quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Antonio Araujo - Sarau Beco dos Poetas - 26 04 2015

Poesia De Quinta Na Usina: D'Araujo: "Babel Dos Loucos:Sarau Beco dos Poetas 30 03 2014:





Babel dos loucos. (shopping Center)


Extasiado pelo desconforto do desejo e muito distante 
da necessidade, diante do ter e o poder.
Sucumbisse de uma realidade oposta.
Deparamo-nos com a claridade das luzes do consumo sem rumo.

E absolvidos pelas belezas postas às mesas da nossa perdição.
Ignoramos a própria razão levados a beira da loucura, 
ficamos todos expostos nos grandes salões dos desesperados.

Então somos todos aclamados entre aqueles que alienados 
e alimentados pelo ego, e dos seus desejos, 
entopem seus medos, vazios e incapacidades, 
com o passe livre dos imbecilizados.

Pensamento do Dia:

“Que seja eterno o meu eu em ti. No teu melhor sentir.”


Esta e mais de 90 outras frases estão nesta edição comemorativa.
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Poesia De Quinta Na Usina: Florbela Espanca: ANSEIOS À minha Júlia:



Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade? Toma cautela com a realidade; Meu pobre coração olha cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais
Não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meu seio, negra prisão!... Ai, vê lá bem, ó doido coração,

Não te deslumbre o brilho do luar! Não ´stendas tuas asas para o longe... Deixa-te estar quietinho, triste monge, Na paz da tua cela, a soluçar!...

Poesia De Quinta Na Usina: Fernando Pessoa:Tudo quanto penso:



Tudo quanto penso,
Tudo quanto sou
É um deserto imenso
Onde nem eu estou.

Extensão parada
Sem nada a estar ali,
Areia peneirada
Vou dar-lhe a ferroada
Da vida que vivi.

Poesia De Quinta Na Usina: Machado de Assis: V:




Guarda estes versos que escrevi chorando
Como um alívio à minha soledade,
Como um dever do meu amor; e quando
Houver em ti um eco de saudade,
Beija estes versos que escrevi chorando.
Único em meio das paixões vulgares,
Fui a teus pés queimar minh'alma ansiosa,
Como se queima o óleo ante os altares;
Tive a paixão indômita e fogosa,
Única em meio das paixões vulgares.
Cheio de amor, vazio de esperança,
Dei para ti os meus primeiros passos;
Minha ilusão fez-me, talvez, criança;
E eu pretendi dormir aos teus abraços,
Cheio de amor, vazio de esperança.
Refugiado à sombra do mistério
Pude cantar meu hino doloroso;
E o mundo ouviu o som doce ou funéreo
Sem conhecer o coração ansioso
Refugiado à sombra do mistério.
Mas eu que posso contra a sorte esquiva?
Vejo que em teus olhares de princesa
Transluz uma alma ardente e compassiva
Capaz de reanimar minha incerteza;
Mas eu que posso contra a sorte esquiva?
Como um réu indefeso e abandonado,
Fatalidade, curvo-me ao teu gesto;
E se a perseguição me tem cansado,
Embora, escutarei o teu aresto,
Como um réu indefeso e abandonado.
Embora fujas aos meus olhos tristes,
Minh'alma irá saudosa, enamorada,
Acercar-se de ti lá onde existes;
Ouvirás minha lira apaixonada,
Embora fujas aos meus olhos tristes.
Talvez um dia meu amor se extinga,
Como fogo de Vesta mal cuidado,
Que sem o zelo da Vestal não vinga;
Na ausência e no silêncio condenado
Talvez um dia meu amor se extinga.
Então não busques reavivar a chama.
Evoca apenas a lembrança casta
Do fundo amor daquele que não ama;
Esta consolação apenas basta;
Então não busques reavivar a chama.
Guarda estes versos que escrevi chorando,
Como um alívio à minha soledade,
Como um dever do meu amor; e quando
Houver em ti um eco de saudade,

Beija estes versos que escrevi chorando.





Crisálidas
Texto-fonte:
Obra Completa, Machado de Assis, vol. II,
Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.
Publicado originalmente no Rio de Janeiro, por B.-L. Garnier, em 1864.

Poesia De Quinta Na Usina: Florbela Espanca: CRAVOS VERMELHOS:



Bocas rubras de chama a palpitar, Onde fostes buscar a cor, o tom, Esse perfume doido a esvoaçar, Esse perfume capitoso e bom?!
Sois volúpias em flor! Ó gargalhadas Doidas de luz, ó almas feitas risos! Donde vem essa cor, ó desvairadas, Lindas flores d´esculturais sorrisos?!
...Bem sei vosso segredo...Um rouxinol Que vos viu nascer, ó flores do mal Disse-me agora: "Uma manhã, o sol,

O sol vermelho e quente como estriga De fogo, o sol do céu de Portugal Beijou a boca a uma rapariga..."

Poesia De Quinta Na Usina: Mário Quintana: Esses eternos deuses...: PARA LIANE DOS SANTOS:



Os deuses não sabem apanhar o momento esvoaçante como quem aprisiona um besouro na mão,
 não sabem o contacto delicioso, inquietante do que - só uma vez! - os dedos reterão...
 Em sua pobre eternidade, os deuses desconhecem o preço único do instante... e esse despertar, ainda palpitante,
de quem cortasse em meio um sonho vão. No entanto a vida não é sonho... Não: aberta numa flor ou na polpa de um fruto, a vida aí está, eterna: nossa mão
é que dispõe apenas de um minuto. E todos os encontros são adeuses...

(Como riem, meu pobre amor... Como riem, de nós, [esses eternos deuses!)