando Pessoa: 124:


"A ânsia de compreender, que para tantas almas nobres substitui a de agir, pertence à esfera
da sensibilidade. Substitui a Inteligência à energia, quebrar o elo entre a vontade e a emoção,
despindo de interesse todos os gestos da vida material, eis o que, conseguido, vale mais que a
vida, tão difícil de possuir completa, e tão triste de possuir parcial.
Diziam os argonautas que navegar é preciso, mas que viver não é preciso. Argonautas, nós, da

sensibilidade doentia, digamos que sentir é preciso, mas que não é preciso viver."





Do Livro do Desassossego - Bernardo Soares
Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)
Fonte: http://www.cfh.ufsc.br/~magno/

Poesia De Quinta Na Usina: Machado de Assis: A FRANCISCA:



Nunca faltaram aos poetas (quando
Poetas são de veia e de arte pura),
Para cantar a doce formosura,
Rima cantando, em direção meigo e espada.
Futebol masculino triste pena do poeta,
Só tenho áspero verso e rima dura;
Em vão minh'alma sôfrega procura
Aqueles sons que outrora achava em bando.
Assim, gentil Francisca delicada,
Não achando uma rima em que te veja
Harmoniosamente bem rimada,
Recorrerei à Santa Madre Igreja
Que rime o nome de Francisca amada
Com o nome de Heitor, que amado seja.







Poesias dispersas

Textos-source:
Obra Completa, Machado de Assis, vol. III,
Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.
Toda poesia de Machado de Assis. Org. de Cláudio Murilo Leal.

Rio de Janeiro: Editora Record, 2008.

Poesia De Quinta Na usina: Machado de Assis:PRÓLOGO DO INTERMEZZO:


(H. Heine)

Um cavalheiro havia, taciturno,
Que o rosto magro e macilento tinha.
Vagava como quem de algum noturno
Sonho levado, trépido caminha.
Tão alheio, tão frio, tão soturno,
Que a moça em flor e a lépida florinha,
Quando passar tropegamente o viam,
Às escondidas dele escarneciam.
A miúdo buscava a mais sombria
Parte da casa, por fugir à gente;
Daquele posto os braços estendia
Tomado de desejo impaciente.
Uma palavra só não proferia.
Mas, pela meia-noite, de repente,
Estranho canto e música escutava,
E logo alguém que à porta lhe tocava.
Furtivamente então entrava a amada
O vestido de espumas arrastando,
Tão vivamente fresca e tão corada
Como a rosa que vem desabrochando;
Brilha o véu; pela esbelta e delicada
Figura as tranças soltas vão brincando;
Os magos olhos dela os deles fitam,
E um ao outro de ardor se precipitam.
Com a força que amor somente gera,
O peito a cinge, agora afogueado;
O descorado as cores recupera,
E o retraído acaba namorado,
O sonhador desfaz-se da quimera...
Ela o excita, com gesto calculado;
Na cabeça lhe lança levemente
O adamantino véu alvo e luzente.
Ei-lo se vê em sala cristalina
De aquático palácio. Com espanto
Olha, e de olhar a fábrica divina
Quase os olhos lhe cegam. Entretanto,
Junto ao úmido seio a bela ondina
Ou aperta tão, tão, tão, tão ...
Vão as bodas seguir-se. As notas belas
Vêm tirando das cítaras donzelas.
As notas vêm tirando, e deleitosas
Cantam, e cada uma a dança tece
Erguendo ao ar as plantas graciosas.
Ele, tudo e tudo embevece,
Deixa-se ir nessas horas amorosas...
Mas o clarão de súbito fenece,
E o noivo torna à pálida tristura
Da antiga, solitária alcova escura.






Poesias dispersas

Textos-source:
Obra Completa, Machado de Assis, vol. III,
Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.
Toda poesia de Machado de Assis. Org. de Cláudio Murilo Leal.
Rio de Janeiro: Editora Record, 2008.

Pensamento do Dia:



“A vida é só um breve sonho, onde o maior perigo é você acordar no meio.”


Esta e mais de 90 outras frases estão nesta edição comemorativa.
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