quinta-feira, 23 de março de 2017

Poesia De Quinta Na Usina: D'Araujo: Fato:


Com os olhos na janela
Vejo a vida a passar por ela
Com encanto ou desencanto não importa
O fato é que eu faço parte dela.

Vejo a vida enluarada
Vejo o lodo nas calçadas,
Mas o fato é que eu sou parte dela.

Não importa aonde vai dar a porta
Ou se o caminho às vezes entorta,
Pois a vida sempre volta,

E o fato é que sou parte dela..






Conteúdo da Obra: O Grito da alma poesias e pensamentos.
                                          Edição: 2010: Editora: www.biblioteca24x7.com.br



Poesia De Quinta Na usina:D'Araújo: Inevitável.

               

         
Como é dolorosa esta terrível
sensação de que no momento 
exato do nosso nascimento, 
na verdade já temos os exatos 
nove meses a menos nesta nossa 
breve existência.

Qual não são o desafio de sermos felizes, 
quando sabemos que a cada dia que passa 
não é um dia a mais na sua vida, e sim, um a menos.

Por que então tanta pressa com o tempo 
se ele nos leva ao inevitável fim.

D'Araujo.

Poesia De Quinta Na Usina: Cruz e Sousa: SUPREMO ANSEIO:



Esta profunda e intérmina esperança
Na qual eu tenho o espírito seguro,
A tão profunda imensidade avança
Como é profunda a idéia do futuro.

Abre-se em mim esse clarão, mais puro Que o céu preclaro em matinal bonança: 
Esse clarão, em que eu melhor fulguro, Em que esta vida uma outra vida alcança.

Sim! Inda espero que no fim da estrada
Desta existência de ilusões cravada
Eu veja sempre refulgir bem perto

Esse clarão esplendoroso e louro


Do amor de mãe – que é como um fruto de ouro, 
Da alma de um filho no eternal deserto.

Poesia De Quinta Na Usina: Cruz e Sousa: EXTREMOS:



À minha doce mãe, que desses trilhos vastos Da vida racional, tem sido o meu bom guia. Dedico, preso à garra atroz da nostalgia,
O meu bouquet de versos, dentre uns beijos castos.

A ela que, orgulhosa, impávida, resplende, Seu filho dá-lhe a alma inteira nos olhares. A ela que aprimora as curvas singulares
Do amor que unicamente a mãe só compreende.

A ela que, dos sonhos flavos que eu adoro, É sempre esse ideal querido e mais sonoro
Mais alvo que o luar, mais brando que os arminhos.


Embora sob a cúpula azúlea de outros espaços Dedico os versos meus – atiro-os ao regaço Assim como um punhado imenso de carinhos.

Poesia De Quinta Na Usina:Fernando Pessoa: A pálida luz da manhã de inverno:


 A pálida luz da manhã de inverno,
O cais e a razão
Não dão mais 'sperança, nem menos 'sperança sequer,
Ao meu coração.
O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou que não.
No rumor do cais, no bulício do rio
Na rua a acordar
Não há mais sossego, nem menos sossego sequer,
Para o meu 'sperar.
O que tem que não ser

Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar.

Poesias Inéditas:
 Fernando Pessoa :Fonte: http://www.secrel.com.br/jpoesia/fpesso.html










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Poesia De quinta Na Usina: Fernando Pessoa; Poema: Cada Coisa.


Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos.
À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.
À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo,
E casuais, interrompidas, sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do Sol) —
Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem
Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.
E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade,
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos
Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,

E há só noite lá fora.


 Poemas:Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa)
(Fonte:http://www.secrel.com.br/jpoesia/reis.html)

Poesia De Quinta Na Usina: Machado de Assis: NOIVADO:


 Vês, querida, o horizonte ardendo em chamas?
Além desses outeiros
Vai descambando o sol, e à terra envia
Os raios derradeiros;
A tarde, como noiva que enrubesce,
Traz no rosto um véu mole e transparente;
No fundo azul a estrela do poente
Já tímida aparece.
Como um bafo suavíssimo da noite,
Vem sussurrando o vento,
As árvores agita e imprime às folhas
O beijo sonolento.
A flor ajeita o cálix: cedo espera
O orvalho, e entanto exala o doce aroma;
Do leito do oriente a noite assoma;
Como uma sombra austera.
Vem tu, agora, ó filha de meus sonhos,
Vem, minha flor querida;
Vem contemplar o céu, página santa
Que amor a ler convida;
Da tua solidão rompe as cadeias;
Desce do teu sombrio e mudo asilo;
Encontrarás aqui o amor tranqüilo...
Que esperas? que receias?
Olha o templo de Deus, pomposo e grande;
Lá do horizonte oposto
A lua, como lâmpada, já surge
A alumiar teu rosto;
Os círios vão arder no altar sagrado,
Estrelinhas do céu que um anjo acende;
Olha como de bálsamos rescende
A c'roa do noivado.
Irão buscar-te em meio do caminho
As minhas esperanças;
E voltarão contigo, entrelaçadas
Nas tuas longas tranças;
No entanto eu preparei teu leito à sombra
Do limoeiro em flor; colhi contente
Folhas com que alastrei o solo ardente
De verde e mole alfombra.
Pelas ondas do tempo arrebatados,
Até à morte iremos,
Soltos ao longo do baixel da vida
Os esquecidos remos.
Firmes, entre o fragor da tempestade,
Gozaremos o bem que amor encerra,
Passaremos assim do sol da terra

Ao sol da eternidade.

Poesia De quinta Na Usina: Machado de Assis. Poema:STELLA



Já raro e mais escasso
A noite arrasta o manto,
E verte o último pranto
Por todo o vasto espaço.
Tíbio clarão já cora
A tela do horizonte,
E já de sobre o monte
Vem debruçar-se a aurora.
À muda e torva irmã,
Dormida de cansaço,
Lá vem tomar o espaço
A virgem da manhã.
Uma por uma, vão
As pálidas estrelas,
E vão, e vão com elas
Teus sonhos, coração.
Mas tu, que o devaneio
Inspiras do poeta,
Não vês que a vaga inquieta
Abre-te o úmido seio?
Vai. Radioso e ardente,
Em breve o astro do dia,
Rompendo a névoa fria,
Virá do roxo oriente.
Dos íntimos sonhares
Que a noite protegera,
De tanto que eu vertera,
Em lágrimas a pares,
Do amor silencioso,
Místico, doce, puro,
Dos sonhos de futuro,
Da paz, do etéreo gozo,
De tudo nos desperta
Luz de importuno dia;
Do amor que tanto a enchia
Minha alma está deserta.
A virgem da manhã
Já todo o céu domina...
Espero-te, divina,
Espero-te, amanhã.

Pensamento do Dia:

"A paixão é a forma mais simples de insanidade socialmente aceitável.”


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