domingo, 2 de janeiro de 2022

Crônicas De segunda Na usina:D'Araújo: Sonhos baratos.


       Em um mundo cada vez mais frenético onde passamos há consumir o tempo sem se dar conta da sua exata importância, sempre acabamos todos enfileirados na mesma burrice.
De vez em quando, eu, cidadão de poucas pretensões consumista, me vejo contaminado pelo impulso do consumo. Então me pego a observar as pessoas que transitam em plena 25 de Março, o mais autentico paraíso dos insatisfeitos. Como um rebanho fora de controle, alucinados pelos holofotes do baixo prazer. Todos vão se abalroando naquela calçada que com o tempo se tornaram estreitas diante o desejo incomum de todos, em muitas vezes a calçada se torna insuficiente então muitos passam a disputar espaço com os automóveis que ali trafegam com os seus motoristas sob a mesma luz do desejo.
Todos absolutamente encantados com as belas vitrines que acalentam seu ego vazio e obscuro.
Vão aos poucos abarrotando as suas sacolas de insatisfações nas imensas prateleiras das lojas de inutilidades domesticas, onde quase tudo que se compra, jamais vão utilizá-las. Em uma interminável lista de bibelôs para enfeitar os seus mais íntimos e obscuros desejos de felicidade.
         Assim vamos ofuscando nossos fracassos com os sonhos baratos de consumir a si mesmo antes que o tempo os consuma. Sempre cegos pela interminável necessidade do ter, e ser pelo poder, violentamos os mais nobres valores em nossos delírios instantâneos sobre o efeito desta febre de insanidade temporária diante uma imensa babel de loucos. E ao longo do tempo nos tornamos repulsivos aos que nos desafiam com a sua indiferença ao nosso nobre propósito de futilidades inúteis.
Entrincheiramos os sonhos nas nossas fortalezas de hipocrisia afastando qualquer possibilidade de convívio harmonioso com o semelhante que não compactue dos mesmos desejos insolentes.

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