quinta-feira, 16 de março de 2017

Poesia De quinta Na usina: D'Araujo: Simples assim:


A vida é simples assim,
Viver e amar, amar e viver,
Viver e amar, até a existência se esvair
em um desejo eterno de poder,
ficar e continuar, há viver, e amar,
amar e viver....

Recanto dos Poetas: Poema do Dia: Avesso: D'Araújo

"Confira o poema na integra, no Recanto dos poetas"
Poema: Avesso:
A réstia que corta o horizonte, 
na linha reta do meu pensar,
Me da o repouso do aconchego do colo da vida,

que escorrega nas mãos do falso destino, de menino travesso...






Poesia De quinta Na Usina:Fernando Pessoa: A morte chega cedo:



A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.
O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.
E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte

Que Deus deixou aberto.

Poesia De Quinta Na Usina: Machado de Assis: TEU CANTO:


29 jun. 1855
A UMA ITALIANA.

É sempre nos teus cantos sonorosos
Que eu bebo inspiração.
DO AUTOR “Meu Anjo”.
Tu és tão sublime
Qual rosa entre as flores
De odores Suaves;
Teu canto é sonoro
Que excede ao encanto
Do canto
Das aves.
Eu sinto nest’alma,
Num meigo transporte,
Meu forte
Dulçor;
Se soltas teu canto
Que o peito me abala,
Que fala
De amor.
Se soltas as vozes
Que podem à calma,
Minh’alma
Volver;
Minh’alma se enleva
Num gozo expansivo
De vivo
Prazer.
Donzela, esta vida
Se eu tanto pudera,
Quisera
Te dar;
Se um beijo eu pudesse
Ardente e fugace
Na face

Pousar.

Poesia De Quinta Na Usina :Machado de Assis: NOIVADO:




Vês, querida, o horizonte ardendo em chamas?
Além desses outeiros
Vai descambando o sol, e à terra envia
Os raios derradeiros;
A tarde, como noiva que enrubesce,
Traz no rosto um véu mole e transparente;
No fundo azul a estrela do poente
Já tímida aparece.
Como um bafo suavíssimo da noite,
Vem sussurrando o vento,
As árvores agita e imprime às folhas
O beijo sonolento.
A flor ajeita o cálix: cedo espera
O orvalho, e entanto exala o doce aroma;
Do leito do oriente a noite assoma;
Como uma sombra austera.
Vem tu, agora, ó filha de meus sonhos,
Vem, minha flor querida;
Vem contemplar o céu, página santa
Que amor a ler convida;
Da tua solidão rompe as cadeias;
Desce do teu sombrio e mudo asilo;
Encontrarás aqui o amor tranqüilo...
Que esperas? que receias?
Olha o templo de Deus, pomposo e grande;
Lá do horizonte oposto
A lua, como lâmpada, já surge
A alumiar teu rosto;
Os círios vão arder no altar sagrado,
Estrelinhas do céu que um anjo acende;
Olha como de bálsamos rescende
A c'roa do noivado.
Irão buscar-te em meio do caminho
As minhas esperanças;
E voltarão contigo, entrelaçadas
Nas tuas longas tranças;
No entanto eu preparei teu leito à sombra
Do limoeiro em flor; colhi contente
Folhas com que alastrei o solo ardente
De verde e mole alfombra.
Pelas ondas do tempo arrebatados,
Até à morte iremos,
Soltos ao longo do baixel da vida
Os esquecidos remos.
Firmes, entre o fragor da tempestade,
Gozaremos o bem que amor encerra,
Passaremos assim do sol da terra

Ao sol da eternidade.




Texto-fonte: Falenas:
Obra Completa, Machado de Assis, vol. II,
Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.
Publicado originalmente no Rio de Janeiro, por B.-L. Garnier, em 1870.

Poesia De Quinta Na Usina: Fernando Pessoa: Melhor Destino.




Melhor destino que o de conhecer-se
Não frui quem mente frui. Antes, sabendo,
Ser nada, que ignorando:
Nada dentro de nada.
Se não houver em mim poder que vença
As Parcas três e as moles do futuro,
Já me dêem os deuses o poder de sabê-lo;
E a beleza, incriável por meu sestro,
Eu goze externa e dada, repetida
Em meus passivos olhos,

Lagos que a morte seca.

Poesia De Quinta Na Usina: Luís de Camões: Soneto: 042:


Amor, que o gesto humano n'alma escreve,
vivas faíscas me mostrou um dia,
donde um puro cristal se derretia

por entre vivas rosas e alva neve.

Poesia De Quinta Na Usina: Luís de Camões: Soneto:005:



Amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer; é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade,

se tão contrário a si é o mesmo Amor?