segunda-feira, 1 de maio de 2017

Coisas do coração - Raul Seixas

Crônicas De Segunda Na Usina: Machado de Assis: Palinódia do ministério -O Sr.Ministro do Império e a “Gazeta da Tarde” :

24 DE DEZEMBRO DE 1861.
Paula Brito – Questão diplomática – Palinódia do ministério -O
Sr.Ministro do Império e a “Gazeta da Tarde” – Os homens
sérios; reentrada da artista Gabriela – Partida da companhia
francesa – o Sr. Macedo Soares – Colégio da Imaculada
Conceição.
Mais um! Este ano há de ser contado como um obituário ilustre, onde
todos, o amigo e o cidadão, podem ver inscritos mais de um nome
caro ao coração e ao espírito.
Longa é a lista dos que no espaço desses doze meses que estão a
expirar, tem caído ao abraço tremendo daquela leviana, que não
distingue os amantes, como diz o poeta.
Agora é um homem que, pelas suas virtudes sociais e políticas, por
sua inteligência e amor ao trabalho, havia conseguido a estima geral.
Começou como impressor, como impressor morreu. Nesta modesta
posição tinha em roda de si todas as simpatias.
Paula Brito foi um exemplo raro e bom. Tinha fé nas suas crenças
políticas, acreditava sinceramente nos resultados da aplicação delas;
tolerante, não fazia injustiça aos seus adversários; sincero, nunca
transigiu com eles.
Era também amigo, era, sobretudo, amigo.
Amava a mocidade, porque sabia que ela é a esperança da pátria, e,
porque a amava estendia-lhe quanto podia a sua proteção.
Em vez de morrer, deixando uma fortuna, que o podia, morreu pobre
como vivera graças ao largo emprego que dava às suas rendas e ao
sentimento generoso que o levava na divisão do que auferia do seu
trabalho.
Nestes tempos de egoísmo e cálculo, deve-se chorar a perda de
homens que, como Paula Brito, sobressaem na massa comum dos
homens.
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Nas colunas do “Jornal do Comércio” continuam a aparecer os
contendores da questão diplomática. “Scoevola”, depois de ter feito
sacrifício da mão direita diante de Porsena, anda mostrando que é
capaz ainda de outras coisas muito mais asseadas.
O que é divertido é ver perturbados o remanso e a paz da igreja de
Elvas. No dize tu, direi eu, declarações de alta importância vieram à
tona do debate, o que prova desconfianças, e eis que um novo
personagem, com o seu próprio nome, aparece na discussão, a
tomar contas aos indiscretos.
Não entra nas condições exíguas deste escrito, nem que entrasse,
faria uma mais larga apreciação do debate a que aludo. Menciono
apenas como obrigação, e para prevenir o leitor menos perspicaz de
que a coisa vai tomar um aspecto mais importante do que até
agora.
De política é isso o que oferece algum interesse; no mais, mar morto
e calmaria podre.
Não deixarei de consignar mais uma palinódia do ministério, que
pode chamar-se bem o ministério das palinódias. Já o Sr. Manuel
Felizardo cantou uma na questão dos correios. Suprimiu umas tantas
agências, e depois foi restabelecendo-as, já se sabe, com o aplauso
dos beneficiados.
Dizia não sei que homem de Estado que é de boa política fazer o
mal, porque depois toda a concessão é considerada um bem de valor
real. Este preceito não foi mal compreendido pelo atual chefe da
nação francesa, que depois de arrecadar todas as liberdades
públicas, vai agora concedendo, hoje uma largueza à imprensa,
amanhã, outra ao parlamento, e depois outra no sentido da
autonomia provincial, e a cada pedaço que larga à nação faminta,
esta aceita agradecida e tece louvores ao seu protetor.
Também por cá se dá o mesmo. Preceito tão salutar não podia deixar
de ser observado neste país. Semelhante à dos correios, houve
ultimamente uma do Sr. Ministro da Justiça, que acaba de
restabelecer por um aviso as prisões que competem aos oficiais da
guarda nacional.
Como sempre acontece, a reparação foi considerada um benefício
extremo; a guarda nacional agradeceu ao ministério o seu ato, e
choveram os louvores.
Isto provaria contra o país, se não fosse fato observado em outros
países. Por conhecerem da eficácia do sistema, é que os políticos o
empregam; lembremo-nos de que, já na Antigüidade, Sócrates
sentia prazer em começar a perna depois do arrocho.
A este respeito, os nossos ministros são de boa massa.
O Sr. Ministro do Império, esse, depois do longo e laborioso trabalho
da parturição moral, relativamente ao regulamento das
condecorações, ficou abatido; a crise foi tremenda; as conseqüências
não podiam ser menos.Acha-se em convalescença; o pequeno está
bom.
A propósito, lembro-me de uma gazeta que se publica nesta corte,
ao bater das trindades, e que teve a bondade de ocupar-se de
passagem com a minha humildade pessoa foi a propósito da
apreciação dos meus últimos Comentários acerca do Sr. Ministro do
Império.
Acha ela que o Sr. Ministro do Império, longe de ser vulgar na
tribuna e no gabinete, é uma figura eminentíssima tanto neste como
naquela ; acredite quem quiser na sinceridade da gazeta de luscofusco,
eu não; sei bem que ela..ia escrevendo um verbo que ainda
não adquiriu direito de cidade ; direi por outro modo : sei que ela faz
a corte ao Sr. ministro. Está no seu direito; mas agora, querer
encaracolar os cabelos de S. Excia. à minha custa, isto é que é um
pouco duro.
Passemos leitor, ao teatro.
O Ginásio representou domingo um drama do repertório português,
Os homens sérios, de Ernesto Biester, para reentrada da Sra.
Gabriela da Cunha.
A reentrada de uma artista como a Sra. Gabriela não é um fato
comum e sem valor; ocorre-me, portanto, o dever de mencioná-lo
nesta revista.
O drama de Ernesto Biester é para mim uma composição de bom
quilate. Bem travado e bem deduzido, interessa, comove, oferece
lances bem preparados e cenas traçadas por mão hábil. Dos dramas
que conheço deste autor é este o que se me afigura mais completo.
Desapareceram nos Homens sérios os defeitos que eu sempre achei
no Rafael. Há na peça de que trato mais movimento que nesta
última, e menos expansão da fibra lírica, que tornava o Rafael uma
elegia, bem escrita é verdade, mas uma elegia, que não pode ser um
drama.
Não menos pelo escritor se recomendam Os homens sérios; o estilo
brilhante e conciso, o diálogo travado sem esforço, o epigrama fino,
a frase sentimental, a expressão sentenciosa, cada coisa no seu
lugar tudo a propósito, tais e outras belezas são atestadas que
Ernesto Biester dá de seu talento, e que não podem ser recusados
por falta de reconhecimento legal.
O papel de Amélia, a protagonista, é um belo, mas difícil papel: a
Sra. Gabriela deu-lhe esse tom dramático que caracteriza as suas
melhores criações.
Os que confiavam no seu talento (e não há duas opiniões a respeito)
não se admiraram; aplaudiram e sabiam que haviam de aplaudir.
Não esqueceu o menor toque exigido pelo original do poeta; no 2.º
e 4.º atos, principalmente, esteve brilhante.
Um poeta dizia que eram flores que a artista deitava à sua antiga
platéia. Flores por flores, também o público as teve, e muitas para
pagar as que lhe deu.
Se eu fizesse crítica de teatros, entraria em apreciação mais detida
do desempenho. Mas não é assim. Só me cabe apontar muito de leve
os fatos. O Sr. Joaquim Augusto acompanhou bem a Sra. Gabriela,
no papel de Luiz Travassos, marido brutal no interior, e delicado e
solícito em público. Estas duas figuras foram as principais. No papel
da condessa a Sra. M. Fernanda fez progressos.
Devia responder agora aos dois artigos que, a respeito do Teatro, a
concorrência e o governo, publicaram no Correio Mercantil o Sr.
Macedo Soares é o verdadeiro nome das iniciais M. . S. , com que
saiu o primeiro artigo.
Permitirá o meu ilustrado e talentoso contendor que eu fuja ao
debate; por convicção de erro, não; por medo, fora possível, se eu
atendesse só a minha inferioridade pessoal, e não à consideração de
que estou no terreno da verdade.
Mas a que chegaremos nós? O Sr. Macedo Soares, nos seus dois
últimos artigos, não pôde, apesar do seu talento e da sua ilustração,
demonstrar que o teatro não escapa à lei econômica, que rege as
corporações industriais; eu continuo convencido do contrário. E pelas
condições deste escrito não me é dado estabelecer uma discussão
sobre a matéria; com as minhas espaçadas aparições o debate seria
fastidioso.
Tenho uma observação a fazer: quando eu disse que a opinião do Sr.
Macedo Soares devia ser a última lembrada, se merecesse ser
lembrada, não quis de modo algum exprimir um desdém, que
tomaria as proporções do ridículo, partindo de mim para com o Sr.
Macedo Soares.
Termino mencionando os belos resultados obtidos no colégio da
Imaculada Conceição, do sexo feminino, em Botafogo. As meninas
mostraram, perante o numeroso concurso que assistiu aos exames,
um grande adiantamento mesmo raro, entre nós.
Folgo sempre de mencionar destas conquistas pacíficas da
inteligência; são elas, hoje, os únicos proveitos para o presente e
para futuro.
Fazer mães de família é encargo difícil; por isso também, quando há

sucesso, compensam-se os espíritos.

Só é Eterno aquele que morreu:



Morreu hoje aos oitenta e dois anos.
Um pouco da verdade,
Um pouco do sorriso do outro,
Um pouco da vontade nossa.
Um pouco, do pouco que temos, que reflete o mundo.
Morreu.
Um pouco da provocação que fazia a alma alheia refletir sobre,
o que nos faz aceitarmos vivermos em um curral da consciência.
Morreu.
A vida que dava vida, as vozes que não falavam.
Mas ainda há vida em suas palavras.
Então que elas Não morram.
Hoje morreu a provocação, que move o ser em todas as direções.
Hoje, morreu, Antonio...Seu sobrenome, somos nós, a gritar as palavras que calam.
Hoje, Morreu.

Obrigado, por me dar o prazer de lhe ouvir, em palavras e gestos, ao vivo como um manifesto.

D'Araújo.

Revista eisFluências de Agosto/2016:



O GRITO
António D'Araújo.  

 Então nós não vamos fazer nada.
A truculência vencendo o bom censo.
A violência estampada na cara
De cada um de nós.

Até quando vão tombar,
Manoel, João e Joaquim?
Até quando os eleitos vão ficar
Trancados em seus palacetes
A ignorar a realidade que os cercam.

Até quando vamos blindar nossas fortalezas
Enquanto os filhos da corrupção em seus barracões
Tramam mais uma ação?

Será que todos eles vão fechar os olhos

E entupir os próprios ouvidos.....


Revista eisFluências de Agosto/2016

Para Ler a Revista e o poema na intégraclicar em:

Crônica De Segunda Na Usina: BBB: Bestas, Babacas e Bitolados: DECADÊNCIA DA CULTURA BRASILEIRA:



Por Luis Fernando Veríssimo 


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.

Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores).
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…. , estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… ,•visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

Fonte; Face book: Edilson Mourão

Crônicas De Segunda Na Usina: D'Araújo: Consciência ou burrice adquirida:


A mais de três décadas venho acompanhando a trajetória política da nossa delapidada Pátria. Vejo hoje cidadãos indo as ruas para lutar pelos seus direitos.
Quem dera que os fossem.
Pois estamos todos assistindo de braços cruzados, a uma guerra política escandalosa.
Onde os abutres que se passam por políticos, se engalfinham para tirar proveitos próprios.
Essas legendas que alto intitulam partidos políticos, mas que a condutas dos seus colegiados estão longe disto, pois são apenas representantes de classe, em guerra para abocanhar uma fatia do bolo.
Todos estão pouco se lixando para os reais problemas da nação.
Que mim desculpe os menos avisado, ou mal informados, pois nestes casos a matemática é bem simples.
Qual estado da federação governado, seja pelo partido do governo ou da oposição.
Onde temos uma educação, Saúde ou segurança publica que possamos nos orgulhar.
Quando é que vamos deixar de brigar pela fatia maior do bolo, e vamos passar a lutar todos juntos pela igualdade de direito, já que os nossos nobres políticos fingem não conhecer a nossa constituição. e os órgãos responsáveis pelo o seu cumprimento fazem vistas grossas.
Até quando vamos ficar assistindo a um bando de hipócritas de todas as legendas fazerem banquete com o dinheiro publico.
Quando é que todos nós vamos criar vergonha na cara, e fingir que estamos preocupados com a nossa pátria, até receber as migalhas que eles deixam cair das gordas fatias de cada um deles.
Ou paramos de falar e passamos a fazer o que tem que ser feito.
Ou é questão de tempo, para que os efeitos colaterais estarão batendo a nossa porta.
Seja na saúde, seja na Educação, ou na segurança.
E pode acreditar você não vai achar um lugar seguro para fugir delas não.
Seja você rico pobre ou classe média. Ou trocamos a nossa santa hipocrisia política por consciência ou nossa pátria vai se transformar em terra de ninguém, ai caros amigos não adianta você aumentar a altura do muro, colocar grades ou blindar os seus luxuosos caros, pois os verdadeiros marginais moram ao seu lado no mesmo condomínio.
Espero que os meus netos não estejam daqui a umas três décadas discutidas soluções para estes velhos problemas.
O mundo não está ficando pior, estamos apenas colhendo os frutos podres da nossas própria falta de consciência da coletividade.  Se continuarmos agindo assim feito imbecil cada um correndo atrás do seu, e que o próximo se dane.

Estaremos rumando para um caos inevitável.
Ou acordamos ou vão nos colocar pra dormir a qualquer hora.

D'Araújo.