quinta-feira, 27 de abril de 2017

Poesia De Quinta Na Usina: Mário Quintana: A casa fantasma:



A casa está morta?
Não: a casa é um fantasma, um fantasma que sonha
com a sua porta de pesada aldrava, com os seus intermináveis corredores
que saíam a explorar no escuro os mistérios da noite e que as luas, por vezes, enchiam de um lívido assombro...
Sim! agora
a casa está sonhando

com o seu pátio de meninos pássaros.

A casa escuta... Meu Deus! a casa está louca, ela não [sabe
que em seu lugar se ergue um monstro de cimento e [aço:
há sempre uma cidade dentro de outra

e esse eterno desentendido entre o Espaço e o Tempo.

Casa que teimas em existir a coitadinha da velha casa!

Eu também não consegui nunca afugentar meus [pássaros.

Poesia De Quinta Na Usina: Mario Quintana:O descobridor:




Ah, essa gente que me encomenda um poema
com tema...

Como eu vou saber, pobre arqueólogo do futuro, o que inquietamente procuro em minhas escavações do ar?
Nesse futuro, tão imperfeito, vão dar,
desde o mais inocente nascituro, suntuosas princesas mortas há milênios,
palavras desconhecidas mas com todas as letras [misteriosamente acesas
palavras quotidianas

enfim libertas de qualquer objeto E os objetos...

Os atônitos objetos que não sabem mais o que são no terror delicioso da Transfiguração!

Poesia De Quinta Na Usina:Machado de Assis: A Augusta.


1859

Em teu caminho tropeçaste — agora!
Cala esse pranto, minha pobre flor.
Caída mesmo — tropeçando embora,
Conserva a alma um último pudor.
Deve ser grande esse martírio lento...
Já nos espinhos a minha alma pus;
Sou como um Cireneu do sofrimento;
Deixa-me ao menos carregar-te a cruz.
Eu sei medir as lágrimas vertidas
Na sombra e só sem uma mão sequer!
Vês tu as minhas pálpebras doridas?
Têm chorado talvez por ti, mulher!
É fraqueza chorar? chorei contigo;
Que a mesma nos banhou de luz
Como em mim um pesar profundo e antigo
No falar dessa fronte se traduz!
Sei como custa desfolhar um riso
Em face às turbas, que o senti por mim,
Ver o inferno e falar do paraíso,
Sentir os golpes e abraçar Caim!
Chorei, que prantos! Prometeu atado
Ao rochedo da vida e sem porvir!
Poeta neste século infamado
Que mata as almas e condena a rir.
Cansei, perdi aquela fé robusta
Que como a ti, nos sonhos me sorriu;
Na identidade do calvário, Augusta,
Bem vês como o destino nos mentiu!
Ergue-te pois! A redenção agora
Dá-te mais viço, minha pobre flor!
Se tropeçaste no caminho embora!

Na tua queda é-te bordão — o amor!

Poesia De Quinta Na Usina:Fernando Pessoa: Bocas Roxas.



Bocas roxas de vinho,
Testas brancas sob rosas,
Nus, brancos antebraços
Deixados sobre a mesa;
Tal seja, Lídia, o quadro
Em que fiquemos, mudos,
Eternamente inscritos
Na consciência dos deuses.
Antes isto que a vida
Como os homens a vivem
Cheia da negra poeira
Que erguem das estradas.
Só os deuses socorrem
Com seu exemplo aqueles
Que nada mais pretendem

Que ir no rio das coisas.

Poesia De quinta Na Usina:D'Araújo: Ralo (M, C, A: Eme, ci, êi).



Eu vou dizer vocês vão me ouvir
M, C, A não vai partir.
Eu vou dizer como se diz
Ele é mais forte
Do que pó de giz
Eu vou dizer sem reclamar
M, C, A sempre vai voltar.

E quando ele voltar o bicho vai pegar.

M, C, A.  M, C, A
Eu sei que você sabe
Que eu seu que você
Sabe que eu sei M, C, A.

  Na conta do rosário
Ou na crista do galo
Não me abalo M, C, A.
      
   M, C, A. ponha a boca.
No trombone
E não sobra nem um nome
Sem se sujar


Eu caio na cama
Você cai na lama
Lama que respinga
No país inteiro
Lama do banheiro
Lama do dinheiro que
Usa ate cueca para se guardar


Não vai sobrar ninguém
Nem um vintém
Ou mesmo tostão
Tanto faz milhão
  É tudo da nação
Nação que trabalha
 
  Nação que rala
No ralo da vida
Deixando a ferida
Em suas mãos.
       
  Nosso dinheiro foi pro ralo
Não me abalo
Ralo do doutor, do professor.
Ou do policial
Que julga mal
O trabalhador.
               
Tem juiz na cadeia
Tem mulher feia
Pedindo trocado
Lá no metrô

E se ele falar
Vai respingar
No mundo inteiro
No estrangeiro
No pardieiro
Ou mesmo no bueiro

Se você olhar...

Poesia De Quinta Na Usina: Machado De Assis: MUSA DOS OLHOS VERDES:

Musa dos olhos verdes, musa alada,
Ó divina esperança,
Consolo do ancião no extremo alento,
E sonho da criança;
Tu que junto do berço o infante cinges
Cos fúlgidos cabelos;
Tu que transformas em dourados sonhos
Sombrios pesadelos;
Tu que fazes pulsar o seio às virgens;
Tu que às mães carinhosas
Enches o brando, tépido regaço
Com delicadas rosas;
Casta filha do céu, virgem formosa
Do eterno devaneio,
Sê minha amante, os beijos recebe,
Acolhe-me em teu seio!
Já cansada de encher lânguidas flores
Com as lágrimas frias,
A noite vê surgir do oriente a aurora
Dourando as serranias.
Asas batendo à luz que as trevas rompe,
Piam noturnas aves,
E a floresta interrompe alegremente
Os seus silêncios graves.
Dentro de mim, a noite escura e fria
Melancólica chora;
Rompe estas sombras que o meu ser povoam;

Musa, sê tua a aurora!

Poesia De Quinta Na Usina: Poema: Esplendor:





                            O esplendor do teu
sorriso.
     A meiguice do teu
       Olhar.
                           O necta dos teus lábios.
                              E as incomparáveis Curvas do teu belo Corpo. 
                 Faz-me acreditar em perfeição.

D'Araujo.




Pensamento do Dia:

Respeitar aos mais velhos, não é respeitar ao próximo. É simplesmente respeitar a si mesmo em um futuro bem próximo.


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