quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Poesia De Quinta Na Usina: Machado de Assis: LINDÓIA:


Vem, vem das águas, mísera Moema,
Senta-te aqui. As vozes lastimosas
Troca pelas cantigas deleitosas,
Ao pé da doce e pálida Coema.
Vós, sombras de Iguaçu e de Iracema,
Trazei nas mãos, trazei no colo as rosas
Que o amor desabrochou e fez viçosas
Nas laudas de um poema e outro poema.
Chegai, folgai, cantai. É esta, é esta
De Lindóia, que a voz suave e forte
Do vate celebrou, a alegre festa.
Além do amável, gracioso porte,
Vede o mimo, a ternura que lhe resta.

Tanto inda é bela no seu rosto a morte!

Poesia De Quinta Na Usina:Machado de Assis: Condão.





C'est que j'ai recontré des regards dont la
flamme
Semble avec mes regards ou briller ou
mourir.
E. DESCHAMPS

Uns olhos me enfeitiçaram,
Uns olhos... foram os teus.
Falaram tanto de amores
Embebidos sobre os meus!
Eram anjos que dormiam
Dessas pálpebras à flor
Nas convulsões palpitantes
Dos alvos sonhos de amor.
Foi à noite... hora das fadas;
Bem lhes sentira o condão;
Mas refletiam tão puras
Os sonhos do coração!
Como ao sol do meio-dia
Dorme a onda à flor do mar,
Eu dormi, — pobre insensato,
Ao fogo do teu olhar...
Pobre, doida mariposa,
Perdi-me... — pecados meus!
Na chama que me atraía,
No fogo dos olhos teus.
Venci protestos de outrora,
Moirei no teu alcorão,
E vim purgar nesses olhos
Pecados do coração.
Pois bem hajam os teus olhos,
Onde um tal condão achei:
Doido inseto em torno à chama,
Todo aí me queimarei.

Poesia De Quinta Na Usina:Fernando Pessoa: Azuis os Montes.





Azuis os montes que estão longe param.
De eles a mim o vário campo ao vento, à brisa,
Ou verde ou amarelo ou variegado,
Ondula incertamente.
Débil como uma haste de papoila
Me suporta o momento. Nada quero.
Que pesa o escrúpulo do pensamento
Na balança da vida?
Como os campos, e vário, e como eles,
Exterior a mim, me entrego, filho
Ignorado do Caos e da Noite

Às férias em que existo.

Poesia De Quinta Na Usina:Fernando Pessoa: As Rosas.


As Rosas amo dos jardins de Adônis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após

O pouco que duramos.

Poesia De Quinta Na Usina: D'Araujo: Meu Tom:


O que regula o meu tom,
é sempre, o volume dos argumentos,
eu falo, falo, falo, só então eu grito.
Apenas para lhe avisar que você nunca mais,
vai me ouvir...

Poesia De quinta Na usina: D'Araújo: Avesso:



A réstia que corta o horizonte, 


na linha reta do meu pensar,

Me da o repouso do aconchego do colo da vida,

que escorrega nas mãos do falso destino, de menino travesso.



Aceitando o avesso da vida que passa olhando 

as vidraças do tempo que resta, 

nos arreios da testa, 
que separa a visão, da cegueira da alma.

D'Araujo.

Conteúdo do Livro:

Poesia De quinta Na Usina: D'Araujo: Babel dos loucos. (shopping Center):


Extasiado pelo desconforto do desejo e muito 
distante da necessidade, diante do ter e o poder.
Sucumbisse de uma realidade oposta.
Deparamo-nos com a claridade das luzes do consumo sem rumo.

E absolvidos pelas belezas postas às mesas da nossa perdição.
Ignoramos a própria razão, somos levados a beira da loucura, 
então ficamos todos expostos nos grandes salões dos desesperados.


E somos todos aclamados entre aqueles 
que alienados e alimentados pelo ego, 
e os seus desejos, entopem seus medos, 
vazios e incapacidades com o passe livre dos imbecilizados.

                 D'Araujo.



Este poema faz parte da obra: 1º Seletiva Beco dos Poetas:
Uma publicação: Grupo Editorial; Beco dos Poetas e Escritores LTDA. Edição: 2011

LOGOS Nº 26 JULHO - 2017: SURDO : D'Araújo:




Uma guerra injusta,
Aonde a curva do desejo vai além da razão,
Qual a paixão sem fim, ou um amor sem começo.
Então paga-se o preço justo do absurdo.

O que tem de belo no esperar eterno,
No falante calado, ou no ouvinte surdo.
Já é claro a escuridão da observação
De não enxergar o óbvio.

De aceitar o fato, ou de aceitar a lógica,
Do despertar pro nada, e não poder viver tudo.
Como encontrar a paz,
Quando a guerra em mim já é inevitável.

Aí acordo pro mundo,
Perfeito ou imperfeito não importa.
Simplesmente vivo.

António D'Araújo
São Bernardo do Campo - Brasil